domingo, 13 de outubro de 2013

Economista, eu?!

Um comentário ao meu post anterior está na base deste de hoje. Muitas vezes tenho pensado na carreira que escolhi, sentindo-me, como me sinto, uma economista que pouco ou nada tem de comum com os ultra liberais que hoje pululam nas agremiações onde se juntam e se filiam. Com efeito, nunca me inscrevi na Ordem dos Economistas porque quando os ouvia pensava não estar ali a fazer nada. São os chamados quantitativos, verdadeiros malabaristas dos números, que se ufanam de possuir toda a verdade mas que vivem num mundo de autismo no qual quem não pensa como eles é apelidado de reaccionário. Fui assim considerada muito tempo. Não me importei nada e creio ter ajudado a fazer economistas de outro tipo. Se o Adérito Sedas Nunes fosse vivo, rir-se-ia muito desta declaração, ele que me dizia que eu andava a "corromper a formação económica" dos meus alunos, com as doses de personalismo e de Mounier que lhes instilava. Hoje julgo que tinha toda a razão. Ainda bem!
De facto, é verdade que gosto de olhar a economia pelos efeitos que tem sobre os indivíduos. E mesmo quando aconselho empresários, ponho no mesmo prato da balança os interesses dos patrões e o dos seus empregados. Até hoje não me pesa na consciência algum conselho que não visasse, em pé de igualdade, estes dois objectivos de qualquer empresa digna desse nome.
Aqui têm porque é tão raro alguém ver-me nessas conceituadas associações, fóruns, mesas ou meetings para discutir o que depois ninguém vai cumprir. Eu bem recebo os convites...
Todo este arrazoado para vos dizer que, na actualidade, não sei qual é a minha profissão. Mas, economista, começo seriamente a duvidar que seja.
Caro Alcipe, ajudei a responder á questão que tão bem me levantou?

HSC

10 comentários:

Anónimo disse...

Cara Helena,

Gostei muito do seu post e de ter postado uma foto e uma fotografia do grande himanista que foi o Prof. Agostinho da Silva.

É impressionante como esses génios veêm sempre mai além que o comum dos mortais - a frase é tão actual.

Isabel BP

P.S. A Helena é que está no caminho certo e não a maioria dos seus colegas de profissão. Bem haja!

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Querida Helenamiga

Depois de estudar Direito, depois de tentar entender a Economia, depois de piscar os olhos para as Finanças (eu não disse a Finança, depois de ter sido oficial da PJM (Polícia Judiciária Militar), depois de, acho que o Adérito, querido Amigo, rir-se-ia ao saber que eu só era... Jornalista. Chega? Chega.

Qjs

Henrique

PS (Aqui é Post Scriptum...)- Adorei os teus imeiles; manda mais -sff e quando tiveres tempo...

Virginia disse...

Acho que é uma excelente bloguista :)

TERESA PERALTA disse...

Concordo com a Virgínia e penso, para além disso, que é muito, mas muito mais...
Boa Semana, Helena
Um Abraço





Anónimo disse...

Como gosto de ouvir falar de Agostinho da Silva. Há uns anos quando tomei conhecimento da sua existência, quando pela primeira vez o ouvi falar, penso que foi num programa na tv, antes disso não passava de um nome para mim, deu-se um clic dentro de mim, as campaínhas tocaram cá dentro. Foi como se estivesse a ver paisagens nunca vistas do mundo e de Portugal, dos outros seres todos do mundo e de mim. Senti mais do que racionalizei o que é a liberdade de pensamento, a ética e a espiritualidade. Nunca tinha conhecido ninguém assim, tudo mudou para mim. No entanto nunca o conheci pessoalmente nem conheço muito bem a sua obra. Só alguns livros. Apesar disso tornou-se um dos meus mestres. Desde aí tenho em casa, no local de leitura, uma foto dele em moldura, retirada duma revista, em que está sentado numa poltrona com um gato deitado a dormitar no topo das costas da mesma. E escrevi atrás: «mestre de filosofia com mais saber e engenho meu gato mia» um pequeno poema de AS que retirei provavelmente do texto da mesma revista.
Que falta fazem estes mestres, a sua presença! Quando deparei aqui com a foto dele e o texto, senti um arrepio. Hoje está tudo tão desumanizado, tudo transformado em mercadoria, até os bens que pertencem a todas a humanidade como a água. Como dizia AS a mudança só se consegue se cada um de nós se for mudando por dentro.

Luisa disse...

As suas dúvidas coo economista, qualquer profissional sério as colocará hoje. Quem somos? Para onde vamos nesta sociedade de números? Faz-me bem lê-la, obrigada.
Luísa Moreira

Dina Santos Revesso disse...

A Drª Helena anima-nos e faz-nos acreditar que ainda há esperança na humanidade.
Gosto muito de a ler mas confesso que também adoro as suas gargalhadas.
Bem haja

Anónimo disse...

Gostei muito deste seu post, não só por ter evocado Agostinho da Silva, esse grande Homem que cultivou a Utopia até ao fim de uma vida cheia e lúcida, mas também, e sobretudo, por partilhar o seu humanismo, que creio ser a raiz do ADN do seu carácter, com os seus leitores (a cujo grupo continuo a pertencer, apesar da exagerada "sova" que me deu - mas aí foi determinante a componente emocional que às vezes nos faz descontrolar, a ponto de vermos ódio e raiva onde só existe indignação, mesmo se mal dirigida. Mas as mães-leoas são assim).

Carlos Serra

Fatyly disse...

Gostei desta sua resposta e aprendo imenso consigo porque é genial como expõe as coisas.

Quando a Agostinho da Silva foi um Sir feito de matéria que tanta falta em muitos que nos enchem a cabeça...com nada!!!!

Anónimo disse...

Bom dia Dr.ª Helena!
Mais um post interessantíssimo. No meu entender, e daquilo que conheço de si, a Senhora está muito bem, como está e como é. Parece-me que desempenha muito bem todos os papéis que a sociedade lhe tem conferido ao longo da vida. Como pessoa e como profissional continue, fazem muita falta a este país pessoas assim. Obrigada por partilhar e por ser quem é.
Adoro ler Agostinho da Silva e “perdia-me”, completamente, a ouvi-lo. Tanto na forma como no conteúdo transmitia paz, apesar de ser uma pessoa irreverente o que lhe tornou a vida muito difícil, mesmo assim aparecia sempre bem-disposto. Era, para mim, uma pessoa muito agradável de ouvir. É ótimo que a Dr. Helena partilhe tudo isto e lembre grandes figuras do passado, que de algum modo, foram úteis a este país.
Adérito Sedas Nunes, também um intelectual que foi muito útil a este país, um académico muito estimado, muito lido e apreciado neste meio, li alguns textos dele na minha formação académica, muito bom (só o conheço daí).
Obrigada e tenha um bom dia.
Maria M