sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O caminho da saída


"A propósito de Congressos, sejam eles de que partidos forem. Ou de comícios. Qual a razão de os políticos, com apenas algumas excepções, estarem aparentemente tão zangados quando falam? E de discursarem aos gritos? Estão zangados contigo? Comigo? Com os apoiantes? Com os abstencionistas? Com os adversários? É que eu, pela minha parte, não lhes devo nada. Faltava mais ter ainda de os aturar aos gritos."

                          Rui Rocha, in Delito de Opinião

Há muito tempo que penso o mesmo. Direi mesmo mais: esta gritaria afasta do televisor aqueles que, não sendo filiados nos partidos em Congresso podem, todavia, estar interessados em ouvir o que por lá se diz. Ora a agressividade do tom de voz daqueles que usam o microfone é tal, que só mesmo os filiados se podem sentir atraídos pelo discurso.
Eu sei que o caso não é apenas nacional. E que tem origens bem antigas. Mas, por experiência, sou  levada a pensar que nos países latinos a situação se agrava, até porque a linguagem corporal acaba também por acompanhar o exercício. E o famoso dedo indicador não deixa em cada um deles de nos indicar o caminho de saída...seja ela qual for!

HSC


7 comentários:

Virginia disse...


Felizmente não vou a congressos de espécie nenhuma nem tenho de aturar comícios políticos. Mas noto que a agressividade, o to de voz, a respiração ofegante e a dureza com que os nossos repórteres transmitem as notícias - sejam elas sobre o que forem - contrasta muito com os de outras estações estrangeiras, onde a suavidade e a calma imperam.

Não aguento ouvir comícios pela TV e os telejornais só esporadicamente......

maria madeira disse...

"até porque a linguagem corporal acaba também por acompanhar o exercício. E o famoso dedo indicador não deixa em cada um deles de nos indicar o caminho de saída".

Se este fosse um blogue onde nos é permitido deixar uma gargalhada virtual, aquele ahahah, acredite que o faria. Sendo assim resta-me dizer que não poderia estar mais de acordo. É que a gritaria afasta mesmo qualquer um do televisor. Não se percebe a intenção. Nós até possuímos um botão no televisor que nos permite aumentar o som se assim o entendermos. Aquilo também grita e tudo. A sorte é que também permite tirar o som. Oh oh!

Anónimo disse...

Os ciganos/as quando falam é sempre aos berros. O mesmo acontece com as peixeiras. Ah, mas os políticos também!
O estilo é comum a todos os partidos. Será que assim terão maiores êxitos?
Aguardo que os próximos políticos experimentem outro tipo de falar com os votantes...

TERESA PERALTA disse...

Ahahah!! Saída, sim, e, de emergência!!...
Bem observado.
Bjo


Nilson Barcelli disse...

Também não gosto de ver os políticos aos gritos.
Que não se limitam aos comícios.
No parlamento é a mesma coisa.
E até a dar entrevistas não falam naturalmente.

Anónimo disse...

Nem mais! Uma grande parvoíce que urge mudar.
Nunca achei um bom exemplo para as gerações esse tom agressivo de se expressarem.Cheguei a pensar que era só eu que achava isso.Muito,muito contente por descobrir que há quem pense como eu.

Sara

Fatyly disse...

Inteiramente de acordo e bem pior são os debates parlamentares e as comissões de inquérito. Quero saber algo mais e por vezes penso que não tarda voa uma cadeira ou telefone e desisto!