Um diário serve para fazer a catarse daquilo que nos apoquenta. E eu hoje estou apoquentada com a Joana. Almoçámos e senti-a triste. Mas o que me preocupa é a razão da sua tristeza.
Chegara à conclusão de que só tinha cometido erros. Quando lhe perguntei a que é que se referia contou-me que se, por acaso, os seus três maridos se encontrassem para falar dela, nenhum deles a reconheceria. Perante a minha surpresa explicou-me que no seu primeiro casamento se tinha enganado sobre quem era o João e que este se tinha enganado sobre quem ela era. Percebera, quando se divorciara, que decerto, uma parte deste engano, adviera de pistas falsas que involuntariamente haveria dado.
Meditando sobre isto decidira que, num novo casamento, não cometeria os mesmos erros. Encontrou o Tiago e casou. Mas de novo se divorciou. E, agora, porque a mulher por quem este se apaixonara era aquela que ela havia deixado de ser.
Finalmente decidiu ser ela própria. E encontrou o Manuel. Apesar da sua profissão o levar a ausências regulares que lhe eram dolorosas, a verdade é que, apesar disso ou por causa disso, eram felizes e Joana sentia-se compensada. Até ao dia em que descobriu... que o Manuel era igualmente feliz com a sua outra família a residir no Porto.
De facto, o que é que se pode dizer a alguém, depois de ouvir uma história destas? Eu só consegui dizer-lhe que, pelo menos, ela tinha três histórias para contar. É pouco e fraco consolo, mas há quem nunca tenha vivido sequer uma...
HSC



