domingo, 15 de setembro de 2013

A missa

Embora seja conhecida a minha posição religiosa, não costumo em post abordar questões ligadas a esta matéria. Talvez porque considero que se trata de assunto íntimo e que não terá muito interesse para a maioria dos meus leitores conhecer este meu lado.
Mas hoje passou-se algo que me impressionou. Ao contrário do que é habitual - prefiro ir à missa sábado à tarde - fui à missa do meio dia à Estrela que também não é a Igreja onde costumo ir.
As portas do templo estavam todas abertas, o que permitia que de fora se visse todo o altar. A sala estava cheia, a missa era cantada e o padre, negro, sobressaía nos panos alvos da mesa da celebração. Embora os fiéis fossem maioritariamente pessoas de mais de 50 anos, as jovens famílias destacavam-se já, sobretudo num dia de sol e de praia,
E, espantoso, a comunhão foi tão concorrida que estando distribuída por três pessoas, demorou a terminar.
Eu sei que pode dizer-se que em tempo de crise a prática religiosa tende a crescer. É seguramente verdade. Mas também não me pareceu que parte significativa daquelas pessoas pertencesse a esse grupo. Posso estar enganada, mas acredito mais que seja a crise de valores das sociedades actuais, que esteja a gerar movimentos de grande espiritualidade, seja qual for a religião em que eles nasçam, ou até sem qualquer suporte desse tipo, dado que as coisas do espírito não são forçosamente religiosas. A mim, confesso, soube-me bem!

HSC

24 comentários:

Virginia disse...

Não quero ser desmancha prazeres, mas tenho grandes dúvidas sobre a religiosidade do povo português. As famílias vão porque querem manter os valores cristãos enquanto os miudos não decidem ir para outras paragens ao domingo ou ao sábado.
Quanto às comunhões....olhe, Helena sei de muito boa gente ( na minha família próxima) que comunga sempre, a confissão está posta de parte,são todos santos...coisa que não era comum no meu tempo.

Felizmente, já dei para o peditório e não acredito na Igreja. Respeito, mas não me inspira.

Anónimo disse...

A fé, independentemente da religião que cada um professa, dá-nos a PAZ que tanto escasseia no dia-a-dia.

Isabel BP

zia disse...

que lindo Post.
Reparo muito na população que vai à missa e fico feliz quando se sente a presença de determinadas estratos social e de idade.
Cada vez estou mais exigente quanto ao que é dito nas homilias, e infelizmente aí a idade do celebrante por vezes engana-me,principalmente aqui pelo norte, onde há mais celebrantes bastante novos mas a notar-se uma grande falta de maturidade e de vida espiritual. O que é tristíssimo.
Um forte abraço,
lb/zia

Teresa Peralta disse...

Também tenho essa sensação. Nos jovens isso é muito evidente e, pelos vistos, nessa facha etária também começa a ser... O Mundo está a mudar!...
Boa semana para si

Anónimo disse...

É verdade, querida Drª Helena.

Vou assiduamente à missa (até porque pertenço ao grupo coral) mas há missas que nos "sabem especialmente bem".

Ainda bem que gostou,

Um beijinho
Vânia Batista

Fatyly disse...

Concordo totalmente consigo e as vezes que vou à missa com a minha mãe, prefiro ir durante a semana, porque ao sábado à tarde ou domingo é totalmente impossível, não há lugares e a minha mãe não pode estar de pé.
Alguém se levanta? Deveria haver e a última vez tive que pedir a "gaiatos que iam com os pais" e só um é que muito contrariado cedeu o lugar e com esta atitude dos adultos, deixei de ir!

e ainda hoje pergunto a mim mesma: o que é que muito vão lá fazer?

Enfim!

Teresa Peralta disse...

Peço desculpa pelo lapso, mas, escrevi no meu comentário "facha", onde deveria ser "faixa".

Luisa disse...

Como adepta da missa ao domingo, e confessando que me perco por vezes, interiormente, nas grandes Catedrais, acredito que a religiosidade dos portugueses não acompanha a crise. Deixem-me sonhar...

Luísa Moreira

Helena Sacadura Cabral disse...

Cara Virginia
Futebol, política e religião cada um toma a dose que quer. Pessoalmente prefiro a última às duas primeiras...

Anónimo disse...

Já repararam nas entrevistas no santuário de Fátima, é do tipo"Venho aqui pedir, para mim e para os meus" e nem coram.Uns mandam erguer estátuas enormes porque foi um milagre que os curou, quando outros suncumbem, devem-se sentir eleitos.Realmente a religiosidade é uma coisa muito pessoal.Ou se tem ou não se tem, ou faz-se de conta que tem,caso queira seguir carreira política lá na aldeia (já que estamos em eleiçõs autárquicas)

Virginia disse...

Claro, Helena, e não é só nesses campos que cada um toma o que quer...há muitos outros em que a liberdade de pensamento e de arbítrio devem ter lugar, nas escolhas e opções que se tomam durante toda uma vida.

Houve tempos em que a religião quase tomou conta de mim, a lavagem aos cérebros era tal que no meu liceu só entrava um homem, o Padre Loreno, que inflamou muitas "almas" de 14-15 anos, levando-as a acreditar numa religião que nada tinha a ver com a beleza da doutrina de Cristo, mas que tratava os cristãos como elites, que se auxiliavam mutuamente, como uma clique que infelizmente ainda existe. Pertence-se à igreja como se pertence aos partidos...é bom encontrar-se depois da Missa almas iguais às nossas ( nós até íamos comer um pastel de belém depois da missa dos jerónimos, onde cantava no coro!! Que lindo que era....mas disto tudo ficou-me uma enorme dúvida sobre as intenções da maioria dos católicos, hoje bem colocados na sociedade...

Não tenho nada contra as missas , o meu filho mais velho vai com os filhos quando pode, quando não pode não vai....

Também não vou ao futebol....nem nunca pertenci a nenhum partido...nem sequer ao sindicato....

mineu disse...

Fiquei contente com o conteúdo deste post e gostaria que, de vez em quando,abordasse este assunto. Contráriamente à opinião de Zia
penso que a pouca experiência dos Padres mais jovens é compensada com a lufada de ar fresco que nos trazem.
Um abraço

Anónimo disse...

e por aqui (europa) nem tá mal. Barack Obama, quando foi eleito disseram que foi um feito histórico e foi. Histórico era ver um Presidente dos EUA ateu eleito (mais depressa passam 2 camelos pelo buraco de uma agulha)

Anónimo disse...

para mim bastava nunca nos esquecer de ser humanos, só isso - http://www.youtube.com/watch?v=7s22HX18wDY

Alain Demoustier disse...

bravo Helena, concordo contigo e não vou entrar em grandes dialéticas, each one his own.´
bjs
alain

Anónimo disse...

Só faltava-me uma noticia para confirmar um dos post (Ou se tem ou não se tem, ou faz-se de conta que tem,caso queira seguir carreira política lá na aldeia (já que estamos em eleiçõs autárquicas)) que publiquei (encontrei) - http://www.ionline.pt/artigos/portugal/autarca-esposende-oferece-2-mil-tercos-dinheiro-da-autarquia

Anónimo disse...

Cara Vírgínia,

Discordo completamente quando refere "(...) disto tudo ficou-me uma enorme dúvida sobre as intenções da maioria dos católicos, hoje bem colocados na sociedade"...

Olhe que não! A maioria dos "bem colocados" até são laicos, maçons ou qundo muito da Opus Dei (mas esta já está a raiar o fundamentalismo).

Quando aos verdadeiros cristãos, são as pessoas mais humildes que ainda vivem longe dos grandes centros urbanos e acreditam piamente na bondade dos outros, na pureza dos sentimentos!

Embora sendo uma enorme admiradora do Papa João Paulo II (o "meu" Papa"), estou a adorar a lição de humildade do Papa Francisco... É só ver este vídeo, principalmente, a partir do minuto 11:15.

Isabel BP

Anónimo disse...

Faltou o link:

http://www.youtube.com/watch?v=AQmDtM1t5RU

Isabel BP

Anónimo disse...

Também vou de quando em vez à missa, sou católica e acredito que Deus me acompanha sempre, todos os dias e em todos os lugares.
Para além de gostar de ver uma igreja cheia na missa de domingo ou na missa vespertina, gosto de ver as pessoas entregues e atentas à proclamação da palavra e isso, para além da fé de cada um, depende também da competência do sacerdote.
Acho que um sacerdote "faz" a sua igreja e acolhe ou repele os seus fiéis. Eu, senti-me repelida na igreja que frequento, porque saio com a alma ainda mais vazia do que quando entrei.
De facto poderia sempre mudar de igreja não fosse o facto de os meus filhos serem escuteiros nessa paróquia!
FL

Anónimo disse...

Cara Helena,

Concordo com o que diz mas a postura do Papa Francisco tem atraído muita gente também. Finalmente alguém está a reduzir a Igreja ao que é realmente essencial!

Raquel SM

Anónimo disse...

capela sistina em 3D - http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html

Anónimo disse...

twitter do Papa Francisco - https://twitter.com/Pontifex

Anónimo disse...

(visita virtual catedrais portuguesas) - http://www.rotadascatedrais.com/pt/visitas-virtuais

Anónimo disse...

Motor de pesquisa Papal - http://www.bergoogleo.com/