domingo, 27 de agosto de 2017

Um só, com capa encarnada!

Assisti ao desenrolar da história dos livros de exercícios para raparigas e rapazes, da Porto Editora, com capas respectivamente rosa e azul e grau de dificuldade diferente. Deu-me alguma vontade de rir a controvérsia, porque quando vou comprar coisas para crianças acabadas de nascer, o primeiro passo é sempre escolher entre aquelas duas cores.
Depois, atendendo ao politicamente correcto - a que mesmo eu cedo algumas vezes com grande irritação - passei-me para os amarelos e verdes pálidos. Até que, um dia, tomei bem consciência do que estava por detrás daquelas opções, mandei-as dar uma volta e hoje escolho o que gosto, tendo apenas em atenção  quem são os pais das crianças. 
Este longo intróito serve para explicar que só a educação e o tempo, ajudam a acabar com os estereótipos. Não ordens ou proibições, que têm o efeito contrário.
No caso concreto dos livros, não se tratava de manuais escolares obrigatórios ou até aconselhados. Portanto, ninguém era obrigado a compra-los. E todos aqueles que, como eu, não desejam qualquer tipo de descriminação  - nem sequer as chamadas positivas, como as quotas para mulheres - não os comprariam. Mas não seria tanto pelas cores, mas sim pelo conteúdo que, esse sim, estabelecia diferenças entre os dois géneros.
Todavia, julgo eu, não compete a um ministro vir recomendar a retirada dos livros do mercado. Não é da sua competência determinar o que é ou não editado. Da sua competência será o que respeita a manuais escolares obrigatórios ou aconselhados. E chega.
Aceitar intromissão além desta é tolerar que podemos voltar ao tempo em que certos livros eram proibidos e em que a educação tinha apenas um único modelo. 
O combate às mentalidades é demorado. Mas um ministro não pode decretar o que eu, como mãe ou avó, quero que os meus filhos ou netos aprendam. Até porque isso seria o primeiro passo para que eles lessem o que eu não queria. Aconteceu comigo, quando no liceu, um dos cantos dos Lusíadas era proibido...
Se estivesse na pele da editora - que precisa de vender livros - juntava os dois numa só obra, seguindo o critério da dificuldade progressiva e punha-lhe uma capa encarnada, que é a minha cor preferida, apesar de ser simpatizante do Sporting. Ou verde, vá lá!

HSC

6 comentários:

redonda disse...

Ou azul e branco :)

Virginia disse...


Penso que o mal da editora é querer lançar produtos diferentes no mercado e vendê-los de qualquer maneira. Trabalhei para eles durante trinta anos e ultimamente deixei deo fazer, pois o marketing é selvagem, duma agressividade que não se compatibiliza com os objectivos pedagógicos. Mais do que produzir materiais relevantes, produz-se originalidades sem valor pedagógico. É o caso.

Pedro Coimbra disse...

Citando o grande João Pinto "o meu coração só tem uma cor - o azul e branco" :)))
Como a Gábi.

Silenciosamente ouvindo... disse...


Subscrevo a sua opinião na íntegra.

Também não me agrada nada ver um Ministro
a proibir livros!!!

Os meus cumprimentos.
Irene Alves

Aniceto Carvalho disse...

Esta história do canto de "Os Lusíadas" que era proibida é engraçada: ERA PROIBIDA, MAS ESTAVA LÁ.
Aniceto Carvalho

Anónimo disse...

Verde e Branco
A esperança e a paz
José