sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

O RECONHECIMENTO PÓSTUMO

Há vidas que passam silenciosas diante do mundo, mas intensas dentro de si. Pessoas que constroem, criam, inovam, servem, inspiram – e, mesmo assim, caminham à margem do aplauso. Só depois que se vai a presença, é que desperta a ausência. E com ela, surge aquele reconhecimento tardio, quase sempre acompanhado de um arrependimento coletivo: “Como não vimos antes?”

O reconhecimento póstumo revela, acima de tudo, a dificuldade humana de valorizar o que está perto, o que é quotidiano, o que não se impõe. É mais fácil admirar à distância do que contemplar quem está diante de nós. Talvez porque, no dia a dia, confundimos simplicidade com falta de grandeza, e humildade com falta de valor.

No entanto, quando alguém parte, a memória ilumina o que os olhos não enxergaram a tempo. Pequenos gestos ganham profundidade; contribuições antes discretas revelam-se essenciais; talentos ignorados tornam-se, de repente, irrefutáveis. A ausência escancara o tamanho da presença, que antes foi tratada como comum.

Mas o reconhecimento póstumo também serve como espelho. Nele refletimos nossa tendência a adiar elogios, silenciar gratidões e deixar para depois, a celebração de quem faz diferença. A partida transforma esse “depois” em nunca mais.

Por isso, lembrar que muitos só foram reconhecidos depois de partir, é um convite à urgência. A de valorizar hoje. quem merece ser visto. Celebrar em vida, o que tantas vezes, só se exalta na memória. Porque todos carregam dentro de si uma história digna de ser reconhecida — e é injusto permitir que o mundo só a descubra quando não houver mais tempo.

5 comentários:

  1. Num mundo em permanente correria, deixar passar o que temos à frente dos olhos é cada vez mais lei.
    Tenha uma excelente semana

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  2. Porque alguns de nós preferem chorar a morte em vez de celebrar a vida. Infelizmente. Beijinho e Feliz Natal desta sua admiradora. Tenho todos os seus livros. Pena sinto por não ter nenhum autografado. Quando é que visita a Ilha da Madeira?

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  3. Senhora,o botão dourado a caminho…

    https://youtu.be/DLFybRrgSXA?si=orBhk7XMZjxE0lqC

    Ambrósio

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