quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Porquê, agora?


“Pecámos contra a dignidade dos cidadãos da Grécia, Portugal e, muitas vezes, da Irlanda também”, começou por dizer o atual presidente da Comissão Europeia. O próprio considerou que, por ter presidido ao Eurogrupo recentemente, essa declaração até pode parecer “estúpida”. O luxemburguês não quis comentar a atual situação da Grécia e preferiu dizer que as instituições europeias têm de “aprender as lições do passado” e “não repetir os mesmos erros”.
(in Observador)
Tenho muita dificuldade em perceber as estratégias políticas e custa-me muito ver a economia ser posta ao seu serviço. Julgo, até, que me não teria feito economista se, há cinquenta anos, tivesse percebido que seria esse o destino desta área de estudo.
Tento sempre perceber "a causa das coisas", mas chegada à frase de Juncker que acima cito, confesso que empanquei e não consegui vislumbrar a razão por que ela é dita agora e não quando ele substituiu Durão Barroso.
Li bastante do que por aqui se escreveu a defender e a atacar. Mas ou é incapacidade minha, ou ninguém me conseguiu explicar de modo convincente a oportunidade temporal da frase, já que o seu conteúdo não deixa qualquer dúvida. Mas, então, Juncker não esteve no Eurogrupo?!

HSC

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Buracos? Crateras...


“O município esmifra-nos de taxas e, no entanto, diz-se que não tem orçamento para tapar os buracos das ruas onde, diariamente, espatifamos os nossos carros, nesta Lisboa que mais parece Gaza depois de uma "visita" israelita.

Mas, por outro lado, vive à tripa-forra quando se trata de consertar a luz de lampiões, que só alumiam alguns.
Em que ficamos? Para uns "buracos" há dinheiro e para outros não?”

                  ( Francisco Seixas da Costa in http://duas-ou-tres.blogspot.pt/ )

Aqui, neste post, está tudo dito. É, de facto, inadmissível que pagando os portugueses o que pagam para o município,  as ruas de Lisboa estejam no estado de degradação em que se encontram. Não são só os buracos. É também o negócio de quem os tapa. Não sei como se processa este trabalho e se ele está, ou não, sujeito a concursos. 
Se está, os técnicos da CML tinham a estrita obrigação de verificar a qualidade do serviço prestado e dos materiais utilizados. Se não está, é mais grave, porque nesse caso devia haver fiscalização obrigatória e penalização séria para quem não cumprisse, utilizando material medíocre, que dias depois de ser aplicado já se encontra totalmente degradado..
Esperemos que o futuro governo do Dr. António Costa tenha mais cuidado com os buracos...

HSC

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Os "sacos legais"


Odeio prepotências, quase tanto como odeio o moralismo das "santidades políticas" que querem fazer de mim parva. Os dez centimos cobrados desde o dia 15 de Fevereiro passado pelos sacos de plástico legais, são uma prepotência e uma violência que vai trazer ao aplicador da infeliz norma mais custos do que benefícios,
Com efeito, antes as pessoas distribuiam os pesos por vários sacos que lhes eram fornecidos gratuitamente*, o que lhes permitia gerir o esforço físico dispendido da forma mais conveniente. Com a actual obrigação dos sacos reutilizáveis, enormes, fabricados no tal plástico consentido - e, claro, fonte de lucro para quem os vende - cada pessoa para poupar, tenta colocar todas as compras que efectua num só saco, o que os torna pesadíssimos. É ver o pessoal ajoujado com o peso...
O qual, a meu ver, pode muito bem vir a provocar umas belas distensões musculares que, é evidente, depois o Estado irá pagar através do SNS. E numa finíssima análise, poderemos, até, juntar mesmo uns dias de baixa que as ditas irão justificar.
Aqui temos, portanto, as vantagens dos sacos de dez centimos que o governo se lembrou de implantar. Valha-nos Deus com medidas destas. É a fiscalidade verde, é a defesa do ambiente, é a cidadania imposta à lei do martelo, é, enfim, é a idiotice chapada...
Então, se o que se pretende, com a medida, é educar para os malefícios dos anteriores, porque não serem gratuitos aqueles que obedecem às normas legais?!
Resta-me uma dúvida. E os sacos do lixo? Ainda não percebi qual a norma que se lhes aplica...

HSC

*Nalguns supermercados não eram gratuitos. Mas eram muito mais baratos....

Birdman


Devo ser a única cidadã que ousa não gostar do filme Birdman, concorrente a vários Oscares. Não li até hoje nenhuma crítica que não fosse de marcante elogio. Seguem-se alguma palavras retiradas dessas mesmas críticas que me irão ajudar a explicar porque é que não gostei da pelicula.

Trata-se da história de uma peça cujo personagem principal vive uma crise de identidade, pois perdeu o amor e o reconhecimento de que antes usufruíra. Drama, aliás vivido pela personagem do próprio filme, o actor Michael Keaton - que já foi famoso e estava velho e esquecido - num filme sobre o teatro, uma arte anteriormente famosa para nos questionar sobre a linha ténue que separa o real e o irreal, a fama e o esquecimento, a glória e o fracasso.
Birdman não tem o sopro de tragédia que perpassava em Sunset Boulevard. Mas é uma fabulosa descida aos bastidores do mundo do espectáculo, cruzando teatro com cinema, talento artístico com sucesso de bilheteira, actores de carne e osso com a sua fantasiosa projecção no ecrã, onde o facto se torna mito e por vezes se desvanece na proporção inversa à lenda que forjou.
Birdman é uma película do mexicano Alejandro González Iñarritu, que em 2003 rodou o fabuloso 21 Gramas e que, três anos mais tarde, foi nomeado para o Óscar de Melhor Realização com Babel. Candidata-se agora, de novo, à estatueta que premeia o cineasta do ano.
Keaton, estrela cadente de blockbusters do passado (é evidente a alusão a Batman, o herói de banda desenhada por ele interpretado no cinema em 1989 e 1992), procura demonstrar aos outros - mas sobretudo a si próprio - que sabe voar sem necessitar das asas metafóricas do super-herói a que deu rosto humano.

Ora é exactamente por estas razões que o filme me soou a falso, numa espécie de manta de retalhos na qual os bocados de pano velhos - o real - não casam com os novos - a ficção. Trata-se da descrição de um ser humano profundamente egoista, que só pensa em si mesmo e numa carreira pessoal que convença os outros daquilo em que nem ele próprio acredita. E, quando tudo aponta para a remissão da criatura, ele volta a mostrar ser quem de facto é, perante uma filha da qual afinal se não diferencia, pese embora tentar tutelar a sua vida. 
A interpretação de Michel Keaton é excelente, mas forçada. E, quando a comparação se faz com o “21 gramas” do mesmo realizador que tem como protagonista um Sean Penn fabuloso – também não gostei de Babel com o idolatrado Brad Pitt, apenas salvo por Cate Blanchett, essa sim, excelente – a diferença para este Birdman é enorme!

HSC

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O novo patriarca de Lisboa


D. Manuel Clemente nasceu a 16 de Julho de 1948 em Torres Vedras. Licenciou-se em História e em 1992 doutorou-se em Teologia Histórica, pela Universidade Católica Portuguesa. Tem 66 anos, mas curiosamente só aos 24 anos entrou para o seminário, apesar de desde criança se interessar pela vida clerical.
Com 66 anos, foi hoje criado como cardeal eleitor e tomou posse como o 17.º Patriarca de Lisboa, que sucedeu a José Policarpo, resignatário desde 2011, quando completou 75 anos.
Para os católicos é uma notícia gratificante. Mas creio poder dizer que mesmo para aqueles que o não são, será motivo de júbilo ver ser reconhecida a um português a sua grande qualidade intelectual e humana. Eu, que tenho grande admiração por D. Manuel, estou muito contente!

HSC

Um encontro especial

A comunidade católica da Capela do Rato, em Lisboa, decidiu realizar um conjunto de encontros com diversas tradições religiosas. Começou em Fevereiro pelo budismo.
A iniciativa é coordenada pelo P. José Tolentino Mendonça radica no facto de conviverem há vários anos – décadas, em alguns casos – no mesmo perímetro urbano cristãos, judeus, muçulmanos, budistas e outros credos, que se desconhecem  mutuamente.
Os “encontros inter-religiosos” são uma proposta para se aprofundar uma convivência pacífica entre todos assente no conhecimento, no respeito e na amizade.
O primeiro encontro, no qual pude felizmente participar, realizou-se no passado dia 10. As inscrições foram tantas que teve de ser transferido para a própria Capela do Rato, quando inicialmente estava previsto ser no “Dojo Zen” de Lisboa, comunidade inscrita na União Budista Portuguesa, que reúne as tradições budistas autênticas.
Começou com a exibição de excertos dos filmes “O grande silêncio”, sobre os monges cartuxos, e “Sesshins em Urnäsch”, do cineasta alemão Philip Gröning.
O programa continuou com duas comunicações: “Como exprimir o inexprimível”, por José Tolentino Mendonça, e “O silêncio na poesia de Mestre Dogen”, proferida pelo monge zen Yves Shoshin Crettaz.
O encontro, intitulado “A via do silêncio”, terminou com um tempo de meditação e uma refeição preparada pela comunidade budista.
É difícil descrever o que ali se passou. Mas posso garantir-vos que nunca vinte minutos de silêncio me terão unido tanto um grupo de pessoas tão diverso. E garantir-vos, igualmente, que aquele silêncio foi tão intenso que bem se podia afirmar que ele tinha um som só audível no infinito, fique este onde ficar!

HSC

Quem fui, quem sou

 

“...Gosto de ser o que sou mas também gosto de ser o que fui. Porque gostar de ser o que se foi será sempre uma maneira de não deixar morrer o que se foi e se gostou de ser, sendo assim mais fácil gostar do que se é”.

Esta frase foi escrita José Ricardo Costa, no seu blog Ponteiros Parados a propósito da sua reacção ao rever um dos “filmes da sua vida”.
Por uma qualquer coincidência daquelas que nunca se explicam, eu havia sentido algo semelhante ao que ele descreveu, quando decidi reler um dos meus “livros especiais”.
Continuei a julga-lo um grande livro para a pessoa que eu tinha sido. Mas, de facto, eu já não era mais essa pessoa e portanto a reacção que tive com a nova leitura foi menos calorosa do que a que tivera quando o li pela primeira vez.
É por isso que quando me fazem este tipo de perguntas respondo sempre que mesmo que eu cite umas tantas obras que me marcaram, outras tantas hão-de sempre ficar de fora. E todas elas hão-de sempre correr o risco de já não serem, hoje, tão especiais como foram antes.
Quer isto dizer que já não sou a mesma pessoa? Sim e não. Não sou a mesma porque o passar dos anos não só me modificou fisicamente como intelectualmente. Mas continuo a saber quem era e a reconhecer o que dessa que era, permaneceu naquela que agora sou. E, à semelhança de José Ricardo Costa, também eu gosto de ser o que sou e de ter sido o que fui. Porque é neste matiz que, muito provavelmente, estará a parte mais autêntica de mim própria!


HSC