sábado, 13 de janeiro de 2018

Igreja: a Fé e a dúvida (15 )

«Há dias em que Deus é tudo para mim. Há dias em que não é nada, como se eu nesses dias não fosse mais que uma criatura animal ou vegetal, uma besta que treme, ou que canta, uma planta que não precisa de mais nada a não ser ar, água e sol. Há dias em que não tenho alma.»
Esta experiência – vivida mais cedo ou mais tarde por todos aqueles que têm uma religião – faz parte da fé e da própria vida.
Há um tempo em que Deus parece eclipsar-se e calar-se. Como se nós deixássemos de fazer parte das suas preocupações. É o período do deserto, da subida ao monte Moriá como Abraão, ou ao Carmelo como S. João da Cruz.
É uma representação nítida e intensa da experiência que atinge também os grandes mestres do espírito. Viveu-a Santa Teresa de Ávila na sua longa fase de «aridez espiritual». E vivemo-la muitos de nós, no silêncio de uma vida dita normal.
A espiritualidade de cada um não é um mar tranquilo. Ela atravessa, ao longo da nossa existência, períodos de uma profunda intensidade, de uma imensa riqueza, a que se seguem vagas de dúvidas, de incertezas, de inseguranças. Não desistir de nós próprios é, talvez, a maior prova de que a Fé está lá, escondida no canto mais recôndito da nossa alma.
HSC

5 comentários:

Fatyly disse...

Subscrevo inteiramente!

Uma boa tarde

Silenciosamente ouvindo... disse...

Também assim sucede comigo.

Os meus cumprimentos.

Irene Alves

Anónimo disse...

Ai que tema tão importante!
Com efeito a nossa vida espiritual, seja ela religiosa ou não, traz-nos muitos períodos de travessia do deserto.

Dulce Oliveira disse...

Palavras inspiradoras e tão verdadeiras.
Beijinhos
DNO

Anónimo disse...

🌷