Um grupo de amigas minhas, com as quais convivo muito e que tem marcadas preocupações culturais, decidiu que devíamos ir ao teatro ver a peça BAIXA TERAPIA, com António Fagundes e um elenco muito familiar, já que nele entram a actual e a ex mulher e um filho do actor.
A peça aborda o tema da terapia de grupo, que sendo delicado, só com humor muito subtil, poderia ser abordado. Algo que, creio, os ingleses, fariam na perfeição. Esta peça, a primeira de um autor argentino - Matias del Frederico -, é o contrário disso.
Mas a plateia aplaudiu de pé. Nós quatro não nos levantámos nem aplaudimos. Devíamos ter sido as únicas. Não olhei para trás, mas vi quem estava à minha frente.
É uma comédia onde as palavras vulgares abundam e onde a graça é, no mínimo demasiado brejeira para o meu gosto, que estou longe de ser puritana.
Pessoalmente, dá-me pena ver um actor como Fagundes alinhar naquele espetáculo. E mais pena, ainda, ver como uma certa forma de humor boçal é tão bem aceite por parte de alguns portugueses. De facto, nesta peça pode dizer-se que a verdade está no título...
HSC


