sábado, 2 de novembro de 2013

A vida dos outros

Falamos de mais. Da vida dos outros e até da nossa. Quando qualquer delas só deveria interessar aos próprios.
Desvendamos as nossas casas como se elas não fossem o nosso mais intimo refúgio e como tal não devessem apenas ser reveladas ao mais próximos. Partilhamos casamentos, baptizados e divórcios. Falamos das nossas doenças e até fazemos livros sobre elas. Enfim, nesta pós modernidade, habituámo-nos a viver nus. De corpo e de alma, sem que isso pareça já incomodar ou surpreender alguém. Ou seja, como se diz no nosso povo sábio "pomo-nos a jeito"!
É evidente que se podem abordar todos estes temas - afinal eles fazem parte de viver - mas não há nenhuma necessidade de os personalizar.
Se há algo que não faço sobre os outros, são juízes de valor ou de carácter, embora quem navegue na net seja isso que encontra em grande profusão, numa leitura do que é publicado nos jornais e sem o menor conhecimento da vida real ou circunstâncias das pessoas em causa. São criaturas que fazem a sua própria catarse, bolsando ódio sobre os outros e sabendo, sempre, melhor que os próprios, o que fariam no seu lugar. A mim confrange-me um pouco porque sei o que está por detrás desses comentários odiosos.
A imprensa e a net têm sido o caldo de cultura e o desagradável veio de transmissão de tudo isto. Mas há uma responsabilidade individual que assaca todos nós, consumidores de tais enormidades. Não há, de facto necessidade, como diria o nosso diácono Remédios!

HSC

15 comentários:

maria isabel disse...


É um sábio desabafo para um dia de chuva(aqui no Porto).Estou de acordo.Já diziam os antigos: o senhor deu-nos 2 olhos, 2 ouvidos e apenas 1 boca para dizermos sempre metade daquilo que vemos, ouvimos e lemos. mas por vezes 1/4 ou nada é o mais certo. Olhar para o espelho não é só para ver se está bonito.
Bom fim de semana

Fatyly disse...

Aqui e fora daqui, jamais fiz perguntas sobre a vida privada de quem está por detrás desta tela, juizes de valor e se eventualmente não concorde com alguma coisa sempre relacionada com o post, digo-o sem nunca partir para o insulto e muito menos como "anónima".

É como ler qualquer notícia...a enchurrada de comentários insultuosos é de tal ordem que mete dó e pior do que isso, passam a insultos entre comentadores e não é que vão sempre parar ao futebol?

Quanto a "figuras públicas" essas coitadas devem passar as passas do Algarve...e quero lá saber da vida pessoal de cada um, mas culpo muitos porque deixaram que fosse publicado...julgo eu de que...

Teresa Peralta disse...

Não há mesmo neschechidade!!...Se todos aceitássemos como verdadeiro o provérbio “quem vive no convento é que sabe o que se passa lá dentro” pensávamos “duas vezes” antes de julgar com tanta veemência as situações que, a nós próprios, nos ultrapassam....

Boa noite Helena com um grande abraço

Anónimo disse...

Percebo o que lhe vai na alma, ao ler o que por aí se diz e escreve de Paulo Portas, seu filho. Mas, nisto na política é assim mesmo. Quem vaia à chuva molha-se. E depois, sendo um político membro deste governo tão pouco popular que há a esperar?
É assim a vida hoje em dia para quem é figura pública política.
Gonçalo Ferreira

Anónimo disse...

Dra Helena, sabias palavras as suas que as pessoas de hoje precisam relembrar.
As suas reflexoes sao uma lufada de ar fresco.
Muito gosto em le-la!

Luz Santos

Anónimo disse...

Dra Helena, sabias palavras as suas que as pessoas de hoje precisam relembrar.
As suas reflexoes sao uma lufada de ar fresco.
Muito gosto em le-la!

Luz Santos

Helena Sacadura Cabral disse...

Gonçalo Ferreira
Curiosamente quando escrevi este texto nem pensei no Paulo. Como calcula, tenho de ter uma enorme sanidade mental, para atravessar este período que é, sem dúvida, doloroso. Mas Deus concedeu-me essa graça de só me importar com o que é essencial, e os comentários sobre o meu filho, não têm esse grau de relevância.
Quando escrevi o post tinha acabado de ler a notícia do suicídio de uma mulher que não aguentou os comentários que faziam sobre o seu marido que estava preso e veio a ser inocentado uma semana após a sua morte.
O que pode provocar na vida de uma família mais frágil, este tipo de situações...

zia disse...

Somos humanos e precisamos de comunicar, e será preferível falarmos de nós ao amigos do falar dos outros.
As revistas falam sempre bastante mal (moralista) das pessoas publicas ou das que gostavam de ser.
Muitos beijinhos, Zia

Isabel Seixas disse...

Um post bem oportuno além de fazer refletir...
Abraço

António Agostinho disse...

Falar da vida dos outros, além de ser fácil, é um exercício que muitos se dedicam por pura maldade. Não encontro outra explicação.
Calar no momento certo, por respeito ao outro... Isso custa mais. Mais educação, sobretudo.

Obrigado Helena por se dedicar à escrita da forma como se dedica. A mim já me ajudou muito.

Núbia Rocha disse...

Sábias palavras de Helena Sacadura Cabral!

Anónimo disse...

Só de pensar que há quem tudo faz para prejudicar a vida do seu semelhante ... é a vitória dos mesquinhos... fazer do outro mais pequeno para que o anão se sinta gigante ...

Desculpe o desabafo pessoal que me apeteceu registar para a eternidade ...

N37111

Anónimo disse...

"Posso gostar ou não, mas nunca critico - tenho 7 filhos, não sei se algum dia passarei por situação semelhante" dizia a minha sogra.
Hoje, sete filhos não é vulgar, mas todos temos irmãos, sobrinhos, amigos, e não sabemos se um dia não estaremos a passar por algo semelhante.
O mundo seria menos mesquinho se todos tentássemos agir desta forma.
Nocas

Anonymus disse...

No sábado vi este artigo no Expresso, reproduzido depois no jornal digital Diário do Distrito: http://diariododistrito.pt/index.php?mact=News,cntnt01,detail,0&cntnt01articleid=1267&cntnt01returnid=84
Porque não fazer um post sobre o assunto?

Alberto Maia disse...

Se há algo que não faço sobre os outros, são juízes de valor ...(ou juízos de valor ?)