quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Uma entrevista


Cristiano Ronaldo deu uma entrevista a Joaquim Sousa Martins para a TVI, que foi transmitida em duas partes e que, do meu ponto de vista, deveria ser bem meditada porque contem varias mensagens importantes.
Mas as redes sociais, modelares no aspecto cultural, como todos sabemos, o que comentaram foi - como não podia deixar de ser - o seu mau português, porque em lugar de dizer "obsecado", dizia "obcessionado" que, como se deduz, para quem fale mais de uma língua, vem de uma mistura da mesma palavra em português e em inglês. Enfim, gente muito culta que fala muito bem português...
Cristiano tem hoje uma enorme desenvoltura perante as câmaras. E deve ter aprendido - como tudo na sua vida - à sua custa, insistindo as vezes necessárias para aprender como se "namora" com elas.
Sousa Martins, de forma inteligente, transformou uma entrevista numa conversa natural e tranquila, mas que abordou os temas mais interessantes. Ronaldo esteve à altura e aproveitou bem a oportunidade, para salientar que no sucesso de alguém, a parte maior deve-se ao trabalho. Quantos poderiam fazer esta afirmação baseando-se na experiência própria?
Tenho uma particular afeição por CR7, esse miúdo que veio sozinho, aos 13 anos, para a capital, mostrar o seu talento. E que pelo seu talento e sobretudo pelo seu esforço, conseguiu chegar ao topo, não esquecendo nem a família nem o local onde nasceu.
Esbanja dinheiro em luxos inúteis? É verdade. Mas gasta do que é seu, ao contrário de alguns que fazem o mesmo gastando o que é dos outros...
A mim, que sou uma defensora incansável do valor do trabalho na vida de todos nós, a entrevista comoveu-me - ia escrevendo "comocionou-me" - só para ver os comentários que receberia.
Parabéns Cristiano Ronaldo. E não se importe com as críticas ao seu mau português. Houve quem dissesse "ha-dem" e foi ministro!

HSC

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Outros pecados


Os pecados ditos mortais já todos conhecemos. Mas os novos pecados - os digitais - talvez levantem outros problemas...
É que para estes não chega a absolvição, nem sequer há quem a possa dar. Mas têm algo em comum: é que depende só de nós deixar de pecar!

HSC

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O tempo que gastamos...


Quando se olha para este quadro tem-se um retrato comportamental curioso. Com efeito, entre as pessoas dos 18 aos 34 anos o tempo passado frente ao computador, ao telefone e frente à televisão inverte-se quase nas mesmas proporções. 
Em compensação no grupo etário com mais de 65 anos, para além de aumentar o tempo dedicado a estas actividades, o tempo passado frente à televisão praticamente duplica, o tempo passado ao computador reduz substancialmente e o tempo passado ao telemóvel também diminui, mas não de forma tão marcante quanto as duas categorias anteriores.
Talvez dê para pensar em solidão...

HSC

domingo, 18 de agosto de 2019

E tudo continua por esclarecer


Segundo o Expresso, a empresa familiar de Graça Fonseca, ministra da Cultura, assinou a 29 de julho um novo contrato com a Câmara Municipal de Lisboa. O contrato celebrado pela Joule — Projetos, Estudo e Coordenação, Lda tem como alvo a elaboração do projeto de redes de infraestruturas, no âmbito do Plano de Urbanização do Vale de Santo António.
O mesmo jornal divulga ainda a existência de um outro contrato, este já assinado em fevereiro entre a Joule Internacional — Serviços de Engenharia, Lda e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
E dá conta que os dois contratos foram atribuídos por ajuste direto, representando para a empresa da ministra da Cultura, um encaixe de 39.500 euros (19.900 euros, o primeiro, 19.600 euros, o segundo).
Graça Fonseca, ministra da Cultura desde Outubro de 2018, detém 8% do capital da Joule – Projetos, Estudos e Coordenação, estando o restante capital nas mãos do pai, da mãe (ambos com 38%) e do irmão, que controla 16%. Já na Joule Internacional, Graça Fonseca tem a mesma participação de 8%. O pai é o maior acionista, com 70% do capital, e o irmão controla 22%.
Ainda de acordo com o Expresso, desde 2009, quando Graça Fonseca se tornou vereadora da CML, a empresa de que é sócia assinou 17 contratos com o setor público.
A ligação entre as empresas de Graça Fonseca e o setor público foi conhecida no final de julho, poucos dias antes de o primeiro-ministro António Costa ter pedido ao Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República que se pronuncia-se sobre a incompatibilidade das participações acima dos 10% de familiares dos ocupantes de altos cargos públicos, ascendentes ou colaterais até ao segundo grau em negócios com o setor público.

                   Documentação retirada do jornal online ECO

Já nada me surpreende nestas notícias. O que me surpreende é que Graça Fonseca não se explique nesta matéria, que dizendo respeito a eventual incumprimento da lei, respeita, enquanto ministra, a todos nós. 
Sobretudo quando, sem ninguém a questionar, nos deu a conhecer pormenores da sua vida pessoal, que a não tornam nem melhor nem pior ministra.
Se sentiu que devia expor-se, não foi pela posição que ocupa, mas por qualquer outra razão que desconhecemos. O que se pede agora, é a mesma transparência nas operações feitas com a sua empresa que, essas sim, têm a ver com as suas funções.

HSC

sábado, 17 de agosto de 2019

Vidas desfeitas à posteriori


Leio que Plácido Domingo terá vindo engrossar a lista dos abusadores sexuais dos anos sessenta/setenta, num enquadramento muito nos limites do movimento Me too.
Já escrevi aqui o que penso destes processos, que se multiplicam trinta ou quarenta anos depois, com julgamentos feitos na praça pública e à luz do que hoje é a nossa forma de viver. Há trinta ou quarenta anos, aceitavam-se comportamentos inaceitáveis, por mais duro que seja dize-lo. 
Isto desculpa quem teve esse tipo de atitudes? Claro que não. Mas logo a seguir vem a pergunta traumática, que é a de saber o que leva alguém ofendido, a calar-se durante quatro décadas. A resposta é sempre a mesma, medo. Ou seja, as vítimas são julgadas com os olhos da época e os pretensos abusadores são julgados com os olhos de hoje. 
A vida profissional e pessoal de Plácido Domingo, à semelhança de tantas outras, está, a partir de agora, completamente liquidada. E eu, que sou mulher, incomoda-me profundamente, que as mulheres só sejam capazes de falar do que lhes aconteceu, quarenta anos depois, agora já sem medo e sem vergonha. Porque não acredito, que estas mulheres que hoje têm família, não sintam vergonha, ao expor publicamente a sua vida privada passada.
Todos os abusadores devem ser punidos pelo que se provar que então fizeram. Não tenho qualquer dúvida sobre isso. Mas que seja a Justiça a julga-los e não a opinião pública, porque há filhos e netos que também merecem ser preservados.
Não sei se o maestro e cantor abusou ou não da sua posição. Apenas conheço a sua história de vida, que não é de desprezar, pelo que trouxe à cultura musical. 
Que o julguem nos Tribunais é o que desejo. Mas também espero, que terminem os julgamentos das pessoas na praça publica. Porque não só arrasam o próprio, como arrastam consigo os filhos - de ambos os lados - que se sentem crucificados por aquilo que não fizeram. 

HSC



Morreu Soares dos Santos


Morreu ontem Alexandre Soares dos Santos, um dos maiores empresários nacionais. Destinado a licenciar-se em Direito, a vida encarregar-se-ia de alterar esse objectivo, que, no fundo, era mais paterno  do que seu. 
A morte inesperada do Pai obriga-o, após definir as suas condições para o retorno, a tomar conta da empresa da família. Não foi tarefa fácil porque, entretanto, haviam de surgir o Movimento das Forças Armadas, o atraso nos pagamentos de Angola, após a sua independência, com as inevitáveis consequências humanas e financeiras e a tentativa de controle por parte da Unilever. Tudo isto Soares dos Santos superou e a sua internacionalização foi conseguida apesar de todos os contratempos. 
Depois de atingidos os seus objectivos o empresário quis homenagear o homem que esteve na génese da criação do grupo "Jerónimo Martins", seu avô materno , de modo a deixar algo importante no desenvolvimento da sociedade portuguesa. Cria, para o efeito, a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que visa estudar os grandes temas nacionais, gerindo e alimentando, com tais estudos, o portal "Pordata", base de dados do Portugal Contemporâneo. 
Mais recentemente, ainda lançou a coleção de livros de ensaio, a preços reduzidos, sobre temas da atualidade e o desígnio conhecer Portugal, pensar o país, e contribuir para a identificação e resolução dos problemas nacionais.
Morreu um grande homem, de quem nem todos gostavam porque dizia e fazia como pensava - hoje raro no Portugal politicamente correcto - e desapareceu um empresário que tinha uma estratégia para a sua empresa e para o país.
Que descanse em paz.

HSC

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

O suficiente, mas não demais!


Há tempos, numa série televisiva que estava a ver, duas mulheres conversavam uma com a outra. A mais velha, tia da mais nova, queria antes de morrer saber como ia o noivado da sobrinha, a quem decidira deixar os seus bens. Queria saber se ela estava feliz.
E, entre sorrisos, estabeleceu-se  entre as duas o seguinte diálogo:
- gostas do teu noivo?
- claro que gosto, tia.
- mas gostas o suficiente ou gostas demais? É que é diferente.
- Não sei. Acho que gosto o bastante.
- E o que é "o bastante"?
- É o que eu sou capaz de gostar.
- O habitual é gostar demais 
- Então diga-me a tia, se o casamento nos dá, de facto, a felicidade?

A tia não chegou a responder-lhe, não teve tempo. Mas eu fiquei a matutar no que ambas, afinal, pareciam querer saber: é que o amor, quando é excessivo, pode matar a felicidade...

HSC


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Pais e filhos

Em condições normais compete aos pais educar e proteger os filhos, dentro daquilo que são as suas capacidades e competências. E cabe ao Estado, através das instituições adequadas, instruir e formar. Nem a este, nem aos primeiros, compete "formatar", como muitas cabeças pensantes parecem defender. A sociedade é o terceiro pilar no qual assenta uma função muito respeitável, que deve ser a de nos ajudar a conviver apesar das nossas diferenças.
Estes três pilares não têm, ao longo da vida, sempre a mesma importância. Os filhos, uma vez adultos estarão, em principio, educados e instruídos, pelo que o papel do Estado e dos ascendentes diminuirá e a influencia da sociedade aumentará.
Em muitos casos, infelizmente, isto não acontece e nalguns, mesmo, os filhos viram pais dos seus, por necessidade destes últimos. As razões podem ser muito variadas mas, pessoalmente, julgo que esta situação será muito dolorosa para todos e não pode deixar de atormentar quem nela se incluir.
Mas tão lamentável quanto o quadro que acabo de descrever, é aquele que começa a surgir, nestes tempos de novas tecnologias, em que nem pais nem filhos sabem qual o seu papel. Sempre fui muito amiga dos meus filhos mas, antes disso, era e sou mãe deles e nunca admiti confusões nesta matéria. Nem antes, nem hoje. E se há algo que preservo, para além da intimidade é o respeito a que deles tenho direito e do qual não prescindo.
Se os pais incitam os filhos a comportar-se como vedetas televisivas, não estão a protege-los, nem podem, depois, vir censura-los pelas atitudes que tomem para atingir esses fins. Ora, cada vez mais, se assiste a uma "formatação" paterna que é uma transferencia para as crianças daquilo que os pais gostariam de ter sido, ou, pior, que entendem que os filhos devem ser. 
Quando assisto, por acaso, a certos programas televisivos ou quando venho para casa mais tarde e vejo adolescentes, no fim de semana, a  - "emborcarem" - é o termo , copos seguidos de cerveja, pergunto onde, raio, estarão os pais destas crianças e como é que podem dormir descansados!
Tentei dar aos meus a liberdade que considerava justa, mas vivi muitas vezes a angústia do que eles pudessem fazer com ela. E, também, algumas vezes, a minha liberdade foi cerceada por eles terem uma idade em que, eventualmente, não percebessem o uso que eu fizesse dela. Não me arrependo nada, porque ser pai e ser mãe, se impõe limitações, também ajuda a formar a identidade de cada um. E eu devo-lhes bastante!

HSC


domingo, 11 de agosto de 2019

A outra Greta



“...Passar 15 dias fechado com uma adolescente mística que quer salvar o mundo à força, é como fazer um inter-rail com os Três Pastorinhos. E num comboio da CP. A miúda é um bocadinho assustadora, com aquelas tranças e os olhos sinistros. Parece a filha da Pipi das Meias Altas e do Chucky. Para a tripulação atazanada, o efeito de estufa vai rapidamente passar a efeito de estucha. É natural que às tantas fiquem tão obcecados com o clima que comecem a mandar Greta ir lá fora ver se chove.”

                            José Diogo Quintela in Observador

Sou uma fã, confesso, deste membro dos Gato Fedorento. Rio-me com gosto do que diz, como diz e do que escreve.
Feito este introito, aconselho vivamente, a leitura total da sua crónica no Observador, de que este excerto foi retirado, não só pelo humor da mesma, mas porque aborda um tema sobre o qual eu queria falar e que a meu ver anda a perturbar as pessoas de juízo.
Uma tal de Greta Thunberg, jovem sueca da alta burguesia, de 17 anos, anda já há uns tempos a dizer que vamos todos, a breve trecho, morrer, se não mudarmos os nossos hábitos de vida. Por mim, não tenho a mínima dúvida de que tal aconteça, não pelo efeito de estufa do planeta que a mesma exorciza, mas porque estou a atingir a idade média de vida estabelecida para as mulheres...
Assim e antes que tal me aconteça, uma das medidas que a jovem preconiza é que devermos deixar de andar de avião imediatamente. E, para provar a sua empírica tese, vai fazer uma viagem para Nova Iorque, patrocinada pelo Yatch Clube do Mónaco, num iate de luxo emprestado por um milionário.
É evidente que há um problema de aquecimento do planeta e que os especialistas vêm, em termos científicos, há já bastante tempo alertando as autoridades competentes.
Mas daí a considerar como labregos os que ainda frequentam aeroportos dá a medida da dimensão dos neurónios desta espécie de meteorologista não encartada.
Claro que esta viagem - não num miserável bote, como antes acontecia com os emigrantes que sonhavam atingir a América – visa participar numa Conferência das Nações Unidas sobre o clima. Receio bem que António Guterres a venha receber à entrada e suba com ela as grandiosas escadas, dado que o ascensor seria um meio pecaminoso de contribuir para o uso da energia elétrica.
Porque será que de tantas Gretas ilustres que a Suécia teve, nos havia agora de calhar esta, que não é nem actriz como a Greta Garbo, nem cantora folk, como Greta Naterberg?!

HSC