quinta-feira, 20 de junho de 2019

Ainda a malfadada rede 707...

Já me insurgi aqui, por mais de uma vez, ao abuso do prefixo telefónico 707, para  prestar informações publicas a que qualquer cidadão tem direito ao preço de uma chamada normal.
De facto, a utilização destes números - que, por norma nos põem em fila de espera  e se torna caríssimo - é, a meu ver, inaceitável em repartições públicas. Sendo, como é, um serviço pago ao minuto, adivinham-se as elevadas facturas cobradas aos incautos que desconheçam a situação.
Há dias, no excelente programa CONTAS POUPANÇA, da Sic, percebi que havia um meio de contornar este gasto vergonhoso. Tratava-se de ir ao Google, escrever o 707 ( seguido do resto do número )acrescido de ".pt". Carregava-se no "enter2 e lá apareceria um numero normal alternativo.
Resolvi fazer isso, hoje, com o El Corte Inglês. O número em causa era o 707211711. Lá segui as instruções do programa e, de facto, apareceu o alternativo 213711711. Contente, marquei o dito número, mas aparece-me uma mensagem a dizer que "no momento não era possível fazer a ligação". 
Como sou crédula admiti que fosse por ser feriado. Mas, porque também sou desconfiada, resolvi ligar o 707. Fui, claro, logo diligentemente atendida.
Ou seja, a linha alternativa existe, mas neste caso, ninguém respondeu. No entanto, havia quem o pudesse fazer, já que através do numero caro, fui atendida de imediato...
É a vida. Mas que raio de vida em que o cidadão se queixa, mas ninguém faz nada.

HSC

domingo, 16 de junho de 2019

Até 6 de Outubro...

Até 6 de Outubro irão começar as promessas. Para já, as mais fresquinhas, dirigem-se aos funcionários públicos. Muitas outas iremos ouvir, independentemente de haver ou não dinheiro para as concretizar. Pode ser que apareça até algum bónus para os pensionistas, mas parece-me difícil porque a classe não tem qualquer força reivindicativa no mundo do trabalho que já foi o seu e os sindicatos estão mais interessados em defender os activos, porque os outros sãom peso morto, embora ainda votem.
O PS vai pedir a maioria e até é capaz de a obter, se os incendios não vierem, de novo, ensombrar o seu caminho. Com mais uns passinhos de dança, se os socialistas a não obtiverem, podem sempre vir a dispensar o BE e o PC, fazendo acordos com o PAN.
Assim, teremos quatro meses garantidos de promessas eleitorais e de cartazes, num pais em que nenhum dos partidos limpou sequer a poluição que causou com os das europeias, que por lei já deveriam estar a ser retirados. Mas quem é que, na política, cumpre a lei?!
Por mim, vou tentar, finalmente, vergar-me à Netflix, como forma de atravessar este período sem grandes conflitos anímicos. É que, já que as legislativas vão constituir series próprias, assim pelo menos naquela plataforma, eu vou poder escolher o que muito bem entenda. Senão, só me resta o Fox Crime...

HSC

sábado, 15 de junho de 2019

Ainda o 10 de Junho


Por muitas e variadas razões, não me pronunciei aqui – nem aliás em nenhum outro lado – sobre o badalado discurso de JMT feito no dia 10 de Junho em Portalegre. 
Vi gente entusiasmada e gente irritada. A mim, não me causou nem uma nem outra daquelas reacções. Por isso, achei inútil dizer o que quer que fosse sobre o assunto.
Leio, de vez em quando, o autor. Discordo muitas vezes dele, cumprimento-o pela defesa que faz do matrimónio, mas a sua imagem do homem feito a pulso, no actual contexto nacional, não me parece muito significante, porque o país, como sabemos, está cheio deles. Nós é que os não conhecemos.
Acontece que hoje li a crónica de Alberto Gonçalves, no Observador, sobre o discurso. E, curiosamente, descobri nela, algumas razões do meu silêncio sobre o tema. 
O cronista elenca divergências, concordâncias e incertezas sobre o conteúdo do dito. Creio que tem razão. E explica, afinal, porque é que eu entendi que não valia a pena falar sobre o assunto e me mantive silenciosa, no meio de tanto ruído!

HSC

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Que vergonha!


Acabei de assistir à reportagem de Ana Leal, na TVI, sobre o estado em que se encontra actualmente Pedrogão Grande. Fica-se com um aperto na garganta.
Como é possível que os nossos dirigentes durmam tranquilos, sabendo do que aquela gente precisa e não tem? Como é possível que toros de lenha, fios eléctricos e floresta permaneçam no mesmo estado, à espera de  virem a ser, de novo, dizimados pelo fogo? 
Gente que sofreu, que perdeu tudo, que os portugueses solidariamente ajudaram e que continuam à espera de que alguém se lembre deles e faça o que ainda não foi feito. Como é possível?
O Presidente da República prometeu que não abandonaria Pedrogão Grande e que havia de lá voltar. Não esqueça essa promessa, não esqueça aquelas pessoas que precisam que se lhes devolva uma vida. 
A Ana Leal fez um trabalho meritório e pôs a nu o muito que não foi cumprido. É esse o trabalho do jornalista e ela fe-lo muito bem. Mas é preciso que esse seu labor não caia em saco roto...
Volte a Pedrogão Grande, Senhor Professor Marcelo Rebelo de Sousa. E mostre que, de facto, os não esqueceu!

HSC

terça-feira, 11 de junho de 2019

Ruben, um homem especial


Ruben de Carvalho, histórico militante do PCP, morreu esta terça-feira aos 74 anos. Para além da carreira na política, teve uma vida de intervenção e de luta na resistência antifascista e no movimento associativo estudantil. 
Viria a abraçar a Revolução de Abril e deixou à sociedade portuguesa um contributo de relevo no domínio da música, quer nas suas raízes populares, quer na sua dimensão erudita.
Foi jornalista na 'Vida Mundial' e no 'O Século' e chefe de redação do semanário 'Avante', a partir do seu primeiro número legal. Foi, igualmente, membro do Conselho de Opinião da RTP em 2002 e comentador da SIC Notícias.
Conheci Ruben de Carvalho já lá vão muitos anos, mas continuava a guardar dele a memória de um homem de letras culto e de um melómano que gostava da mesma música que eu, desde o fado ao jazz, dos blues à música americana. Tudo o que, na altura como hoje, me dizia e diz, muito mais do que as opções políticas que nos afastavam .
Deixa-me um sentimento de pena e de tristeza, ver partir cedo alguém que, pouco tendo de comum comigo ideologicamente, sabia apreciar  e valorizar o que uma certa cultura tem de melhor.
À Família os meus sentidos pêsames.

HSC 

segunda-feira, 10 de junho de 2019

A "nossa" TAP


“...O caso da TAP é mais um exemplo de concretização de prioridades eleitorais que saem muito caro aos contribuintes. Estamos perante um caso de nacionalização de prejuízos e privatização de lucros. Neste momento, a TAP é privada nos seus actos de gestão, mas é pública se precisar de dinheiro. É o melhor dos mundos para a irresponsabilidade financeira privada. A privatização pode não ter sido positiva, mas a nacionalização agravou ainda mais as responsabilidades do Estado
Em 2018, a TAP registou prejuízos de 118 milhões de euros e agravou o seu capital próprio negativo de 476 milhões de euros para 618 milhões de euros. Teve, além disso, prejuízos operacionais de 44 milhões de euros.
...Apesar de ter 50% do capital, o Estado detém apenas 5% dos direitos económicos e é responsável por capitalizar a empresa sempre que os capitais próprios desçam abaixo do valor negativo de 571,3 milhões de euros, como aliás aconteceu em 2018. Ou seja, o Estado, através da Parpública, pode ser chamado a aumentar em breve o capital da TAP. Mais: caso exista incumprimento dos acordos, a Parpública terá de pagar ao acionista privado, a Atlantic Gateway, 217,5 milhões de euros, no mínimo (no caso da privatização esse direito exercia-se em 10 milhões de euros).
Os pormenores do acordo de privatização e de recompra podem ser lidos na auditoria do Tribunal de Contas. Esta síntese permite perceber como boa parte dos incentivos vão no sentido de premiar a irresponsabilidade financeira ou, no mínimo, de não premiar a responsabilidade financeira dos gestores executivos da TAP.
O presidente da TAP pode pagar os prémios que entender e fazer a gestão que quiser. Se correr mal a conta vai para o Estado, se correr bem 90% dos lucros que forem distribuídos vão para os privados.
Um caso típico de nacionalização das perdas e privatização dos lucros. Que torna ainda mais incompreensível a “renacionalização” da TAP, tanto mais que os gestores nomeados elo Estado – um dos ganhos da recompra — parecem incapazes ou sem ferramentas para controlarem a gestão.”
                     
                                    Helena Garrido in Observador

Creio que se dispensam comentários. E nem está tudo dito, porque se as coisas correrem mal, sobram ainda mais compromissos para o Estado. 
Como é que a TAP se dá a este luxo? Porque pode, é a resposta simples. E pode, claro, porque quem negociou não acautelou o que devia!

HSC

sábado, 8 de junho de 2019

Uma traição necessária


Sou admiradora de longa data da actriz Julie Dench. Creio que terei visto quase todos os filmes em que ela participou. Hoje, fui ver Red Joan, traduzido entre nós como "Uma Traição Necessária", em que ela é uma das protagonistas.
Trata-se da história real de uma brilhante estudante de Física da Universidade de Cambridge que, por amor a um colega comunista, acaba por ser recrutada pelo KGB. 
Dench já muito envelhecida, irá ser obrigada a relatar a sua própria história várias décadas depois de ela se ter desenrolado.
E fá-lo com a qualidade habitual, levando-nos para o clima ideológico da época que atinge o seu auge com o drama do lançamento, pelos americanos, da bomba em Hiroshima.
Não se trata de uma fita genial, mas é uma história bem contada e que nos reporta a certos belicismos que, infelizmente, parecem estar a ficar cada vez mais esquecidos com a forma como se ensina a história das nações.
Enfim, para mim, que aprecio muito pouco as aglomerações que o turismo trouxe ao país, ir ver uma película destas, num sábado à tarde, numa sala meia cheia, é uma alternativa extremamente  saudável. Sobretudo, quando o ruído se aproxima a passos largos da minha casa, onde a policia corta as ruas e os balões, as sardinhas e as cantorias, me preparam uma noite de insónia  garantida.

HSC

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Bombas em Portugal

Hoje peço-vos, em meu nome e no de Luis Aguiar Conraria, que muito admiro, e é autor deste artigo, publicado no jornal Público, que assinem uma iniciativa legislativa e uma petição solicitando que a distribuição de bombas de insulina seja alargada aos adultos. Aqui fica o seu texto que compartilho com todos os que me lêem.

"Quando recebemos o diagnóstico, já lá vão quase três anos, de que a nossa filha mais velha tinha diabetes de tipo 1, o choque foi enorme. Como já expliquei, esta é uma doença auto-imune, em que os nossos anticorpos destroem as células do pâncreas, que deixa de produzir insulina. Antes de esta ser descoberta, um diagnóstico da doença era uma sentença de morte. Depois da sua descoberta, a solução parece fácil: se o pâncreas não produz insulina, passamos nós a injectá-la quando necessário.
No início, ainda antes de termos bomba de insulina, parecia fácil. Basicamente tínhamos duas insulinas para administrar: a basal, de efeito lento, tão lento que só era dada à noite, de 24 em 24 horas. Essa injecção destina-se a cobrir as necessidades permanentes do corpo. E uma outra, de efeito rápido, que era para ser injectada de cada vez que se comia.
No início parecia um jogo matemático: tínhamos de perceber quantos açúcares e hidratos de carbono a criança ia ingerir, fazer umas contas com base nuns rácios e dar a insulina correspondente. Só ao fim de algum tempo percebemos que a demanda pelos rácios certos era uma missão quase condenada ao insucesso.
Porquê condenada ao insucesso? Porque há demasiadas variáveis em jogo. A maçã de hoje pode ser mais doce ou mais amarga do que a comida ontem; se a rapariga se está a mexer, a sensibilidade à insulina aumenta; se está mais calor, idem; se está em ovulação, aumenta a resistência; se tem uma doença, o corpo tanto se torna mais como menos sensível, etc. Rapidamente se percebe que ou a criança faz uma alimentação low carb, reduzindo a ingestão de hidratos de carbono ao mínimo, o que médicos e nutricionistas desaconselham vivamente, ou a glicemia andará numa montanha-russa.
É quando tomamos consciência disso que a realidade nos bate com força. A diabetes de tipo 1 deve ser a única doença crónica mortal em que as doses do medicamento (no caso, a insulina) são decididas várias vezes ao dia pelo paciente e não pelo médico. Isto é assustador pela simples razão de que a dose errada pode ser letal. E foi nessa altura que entendi que um dos maiores riscos era o de confundir a insulina lenta com a rápida.
As canetas com que injectamos uma e outra eram praticamente iguais, apenas a cor as distinguia. Mas a dose de insulina lenta a injectar diariamente anda perto das dez unidades, enquanto a dose de insulina rápida a dar no caso raro de um almoço pouco saudável (por exemplo, uma ida ao McDonald’s) não passava das três unidades. Tomámos consciência de que, se numa noite qualquer trocássemos as canetas e injectássemos a insulina de efeito rápido em vez da lenta, isso poderia ser fatal.
Na edição do PÚBLICO de 4 de Outubro do ano passado, Ana Carolina Rocha contou como quase morreu com uma hipoglicemia tremenda apenas porque decidiu dormir mais uns minutos. Se pequenos erros se pagam tão caro, imagine-se um grande erro.
Mais perturbador foi perceber, num grupo privado de Facebook, que de vez em quando essa troca de insulinas acontece entre diabéticos de tipo 1. A solução passa por ir imediatamente para o hospital e ficar umas horas a soro. Este foi um dos principais benefícios que percebi quando a minha miúda passou a ter bomba de insulina: o perigo de confusão simplesmente desaparece. Explico: com a bomba de insulina, apenas se usa um tipo de insulina, a rápida; a lenta é substituída por um fluxo constante da rápida, injectado através de um cateter.
Quando foi diagnosticada diabetes à minha filha, fiz uma declaração de interessesdizendo que a partir daquele momento me ia tornar um activista. Por coincidência, e não por qualquer efeito de lobbying meu, pouco tempo depois saiu um decreto-lei que garantia a todos os menores de 18 anos o acesso gratuito a uma bomba de insulina. Foi aprovado um monitor contínuo de glicemia que permite aos diabéticos controlá-la sem ter de andar sempre a picar o dedo para extrair sangue.
Sei, por experiência própria, como estas novas tecnologias ajudam. E, como sei isso, não consigo deixar de lamentar que as bombas não sejam distribuídas a adultos. Corrijo, são distribuídas umas quantas por ano, mas a um ritmo tão lento que nunca atingirão toda população adulta.
Percebo perfeitamente que a prioridade seja dada às crianças. Um estudo recente publicado na revista médica Lancet mostra que a esperança média de vida de uma criança a quem foi diagnosticada esta doença é 16 a 18 anos menor. Já alguém a quem lhe foi diagnosticada em adulto “apenas” perde dez anos de vida.
Convém, no entanto, ter em atenção que muitos dos actuais adultos conheceram o seu diagnóstico em criança, pelo que novas tecnologias que lhes permitam fazer uma melhor gestão da doença são fundamentais. E mesmo quem receba o diagnóstico já em adulto pode beneficiar muito deste tratamento. Afinal de contas, é por isso que tantos nos orgulhamos do nosso Sistema Nacional de Saúde, não é? O existir para que quem tem menos posses financeiras possa usufruir dos melhores cuidados médicos.
É por isso que hoje lhe peço que assine uma iniciativa legislativa (de que sou subscritor e que necessita de 20.000 assinaturas) e uma petição (que já não precisa de tantas) dirigidas à Assembleia da República pedindo que a distribuição de bombas de insulina seja alargada a todos os adultos, com prioridade para grávidas e mediante recomendação médica. Com a iniciativa legislativa propõe-se uma lei, com a petição apenas se pede à AR que discuta o assunto.
Compreendo a dúvida que esteja a sentir: faz sentido acrescentar mais esta despesa ao SNS? Não conheço estudos para Portugal, pelo que apenas lhe posso responder com os de outros países. Um recente, feito para a província canadiana Alberta, conclui que o melhor controlo glicémico que se obtém graças às bombas de insulina permite ao sistema de saúde poupar dinheiro, já que o custo de fornecer as bombas é mais do que compensado pela poupança com a diminuição de futuras complicações (problemas de visão, rins, má circulação, neuropatia, etc.). É uma solução boa para os doentes e para as finanças públicas.
Não quero enganar ninguém, conheço um estudo para outro país que conclui que, apesar da melhoria na qualidade de vida dos diabéticos, de um ponto de vista estritamente financeiro, o fornecimento de bombas não permite ao Estado poupar dinheiro. Essa é outra das vantagens destas iniciativas: criar um incentivo para que se façam estudos destes para Portugal que nos permitam tomar decisões informadas."
Para subscrever a iniciativa legislativa, vá a este link. Terá de se registar e confirmar a sua assinatura. Se achar o processo complicado, pode ir a esta páginae imprimir uma folha para assinaturas manuais. Nesse site encontrará a morada para onde as poderá enviar pelo correio. A petição pode ser subscrita aqui.

Sejamos solidários. A diabetes é uma doença que pode ser melhor controlada se todos fizermos um pequeno esforço. Nomeadamente, o de obrigar o governo a estender aos adultos o âmbito  desta medida. 

HSC

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Morreu Agustina

Há três mulheres que tenho, há anos, na minha cabeceira. São Agustina Bessa Luis, Clarisse Lispector e Marguerite Yourcenar. Amo todas elas de forma diferente e, muito possivelmente, não seria quem sou se as não tivesse encontrado.
Felizmente conheci, entrevistei e convivi com a primeira. Faltam-me palavras e sobejam-me lágrimas ao pensar que Agustina desapareceu. E eu não sou de chorar, mas sim de ficar com um nó atravessado na garganta quando perco alguém de quem gosto muito.
Estas mulheres marcaram tanto a minha vida, que as sinto como se fizessem parte de mim. Foi com elas que venci medos, atravessei crises, enfrentei barreiras e aprendi que a sociedade se constrói, quando temos a coragem de dizer o que pensamos, pese embora as criticas que possamos suscitar.
Houve uma altura em que o politicamente correcto considerava Agustina uma mulher de direita e, com isso, não lhe dava a importância devida. Muitos desses nomes, deram-lhe hoje as leias que á época lhe negaram. Esquecendo que ninguém se poderia apoderar de um espírito livre como o dela, que olhava a sociedade sem qualquer submissão a ideologias, fossem elas de que teor fossem.
Estou muitíssimo triste com o seu desaparecimento, apesar de já esperado. Mas enquanto a sabia viva, sentia que se mantinha a brisa suave das suas palavras. Estas vão continuar a alimentar-me, mas eu sei que a sua voz não se fará mais ouvir...

HSC

domingo, 2 de junho de 2019

Falar demais...

Marcelo excedeu-se ao afirmar ontem na FLAD, a Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, que “há uma forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos" e defendeu que, num tal contexto, o seu papel "é importante para equilibrar os poderes".
Marcelo comentava os resultados das eleições europeias de domingo numa intervenção em inglês, declarando que Portugal tem agora "uma esquerda muito mais forte do que a direita" e que "o que aconteceu à direita é muito preocupante".
Quanto à esquerda, o chefe de Estado referiu que "o PS fortaleceu a sua posição, e quem se sabe se isso acontecerá de forma ainda mais profunda nas próximas eleições legislativas", podendo vir a ter "diferentes possibilidades" para formar maioria, além de PCP e BE, "porque outros partidos estão a crescer" – numa clara alusão ao PAN.
"Portanto, disse, há uma forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos. Isto, para ser muito realista, o que explica porque razão o equilíbrio de forças está como está. 
E um bocadinho também por que é que o Presidente, pelo menos neste momento, é importante para equilibrar os poderes", acrescentou.
O chefe de Estado admitiu, à saída da FLAD, que o equilíbrio de forças entre esquerda e direita, após as eleições legislativas, possa influenciar o seu papel como Presidente da República e a sua decisão sobre uma recandidatura.
E defendeu que "é muito importante haver um equilíbrio nos dois hemisférios da vida política portuguesa, para não haver um desequilíbrio muito para um lado, relativamente a outro".
"Agora, só o resultado das legislativas é que permitirá dizer qual é o equilíbrio a que se chegará em Outubro e, depois, qual é o papel que o Presidente terá até ao fim do mandato, e se isso influenciará ou não a decisão sobre a recandidatura", acrescentou. 
Questionado sobre o que é que entende que muda no seu papel num cenário de crescimento da esquerda face à direita, o Presidente da República respondeu que "as legislativas serão apenas em outubro" e que antes disso "é prematuro falar da evolução do sistema partidário português e também do papel do Presidente".

Com uma abstenção de 68%, Marcelo falou demais. Nada garante que em ambiente de legislativas, se repita o quadro das europeias. E falar da crise da direita sem se pronunciar sobre o que se passou no PCP, ou no aparecimento dos novos pequenos partidos ou até no seu próprio papel como PR, parece-me manifestamente exagerado...

HSC

sexta-feira, 31 de maio de 2019

O meu Google Chrome morre de dia

Não sei se é apenas a mim que isto acontece. Mas há mais de um mês que o motor de busca Google Chrome do meu Mac, não funciona. Não abre e apenas manda sucessivas mensagens a dizer que ocorreu um erro, quando pretendo utiliza-lo. É uma maçada porque era o que usava mais.
Só à noite é que consigo abri-lo e funcionar com ele, o que manifestamente, me não serve. Assim, passei-me para o Safari, mas gostava de saber se algum dos meus leitores tem o mesmo problema que eu...
Tentei apurar junto da NOS se havia algum problema, mas esclareceram-me que não...

HSC

quinta-feira, 30 de maio de 2019

O burnout, a doença do ano!

O conceito de burnout– termo inglês que se pode interpretar como "queimar por completo" - foi pela primeira vez referido no início dos anos 1970 pelo psicanalista Herbert J. Freudenberger (1926-1999), após verificar em si próprio, um forte estado de esgotamento físico, mental e emocional. 
Ora a Organização Mundial de Saúde acaba de o incluir na sua lista de doenças como um "síndroma da exaustão", no qual se atinge o ponto extremo de cansaço devido a uma atividade profissional exigente e stressante, que esgota a energia e nos leva a "desligar do mundo".
A doença, de acordo com a OMS, caracteriza-se por "um sentimento de exaustão, cinismo ou sentimentos negativistas ligados ao trabalho e eficácia profissional reduzida".
O diagnóstico é frequente em profissionais com actividades, sujeitas a turnos, como é o caso de médicos, enfermeiros e professores. Mas pode, por exemplo, afectar estudantes que se encontram sob a pressão dos exames e sujeitos a períodos de poucas horas de sono. Os principais sintomas são:
Cansaço extremo, físico e mental
Desmotivação
Isolamento
Dores de cabeça fortes e frequentes
Insónias
Tonturas
Tremores
Falta de ar
Oscilações de humor
Dificuldade de concentração
Problemas digestivos
Atendendo a que o "burnout" ocorre devido ao stress extremo da atividade profissional, impõe-se mudar as condições de trabalho e o seu tratamento obriga, forçosamente, a uma ausência do local onde se trabalha, seja essa ausência devida a folga ou férias, que são sempre benéficas para alterar as rotinas e tentar relaxar. Podem, também, ser úteis atividades de relaxamento; organizar o tempo e decidir prioridades; participar em momentos de lazer com familiares e amigos, seguir uma dieta equilibrada; e, mais importante procurar ajuda profissional.
Na classificação internacional de doenças da OMS, que serve de base para as estatísticas de saúde, o "burnout" surge na secção consagrada aos "problemas associados" ao emprego e desemprego, sendo descrito como “um síndroma resultante de 'stress' crónico no trabalho que não foi gerido com êxito".
Infelizmente em Portugal a maleita começa a tornar-se conhecida e já atacou pessoas que, à partida todos nós consideraríamos como imunes! 

HSC

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Que ninguém se queixe!


Termina hoje, à meia noite, uma campanha que tratou de tudo menos do que devia tratar, ou seja esclarecer os portugueses sobre o que significava ir votar no próximo domingo.
Foi, para os partidos ditos do arco da governação, uma espécie de primárias para as eleições legislativas que virão a seguir. A falta de qualidade da campanha irá determinar o nível de abstenção que, no seu pior momento, já chegou a atingir 66%. Suspeito que se vier muito calor se atinjam níveis  muito próximos daquele.
Mas que ninguém se queixe. Foram os ataques pessoais, a falta do esclarecimento prestado ao eleitor, as feiras e arruadas sem nexo, que determinaram o resultado que irá verificar-se. 
A animar tristemente a fotografia de uma Europa sem rumo, aparece a demissão de May e um Brexit sem solução à vista, que parecem dar razão aos eurocepticos.
E o homem que esteve na origem de tudo isto, passeia-se pelo mundo fazendo conferências sobre n'importe quoi...

HSC

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Fatima Lopes


Tenho particular apreço por certas mulheres que conheci na televisão. Na informação sou fã da Clara de Sousa, da Cristina Esteves e da Teresa Dimas.
No entretenimento sou fã da Fátima Lopes e da Cristina Ferreira. Com cada uma delas, por razões diferentes, tenho uma ligações sentimentais que se não explicam, mas que têm por base o profissionalismo com que exercem as suas funções. 
Nos homens o José Rodrigo dos Santos e o Pedro Pinto são os que melhor me informam e o Manuel Luis Goucha quem mais me diverte e está entre aqueles que mais respeito.
Hoje quero apenas referir a Fátima, porque li a excelente entrevista que concedeu ao Mauro Gonçalves do jornal on line Observador. Quem a conhece, como eu, "sente-a" viva e pragmática em tudo o que afirma. 
Conheço-a há perto de 20 anos e, em nenhuma altura, a senti vedeta ou afectada pelos sucessos ou insucessos. É uma mulher bem resolvida, que não quebra perante as dificuldades, que não se vitimiza nem se considera especial. 
Aconselho vivamente a leitura dessa longa conversa, porque nela faz uma análise muito objectiva do actual panorama televisivo. Mas, sobretudo, ensina-nos que sucessos e fracassos todos podemos ter. O que não podemos nem devemos, é baixar por esses factos, a qualidade daquilo que fazemos. Tem toda a razão!

HSC

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Os pobres ricos...

De facto a CGD constitui uma verdadeira Caixa de Pandora. Cada vez que se levanta uma ponta, descobre-se logo outra, mais ou menos expectável.
Depois do tristíssimo espectáculo d Comendador Joe Berardo - "Comendador" até quando? - avizinha-se agora outro família paupérrima, os Fino. Pelo que ouvimos - será que sabemos mesmo alguma coisa? - também os seus representantes nada têm para pagar as suas dívidas. Só nós mesmo, aqueles que têm os impostos em dia, é que terão de liquidar os seus impostos.
O panorama é tão lamentável que ainda se mantêm as condecorações oportunamente dadas a empresários como Berardo...
Não tenho, felizmente, nenhuma condecoração, porque nada terei feito para a merecer. Mas se a tivesse, confesso-vos que, neste momento, me sentiria muito envergonhada!

HSC

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Finalmente!


Sou, desde o principio, contra o malfadado Acordo (? ) Ortográfico em vigor. Hoje, em boa hora, ouvi no noticiário das oito horas na tvi uma entrevista à professora de português Maria do Carmo Vieira, que me deu imenso prazer. Deduzi da conversa tida com Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares, que o assunto  poderá vir a baixar à Assembleia da República, para ser discutido. 
Sim porque este Acordo, a que fomos submetidos, não foi, sequer, objecto de discussão publica. Foi imposto, apesar de só ter tido a aprovação de dois pareceres dos vinte e sete que sobre o mesmo foram pedidos.
E desses, um pertence ao Prof. Malaca Casteleiro, autor do bizarro projecto, que talvez tivesse ganho alguma coisa se tivesse meditado bem sobre o facto de que «começamos a aprender a língua pelo ouvido, quando crianças. Depois aprendemos pelos olhos, porque lemos as palavras". 
Aliás, «a função de uma ortografia não é nem facilitar o ensino da escrita nem reflectir a oralidade; a ortografia serve para codificar e garantir a coesão da língua escrita normalizada de uma comunidade nacional.»
Pode ser que a iniciativa pela qual se bate a professora Maria do Carmo Vieira abra, finalmente, as consciências para um debate alargado sobre o assunto. Porque é isso que se pretende, ao tentar encontrar a escrita que a nossa língua merece!

HSC

sábado, 11 de maio de 2019

Chega!


Ouvir falar Joe Berardo na Comissão de Inquérito da Assembleia da Republica, para a qual foi convocado e ter-se-lhe permitido responder como respondeu é, no mínimo, ultrajante.
O ar de gozo pessoal com que declarou que nada tinha como seu  e que não sabia a renda de casa que pagava, de mistura com gargalhada sonante que deu quando Cecilia Meireles lhe disse que deixaria de ser ele a nomear as pessoas que se ocupavam das "suas"obras, foi não só aviltante para a instituição que aqueles deputados representam, como foi humilhante para o cidadão português. E ainda teve o desplante de afirmar, que se estavam a brincar com ele, saia da reunião. 
Não sei nada dos regulamentos que regem aquelas Comissões de Inquérito. Mas sei que enquanto cidadã e contribuinte com impostos em dia, julgo que o Presidente ou algum dos deputados ali reunidos, o deveriam ter impedido de continuar no tom de chacota com que aquele senhor se comportou. Haja um mínimo de dignidade e profissionalismo, porque os portugueses não gostam de ser enxovalhados. 
Já nos bastou Constâncio com a sua amnésia precoce e Zeinal Bava com as suas académicas explicações em inglês tauromáquico. Chega!

HSC

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Os astutos banqueiros!



Os banqueiros dos principais bancos defendem que o multibanco deve ser pago ou ter critérios uniformes em toda a zona euro. 
Esta opinião foi apresentada durante o “CEO Banking Forum”, que decorreu na quarta-feira nas instalações da Nova SBE, em Cascais. Na generalidade, os responsáveis consideraram que, dado tratar-se de um serviço disponibilizado pelo banco, devia ser pago
Porém, a lei não permite esse pagamento, já que pela legislação nacional “está vedada a possibilidade de qualquer cobrança por operações de levantamento, depósito ou pagamento de serviços serem cobrados, encargos ou comissões, nas caixas automáticas, sejam elas da rede de Multibanco da SIBS ou sejam outras".
Convém lembrar que as caixas multibanco foram criadas para promover alguma competitividade e permitiram aos bancos diminuir não só número de agências, como reduzir o número de funcionários aos balcões. E, quer-se agora, por via de uma crescente utilização de caixas automáticas, que os utilizadores paguem por isso? 
Ou seja, primeiro cria-se a utilização, permite-se a sua gratuitidade, vai-se fidelizando os clientes e quando essa fidelização está criada, começam a cobrar-se comissões.
Nem os levantamentos ao balcão deveriam ser pagos, uma vez que o detentor do fundo depositado é o próprio cliente. Apesar disso os valores cobrados são bastante altos.
Se os bancos beneficiaram da diminuíção do número de agências, e do número de funcionários aos balcões, por via de uma crescente utilização de caixas automáticas querem agora, que paguemos por um benefício que foi deles?
Importa salientar que o incentivo à utilização não pode ser um caminho para depois se introduzirem novas comissões. Isso seria pouco sério e conduziria, no futuro, como reacção, a que se voltasse a ter o dinheiro guardado em casa.
Se os bancos, face às baixas taxas de juro praticadas – situação essa, sim, que, para mim, como economista, me preocupa– viram o seu negócio modificar-se, não podem pretender transferir para o cliente, o exclusivo peso da situação.
Terão de ter a criatividade suficiente para contornar o problema e habituarem-se a que o padrão bancário do passado se alterou. Se o não fizerem, digam adeus aos milhares de pequenos depositantes que preferirão ter as suas economias no colchão....

HSC