segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Baixíssima terapia




Um grupo de amigas minhas, com as quais convivo muito e que tem marcadas preocupações culturais, decidiu que devíamos ir ao teatro ver a peça BAIXA TERAPIA, com António Fagundes e um elenco muito familiar, já que nele entram a actual e a ex mulher e um filho do actor. 
A peça aborda o tema da terapia de grupo, que sendo delicado, só com humor muito subtil, poderia ser abordado. Algo que, creio, os ingleses, fariam na perfeição. Esta peça, a primeira de um autor argentino - Matias del Frederico -, é o contrário disso. 
Mas a plateia aplaudiu de pé. Nós quatro não nos levantámos nem aplaudimos. Devíamos ter sido as únicas. Não olhei para trás, mas vi quem estava à minha frente.
É uma comédia onde as palavras vulgares abundam e onde a graça é, no mínimo demasiado brejeira para o meu gosto, que estou longe de ser puritana. 
Pessoalmente, dá-me pena ver um actor como Fagundes alinhar naquele espetáculo. E mais pena, ainda, ver como uma certa forma de humor boçal é tão bem aceite por parte de alguns portugueses. De facto, nesta peça pode dizer-se que a verdade está no título...

HSC

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Só faltava Ronaldo!



O movimento de mulheres há décadas sexualmente abusadas, está a tornar-se virótico e, infelizmente, pelo modo como tem decorrido, menorizando aquelas que, desgraçadamente o foram, mas não tem acesso a constituir casos mediáticos.
Agora é a vez de Cristiano Ronaldo ser acusado de violar uma mulher que, à época, teria 24 anos e aceitou o convite para ir a uma festa na suite que o jogador ocupava num hotel de luxo.
Fez queixa da violação ocorrida, mas não quis referir o nome do violador de quem terá recebido uma alta importância para ficar calada.
Porém, pergunto eu, numa circunstância destas, na América, face a um crime publico não é, obrigatoriamente, feita recolha de vestígios que identificam o violador?!
Esta sucessão de casos mediáticos, faz lembrar os Kennedy ou os Clinton, para não citar já o lamentável caso de Asia Argento - lider das acusações a Harvey Weinstein - que, com 37 anos, assediou Jimmy Bennett, menor de 17 anos, ao qual terá pago o seu silêncio. 
No caso vertente, é difícil acreditar que uma mulher de 24 anos, adulta e suposta acompanhante de luxo, aceite participar numa festa organizada por um jogador solteiro e de sucesso mundial, sem presumir os sérios riscos que corria de, com bebidas a mais, o final não acabar em sexo, eventualmente violento. Aconteceu, queixou-se, não revelou nomes, mas recebeu dinheiro por isso.
E, agora que o dinheiro acabou e Ronaldo está na crista da onda, resolve pedir-lhe nova indemnização, não para se calar, porque já falou, mas para ser recompensada... pelos danos sofridos!
Tenho, de facto, cada vez mais pena daquelas mulheres violadas, que não podem ou não querem servir de repasto mediático sobre matéria tão íntima e dolorosa.

HSC

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Il faut savoir



As suas canções acompanharam a minha vida inteira. Algumas marcaram-me tanto, que as sei de cor.
Charles Aznavour morreu na noite deste domingo, 30 de setembro, para a manhã desta segunda-feira, 1 de outubro, aos 94 anos.
Filho de pais arménios, nasceu em Paris e chamava-se Shahnour Varinag Aznavouriano.
Como músico vendeu mais de 100 milhões de discos e como actor trabalhou em mais de 60 filmes. Charles herdou do pai o talento para o canto e, com apenas nove anos, deixou a escola e começou a cantar e tocar violino pelas ruas, com regularidade.
Tinha acabado de atingir a maioridade, quando a grande voz feminina da canção francesa, Édith Piaf, o ouviu e decidiu leva-lo consigo em digressão, durante dois anos, para um conjunto de concertos em França e nos Estados Unidos da América.
Contudo, seria a sombra de Édith Piaf, que viria a atrasar a afirmação de Charles Aznavour como cantor, que só atinge o estrelato já depois de ter ultrapassado os 30 anos.
Aznavour e Sinatra, com as suas canções, secaram-me algumas lágrimas inúteis e ajudaram-me a gostar de viver. "Il faut savoir" e "My way" acompanhar-me-ão até ao fim dos meus dias...

HSC