terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Mais um caso estranho

Não param os escândalos no país. Agora é a Raríssimas, uma instituição de solidariedade social sem fins lucrativos que o Presidente da Republica quer ver fiscalizada de modo a que se obtenha o apuramento total do escândalo que sobre ela pesa.

A reação do Presidente decorre da revelação, pela TVI, de um alegado  caso de gestão danosa da presidente da Associação, que apoia doenças raras em crianças. 
Ainda segundo a TVI, o ministro da Segurança Social já teria sido avisado mais do que uma vez para o uso indevido destes fundos. 
 O escândalo acabou por rebentar no ultimo sábado após a exibição de uma reportagem da TVI na qual em resumo, se dava a conhecer que:

1 A presidente da Raríssimas, Paula Brito da Costa – cuja IPSS só em 2016 recebeu mais de meio milhão de euros em subsídios públicos - teria usado parte do dinheiro em proveito próprio e da família. 

           2. Segundo a TVI, Paula Brito da Costa recebia um salário base de 3 mil euros mensais, ao qual acresciam 1300 em ajudas de custo, 816,67 euros de um plano poupança-reforma e ainda 1500 euros em deslocações. A estas quantias, que já ultrapassam os 6500 euros, acrescia o aluguer de um carro de luxo com o valor mensal de 921,59 euros e compras pessoais que a presidente da Raríssimas faria com o cartão de crédito da associação. Na reportagem, são mesmo apresentadas facturas relativas a um vestido de 228 euros e a uma despesa em de 230 euros em gambas.
       3. Mostra-se, também, que Paula Brito da Costa cobraria à Associação as deslocações diárias de casa para o trabalho, declarando que estas eram feitas em carro próprio, quando este pertencia à Federação de Doenças Raras, associação da qual foi presidente e onde, segundo a TVI, auferia 1315 euros acrescidos de 540 euros de despesas, também elas de deslocação.
.       4.Para finalizar esta “estória”, Ricardo Chaves, que foi tesoureiro da Raríssimas em 2016 e 2017, sugere que existiriam mapas de deslocações fictícias, com elevados valores sem qualquer justificação Tratar-se-ia de mapas de "deslocações fictícias, que nunca existiram”, acrescentou. 
     


Se entrei neste detalhe é porque me custa a compreender como se torna possível que uma Associação deste tipo, que deve publicitar as suas contas, caia num enredo destes. Confesso, tendo em vista os fins da Raríssimas e os nomes a ela ligados, que toda esta “estória” carece, como pede Marcelo, de um apuramento total do que verdadeiramente se passou, para que se não instale a desconfiança que um caso destes pode gerar em instituições que fazem um digno trabalho em prol da sociedade. E muitas delas, em regime de voluntariado, sem nada receberem!

HSC

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Eu gosto e preciso de rir


Tive, quando era muito nova, em Audrey Hepburn - essa actriz invulgar -, um dos meus raros ídolos femininos. Hoje, folheando umas coisas que escrevi, encontrei esta frase dela. Precisamos tanto de rir, sem que disso nos demos conta. 
Audrey não teve uma vida muito feliz. Mas soube, sempre, mesmo nos momentos mais difíceis, sorrir. Que sábia ela era e que bem me soube recordar e partilhar esta sua afirmação!

HSC

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Quantos anos tenho?

Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.
Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada. E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.
Quantos anos tenho? Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas…
Valem muito mais que isso
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!
O que importa é a idade que sinto.
Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos.
Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho? Isso a quem importa?
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto.
Estas foram as palavras de José Saramago que hoje me apeteceu tornar minhas no dia do meu aniversário. É assim que eu me sinto!
HSC

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Dr. Jekyll e Mr. Hyde

A nomeação do nosso Ministro das Finanças para presidente do Eurogrupo fez-me lembrar, mal comparada, a história do médico e do monstro. Porque cá dentro ele vai continuar a ser o médico. Mas lá fora vai, muito possivelmente, ter de tomar medidas que, a muitos, irão parecer algo "monstruosas". Os parceiros que sustentam este aparelho governativo não podem nem devem estar nada satisfeitos ...
Ouvi, hoje, Mario Centeno enaltecer-se e enaltecer o peso do seu futuro papel para o país. Quem o ouvisse, até julgaria que nunca tal distinção teria sido atribuída a um português. Não havia necessidade, nem é verdade. Ao contrário, não é nada invulgar ver portugueses a desempenharem altas funções a nível internacional. Temos Guterres, Vítor Constâncio, Vitor Gaspar e tivemos Durão Barroso, para citar apenas alguns em cargos até mais importantes do que a presidência em causa. Infelizmente, que eu me lembre - e creio ter ainda boa memória -, não nos terão vindo grandes proveitos destas nomeações. Algum prestígio pessoal do português que se destaca por ser bom aluno e fiel cumpridor dos preceitos, mas não mais do que isso.
O que, para cada um de nós, até pode representar, mesmo, algum risco. Porque, quem preside ao Eurogrupo assume responsabilidades que, jugo, hierarquicamente serão superiores àquelas que assumiu como ministro. E, nesse tabuleiro, é evidente que os interesses de Portugal não serão a peça mais importante.
Neste campo, não só partilho as dúvidas do PC e do BE, como considero que as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa foram muito claras, quando relembrou a Centeno que ele só tem este lugar porque é ministro de Portugal. Oxalá o futuro Presidente do Eurogrupo não o esqueça...

HSC

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Belmiro de Azevedo


“Belmiro de Azevedo, que hoje desaparece, é um nome grande do mundo empresarial português. Com grande visão, soube criar um grupo económico muito sólido, que gerou largos milhares de empregos, em Portugal e no estrangeiro. Faz parte dos novos empresários que surgiram depois do 25 de abril e que, com os anos, consolidaram um papel determinante na economia do país.
... O triste gesto que o PCP hoje teve na Assembleia da República, recusando juntar-se ao voto de pesar aí aprovado, releva de uma visão deselegante, fruto da sua hostilidade endémica a todos os projetos empresariais privados que assumam uma certa dimensão. O Bloco absteve-se. Nada de novo.” 

                               In http://duas-ou-tres.blogspot.pt

Está tudo dito nestes dois parágrafos. É, de facto, uma pena que em Portugal, numa dita democracia, assistamos a gestos desta natureza. Entretanto, alguns elogiam governos como o da Coreia do Norte...

HSC

domingo, 26 de novembro de 2017

A não perder


“Com selecção e organização de José Mário Silva, "Os Cem Melhores Poemas Portugueses dos Últimos 100 Anos" é uma antologia arrojada de um século de poesia singular, liberta e corajosa, mensageira de uma individualidade complexa e moderna, diversa na abordagem à forma e, todavia, sempre intensa. Entre grandes nomes canónicos já desaparecidos e jovens e promissórias vozes, o mundo da poesia portuguesa contemporânea é-nos apresentado com uma frescura e originalidade inesperadas e os poemas vão guiando o leitor numa viagem íntima por esse mundo à parte e imorredouro, apesar de actualíssimo, que é a poesia. Reúne poemas de autores como Fernando Pessoa, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Vitorino Nemésio, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Alexandre O’Neill, Mário Cesariny, Fiama Hasse Pais Brandão, Ruy Belo, Eugénio de Andrade, Natália Correia, António Ramos Rosa, Luiza Neto Jorge, Carlos de Oliveira, Alberto Pimenta, Vasco Graça Moura, Joaquim Manuel Magalhães, AI Berto, Maria Teresa Horta, Pedro Tamen, Rui Knopfli, Ana Hatherly, Manuel António Pina, Fernando Assis Pacheco, Jorge Sousa Braga, Daniel Faria, Adília Lopes, A. M. Pires CabraI, José Tolentino Mendonça, Miguel-Manso, Inês Dias". 


Será preciso dizer mais sobre uma obra destas? Talvez, que ela me parece indispensável para todos os que, como eu, gostam muito de poesia. Nesta selecção estão autores que me acompanharam ao longo da vida. Mas outros haveria, ainda, a registar mostrando bem como somos ricos numa área que, por mais estranho que pareça, não é devidamente apreciada. Talvez o ensino tenha nisso uma boa parcela de culpa...

HSC             

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A morte


Morreu hoje o Pedro Rolo Duarte. Era uma morte anunciada para quem, como eu, viveu há cinco anos, exactamente a sua história. 
Talvez por isso, o meu primeiro pensamento vá para a sua mãe, a quem a vida acaba de roubar o bem mais precioso e, só depois, para o filho. Para este, haverá sempre uma lógica temporal, que não existe no caso da sua avó. Nenhuma mãe deveria, alguma vez, passar por isto.
Finalmente, o meu pensamento vai para os amigos que sempre lhe serviram de esteio e jamais o abandonaram. E eram muitos. Muitos, mesmo!
Conheci o PRD há muitos anos quando, com o Miguel Esteves Cardoso, o meu saudoso MEC, faziam aquela inesquecível revista chamada KAPA. E era eu quem lhes tinha sempre de cortar os orçamentos. Não foi, assim, um primeiro encontro fácil dado que era olhada como aquela que lhes cerceava os sonhos. Havíamos de, aos poucos, ir resolvendo esses problemas já que, com o lançamento da minha FORTUNA, passei a ter mais projectos para gerir. Mas ele e eu  havíamos de nos cruzar noutros aventuras.
Depois, amigos comuns juntaram-nos na GRUPA, esse conjunto de gente de quem eu podia quase ser a "avozinha", mas que me tem dado muito bons momentos. Aí conheci um outro Pedro, que o tempo havia transformado e enriquecido. 
Era um homem livre, que dizia o que pensava, uma cabeça que não parava, um comunicador excelente, uma verdadeira força da natureza. Não conseguiu vencer essa besta que é o cancro. Mas julgo poder dizer que na batalha da vida, ela a dominou e terá sido um homem com muitos momentos felizes!

HSC

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Isabel e a Teresa

“Precisava às vezes de uns dias de solidão e silêncio para se encontrar consigo e ganhar novas energias. Para sentir de novo o prazer e a liberdade de gerir a vida inteiramente à sua vontade. Sabia que o tempo ajudava a sarar todas as feridas, a colocar tudo no sítio certo e a afastar o que não tem valor. Gostara sempre de homens misteriosos e inquietos, de almas sinuosas e sobressaltadas e, por isso, todos os seus amores eram complexos e controversos, diferentes do que acontecia à sua volta. Ou talvez não...
Com o tempo aprendera a viver em serenidade entre solidão e companhia, a não ter medo nem pressa, a deixar-se levar pelo desejo de cada instante e a entregar-se ao que o amor tem de melhor sempre que ele surgia inesperado, grandioso e avassalador, a sobrepor-se a tudo.
E se, muitas vezes, em momentos de fragilidade excessiva, lhe apetecia ter quem tomasse conta de si, parecia-lhe também quase sempre muito claro que era a sós consigo que conseguia pensar(-se) e reencontrar o bem-estar físico e emocional que permitia que estar acompanhada fosse vivido de uma forma muito mais plena, que a cumplicidade e a partilha pudessem ser ainda mais verdadeiras, porque genuinamente desejadas. Sem obrigação nenhuma...”

                      In http://isabelmouzinho.blogspot.pt/

A net traz, por vezes, algumas surpresas. Através dela conheci duas mulheres inteligentes, cultas, simpáticas. Hoje são duas ótimas amigas com quem falo, passeio e rio. Tudo o que se pode pedir aos bons amigos.
Uma é professora. Outra investigadora. Uma Isabel. Outra Teresa. Já passámos, cada uma de nós, nestes três ou quatro anos de estima continuada, por várias ocasiões difíceis, E estivemos sempre juntas.
Hoje, ao passar pelo blogue da Isabel, encontrei este texto. Senti-o como se eu própria o tivesse escrito. Portanto, limitei-me a roubar-lho. No mesmo dia em que a Teresa, que me sabia triste, vinha trazer-me a casa as batatas fritas de que tanto gosto!
Senti-me, neste tempo em que um amigo querido tenta vencer a morte, como uma criatura verdadeiramente abençoada pela vida.
Obrigada meninas, pela vossa amizade!

HSC

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O modelo SS

Hoje, por motivos profissionais, estive meia hora ao telefone, o que é raro em mim porque detesto passar muito tempo com o malfadado e impessoal aparelho nas mãos. Gosto de conversar "olhos nos olhos" e a máquina não me permite tal. Mas reconheço que elas são indispensáveis para quem trabalha e para quem delas necessita como meio de mitigar a solidão. Eu prefiro pessoas.
Mas este colega acaba sempre por transformar uma conversa técnica seca num diálogo gostoso. E assim tendo nós começado com os recibos verdes e a parafrenália de mudanças que se fala vêm aí, acabámos filosoficamente a abordar a capacidade de tomar decisões. 
Contava ele que fora confrontado com alguém que tendo respondido a um anuncio para juniores, se apresentou com 17 anos de trabalho. Já era estranho. Feita a seleção, a pessoa foi escolhida. Quando se lhe comunicou a decisão, disse que precisava de uma semana para pensar, porque não queria dar um passo maior que a perna. 
Calculam a surpresa que esta resposta causou. E foi aí que o meu colega referiu que usou o modelo SS, as iniciais de "ou sabe, ou salta". Ou seja, quem responde a um anuncio de trabalho e é escolhido, ou diz sim ou dá lugar ao seguinte.
Confesso que gosto de pensar antes de agir, mas se isto se tem passado comigo, dificilmente controlaria uma gargalhada. Para esta alma, decidir é responder a anúncios. E assim continuará, sempre com medo de não ser capaz. Percebe-se, finalmente, porque é que tendo 17 anos de vida profissional, responde a um anuncio de juniores...

HSC

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Bom senso

No nosso país as questões que são do foro do bom senso dão, por norma, origem a verdadeiras telenovelas mexicanas. O jantar no Panteão já permitiu tanta opinião que, a partir de certa altura, começamos a perguntar se isto não será para nos desviarmos dos verdadeiros problemas do país.
A lei permitia, de facto, a realização do jantar, mas não devia fazê-lo, porque há locais que não servem senão para aquilo para que foram construídos. Ou seja, no caso, o cemitério daqueles a quem a Pátria deve honrar. E, até neste campo, como se sabe, as interpretações de quem lá deva ter lugar, podem divergir. 
Neste momento investiga-se, quase com morbidez, que outros repastos lá poderão ter ocorrido. A questão é do foro do mero bom senso. Aconteceu. Foi um lapso. Pediram-se desculpas de um lado e do outro dos intervenientes, que era a única possibilidade, para além da necessária mudança da lei. Será que vamos continuar a tentar encontrar "culpados" e a exigir a cabeça deles, quando o país tem reais problemas que, esses sim, urge debater?
Erros todos cometem. Chamou-se, e bem, a atenção para eles. Houve, ao que me dizem, pedidos de desculpa pública de quem organizou e de quem autorizou. Estou à vontade, porque neste assunto, só conheço o Ministro da Cultura que é pessoa que estimo, mas a quem não peço que saiba, ao pormenor, este género de coisas. É para isso que existe a delegação de poderes.
Seria necessário algo mais do que um pedido de desculpas, publico, do governo, pelo que aconteceu e vai ser corrigido? Haverá, de facto, motivo para que andemos, há dias sucessivos, a escalpelizar os vivos?!

HSC

sábado, 11 de novembro de 2017

Entre vivos e mortos...


Sabe-se que terá tido lugar no Panteão, à luz das velas e ao lado dos túmulos de Humberto Delgado e de Amália, um jantar privado, de encerramento do Web Summit, destinado a um grupo restrito de empresários e investidores. Quando li não acreditei. Mas tive de me render à realidade.
Com efeito, o aluguer de monumentos geridos pela Direção-Geral do Património Cultural é permitido e está regulado pelo despacho 8356/2014, promulgado pelo Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, membro do governo anterior.
O Panteão Nacional faz, portanto, parte desse conjunto de monumentos e a sua própria página oficial enumera os eventos que ali se podem realizar, nomeadamente “banquetes, recepções, conferências, recitais de música ou poesia, lançamento de livros, actos solenes, actividades de índole cultural, mostras, exposições”, acrescentando que tudo depende de “consulta prévia e condições a acordar”.
Não sei quem pagou, nem se foi pago. Não sei quem pediu nem sei quem autorizou. Não sei quem foi convidado e quem aceitou. Enfim, não sei nada a não ser que sinto algo que me incomoda neste repasto entre vivos e mortos ... de alto gabarito!

HSC

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Comentaristas

Já me tinham avisado de que ler comentários de jornais é ficar muito decepcionada com uma parte do país. Nunca me tinha dado a esse exercício, mas o facto de estar a orientar uma tese sobre um tema que se relaciona com este, permitiu-me ficar a conhecer uma realidade preocupante.
Quem comenta raramente se cinge ao tema e divaga bolsando as mais surpreendentes considerações sobre pessoas cuja vida ignoram totalmente. E o que dizem é de tal natureza, que eu me pergunto se uma parte razoável dos cidadãos deste país, não necessitaria de ir ao psiquiatra. Porque muito daquilo que exprimem é revelador do seu carácter.
Para mim, que gosto muito do país onde nasci e tenho uma enorme complacência em relação aos nossos defeitos tradicionais - de que a inveja será, talvez, o maior -, ler as atoardas que os jornais insistem em publicar, dá-me uma enorme tristeza. 
Nós, portugueses, que somos capazes de gestos de invulgar solidariedade, somos, na mesma medida, capazes de aviltar, denegrir, ultrajar, pessoas que não conhecemos, mas de quem não gostamos. Ou seja, passados tantos anos sobre a ditadura, a base em que a democracia assenta continua a ser a mesma. O que quer dizer que não estamos ainda, tantas gerações já passadas, em condições de viver e conviver democraticamente. 
Creio que tudo isto terá que ver com o que (não) aprendemos na escola e na família. E será certamente, também, consequência da perda de valores que um mundo cada vez mais avançado tecnologicamente, acabou de forma perniciosa, por permitir. É uma pena que assim seja. Mas algo me diz, que a comunicação social e as redes que, entretanto, a internet desenvolveu, têm uma boa parte de responsabilidade nesta situação. Se os comentários fossem moderados pelo editor, possivelmente a sanidade dos mesmos seria diferente...e todos ganhávamos com isso!

HSC

sábado, 4 de novembro de 2017

Porquê, só agora?!

Se o feminismo militante sempre me irritou um pouco pela agressividade de algumas das suas praticantes, o machismo militante irrita-me muito mais, porque atinge a minha dignidade.
De repente, sem bem se perceber porquê, foram desenterrados múltiplos casos de assédio sexual, em particular na área cinematográfica e em especial na velha Hollywood. O que me surpreende é que só passadas mais de três décadas, eles venham a lume com esta intensidade. 
Compreendo que à época fosse muito difícil às assediadas falarem dum assunto que não só era melindroso, como seria difícil de provar. Mas que diabo, passados dez ou quinze anos, a maioria dessas pessoas já estaria  certamente em condições de poder falar e de ser ouvida. 
Porque é que isso não aconteceu, por exemplo, na onda de casos como o de Clinton e só agora aparecem em catadupa? Confesso que, se me causa uma enorme repulsa o que à época terá acontecido, também me incomoda que, tendo o mundo neste intervalo de tempo, mudado tanto, só decorridos mais de 30 anos aquelas pessoas se venham confessar publicamente. Até porque continuam, na maior parte dos casos, a necessitar da confissão dos visados,  para provarem o que dizem.
O que terá levado a que actrizes/actores, de reconhecidos méritos e com uma carreira consolidada, só agora tenham encontrado a coragem de se expôr?!

HSC

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Uma caixa a mais...

“Uma caixa com mais de cem unidades (velas) de explosivo plástico PE4A foi furtada dos paióis de Tancos sem que o Exército tivesse registado a falta do material.
A falha foi revelada pelo próprio Chefe de Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte - numa conferência de imprensa na Unidade Apoio Geral Material do Exército (UAGME), Benavente, para fazer o ponto da situação da desativação dos Paióis de Tancos -, segundo o qual tinha aparecido uma "caixa a mais que não constava da relação inicial" entre o material furtado que foi recuperado pela Polícia Judiciária Militar (PJM), no passado dia 18, próximo da Chamusca.

                        Divulgado através da Comunicação Social


Este novo episódio da já longa e inédita "novela" sobre o furto do material dos paióis de Tancos, deixou perplexos alguns militares na reserva. Porque, afirmam, se "já fora mau ter sido furtado todo o material, ainda é pior saber-se, agora, pelo CEME, que até foi devolvida pelos bandidos uma caixa a mais, cuja falta ninguém tinha registado. 
E dizer-se, ainda por cima, que "é compreensível", torna-se simplesmente inadmissível, confessou um oficial de alta patente, que pediu o anonimato por ter "muita vergonha pelas Forças Armadas", do que se está a passar.
Como é que tudo isto acontece, Senhor Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas? Como é que tudo isto acontece Senhor Ministro da Defesa?
Provenho de uma família de militares e tenho nisso um enorme orgulho. Tudo o que de bom me foi transmitido, provém dessa seriedade, honorabilidade, verticalidade, enfim, ética, que sempre vi naqueles que conheci e que, julgo, morreriam de vergonha ao assistirem a uma telenovela destas.
O país não pode, Prof Marcelo Rebelo de Sousa, ver desacreditada a sua confiança nas mulheres e nos homens que garantem a segurança dos cidadãos. E não pode nem deve, registar este tipo de situações como se de algo normal se tratasse.

HSC

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Tempos críticos...

Parece que Puigdemont e os cinco ex-secretários – Borràs, Comin, Forn, Bassa e Serret - se terão deslocado para Bruxelas, um dia após o ministro de Asilo e Migração belga, Theo Francken, do partido nacionalista flamengo, ter provocado ampla polémica ao abrir a possibilidade de concessão de asilo ao ex-presidente, oferta logo depois negada pelo primeiro-ministro.
A viagem veio a público poucas horas depois do procurador-geral do Estado, José Manuel Maza, ter anunciado a existência de uma ação judicial formal contra Puigdemont e todos os ex-membros do governo catalão, por crime de rebelião, sedição e desvio de dinheiro público. Os quais dão, a meu ver, com esta "fuga", um triste exemplo de abandono, aos confiantes nacionalistas da Catalunha. 
E, mesmo o argumento de que se poderia estar a encarar a possibilidade de formação de um governo catalão no exílio pouco colhe, nas actuais circunstâncias. Como bem disse a Rainha D. Amélia quando embarcou com D. Manuel na Ericeira, do exílio não se regressa.
A representação catalã perante a União Europeia, cujo responsável assumiu, nesta segunda-feira, a destituição por parte do Executivo espanhol, afirmou não ter informações sobre aquela viagem. O partido nacionalista flamenco negou-se a confirmar ou a desmentir se representantes seus se reuniram com o ex-presidente da Generalitat.
Confesso achar estranho, que um país membro da União Europeia, possa ter recebido, nestas condições, estes eventuais "fugitivos". Mas se o fez, não consigo descortinar como o governo irá explicar à UE a situação. O que adivinho, sim, é que se o gesto pega, se avizinham tempos críticos...



HSC

domingo, 29 de outubro de 2017

Solidariedade


Ricardo Araújo Pereira começou esta semana, sozinho e por iniciativa própria, uma série de espetáculos solidários de apoio às vítimas dos incêndios. Vai no seu carro, sem qualquer espécie de acompanhamento e percorrerá as zonas mais sinistradas, para lhes trazer o conforto do humor, de que tanto devem carecer. Humor esse que que se irá transformar em dinheiro, integralmente destinado a minorar o sofrimento dessas gentes.
Confesso que sempre me impressionou quem mete mãos à obra, sozinho, usando e oferecendo aquilo que tem. No caso de Ricardo Araújo Pereira, a decisão que tomou merece, da minha parte, os maiores elogios, porque não sei se haveria muita gente capaz de fazer o mesmo. Para mim, ele ganhou um lugar muito especial no campo da solidariedade, porque não só contribui, mas também se envolve diretamente na acção.  
Eu que até não simpatizava muito com ele em determinada altura da minha e da sua vida, dou a mão à palmatória. Trata-se, de facto, de uma pessoa que merece a minha admiração, num campo em que sou sempre muito cautelosa. Aqui fica, portanto, o meu testemunho!

HSC

sábado, 28 de outubro de 2017

Igreja: Nada a acrecentar(13)

Consta que o perfil sexual dos seminaristas vai passar a ser investigado para evitar a ordenação de padres com tendências homossexuais. Nada tenho contra os pruridos da igreja católica com o sexo, como nada poderei ter contra a castidade e celibato dos padres. Não sou católico nem padre, nada disso, portanto, me diz respeito. Não significa, porém, que, enquanto ser racional que me esforço por ser (embora tantas vezes falhado), não estranhe a discriminação de que são alvo os putativos padres homossexuais. Se a igreja católica proíbe os seus padres de terem relações sexuais ou refrear as pulsões sexuais com que a natureza os dotou, que diferença fará um padre ser homossexual ou heterossexual? O que deve fazer um padre atraído por uma mulher? Refrear, anular ou sublimar a sua pulsão sexual e seguir em frente para cumprir as suas tarefas eclesiásticas. O que deve fazer um padre atraído por um homem? Refrear, anular ou sublimar a sua pulsão sexual e seguir em frente para cumprir as suas tarefas eclesiásticas. Se é suposto castrar o ser sexuado que há em cada padre, o que distingue então um padre homo de um padre hetero? Um padre sexualmente castrado será apenas um padre sexualmente anulado e o que não existe não pode ter graus ou naturezas.”
               
              Jose Ricardo Costa em https://ponteirosparados.blogspot.pt/

Para mim esta análise está correcta e a Igreja deve pensar seriamente antes de tomar uma medida discriminatória de tal natureza. Os casos de pedofilia que têm abalado recentemente a instituição, não se devem à opção sexual dos padres, mas sim à forma como vivem a opção de vida que fizeram.

HSC

As minhas futuras noites!

O ano de 2017 foi o meu pior ano, desde a morte do Miguel. Tive três intervenções cirúrgicas, tive uma pneumonia e tive a perda de amigos que me fazem cada vez mais falta. A estes, acredito que os vá encontrar  de novo, mais cedo ou mais tarde. Mas as mazelas decorrentes dos tratamentos daquelas maleitas teimam em subsistir e vão mesmo obrigar a mudanças na minha vida, que só de pensar nelas, o pelo se me iriça todo.
Baseei sempre a minha existência na independência física e económica. Vivi sempre do meu trabalho e creei sozinha os meus filhos. Não recebi pensões, ajudas ou contributos. Ainda bem, porque fui livre de fazer o que me deu na gana. Mantenho, ainda, confesso, uma certa mágoa de não ter ido para a OCDE trabalhar, porque o pai das crianças a isso se opôs, pese embora ele se tivesse ausentado durante cerca de seis anos e eu nem tivesse sido ouvida. Os tempos eram outros. Havia de ser hoje...
Tudo isto a propósito da minha familia entender que é chegada a hora de eu ter uma empregada interna, o que manifestamente me incomoda. Gosto de viver como vivo e não quero partilhar a minha intimidade com uma assalariada. Está portanto instalado um "diferendo" familiar, porque quer filho, quer irmão mais novo, sempre ausentes do país, decidiram que eu devo estar acompanhada...à noite, pouco ou nada nada sabendo das mesmas!
Enfim, as longas conversações travadas - em que eu vejo sistematicamente uma pessoa a perguntar-me o que  vai fazer -, estão a encaminhar-se para uma situação mais aceitável, que será arranjar uma pessoa empregada, que dorme aqui em casa, sai para o trabalho e volta quando o mesmo termina. Mesmo assim, só de pensar nisso, sinto calafrios...

HSC

Alain Demoustier


Éramos amigos há mais de 50 anos. Conheci-o em Vila Viçosa onde o Pai trabalhava em mármores com o meu querido e saudoso sogro. A Friquette haveria de surgir, linda, prática, original, no meio daquela Vila para lhe emprestar um viço muito particular.
Fizemos montes de coisas juntos e divertimo-nos muito. Divorciei-me mas nunca ele deixou de ser meu amigo. Até nisso foi exemplar, comparado com uns outros que conheci e ele também. Costumava dizer-me que tinha sido uma sorte para mim que eles poisassem longe...
O Alain era das pessoas mais sagazes que conheci, com um humor muito particular e já influenciado pelas décadas vividas em Portugal. No fim da vida quis ser, também, português. Ele amava este canto e esta terra.
Seríamos, o António Monteiro e eu própria, os seus padrinhos, aqueles que constituíram o garante de uma série de compromissos. E o almoço de caviar - do autêntico, não do falso - que ele nos ofereceu, depois, na sua casa, ficará para sempre gravado na minha memória, como um exemplo da sua sadia gratidão. 
Foi o belga mais português que conheci. Morreu como um português que jamais esqueceu a Bélgica natal. Aos filhos e à doce Friquette o meu mais triste e sentido abraço.

HSC

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

As Farpas...


"Pedro Silva Pereira, o antigo braço direito de José Sócrates, faz hoje uma semana, em declarações à TSF, afirmava que «O Presidente da República está naquela posição fácil de poder alinhar com expressões de indignação e sofrimento do país sem ter que subscrever responsabilidade na solução de problema nenhum».


Na mesma data, numa intervenção feita na TVI 24, Fernando Rosas acusava o Chefe do Estado de se deixar «atrair pela intriga política» e «exceder o magistério presidencial».


Na mesma linha, Daniel Oliveira, na sua coluna da última edição do semanário Expresso, considerava que «O Presidente, uma raposa disfarçada de peluche, aproveitou. Distanciou-se de Costa no tom, o que é fácil para quem apenas tem a parte perfomativa da representação do Estado. (...) Não se enganem: o rei do teatro sensível tem uma frieza invejável no cálculo político.»


Porfírio Silva, membro do Secretariado Nacional socialista, rasgava as vestes perante o «inaceitável aproveitamento politiqueiro de uma enorme tragédia que o País viveu». O alvo continua a ser o Chefe do Estado.


E, qual cereja em cima do bolo, no jornal oficial do PS, já há quem chegue ao ponto de apontar tentações ditatoriais ao inquilino de Belém, lançando o toque a rebate. «A esquerda deve estar unida e coesa, para impedir esta caminhada preocupante e perigosa, combatendo a tentação presidencialista de Marcelo, que ameaça a democracia. E o presidencialismo, é bom ter presente, descamba, por vezes, em ditadura.»

                                        Fonte Pedro Correia no DO

A época da caça começou. Nem outra atitude seria de esperar. Assim, o tiro ao alvo a Marcelo disparou. Os excertos publicados são uma pálida imagem do que tem sido afirmado.
Não sou Marcelista e sempre chamei, aqui, a atenção para o risco de que o colo dado pelo PR ao governo, o pusesse numa perigosa "saia justa", que mais tarde ou mais cedo iria começar a estreitar. Está à vista...os barões já começaram a usar as suas munições. Talvez sejam as que não foram devolvidas a Tancos!

HSC 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Uma pontinha do véu...

"Na sequência dos incêndios de 15 de Outubro, foi noticiado que a Caixa Geral de Depósitos, onde estão depositadas partes dos donativos que os portugueses fizeram para apoiar as vítimas de Pedrógão Grande, irá doar cerca de meio milhão de euros aos hospitais de Coimbra para ajudar as pessoas afectadas pelos incêndios. Sendo Portugal um país onde há um sistema de saúde financiado pelos impostos pagos pelos portugueses, deve-se concluir que o Governo acha que pode tratar os donativos como um substituto de impostos.
Quando as pessoas fizeram estes donativos, decerto pensavam que o dinheiro iria ser directamente entregue às vítimas para as ajudar a reconstruir parte da vida que perderam – isto daria um bom inquérito aos portugueses, se houvesse algum meio de comunicação social para aí virado. Em vez disso, o governo achou por bem aumentar a capacidade dos hospitais de Coimbra em responder a incêndios. Um investimento em capital fixo permanente não faz sentido do ponto de vista de gestão dos hospitais, se o que se observou este ano é completamente anormal e fruto de vicissitudes meteorológicas combinadas com um excesso de optimismo na gestão dos recursos actuais".

                           Rita Carreira convidada do DO

Este excerto começa a levantar uma ponta do véu que paira sobre as dádivas feitas em dinheiro para as vítimas de Pedrogão Grande. Começa agora a perceber-se porque é que os tais 14 milhões de euros desapareceram das noticias nacionais.
Vale a pena ler o texto integral da Rita Carreira, que escreve como convidada no http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt - só não o reproduzi na íntegra, por ser mais longo do que os post´s que aqui costumo colocar - porque ele aborda outras questões de igual interesse, em particular as que respeitam o Orçamento do próximo ano para a Administração Interna.
Havemos de ir sabendo a verdade a prestações. Não sei se alguma vez a conheceremos toda. Mas há quem acredite que ela acaba sempre por vir à tona...

HSC

A mulher adúltera


É triste ver como certas expressões ainda continuem a usar-se na segunda década do sec. XXI. Mas também devo dizer que conheci muitos advogados do meu tempo, convertidos depois ao exercício de altas funções políticas no país, que usaram não só o vocábulo, como o seu conteúdo, para fazerem valer os direitos masculinos, nos casos de divórcio que à época, patrocinaram.
Quando se vive muito tempo, como eu, tem-se a vantagem de ter conhecido muita gente. À direita e à esquerda. E ficariam, quem sabe, muito surpreendidos, ao tomar conhecimento do modo como esta última apadrinhava, sem vergonha, a causa. Desde os católicos progressistas, às esquerdas mais variadas como o MES e o GIS. Eram socialistas na verve política. Mas no campo profissional, o adultério feminino do "make love not war" ter-lhes-á feito muito jeito.... Oxalá lessem este texto e se envergonhassem!
Caso não fosse triste, como disse no início, seria uma oportunidade para dar uma boa gargalhada, se aqui relembrasse alguns dos nomes que, à época, usaram essa bandeira para defender os interesses dos amigos que separaram. Veriam como além da inveja, a hipocrisia é uma das "qualidades" de alguns grandes homens deste país.
Hoje falam de galo e são arautos da moral. A posição alcançada permite-lhes a farsa. Mas bastaria uma pequena investigação aos seus currículos profissionais, para se ver os processos que advogaram e o modo como o fizeram. Teriam grandes surpresas. É que não se lapida uma mulher apenas com pedras. Lapida-se também com palavras, como esta!

HSC

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Porque será?!

Apetecia-me dizer que "estou a ficar velha". Mas seria profundamente ridícula, porque se há alguma coisa que sou, é velha. E, confesso, cada vez gosto mais de o ser...
É que os azares e as desventuras são tantas que, às vezes, tenho dificuldade em acompanhar o dia a dia, embora me considere uma pessoa interessada pelo mundo que me cerca. 
Não, não me estou a referir a Portugal em particular. Estou a referir também a Espanha, o Reino Unido - que de unido vai tendo cada vez menos-, a Alemanha, a Timor, enfim a esta sociedade actual, que parece regredir quando, surpreendentemente, a evolução tecnológica deveria fazê-la progredir.
Porque será que quanto mais evoluímos, menos humanidade revelamos?!

HSC

sábado, 21 de outubro de 2017

O amanhã

Ouvi, há minutos, o Prof João Duque falar, na Sic, sobre as medidas que o governo "vai tomar"relativamente aos incêndios que enlutaram o país e que terão sido aprovadas, hoje, no Conselho de Ministros extraordinário que, julgo, ainda decorre. 
Serei suspeita porque tenho grande admiração pelo que dele conheço como profissional e como ser humano. Mas o seu comentário abordou o imediato, o mais importante. E que é saber como comem e como dormem aquelas pessoas que ficaram sem nada, até que as medidas de agora, sejam exequíveis, o que demorará pelo menos dois meses? Como vivem estes nossos irmãos até lá? 
E se o dinheiro dado pelos portugueses para Pedrogão Grande, os famosos 14 milhões de euros, começasse já a dar de comer a quem tem fome, esteja ele onde estiver? Afinal, não foi para essa emergência que os portugueses o entregaram?

HSC

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Só por isso?


O país anda tão triste, que já nem reage às noticias que vem recebendo. Agora foi o armamento roubado de Tancos que apareceu, vejam lá, ali ao lado, ao que julgo na Chamusca, todo bem embaladinho. Todo, todo não, porque parece que ainda faltavam umas "balitas", daquelas que nas Glock parece que matam bastante rápido.
Enfim, como não sou especialista e tudo isto tem avariado  o meu coração, entre incêndios, Catalunha e armamento, até corro o risco de trocar o nome das regiões e o dos responsáveis. Se assim for, desculpem, porque é do stress em que tenho vivido desde de sábado.
O que não consigo é deixar de perguntar a mim própria - já que os "outros" não me respondem - como é que tudo isto aconteceu. Lembram-se que o ministro da pasta, há uns dias, até admitia que não tivesse havido roubo? 
Não tivesse havido roubo? Mas se o governante se atreveu a dizer isto, teve uma enorme premonição. É que o material estava tão pertinho de Tancos e tão bem acondicionado, que é bem capaz de Azeredo Lopes ter razão. Aquilo não foi roubado, foi apenas deslocado  E é por isso, por ter sido apenas deslocado, por esse pequeno movimento aleatório, que estão a pedir a cabeça do ministro? Francamente, com exigências destas daqui a pouco ninguém quer ser ministro!

HSC

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Para além dos afectos


O Presidente da Republica fez ontem o discurso que se impunha, face ao comportamento do PM António Costa relativamente a dois membros do seu elenco governativo.
Há umas semanas escrevi aqui que Marcelo Rebelo de Sousa criara, com o apoio dado ao governo, uma situação que os brasileiros chamam de "saia justa". E que, um dia, a saia apertava demasiado e seria a ele, que todos iriam pedir responsabilidades.
Ontem o discurso, curto e incisivo, correspondeu ao que muitos esperávamos dele. Correrão decerto muitas opiniões negativas sobre o mesmo. Em democracia é saudável que assim seja. Mas ele re-centrou, como devia, o problema. É à Assembleia e aos deputados que apoiam a solução encontrada, que compete decidirem o que fazer face à moção de censura que o CDS vai apresentar.
Ela não vai, decerto, passar. Mas os deputados serão obrigados a mostrar se as atitudes tomadas pelo governo face aos incêndios, merecem ou não o seu apoio. E isso é, a meu ver, um passo importante para clarificar a posição em que nos encontramos.

HSC

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Quatro meses depois...

“Hoje, quatro meses depois do incêndio do Pedrógão Grande que matou 65 pessoas, o Governo decretou três dias de luto nacional por mais 36 vidas perdidas para o fogo.

... Quatro meses depois, nada, ou quase nada mudou. A ministra da Administração Interna é a mesma, o comandante da Proteção Civil foi demitido por causa de uma licenciatura e substituído pelo numero dois que adulterou a fita do tempo da tragédia do Pedrógão e não houve uma única medida concreta no terreno. O Governo ficou quatro meses à espera das conclusões da Comissão Técnica Independente que António Costa prometeu ontem implementar. Só para relembrar as principais: criação de uma agência que faça prevenção e combate, bombeiros profissionais no combate ao fogo e guerra ao fogo durante todo o ano. Primeiro-ministro, ministra e secretário de Estado pediram "atitude madura", "proatividade" e "resiliência", que é o mesmo do que pedir paciência. Ninguém pediu desculpa. A não ser a representante das vítimas do Pedrógão que lamenta não ter sido mais dura com o Governo.”



                       Rui Gustavo em Expresso Curto, hoje

Para quê acrescentar algo ao que aqui ficou escrito? É completamente desnecessário. Basta pensar um pouco no verdadeiro luto que tudo isto representa para o país.

HSC