quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Como?!

"O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que o incêndio de Monchique, que dura há seis dias, é “a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação [de combate aos incêndios] ao longo de todos os outros dias”. António Costa, que presidiu esta manhã à reunião da Proteção Civil, fez uma analogia para explicar a complexidade de Monchique: “A vela de um bolo de aniversário todos nós o apagamos com um sopro, mas quando a chama se alarga e os incêndios ganham uma escala com esta dimensão, não basta os sopros nem alguns dias de trabalho”. E avisou: “Ainda temos vários dias pela frente até o incêndio ser extinto.”

                                                 in Observador

Como disse Senhor Primeiro Ministro? Será que ouvi bem as suas palavras na televisão hoje? Será que alguém com um mínimo de bom senso ouve estas palavras e não pergunta se estão a brincar connosco? Há limites, Dr António Costa!

HSC

A sujidade inexplicável

Lisboa era um oásis em Agosto, antes desta horda de turistas virem minimizar as dívidas que temos. Hoje tive a triste ideia de renovar passaporte e bilhete de identidade - que, infelizmente, passou a ser cartão de cidadão - o que me obrigou a deslocar ao Chiado e à Av. da Liberdade. 
Má decisão, a minha, está de ver.
No Chiado andei verdadeiramente aos encontrões com a "turba" militante. que parava em todo o lado para fotografar nem se sabe bem o quê, desde pessoas a lojas. O chão era um nojo de pastilhas elásticas, copos de plástico e latas de bebidas. Felizmente a aragem sempre ajudava a afastar o cheiro a suor dos corpos que transportavam pela mão, maletas de rodas como se fossem crianças. Enfim, um espectáculo só complementado pelos indigentes de mão estendida, sentados na calçada.
Esbaforida saí dali, a pé, para a Avenida da Liberdade. Esta não devia ser limpa há muito tempo, a avaliar pelo monte de folhas mortas que cobriam inteiramente os passeios, levantando imenso pó e provocando quedas que podem ser graves, sobretudo para crianças e idosos.
Quando cheguei a casa, enfiei-me num duche, tal a noção de sujidade que tinha agarrada a mim. E nem quero pensar que terei de voltar a este périplo para levantar os documentos solicitados.
A Lisboa tranquila de Agosto, pela qual tanto ansiava, não existe mais. Tenho dela uma saudade imensa. E até quase adivinho que quando tiver partido, a língua oficial, muito possivelmente, já não será o português...

HSC

domingo, 5 de agosto de 2018

Um homem muito especial


Sou uma grande admiradora da pessoa e da obra do Prof. Sobrinho Simões, fundador do IPATIMUP (Instituto de Patologia e Imunologia Molecular e Celular da Universidade do Porto), unidade de investigação que dirige e foi classificada como excelente na última avaliação internacional levada a cabo pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e que constitui um dos três laboratórios europeus acreditados pelo Colégio Americano de Patologistas. Esta unidade realiza anualmente centenas de consultas de diagnóstico para hospitais e institutos de oncologia da Europa e da América.
Ontem, a TVI24 transmitiu uma entrevista sua, cujo tema era "BOM SENSO E RESPEITO PELO OUTRO", que eu tive a sorte de apanhar na íntegra. Foi um deleite ouvir alguém com 70 anos falar da sua carreira e do modo como encara o mundo de hoje. 
Para além de ainda ser um bonito homem - a grande vantagem de ter a idade que tenho, é poder escrever estas avaliações... - é um ser humano como há poucos.
O seu trajecto científico é brilhante, mas a humanidade com que fala daqueles que ele estuda sem, contudo, lhes conhecer o rosto, é impressionante. Como é impressionante a naturalidade com que fala dos nossos e dos seus próprios medos.
Que pena que a televisão  o não traga mais vezes até nós. Mas isso é impossível num país viciado e obcecado por política. 
Só posso aconselhar a que vejam a entrevista e, se tiverem curiosidade, a consultarem o seu currículo. Trata-se, de facto, de um ser humano muito especial!

HSC

Universidades de Verão...


“O Bloco de Esquerda, na sua “universidade” de Verão, defende o “direito à boémia: necessidade de vida noturna para produção e radicalização cultural”. Belo programa! Vamos ser claros sobre aquilo de que se está a falar: copos, música, noitadas, “piquenas” & “piquenos”, talvez com uns charros à mistura. É isso, não é?...” 



                                  In duas-ou-tres.blogspot.com


A mim parece-me que é. Embora pense que há outras matérias, talvez mais importantes para o Bloco apresentar, julgo que estas são bastante paradigmáticas do que eles desejam para a "sua " juventude. Mas, se em democracia o respeito pelos outros e o modo como eles vêem a sociedade é básico, ela também nos permite perceber o mundo que este partido deseja possa ser o nosso! 

HSC

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A minha dúvida

"O caso Robles é sério. Não só pelo que disse Ricardo Araújo Pereira, que é um fino analista, quando explicou que «um dia, passeando pela Alfama, o camarada Robles deu um pontapé numa pedra e, pouco depois, estava a vender um prédio por mais de 5 milhões de euros sem saber o que se tinha passado». Os casos das centenas de indivíduos ligados à vida política e económica, incluindo o grupo Sócrates, eram simples em comparação: «Recebiam dinheiro por favores, desviavam as verbas dos seus fins, especulavam, em suma, eram corruptos e enriqueciam à nossa custa».
Robles, não. Ele é do «bloco de esquerda» e, portanto, incapaz de tal coisa. E se, por acaso, deu um pontapé na «pedra», a culpa era da irmã… Só faltou explicar como é que, tendo ele declarado um rendimento anual de 20.000 € enquanto vereador da Câmara de Lisboa, um banco lhe emprestou mais de 600 mil € a 16% de juros? Entregando integralmente esse rendimento ao banco e vivendo do ar, conforme o empréstimo exacto, isso levaria mais de 50 anos a liquidar… Será crível? Não me admira que haja quem insista em conhecer todos os pormenores, desde o preço inicial da «pedra», o montante e as condições exactas do empréstimo, e finalmente como é que se chegou ao preço de venda de 5,7 milhões de euros?"
                        Manuel Villaverde Cabral in Observador
Só abordo este tema, porque fiz exactamente o mesmo raciocínio de Villaverde Cabal, ou seja, como é que uma instituição de crédito "empresta a 16% de juro" 600 mil euros a quem declara um rendimento anual de 20 000€? Não consegui encontrar resposta...

HSC

sábado, 28 de julho de 2018

Um sábado muito feliz!




"D. José Tolentino de Mendonça, o novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé, foi este sábado ordenado bispo no Mosteiro dos Jerónimos.
Numa cerimónia presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente destacou a sensibilidade de diálogo do novo arquivista e Bibliotecário da Santa Sé, e elogiou a “fecunda escrita” do novo bispo.
“Agradecemos ao Papa Francisco por te ter escolhido para zelar por um património único de memória criativa. Imensamente maior é o nosso mundo, com quanto tudo nos espera, com quanto atinge de bom e menos bom. A tua inteligência e sensibilidade saberão partilhar o que agora é confiado ao teu bom zelo, e que assim mesmo crescerá também”, disse o cardeal-patriarca, durante a homilia.
O novo bispo recebeu, simbolicamente, os livros dos Evangelhos, a mitra e o báculo, como sinal da sua missão de pastor.

"Sou mais um português ao serviço da Santa Sé"
Quando tomou a palavra D. José Tolentino de Mendonça falou sobre a escolha do Papa Francisco, afirmando continuar a desconhecer as razões que levaram o Santo Padre a escolhê-lo para o cargo.
D. José Tolentino de Mendonça apontou ainda a sua falta de experiência como bispo, dizendo que ainda vai precisar de aprender a sê-lo. “Há 28 anos eu não sabia ser padre, como agora neste momento diante de vós eu não sei ser bispo. Vou ter de aprender com o povo de Deus”, lembrou, durante a cerimónia.
“Num dia como este, nós olhamos para a nossa vida como um filme em que parece que é possível ver de uma só vez. Eu tenho dois sentimentos muito grandes. O primeiro é sentir que Deus me ama. Não tenho dúvidas disso. De uma maneira que eu nem vos digo. O seu amor abisma-me, deixa-me sem palavras. Sei que Deus escolheu amar-se da maneira mais sublime, através de cada um de vós”, disse ainda o novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé, que começará a exercer o cargo no dia 1 de Setembro.
Antes da ordenação, foi proclamado publicamente o mandato apostólico, do Papa, por um responsável da Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé em Portugal).
Francisco explicou que confia ao arcebispo madeirense um serviço numa instituição de “grande relevância”, que acolhe investigadores de todas as partes do mundo.
O documento destaca o cuidado que a Igreja Católica presta ao “repositório dos documentos antigos e aos tesouros da cultura humana”, que exigia, na escolha pontifícia, uma pessoa “exímia” para “zelar pelos escritos e testemunhos que os tempos legaram”.

Ao longo de quase duas horas e meia, a cerimónia de ordenação episcopal como arcebispo titular de Suava (norte de África) foi marcada por um ambiente muito especial. Até as vestes de Tolentino surpreenderam. Com efeito, o tecido de que eram feitas inspiravam-se no material das serapilheiras, que sobressaia no branco leite das vestes daqueles que o acompanhavam. Foi, seguramente, a vontade de se aproximar dos mais desfavorecidos que terá estada na base da sua escolha.
Considero que me foi dada uma rara oportunidade, ao ver esta cerimonia. Não sou de choros públicos mas, neste caso, as lágrimas correram-me discretamente pela face. Impossível nega-lo. Toda a minha familia lhe deve muito e, eu em particular, talvez não vivesse com tanta alegria a minha fé se o não tivesse conhecido.
Não sei se, ou quando, o voltarei a ver. Mas o abraço apertado que lhe dei, foi o de quem espera que as sementes que em mim lançou, me tornem mais forte e melhor pessoa. Bem haja, meu querido amigo Tolentino, por tudo aquilo que em mim soube semear!

HSC

quinta-feira, 26 de julho de 2018

A tragédia da vida...

"A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe" terá dito Chaplin. Nada mais verdadeiro! 
Quando temos oportunidade e tempo para olhar o passado com alguma distância, perguntamos a nós mesmos como foi possível tanta dor por problemas tão menores.
Como estive quase um mês a tratar-me de uma "encrenca respiratória" que umas pequenas férias no Algarve fizeram o favor de me proporcionar, fui obrigada a estar mais tempo em casa e, em consequência, a ter mais tempo para pensar na vida.
Nesse processo peregrinatório acreditem que me ri de algumas dores passadas e da sua proverbial inutilidade, chegando ao ponto de me questionar como tal me poderia ter acontecido, a mim, que sou pouco a entregar-me a tais sinecuras. Nem sequer nos caminhos que me conduzem a Deus, que nunca foram os do sofrimento, mas sim os do jubilo.
Tanta lágrima inutil, tanto tempo desperdiçado, tanta alegria perdida, tanta fantasia que a mera passagem dos anos quase apagou. Felizmente que possuo uma grande capacidade de adaptação a novas formas de vida e não tenho medo de as enfrentar. Porque, se não fosse isso, talvez a minha proverbial confiança e boa disposição não fosse aquela que é e a minha gargalhada não fosse tão sonora.
Como se vê, as vicissitudes da vida podem dar, felizmente, oportunidade a que nos riamos e muito de nós próprios...

HSC