quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Peixe ao sal


Ingredientes

1,300 kg de peixe 
2 kg de sal.
5 claras batidas em castelo.
50 gr farinha trigo. 

Preparação

Amasse a farinha, com as claras e o sal até fazer uma papa.
Forre, com papel alumínio, um pirex ou assadeira. Faça uma cama de sal, coloque o peixe por cima, (lavado, mas ainda com as escamas). Tape a abertura por onde se retiraram as tripas com papel alumínio e cubra o peixe com o restante sal. 
Leve ao forno médio por cerca de 1 hora.

Na altura de servir, parta o sal que, fica duro, com cuidado para não danificar o peixe. Retire-lhe a pele. Por norma acompanho com batatinhas cozidas envoltas em maionese e polvilhadas com pimenta, cebolinho cortado fino, oregãos e com couve flor.

HSC

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Palavras ditas


"Agora que, fechando Agosto, se ensaia o regresso à vida normal, vale a pena visitar este lugar: Palavras Ditas, o site que promove o mais recente projecto de formação nas areas do jornalismo, da comunicação, do audiovisual. Dirigido pelo jornalista Nuno Azinheira, reúne um generoso lote de profissionais e um ainda mais generoso lote de cursos/formações. Passear pelo site e perceber a paixão com que todo o projecto está a ser desenvolvido é meio-caminho andado para o apoiar. E com ele alinhar. Fica a ideia."

Eu ia falar deles. Mas o meu querido amigo Pedro Rolo Duarte antecipou-se lá no seu blogue. Vai daí roubei o texto dele - melhor do que o meu seria - e fiz das suas as minhas palavras. Acrescento apenas que a equipe tem gente de quem gosto muito. Não podendo dar a todos o meu abraço, fico-me pelo que daqui envio ao Nuno Azinheira, de quem sou fã!

HSC

Dioríssimo...

Há várias fidelidades na vida de cada um de nós. Umas, duram uma eternidade. Outras, nem tanto. A minha Mãe foi, desde que a conheci, fiel a dois perfumes, um de inverno, outro de verão.
A minha fidelidade foi um pouco diferente, pois segui-lhe o exemplo, mas alarguei o conceito. Assim, tenho dois preferidos para cada uma das duas estações. Claro, que pelo caminho, vou cometendo pequenas infidelidades, quase sempre ligadas a presentes que me dão. Ao contrário da minha progenitora que, nem nessas situações, se permitia tal liberdade.
Mas estas constâncias levam por vezes a situações estranhíssimas. A minha primeira essência chamava-se Dioríssimo. Usei-a durante 25 anos. Até ao dia em que a abandonei e troquei por uma daquelas que agora uso. Mas as razões desse abandono não foram, nunca, para mim, muito claras. E várias vezes pensei que, um dia, talvez a retomasse, na esperança de que com o retorno desse odor, outras lembranças igualmente agradáveis viessem com ele.
Ha dias dei vazão ao dito sonho e consegui comprar um frasco pequeno de Dioríssimo. Não foi fácil encontra-lo e quando o pedia notava na empregada um olhar  de certa complacência perante a antiguidade. 
Na intimidade da minha casa, abri o frasco. O aroma surgiu de imediato. Mas o prazer anterior não. Pareceu-me muito doce e até algo enjoativo. 
O perfume, a fragãncia, eram os mesmos de sempre. Mas eu não era já a mesma mulher...

HSC

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Aguardemos, pois!

"... como no Inferno quando se entra pela porta maldita e se deixa a dita esperança à entrada. Agosto é um bom mês para percebermos tudo. Milhares e milhares de jovens que não lêem um livro, passam o mês em festivais no meio do lixo, do pó, da cerveja e dos charros. Milhares e milhares de adultos vão meter o corpo na água e na areia, sem verdadeira alegria nem descanso. Outros muitos milhares de jovens e adultos nem isto podem fazer porque não tem dinheiro. No interior, já que não há correios, nem centros médicos, nem tribunais, proliferam as capitais, da chanfana, do caracol, do marisco, do bacalhau, dos enchidos, da açorda, as "feiras medievais" de chave na mão, as feiras de tudo e mais alguma coisa desde que não sejam muito sofisticadas. Não é uma Feira da Ciência, nem Silicon Valley. 

As televisões, RTP, SIC e TVI “descentralizam-se” e fazem arraiais com umas estrelas pimba aos saltos no palco, mais umas “bailarinas”, nem sequer para um grande público. Incêndios este ano há pouco, pelo que não há imagens fortes, ficamos pelo balde de água. Crimes violentos “aterrorizam” umas aldeias de nomes entre o ridículo e o muito antigo, que os jornalistas que apresentam telejornais com tudo isto gostam de repetir mil vezes. Felizmente que já começa outra vez a haver futebol, cada vez mais cedo. O governo, com excepção das finanças e dos cortes contra os do costume, não governa, mas isso é o habitual." 

Este é um excerto do retrato que José Pacheco Pereira faz no seu blogue Abrupto, no dia 29 de Agosto último e que titula "Porque é que não vale a pena ter esperança".
Não é que a foto seja falsa. Ela é verdadeira. Mas incompleta. O autor pretende, apenas, olhar para um dos lados da moeda, porque é ele que lhe garante sucesso e leitores. As virtudes e o lado positivo da vida, sabe-se - e ele sabe - não rendem, nem vendem. Sobretudo, cá.
Pacheco Pereira assume-se como o mentor da verdade nacional, o arauto dos trágicos caminhos pelos quais os portugueses, coitados, foram obrigados a enveredar, o homem que pode escrever estas linhas, mas nelas não está retratado.
Acontece que é aqui que ele vive. Daí que seja natural que o país aguarde o seu activo envolvimento na construção da nova sociedade portuguesa. Aguardemos, pois!

HSC

Às vezes chamo-me Alice

Às vezes chamo-me Alice. Entro no espelho e corro pela floresta. Encontro o coelho e falo com ele. Pergunto-lhe: quanto tempo dura o eterno? E ele responde-me: às vezes apenas um segundo. 
Mais adiante lobrigo o gato e peço: podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui? Isso depende muito do local para onde queres ir. Acrescento que me preocupa pouco para aonde ir. Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas, diz-me o bichano.
Mesmo ao meu lado o grilo segreda-me que única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível. E eu, do lado de lá do espelho, penso que ele tem razão.
Cruzo-me com o chapeleiro e pergunto-lhe se ele me acha louca? Claro que sim. Louca, louquinha, mas as melhores pessoas são-no. Aliás, todos aqui são loucos. Respondo que me não quero encontrar com gente louca. Mas tu não pode evitar isso, replicou o gato que me ouviu. Todos nós aqui somos loucos.Eu sou louco, tu és louca". E como é tu sabes que eu sou louca? Deves ser, disse o gato, ou não estarias aqui. 

Deixem-me pensar: eu era a mesma quando me levantei esta manhã? Tenho uma ligeira lembrança de que me senti um bocadinho diferente. Mas, se não sou a mesma, a próxima pergunta será: afinal de contas quem é que eu sou? Ah, este é o grande enigma!

HSC 

Donde venho


Perguntaram-me, há dias, "donde vinha". Achei graça à pergunta a que prometi responder. Não logo. Porque venho de muitos mundos, que preciso enumerar.
Venho do ventre materno. De um ventre que foi só meu durante nove longos meses. Venho da minha mãe, da sua carne, do seu instinto, do seu desejo. E dos do meu pai também. Do seu sopro de vida, no começo.
Venho dos pais dos meus pais, os meus avós. Sobretudo maternos, com quem cresci. Venho da Beira e do Alentejo, de onde eles eram naturais. Venho dos irmãos que me abraçam. Venho dos tios e dos primos com quem brinquei em criança e me ensinaram a rir. Venho dos filhos que alojei no meu ventre, como a minha mãe fizera comigo e a sua antes dela. Venho da casa dos amigos, onde passei noites e dias. Venho dos amores que tive, dos afectos que dei e recebi. Venho, enfim, de Ti que me deste, com amor, a vida que não pedi!

HSC

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Setembro

O mês de Setembro é, para mim, aquele que, dos doze, eu prefiro. Quase tudo o que a vida me trouxe de agradável aconteceu nos seus dias. Em sentido inverso tudo o que me foi doloroso passou-se em Abril, mês que detesto. Não é carne nem peixe, não é frio nem é quente, já não habita o inverno e ainda não pertence ao Verão. É, convenhamos, incaracterístico, o que diz tudo do que eu não gosto.
Neste primeiro dia, com os útimos textos revistos e entregues à editora, resolvi sair e passear. A intenção era mesmo sentar-me numa esplanada, munida de um livro em que provavelmente não pegaria, e ver as gentes passarem. O que eu chamo de "flanar", palavra que vem do francês flanner e muito possivelmente até não existe no nosso idioma. Engano meu e má fortuna, já que amor ardente não estava nos meus planos...
Mal pus o pé na rua, o bafo quente foi tão intenso que julguei estar no Brasil. Hesitei e ponderei se o café forte de que sentia necessidade valeria o sacrifício. Não valia! 
Assim, fiz marcha atrás, voltei para o meu quarto, liguei o ar condicionado, bebi um café suave, escolhi a música, peguei no livro e fiquei a gozar as delícias de um clima temperado, neste primeiro dia de Setembro!

HSC