domingo, 19 de março de 2017

O meu padrinho

Mas se hoje é dia do Pai porque é que o titulo deste post refere o meu padrinho, perguntarão? É simples. Quando, aos vinte anos fui baptizada, escolhi S. José para olhar por mim enquanto aqui estivesse. Portanto, hoje decidi que não escreveria sobre o meu progenitor, mas sim sobre aquele que, lá em cima, o substitui.
Não sei, exactamente, por que razão terei feito, há seis décadas, esta escolha. À distancia, creio agora, que foi pela confiança que a figura me inspira. José foi o companheiro de Maria, o educador do Filho, o protagonista de uma história de amor cuja base é, a meu ver, uma enorme prova de coragem aceitando, sem duvidar, que o seu destino se cumprisse.
Eu que sou algo resmungona, que preciso sempre de perceber a causa das coisas, que sou bastante pragmática no essencial da minha vida, escolhi para me proteger, alguém cuja história pessoal se baseia na pura aceitação daquilo que lhe estava reservado. 
Nunca me arrependi da escolha feita. Por isso, no dia de hoje, é a S. José e à sua sabedoria, que dedico este post, no terceiro Domingo da Quaresma.

HSC

9 comentários:

Dalma disse...

H.S.C. já não devia ficar admirada com o que escreve relativamente aquilo em que acredita e que tenho a obrigação de respeitar, mas fico sempre! Hoje fala de "sabedoria de S. José"! O Novo Testamento- como também sabe, foi sendo escrito décadas após o desaparecimento de Jesus (Ressurreição?!) em vários lugares e épocas e, foi "reescrito" e a adaptado de acordo com as conveniências da Igreja!
Pressuponho que "sabedoria" de São José se liga a aceitar a gravidez da sua companheira sem a questionar, aceitar em segredo... Esse facto não foi presenciado por nenhum dos autores que deram forma ao NT e todos conhecemos a experiência da área da psicologia em que se conta uma estória a um participante e este a conta ao seguinte e assim sucessivamente, e a estória que chega ao fim não tem nada a ver com a inicial!
Como crermos piamente nos factos (não ensinamentos) que a Bíblia nos conta? Racionalmente não é possível!!

Pois, continuo tão rebelde como quando tinha uns 13 ou 14 anos e confrontava o Sr. Padre Campos com argumentos como estes. Ele, que com certeza nunca se questionou a ele próprio, só me dizia: tenha fé menina, tenha fé, a fé é que nos salva! Certamente não vou ser salva!

Helena Sacadura Cabral disse...

Cara Dalma
Gosto sempre muito do racionalismo dos seus comentários. E lembro-me que aos 13/14 anos era bem mais ímpia do que você, porque fugia dos padres a sete pés. Depois aos 20 anos...
Mas sempre lhe digo que, às vezes, me custa bem mais acreditar no amor de um homem com quem se partilha a vida inteira, do que na história de José.
Há dias uma amiga minha, felicíssima - julgava ela - ia celebrar os 50 anos de casada quando, na véspera, o marido lhe pediu o divórcio. Aqui está uma fé que eu nunca tive.
:)))

Maria Eugénia disse...

O meu Pai, quase a fazer uns bons 91 anos, tem como padrinho S. José e chama-se, claro, José.
Embora seja anticlerical,por exemplos de padres nada aconselháveis, mantém a sua fé.
BJ da Maria do Porto

Helena Sacadura Cabral disse...

Maria Eugénia
Padres e políticos têm ambos o mesmo problema. Quando nos lembramos deles é só por causa dos que se portaram mal...

Dalma disse...

Relativamente ao último parágrafo do seu comentário ao meu, só digo que a sua amiga devia andar muito desatenta! Quanto ao "amor eterno" como o dos romances também não acredito, mas CREIO no amor transformado em profunda amizade feito de uma vida a dois onde NUNCA o egoísmo tenha tido a sua palavra. Nisso acredito, porque é o nosso amor tranquilo de 48 anos!

Anónimo disse...


Helena
Parece-me que a sua amiga não conhecia bem o marido ou então ele soube muito bem mascarar o seu desejo. A decisão dele já era pensada há muito tempo, mas só agora conseguiu dar voz à sua vontade.
Há que saber ler os sinais estar atento, há pessoas que preferem viver na penumbra...

Gostava de ter um pouco da sua crença, a vida fica mais leve.
O meu padrinho também se chama José :)


Abraço
Carla

Helena Sacadura Cabral disse...

Dalma
Que contente fico com o que me diz. A minha Mãe viveu um casamento de 48 anos e os meus avós maternos fizeram 50 anos de casados com a presença de muitos filhos e netos. Foi este exemplo que explica a minha "crença" no casamento. E eu, felizmente, vivi um grande amor...
No caso da minha amiga, creia que deveria ser muito difícil ler os sinais de desamor. Inclino-me para a paixão súbita da qual o mais natural é o ex marido virar pai de filhos mais novos do que os netos...apesar da minha amiga acreditar piamente que não há uma terceira pessoa, mas apenas cansaço. Como vê é outro tipo de fé.
Todavia, com o passar dos anos, devo confessar, aquela crença tomou novos contornos. Ou seja, "é bom enquanto dura" e, se dura muito, é quase milagre!

Helena Sacadura Cabral disse...

Carla veja o que digo à Dalma.
Há cada vez mais casos destes... e quase sempre de iniciativa masculina!

Anónimo disse...


Helena
Concordo consigo, deve existir outra pessoa e mais nova, claro.
Uma pessoa que o faça sentir renovado, vivo em todos os sentidos. Esta atitude aos olhos da sociedade é normal. Caso, fosse uma mulher seria uma leviana , depravada.
Existe desigualdade de géneros até nisto.
Será que é só os homens que se apaixonam, depois dos 50,60,70?
As mulheres não?
As mulheres são isentas de desejo, não podem... não devem, existem muitos "nãos" impostos às mulheres. Não sou feminista mas revolta-me esta mentalidade hipócrita. A mentalidade critica vem de ambos os géneros ,os homens são mais cúmplices protegem-se uns aos outros.

Abraço
Carla