domingo, 10 de maio de 2026

A MINHA MÃE

A minha mãe nasceu no dia 11 de maio e foi sempre única. Lindíssima e uma força da natureza a vencer barreiras e preconceitos.

Hoje sei que ela é alguém que não se abandona, mesmo quando o mundo insiste em nos empurrar para longe. É a primeira morada que conhecemos, antes mesmo de termos nome para as coisas. No silêncio do seu colo, aprendemos que existir pode ser suave, que ha braços que nos seguram, quando tudo em nós ainda é queda.

Há um tipo de amor na minha mãe que não pede tradução. Ele vive, sobretudo, nos gestos mínimos: no cuidado distraído de ajeitar um cabelo, no olhar que percebe antes da palavra, na presença que permanece, mesmo quando já não está fisicamente ali. Ela é memória que respira dentro de mim.

Com o tempo, descobri que ela também é feita de cansaços, de medos guardados, de noites mal dormidas. E isso não diminui o que ela é — pelo contrário, torna o seu amor mais humano, mais vasto. Amar assim, apesar de tudo, é quase um milagre quotidiano.

Há coisas que, por norma, nunca dizemos a uma mãe. Ficam suspensas entre o orgulho e a timidez, entre a pressa da vida e a ilusão de que haverá sempre tempo. Eu, felizmente, disse-lhe tudo, porque ela foi, sempre, a minha maior amiga.

E talvez seja isso que, em simultâneo, mais dói e consola: perceber que, dentro de nós, há sempre um pedaço da nossa mãe a viver nas escolhas, nas palavras, nos gestos, que repetimos sem notar. Como se, no fundo, nunca tivéssemos saído, realmente, de casa.

 

5 comentários:

  1. Ontem começou uma nova fase de conforto para a minha mãe e a minha irmã.
    Um restaurante começou a entregar as refeições lá em casa ao fim-de-semana.
    Durante a semana a empregada cozinha.
    No fim-de-semana a minha mãe, a completar 88 anos no próximo mês, não está em condições para cozinhar para ela e a minha irmã.
    Assim ficamos todos mais tranquilos.
    Tenha uma excelente semana

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    1. Ainda bem. Talvez fosse o ideal para mim também. Será demasiada ousadia perguntar onde é? Agradeço

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  2. A minha mãe e irmã vivem numa aldeia (Cernache) perto de Coimbra. O restaurante é muito recente e nem faz este tipo de entregas normalmente. Foram amigos comuns que fizeram o favor de interceder nesse sentido. Falei com a minha mãe no domingo e soube que ela e a minha mãe gostaram da comida. Quero que elas vivam tranquilamente, sem quaisquer preocupações.

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