domingo, 2 de setembro de 2018

O Domingo

Confesso que não gosto particularmente do Domingo, mas não encontro uma razão plausível para tal sentimento. A psiquiatria tem várias explicações para o facto, mas nenhuma delas me assenta de forma convincente.
Quando os filhos eram pequenos eu não tinha fim de semana. Este era pautado pelo desejo de instruir / divertir os filhos e os gostos da mãe contavam pouco. E, como era boa cozinheira, os amiguinhos adoravam abancar lá em casa e esperar pelos lanches e, bem mais vezes do que eu gostaria, também pelos jantares...
Depois, com a escassez de pessoal doméstico, o fim de semana passou a ser dedicado às lavagens de roupa e ao congelamento de refeições para os dias de trabalho. Daqui se deduz - para a mentalidade da época e para os dois envolvidos - que era eu que apanhava com o grosso deste trabalho, enquanto outras mentes pensavam em como liquidar a ditadura ou conceber edificios inteligentes...
Finalmente, graças a Deus e a felizes decisões que o tempo sempre proporciona, dei o grito do Ipiranga e o Domingo passou a ser meu e só meu. Durante largos anos, aproveitei-o da melhor maneira, descansando dos sábados em que ainda trabalhava.
E mais recentemente chegou a época em que me libertei totalmente e resolvi que ao sábado e ao Domingo não faria nada que envolvesse qualquer tipo de esforço. Foi quando descobri que o dia em que o Senhor nos mandou descansar tinha muito pouca graça, justamente, porque quase todos fazíamos o mesmo, nos mesmos locais!

HSC

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Este Verão!


Este Verão fui assaltada por uma horda de moscas, mosquitos e pombos que se devem ter permitido estas incursões por estarem seguros da sua defesa pelo deputado que têm no Parlamento...
Há três anos a praga foi de abelhas. Passei um verdadeiro sufoco porque decidiram fazer ninho no prédio onde vivo e mal se abria uma janela, aí vinham elas em excursão turística pela casa fora. Uma mordeu-me - sangue fresquinho - a picada infectou  e eu tive que ser intervencionada, o que custou a bela importância de 500€...
Este ano, uma vez em que tive a brilhante ideia de deixar a janela da cozinha aberta durante a noite, qual não foi o meu espanto quando, ao abrir de manhã a porta do meu quarto, vejo um pombo a esvoaçar pela casa. 
Não ganhei para o susto, mas o malfadado bicho passou a vigiar a minha janela, pois devia lembrar-se da orgia gastronómica da véspera em que fruta e queijos disponíveis haviam sido maldosamente atacados e esburacados.
Por motivos de saúde, emagreci 7 quilos. O que para mim é bastante. Mas tenho felizmente mantido o peso que o médico queria, com a ajuda, vejam, das... moscas! Explico melhor.
Para além de um corte quase radical com açucares e hidratos de carbono, passei a fazer caminhada diária de 45 minutos, todas as manhãs no belíssimo Jardim da Estrela. Creio que esta terá sido a resolução mais importante que tomei no domínio de uma vida saudável. 
Onde é que entram as moscas? Justamente no Jardim da Estrela. Há-as de várias tamanhos e feitios, habituadas que estão à densa vegetação que lá existe. E o meu ritmo de caminhar, quando elas me atacam, sofre uma aceleração tal que quase vira corrida, para lhes não oferecer o corpinho ao manifesto. Logo, o desgaste da "banha" é maior!
Agora muito a sério: os pombos são animais transmissores de doenças graves. Lisboa está inundada deles. Houve uma época em que foi necessário extermina-los e ninguém levantou problemas.
Agora que existe um partido dos animais e da natureza, o que é que o seu representante na Assembleia da Republica pensa desta situação?

HSC

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O Clube dos Jornalistas


Embora com este malfadado tempo a paciência para me mexer escasseie, lá fiz o esforço e fui jantar fora com o meu filho. A zona em que vivo, em dois anos, encheu-se de restaurantes e por isso avisei que queria ir a um desses. 
Já tinha experimentado o "Geographia", aqui mesmo ao meu lado - ainda em fase de experiências de adaptação, já que no dia em que lá fui almoçar, não tinham dois dos pratos que iria escolher -, por isso decidimos subir um pouco e o alvitre foi o Clube dos Jornalistas, na Rua das Trinas, onde já não pisava há muito tempo.
Foi uma agradável surpresa. O ambiente descontraído manteve-se, o jardim e as varandas continuam uma ótima opção e a ementa e o serviço melhoraram imenso. Para a mesa vieram umas lulinhas salteadas e uma sopa de milho, muito agradáveis. Seguiu-se carpaccio para ambos e posso dizer-vos que foi dos melhores que tenho comido, com uma carne de alto gabarito. 
Não é caro para a qualidade oferecida e o tratamento é de extrema simpatia. Vale a pena experimentar, sobretudo se for como eu, uma pessoa que aprecia comer bem, ou um jornalista que gosta de visitar uma casa que também é um pouco sua!

HSC

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

E os 400 euros diários?


Agora que a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) pretende ter acesso a dados que lhe permitam ficar a par de levantamentos em dinheiro acima de 50 mil euros, uma das medidas do novo plano estratégico de combate à fraude, não seria também de rever a determinação do máximo de levantamento de 400 euros por dia?
Esta importância, datada de há uma série de anos, representava um poder de compra muito diferente daquele que tem hoje. De facto, basta pensar as razões pelas quais ela foi tomada para avaliar da sua desactualização.

Posso estar a ser muito pessimista, mas julgo que estas medidas de controlo da vida económica privada pouco atingem os que visam atingir – que sabem sempre como contornar a lei – e acabam, na maior parte dos casos, a fragilizar a classe média, que vive do seu trabalho. Oxalá me engane!

HSC

domingo, 19 de agosto de 2018

Aliança


Na carta, a que o Observador teve acesso, Pedro Santana Lopes escreve: “Entendo (…) que não faz sentido continuar numa organização política só porque lá estamos há muito, ou porque em tempos alcançamos vitórias e concretizações extraordinárias se, no passado e no tempo que importa, no tempo presente, não conseguimos fazer vingar ideias e propostas que consideramos cruciais para o bem do nosso País”.
Trabalhei pessoalmente com Santana Lopes em duas revistas e, dessa experiência, saliento a sua enorme capacidade de gerir as pessoas mais diversas e de as pôr a trabalhar em conjunto. Não era um workaholic, mas sabia como pôr cada um a dar o seu máximo e o seu melhor.
Há muito tempo que me perguntava o que explicaria, no seu percurso político, que ele continuasse ligado ao PP/PSD, como ele costuma dizer. Parecia-me um daqueles casamentos que já deram o que tinham a dar, em que o prazo de validade já tinha sido há muito ultrapassado, mas em que, por inércia, ninguém pede o divórcio.
Aconteceu agora. Pedro saíu e vai constituir o seu Aliança. Não sou daquelas que continue a ver Santana como o playboy da política. Até porque por volta dos sessenta anos isso já não existe e seria jocoso admiti-lo. Portanto, aguardo para ver quem ele leva consigo e quem ele consegue recrutar. Neste momento, a procissão ainda só vai no adro. Esperemos um pouco mais e tiremos então as conclusões. 
Mas, pessoalmente, entendo que já era tempo de Pedro Santana Lopes ter saído do PSD actual.

HSC

sábado, 18 de agosto de 2018

Alguém me explica?


Ou estou gágá - não é impossível - ou não oiço bem - isso é impossível , porque fui vista há pouco tempo - ou fiquei subitamente estúpida, o que é pouco provável. Assim  terei percebido bem que Bruno de Carvalho é de novo Presidente do Sporting? É mesmo verdade? Alguém me explica?

HSC

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Um talento maior que a vida



Ontem o noticiário dava conhecimento de que a família de Aretha Franklin havia informado que a cantora norte-americana estava “gravemente doente”, pelo que pedia “orações e privacidade”.
Infelizmente, esta tarde soube-se que morrera, aos 76 anos, deixando de luto os Estados Unidos e milhões de fãs em todo o mundo. “Um talento maior que a vida, uma voz maior que a história”, é o obituário que, de facto, lhe devemos.
O seu percurso, que vai dos cânticos religiosos na Igreja Batista aos maiores palcos mundiais, é surpreendente e agigantou-se muito  depois de ‘Respect’, a sua canção de marca, se ter tornado um símbolo das lutas feministas e dos direitos civis dos negros na América, na segunda metade da década de 1960, uma época de profundas transformações sociais e políticas.
Pessoalmente acompanhei de perto a sua carreira porque pertenço a uma geração que a via como um verdadeiro ícone daquilo em que acreditávamos e ainda acreditamos. Paz à sua alma!

HSC