terça-feira, 24 de março de 2015

Pessoas de quem gosto: Isabel Almasqué (5)


Tenho duas “anjas” da guarda na minha vida. Ambas se chamam Isabel. Ambas são médicas. Hoje falo da Isabel Almasqué, uma amiga de perto de duas dezenas de anos, que começou por ser amiga de amigas minhas, passou a minha oftalmologista e hoje as duas versões estão tão imbrincadas que já não sei onde começa uma e acaba a outra.
Há uns oito anos tive um problema grave de olhos. Que de vez em quando reaparece se estiver submetida a uma qualquer pressão psicológica maior. Pressão que me não deve faltar nos próximos meses...
Não sei se teria sido capaz de enfrentar a doença com confiança, se não fosse a sua imensa dedicação e a percepção que teve do quanto psicologicamente aquilo poderia afectar-me. Houve semanas em que era vista dia sim, dia não, incluindo Domingos. E sempre com um enorme sorriso nos lábios.
Há pessoas que têm, de facto, um efeito tranquilizador sobre os outros. É o seu caso. Aliado ainda, a um fortíssimo sentido do humor. Muita gente conhecida deste país lhe confia os olhos, esse bem precioso de todos nós. Não conheço ninguém que a não estime muitíssimo.
Tem outra particularidade: estuda e gosta de azulejaria, com obra publicada. E creio que é tão boa nesta especialidade, como na que escolheu da área clinica!

HSC

Página de um diário (3)

Lisboa, 24 de Março  de 2015-03-24

Sinto-me como se o mundo tivesse desabado todo sobre os meus ombros. Fui vê-los hoje. Ela, a minha cunhada, não me reconheceu, ou dito de outro modo, sabia quem eu era, mas não me localizava na sua vida. Ele, o meu irmão, pese embora não fale, mostra pelo olhar a sua imensa alegria em me ver. E, agarrado a mim, inicia uma longa conversa feita apenas de sons, aos quais tento responder com palavras que se aplicam a todas as conversas. É assim que nos rimos os dois um com o outro, e um do outro.
Escrevo estas linhas com o coração apertado. Há apenas oito meses todos nós festejávamos, em família, o facto de estarmos juntos.
Agora, depois de um AVC nele e de um progressivo Alzheimer nela, tudo mudou na vida de ambos e também na nossa que os sentimos sem reversão, à espera que a espera tenha um fim.
O mais trágico nisto tudo é pensar que há apenas oito meses este homem de 86 anos era uma pessoa com enorme capacidade intelectual, um devorador de livros e de discos, um apreciador daquilo que a vida lhe dava, gozando intensamente a casa e os amigos, esquecido já de uma carreira que o tinha mantido fora do país e de nós, por longos períodos.
Os meus irmãos são uma parte de mim. Sem a qual convivo mal. Assistir, como hoje aconteceu, mais uma vez, à menorização que a incapacidade de falar ou de se mexer lhe traz, dói-me terrivelmente. Mas pensar que, de um momento para o outro, posso mesmo perder este mínimo feito de sons e de abraços, deixa-me muito desamparada!


HSC

segunda-feira, 23 de março de 2015

Lá, como cá!

UN APERÇU DE LA CULTURE DES ADOS :

Quel est le plus grand navigateur au monde ?
- Internet Explorer !

Quelle est la capitale de Taïwan ?
- Made-In

De quelle œuvre est issue la phrase "To be or not to be" ?
- De "Questions pour un champion".
          
Pourquoi dit-on de Jules César qu'il était un dictateur ?
- Car il savait dicter plusieurs lettres à la fois ; il était très rapide.

Quelle est la taille de Hong-Kong ?
- 10 m, peut-être plus ; il est très grand !

Qui était Léonard De Vinci ?
- Un très grand écrivain ; son œuvre principale est Da Vinci Code.

Qui était Galilée ?
- Un grand savant. Avant lui, la terre ne tournait pas.
 
Qui était le Général de Gaulle ?
- Un homme dans le dictionnaire. Il fut un protestant très pratiquant, catholique même. C'est pourquoi il a été enterré dans un village avec deux églises, à Colombay.

Expliquez-moi la règle des probabilités.
- C'est une règle mathématique mais on ne sait si elle existe ou pas.

Vous êtes certain ?
- Eh non, puisqu'elle n'est que probable !

Quelles sont les trois grandes périodes de l'humanité ?
- L'âge de la pierre, l'âge du bronze et l'âge de la retraite. Ce dernier est le plus court.

Comment est mort Napoléon ?
- Il a été décapité, comme Bonaparte et tous les rois, d'ailleurs.

Parlez-moi des croisades.
- C'est un voyage organisé. Il a été organisé par le Pape pour que les chrétiens se rencontrent et discutent entre eux.

Pouvez-vous me parler de l'âge de pierre ?
- Oui, Pierre avait entre 30 et 35 ans ; c'était un apôtre du Christ.

Parlez-moi de la Révolution française.
- Les Français s'insurgent ; ils prennent la Bastille. Cela se termine le 14 juillet avec des feux d'artifice.

Parlez-moi des capacités du cerveau
- Le cerveau a des capacités tellement étonnantes que, aujourd'hui, presque tout le monde en a un.
“Je n'en suis pas persuadé !” a répondu le professeur

Qui a inventé le zéro ?
- Personne ne le sait. On peut dire que devant, il ne sert pas à grand-chose mais il est très utile car c'est le seul chiffre qui permet de compter jusqu'à 1. Sans lui, on aurait commencé à 2.

Et encore:

- La solidarité sociale a poussé l'Etat français à construire des H&M.

- Un ovale est presque rond mais quand même pas.

- La décolonisation est quelque chose de nécessaire car on ne peut laisser les enfants en colonies de vacances toute l'année.

- Si De Gaulle n'apparait pas sur les photos de la conférence de Yalta c'est parce que c'est lui qui les a faites... évidemment!            

-  Pendant la guerre, les gens étaient très occupés par l'occupation

Ah, que c'est bon de savoir que les ados ont de l'humour.

Podiamos pensar que exemplos destes só se passavam em Portugal. Afinal estamos bem acompanhados pela sabedoria dos adolescentes franceses que nasceram na terra da cultura...

HSC

sábado, 21 de março de 2015

Página de um diário (2)

Coimbra, 21 de Março de 2015

Casei hoje a minha filha Natércia. Não sei se estou contente ou não. Estou, isso sim, inquieta. De facto, e a meu ver, tudo se passou depressa demais para uma mulher que, sendo cientista, sempre levou a vida devagar.
Várias vezes, neste diário, tenho falado das diferenças substanciais que existem entre as minhas três filhas.
A Filipa, parecida com o avô paterno, é impulsiva, frontal e corajosa. Casou aos 18 anos com um homem bem mais velho e não houve quem a dissuadisse da decisão. Esteve casada quatro anos e hoje é divorciada.
A Francisca manteve-se solteira até ter, aos trinta anos,  encontrado um rapaz de vinte, com quem foi viver. Foi um drama na família que nunca percebeu tal união. Ao contrário, eu entendo-a muito bem, mas não quero meter-me nesta briga porque teria de explicar as razões porque assim penso e não estou para aí virada... A verdade é que já passou meia década e eles parecem continuar satisfeitos.
Então porque é que a festa da Natércia me terá trazido esta sensação de incómodo? É muito capaz de ser, como disse a minha mãe, porque agora estou no mesmo patamar do que ela, ou seja, somos ambas mulheres com filhos já casados.
Será?! Esta minha mãe sempre teve um jeito especial para me pôr no lugar dela...


HSC

Gett: O Processo de Viviane Amsalem


Com argumento e realização dos irmãos Ronit e Shlomi Elkabetz, "Gett" fecha a trilogia sobre o casamento, separação e divórcio iniciada no filme "To Take a Wife".
É surpreendente como o divórcio - algo tão comum e fácil no Ocidente -, pode constituir em Israel a tragédia de que esta pelicula nos dá conta.
De facto, “Gett: O Processo de Viviane Amsalem” relata a história da batalha legal que, durante cinco anos, a protagonista, irá travar junto do Tribunal Rabínico - a única autoridade legal competente para julgar estes casos em Israel. -, para se divorciar de um marido ao qual estava ligada há 30 anos mas com o qual já não vivia há bastante tempo.
Ela vai enfrentar a atitude inflexível do marido e dos conservadores juízes quando decide oficializar a separação, a fim de deixar de ser marginalizada pela sociedade conservadora em que vive.
Em Israel, os matrimónios civis não existem e mantém-se uma lei religiosa ancestral, que estipula que só o marido ou o tribunal rabínico podem conceder o divórcio. Apesar disso, Viviane quer poder contar com o sistema judicial para obter aquilo que considera ser um direito seu.
Todavia, o marido apesar de saber que nunca terá o seu amor e que união de ambos não faz já qualquer sentido, recusa-se a deixá-la seguir a sua vida.
Pesem embora todas as dificuldades, ela não desiste do seu objectivo, independentemente do preço que vai ter de pagar por essa decisão…E é esse preço que, após tudo o que passou constitui, afinal, uma verdadeira surpresa!
É um filme curioso, que talvez pudesse beneficiar com um corte de cerca de 10 minutos, mas que levanta o problema das relações entre Estado e Religião que, a meu ver, deveriam manter-se como zonas distintas da sociedade e não como um pacote a que todos os cidadãos têm de submeter-se.

HSC