Confesso que não gosto particularmente do Domingo, mas não encontro uma razão plausível para tal sentimento. A psiquiatria tem várias explicações para o facto, mas nenhuma delas me assenta de forma convincente.
Quando os filhos eram pequenos eu não tinha fim de semana. Este era pautado pelo desejo de instruir / divertir os filhos e os gostos da mãe contavam pouco. E, como era boa cozinheira, os amiguinhos adoravam abancar lá em casa e esperar pelos lanches e, bem mais vezes do que eu gostaria, também pelos jantares...
Depois, com a escassez de pessoal doméstico, o fim de semana passou a ser dedicado às lavagens de roupa e ao congelamento de refeições para os dias de trabalho. Daqui se deduz - para a mentalidade da época e para os dois envolvidos - que era eu que apanhava com o grosso deste trabalho, enquanto outras mentes pensavam em como liquidar a ditadura ou conceber edificios inteligentes...
Finalmente, graças a Deus e a felizes decisões que o tempo sempre proporciona, dei o grito do Ipiranga e o Domingo passou a ser meu e só meu. Durante largos anos, aproveitei-o da melhor maneira, descansando dos sábados em que ainda trabalhava.
E mais recentemente chegou a época em que me libertei totalmente e resolvi que ao sábado e ao Domingo não faria nada que envolvesse qualquer tipo de esforço. Foi quando descobri que o dia em que o Senhor nos mandou descansar tinha muito pouca graça, justamente, porque quase todos fazíamos o mesmo, nos mesmos locais!
HSC




