sábado, 5 de dezembro de 2015

A ADSE e os deputados da nação


Revelou-me, há dias, uma amiga deputada - que, por acaso, até pertence á actual maioria - esta curiosa situação. Acabara de saber algo surpreendente. É que, ao contrário de todos os outros funcionários da Assembleia, os deputados não têm direito, na saúde, à ADSE. Alguém acredita nisto?
A ser verdadeiro, estabelece-se, assim, na vetusta instituição que é a sede da democracia, uma distinção entre dois tipos de trabalhadores, no que ao sistema de saúde se refere. Os intelectuais deputados não tem o direito que está reservado aos administrativos da Assembleia.
Que certos ministérios têm sistemas de saúde que são verdadeiros privilégios eu já sabia. Mas que dentro da mesma casa uns gozem deles e os outros sejam excluídos, é que carece de explicação. Ainda admito que haja alguma má interpretação da parte da minha amiga, mas se não for o caso alguém me explica em que se baseia esta diferença de tratamento?
E, já agora, será que também terão feito seguro de risco, neste tempo conturbado que vivemos? Se Portugal não existisse teria mesmo de ser inventado...

HSC

19 comentários:

Virginia disse...

Acha que tem poucos privilégios????

Tem ADSE quem trabalha para o Estado uma vida inteira, que não é o caso dos senhores deputados, que depois da AR, ficam com reformas ou arranjam tacho dos bons! Desses não tenho pena nenhuma. E quanto aos sistemas dos ministérios, acabaram com quase todas as regalias já há dez anos!! Os juizes nem ajudas de custo têm ara se deslocar 40 km de comarca em comarca, por estradas com gelo, frio e neve!!!

Helena Sacadura Cabral disse...

Virginia precisa de se actualizar sobre esses privilégios, nomeadamente o das pensões que refere e já não funciona como diz.
Quanto aos restantes privilégios, não têm carro, nem motorista como acontece nalgumas empresas. E o que ganham, quando comparado com outras profissões...
Não tenho a mínima simpatia pela AR. Nem desta nem das anteriores. Mas quando se fala dos benefícios não é lá que eles são mais chocantes. O que me choca, sim é a parca qualidade dos deputados. Mas isso é mal do Estado e do estado da nação!

Observador disse...

Admitemos que nenhum dos deputados tinha, enquanto nos seus empregos, direito ao sub sistema ADSE. Assim sendo, continuam a não ter porque não passaram a ser funcionários públicos. Enquanto que os funcionários da AR usufruem, por isso mesmo, dos serviços ADSE.
É óbvio que os deputados deverão ter, na saúde, acesso a um sistema ou subsistema. Ou simplesmente a um plano de saúde que tanto pode ser a expensas suas ou do Estado, em função do lugar que ocupam.
Como sabemos, dentro da classe 'FP' existem diversos subsistemas e, o que é descabido, benefícios distintos consoante ao subsistema ao seu dispor. Isso é, desde logo, uma desigualdade entre trabalhadores do mesmo 'nível'.
A haver algo mal feito, neste contexto, vem de longe. Só que talvez nunca ninguém tenha reparado - plano de saúde 'oblige'. Não acredito que os deputados aceitem trabalhar sem uma qualquer protecção no que diz respeito à saúde.
O 'seguro de risco' - expressão irónica? - deveria ter sido institucionalizado logo a partir de 1974.
Já agora, Portugal existe. O que parece é que alguns gostariam de o ver reinventado.
Aproveito para recordar que, como cantaram os 'Heróis do Mar', o inventor de Portugal foi um português.

Cumprimentos

Madalena Ferreira disse...

Olá,

Dra.Helena, uns são funcionários e outros não. Estou enganada?!

Bom fim de semana,

Virginia disse...


Não acho que os deputados devam ter mais privilégios que os médicos ou os juizes ou mesmo os professores que se deslocam das suas habitações, ganham mal e têm de usar o seu próprio meio de transporte. Os deputados ( então os do PE nem se fala) podem acumular e pouco se deslocam. A ADSE é um direito inerente aos FP, quando comecei a trabalhar ganhava uma ninharia como professora do secundário, depois melhorou, mas a minha pensão é inferior à de qualquer deputado ou outro profissional do Estado. Basta ver as sessões da AR para nos chocarmos com a perda de tempo que aquilo representa, a falta de qualidade das pessoas, o espírito " provinciano" dos partidos, a falta de patriotismo da maioria...embora haja excepções.
O meu filho teve de pedir licença sem vencimento da cátedra da FEUP para poder trabalhar na empresa que ele próprio fundou com investigadores portugueses. Tem três filhos e nenhum abono de família....se tivesse ido para o PE, estava rico!!

Virginia disse...



http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/EstatutoRemuneratorioDeputados.aspx#tres

É elucidativo em todos os aspectos e no da saúde também.

Bom fim de semana!

Anónimo disse...

O comentário de Virgínia faz todo o sentido. Helena Sacadura Cabral, a Senhora esqueceu-se de um outro “detalhe” muito importante (a par daquilo que Virgínia refere) ao escrever este seu Post. É que os tais Deputados com que se preocupa, por decisão (maioritária) deles em sede de A.R, podem exercer outras profissões a par daquela de serem Deputados. Isto porque não estão – nem querem ouvir falar disso! – em regime de exclusividade. Já os restantes trabalhadores da A.R, são funcionários do Estado como outros quaisquer que não podem exercer outro tipo de profissão paralela, no sector privado ou público, como sucede com a esmagadora maioria dos tais “Senhores Deputados”, que, ou exercem advocacia nos grandes escritórios ou sociedades de advogados, de onde emanaram, ou em bancos privados, de onde são altos quadros, ou consultadorias económicas, empresas privadas, universidades, etc, etc, etc.
Assim sendo, pelas razões aduzidas pela comentadora Virgínia e estas que aqui invoco, a que título deveriam ter direito à ADSE os tais Deputados que ali estão em “part-time” em vez de em regima de exclusividade? Porque Diabo os Senhores advogados, gestores, consultores, etc, de uma entidade privada, onde auferem excelentes salários, muito superiores ao de Deputado, haveriam de ter – ainda – mais um outro direito, o de acesso à ADSE? Era mesmo o que faltava! Já chega de privilégios! Têm esse, o das refeições de excelência no refeitório da A.R a preços “módicos”, e ainda ahaviam de ter ADSE?
Vasco Serrão

Anónimo disse...

Deputado não é funcionário publico. O regime da ADSE, que por sinal já não é bem o que era, é só para quem tem vinculo definitivo ao Estado, ou seja para o verdadeiro funcionário Publico. Seja administrativo, técnico superior ou qualquer outra carreira destas convencionais. E mesmo esses não são todos. Os últimos contratados já descontam para a segurança social e a ADSE é opção. E também não descontam para a Caixa Geral de Aposentações. Nos últimos anos tudo mudou para pior. Os Senhores deputados têm outras regalias enquanto lá estão e quando saem também não ficam nada mal. Muitos sempre trabalharam no sistema privado. Porque é que deviam ter direito à ADES? Se tiverem será aqueles que antes de lá estarem já são Funcionário Públicos.
Bom fim de semana
Maria M

SN disse...

Se calhar, ninguém deveria ter adse. Os funcionários públicos não deveriam tratar-se nos serviços públicos?

Helena Sacadura Cabral disse...

Maria
E porque é que deveriam perder o direito que tinham antes, ao entrar para deputado, que é um serviço prestado ao país, sem nenhuma compensação?

Helena Sacadura Cabral disse...

Ora meu caro Observador, o seu comentário é de enorme bom senso e estou inteiramente de acordo com ele!

Helena Sacadura Cabral disse...

Aos comentadores revoltosos sobre o meu post esclareço

1. Repeti o que uma deputada que deixou a função que tinha, me disse. Ela perdeu o seu subsistema de saúde, porque deixou o lugar que ocupava.
2. Admiti, até, que pudesse tratar-se de uma informação incorrecta
3. Guardo para mim a opinião que tenho sobre os deputados de per si, mas entendo que todos - enquanto - e sublinho o enquanto - exercerem funções de serviço público - devem ter o mesmo tratamento dos restantes trabalhadora da casa. Não percebo essa subtil distinção entre funcionário publico e deputado no que à saúde respeita. Ou então, outra alternativa, têm todos apenas o SNS e deixam de ter benefícios como existem nos Ministérios da Justiça, dos Negócios Estrangeiros, no Ministério das Finanças, Exército, Marinha, etc etc!
4. Se alguém pretendeu atingir o meu familiar, esclareço que que enquanto esteve como deputado foi a tempo inteiro.
5. Julgo que o comentário do Observador diz tudo o que sobre o assunto se pode dizer. Agradeço-lhe por isso a precisão!

Anónimo disse...

No Ministerio da Justiça já não existe subsistema nenhum. Os serviços sociais do MJ acabaram. Só existe mesmo a ADSE. Existem no Ministerio das Finanças os Serviços Sociais dos Funcionarios Publicos com outras valencia (como refeitorios, lares...)com poucos acordos na area da saude. E mesmo assim, ainda pagam bastante para usufruir desses serviços, só mesmo os baixos salários tem alguns descontos.
Maria M

Anónimo disse...

Pois eu julgo que os contratados da adninistracao publica ja nai tem adse ha muitos anos. Alias, nem fazem os descontos para a cga. Por isso, porque os deputados deveriam ter?

Anónimo disse...

Pois eu sou funcionario e desconto obrigatoriamente para a adse. 3.5 por cento. Sabem quanto uzufruí? Zero. Que se lixe a adse, so serve para manter grandes grupos.

Virginia disse...



Não pretendi atingir o seu Filho, deputado que sempre apreciei, apesar de todas as controvérsias. Não digo que seja my BFF, mas é inteligente e trabalha.

O que os deputados não têm é um seguro contra os media, a sua vida é vasculhada de fio a pavio, o seu bom nome enxovalhado e as suas acções ridicularizadas em programas da TV. É por isso que muitos não querem viver da política, nem sequer por afinidade.

Tenha um bom domingo!

João Avelar disse...

Minha Senhora
Com todo o respeito que tenho por si,certifique-se se a sua amiga deputada desconta para alguma coisa! Quem sabe se não fica mais surpreendida!

Anónimo disse...

Uma coisa é certa, para mim: há muitos anos que deveriam ter resolvido o problema de se descontar para a CGA e ADSE, ou para a SS. Todos deviam descontar para o mesmo (Estado), tudo ter sido harmonizado e todos terem os mesmos direitos em termos de Saúde Pública, o que não acontece, bem como seria mais simples de discutir o assunto Pensões.
Subsistemas de Saúde ainda existem muitos e que ninguém acaba com essas benesses salazaristas, no tempo em que eram muito mal pagos «mas» tinham esses apoios.
Quem hoje beneficia da ADSE, entra em hospitais privados vários, que têm acordo com a ADSE, mas não com o SNS, o que é extraordinário... e a primeira paga uma parte apenas; a que só tem SS e, portanto, SNS, paga na totalidade...
Eu tive muita esperança que o ex-ministro Soares acabasse com toda a confusão e, juntamente com o ministro Paulo Macedo, conseguissem por ordem nisto. Enganei-me. E agora já nem espero que aconteça, mesmo com o novo ministro a ser conhecedor de matérias destas porque já lá esteve.
Nos países normais da Europa, a pessoa desconta para o Estado, tanto no público, como no privado. BOM TEMA PARA OS DEPUTADOS.

Anónimo disse...

para o anonimo das 18.18:
Quem desconta para a SS, desconta 11%, certo? (engloba, descontos para a reforma e saúde)
Quem desconta para a CGA (reforma) e ADSE (saúde) desconta 14,5 %.
Ou acha que a ADSE é de borla?
E talvez haja uma coisa que não sabe. Até é certo que as consultas pela adse no privado sejam quase de borla (mas isso custa 3.5% de cada salário), mas não pense que uma operação ou outro tratamento/internamento são de borla. Vá, por exemplo fazer uma operação a um joelho ao privado pela ADSE, e veja por quanto lhe fica. 600 euros não chegam, se calhar nem 700 nem 800. Ou por exemplo um parto de cesariana no privado pela adse. Paga sempre uma pipa de massa. É sempre melhor ir para o publico. E sabe que mais. Para os f
funcionários públicos mais antigos a ADSE é obrigatória. Eu queria sair, pois são quase 70 euros por mês e para isso preferia um seguro. Não posso sair. O ano passado paguei do meu salario 70eurosX14 para ADSE e não lhes gastei um único euro. Por isso, não pense que é um mar de rosas. É CARO!...muito caro! Obrigada