sábado, 26 de maio de 2018

Franz


                          

Sou uma apreciadora do realizador François Ozon. Por isso, fui ver o seu filme Franz que tem, entre outros prémios, o Leão de Ouro.
É uma história muito curiosa - passada no clima do pós guerra e do ódio entre franceses e alemães -, que aborda um tema a que poderemos chamar do "valor da mentira” e conta as repercussões que a mesma teve sobre a vida das personagens retratadas.
Talvez seja uma película um pouco lenta e longa, talvez até demasiado melancólica. Mas é certamente uma bela obra a branco e preto, que revela dois novos excelentes atores – Paula Beer e Pierre Ninney -, para mim, até agora, completamente desconhecidos.
Saí do cinema tocada pela forma hábil como o autor narra aquilo que muitos de nós sabemos de antemão, isto é, que a mentira, por norma, arrasta consigo outras tantas. A fita não pretende fazer juízos morais e talvez esteja aí um dos motivos pelo qual, julgo, ela prende os espectadores.
Para quem gosta da sétima arte, eu diria que esta vale mesmo a pena!

HSC

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Desilusões

“...Na Espanha em 2012 Pablo Iglésias publicou no twitter uma crítica ao Ministro da Economia do PP perguntando: "Entregarias a economia do país a quem gasta 600 mil euros num apartamento de luxo?". Agora foi ele próprio gastar 615.000 euros num apartamento de luxo.”

Em Portugal o Primeiro Ministro, aquele que tanto pugna pela habitação dos velhos "também comprou a um casal de idosos um apartamento na Rua do Sol ao Rato, que vendeu 10 meses depois pelo dobro do preço”.

                     Luís Menezes Leitão in Delito de Opinião

A aquisição de António Costa era para a filha que gostava muito de ficar na zona. Entretanto, por algum motivo, a jovem deve ter-se desiludido. 
Convenhamos que há desilusões que valem mesmo a pena...

HSC

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Um gesto


Já todos disseram tudo o que se pode dizer de bem de António Arnaut. O que eu aqui pudesse escrever já teria sido melhor escrito por outros, que me antecederam. 
Prefiro, por isso, recordar que ele me deu a honra de estar presente no lançamento de um livro meu nos CTT de Coimbra. Veio dar-me um abraço. Genuíno. De quem tinha ternura por mim!

HSC

domingo, 20 de maio de 2018

Um novo cardeal para Portugal



O bispo de Leiria-Fátima vai ser criado cardeal no dia 29 de Junho. A sua nomeação foi publicada hoje. António Marto está à frente da Diocese de Leiria-Fátima desde Junho de 2006.
O trabalho que tem desenvolvido foi marcado pelas visitas ao Santuário dos Papas Bento XVI e Francisco, pelas cerimónias de canonização dos videntes Francisco e Jacinta Marto — aliás presididas pelo atual pontífice quando do centenário das “aparições” — e pela abertura da Basílica da Santíssima Trindade.
A partir do próximo consistório, o prelado irá juntar-se, no Colégio Cardinalício, a José Saraiva Martins, Manuel Monteiro de Castro e Manuel Clemente.
Natural de Tronco, no concelho de Chaves, onde nasceu a 5 de Abril de 1947, foi ordenado padre em Roma, a 7 de Novembro de 1971, tendo feito estudos de especialização em Teologia Sistemática na Pontifícia Universidade Gregoriana, onde também fez a licenciatura e o doutoramento, que concluiu com a tese sobre “Esperança cristã e futuro do homem. Doutrina escatológica do Concílio Vaticano II”.
Atualmente é vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e foi presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e a Doutrina da Fé.
É, julgo, mesmo para não crentes, um motivo de orgulho nacional, que Portugal  possa, neste momento e à sua dimensão, contar com quatro cardeais.

HSC

Uma oportuna história de amor...


Como não sou intelectual, não tive quaisquer pruridos em ver o espectáculo do casamento do filho mais novo de Diana de Gales. E, confesso, apesar de ser republicana, ele conseguiu, por umas horas, aliviar-me das tormentas nacionais e apreciar o mixed daquela cerimónia onde os cruzamentos religiosos não pediram licença a ninguém para se manifestarem. Acresce que não estando politicos, o evento tornou-se, logo, bem mais capitoso...porque nos ficámos pelas figuras das revistas cor de rosa.
Dure o que durar esta "união", não há dúvida que Megan foi uma lufada de ar fresco numa família que - para sobreviver - tem tido que adaptar-se às "circunstâncias". O que, nos tempos que correm, já não é nada mau sinal. Sobretudo, se nos lembrarmos dos "happenings" pelos quais a mesma tem passado. Aliás, convenhamos, o facto é que têm sido as "plebeias" a manterem vivas as actuais casas reais!
Os convidados, esses, darão para encher as colunas sociais. E os chapéus das mulheres darão, só por si, para altos estudos de sociologia da moda. 
Contas feitas, o  país mais democrático da Europa, continua a regalar-nos com as suas reais e oportunas "histórias de amor". Essa é que é essa!

HSC

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Um vendaval

Não sei o que estará por detrás deste vendaval de corrupção, intriga e violência que assola o nosso país. É desolador abrir um jornal ou a televisão nacional e ser confrontado com tal tipo de notícias, que dão do país uma imagem deplorável. Sobretudo, quando se ama a terra onde isto acontece.
A turbulência é de tal modo violenta, que duvido que, alguma vez, o julgamento destes processos não esteja, à partida, enviesado pelo juizo feito na praça pública. 
Sei que o tempo da Justiça não é o tempo mediático. Sei que os jornalistas fazem o seu trabalho, denunciando o que entendem dever ser do conhecimento público. Sei igualmente, que conciliar estas duas posições - julgar sem influências e informar sem julgar - é muito difícil. Mas todos temos direito a uma sentença imparcial e isso é quase como pedir a um juiz que seja santo. 
Por isso, o jornalista sério confronta-se, hoje, com o terrível dilema de ponderar entre o dever de informar e as consequências que podem advir do "modo" como essa informação é veiculada. Perante imagens como aquelas que temos visto, confesso, não deve ser fácil impedir o vendaval que se abateu sobre todos nós!

HSC

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Uma experiência enriquecedora


Esta semana, à semelhança do que vem acontecendo há já alguns anos, fiz parte no CEJ - Centro de Estudos Judiciários - dos juris de admissão dos futuros novos magistrados. Mais uma vez foi uma enriquecedora experiência de vida. 
Enquanto elemento da sociedade civil, estes exames constituem, para mim, um observatório privilegiado para que a cidadã que sou, possa perceber o que é estar de um lado e do outro da "barricada" e, desse modo, ter uma noção mais realista das dificuldades que comporta a administração da Justiça.
Ao longo destes anos tenho assistido ao esforço que muita gente vem desenvolvendo para que o juiz esteja cada vez mais próximo do cidadão e dos seus problemas. Devo, por isso, confessar que, tendo apenas passado duas vezes pelos tribunais como testemunha tenho, agora, uma percepção muito mais apurada do que representa "julgar". 
E, se o trabalho é esgotante - e, de facto, é - considero que a mais valia que ele me tem proporcionado compensa amplamente o esforço dispensado.

HSC