segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A abstenção conta?

Todos aconselham o voto. Que ele é uma prova de cidadania e quem se abstiver não pode, depois, criticar. Em 2009 a abstenção andou pelos 41%. Desta vez situou-se nos 47,41 Ou seja é o maior partido. Ou, o mais significativo.
Pergunto: o que deve fazer quem não se sinta representado nas listas da sua autarquia? Votar nulo? Votar branco? Abster-se?
Vale a pena pensar um pouco nisto porque nem todos os que se abstêm são néscios ou incapazes. Podem ser, apenas, pessoas insatisfeitas com o plantel que os partidos organizam para distribuir benesses pelos seus acólitos.
Por norma diabolizam-se os abstencionistas. Porque à máquina partidária a abstenção lhe rouba eventuais votos. Mas quer se queira quer não, eles são uma voz. Pelo menos tão importante como aqueles que se sentem confortáveis com a escolha que fizeram.
Então o que é que está mal? E se tudo está bem, porque é que existe tanta abstenção?

HSC

17 comentários:

João disse...

Eu considero a abstenção o meu protesto.
Quando me abstenho é conscientemente e sabendo que é um "partido" com muito maior visibilidade do que o dos brancos e nulos (não foi o caso de ontem em que tive a honra de poder ajudar a eleger Rui Moreira para a CMP).

Anónimo disse...

Estimada Helena,
Ás vezes as coisas, ou explicações para estes casos, são bem mais simples. Meus pais (com 80entas), por exemplo, nesta altura do ano e desde há alguns meses, como habitualmente, estão na Beira-Alta, de onde só regressam no início de Dezembro, por sinal, ao Concelho de Oeiras, onde se encontram recenceados (e onde um representante do presidiário Isaltino ganhou as eleições, sob fortes aplausos populares, um Concelho onde é suposto haver uma larga percentagem de gente razoavelmente esclarecida, ou não fosse aquele, ao que dizem, com o rendimento “per capita”mais elevado do país). Diziam-nos, nossos pais: “era mesmo o que nos faltava, ter de nos deslocarmos até aí, percorrer 700 klm, ida e volta, para ir votar!” Minha sogra (também nos 80entas), que vive no Concelho de Sintra, num sitiozinho encantador, hoje viúva e a viver só (menos ao fim-de-semana, quando toda a familia se divide para a ir visitar, alternadamente), não está para percorrer uma distância a pé, que é superior a 1 klm, para ir votar. Diz: “era o que me faltava, andar essa distância toda a pé e ainda por cima à chuva!”. Outros casos, um familiar, que se encontrava fora e não votou. Outros 2 familiares, que no Porto, não puderam ir até Alijó votar, por estarem doentes. E estes exemplos são muitos e intermináveis. Um sobrinho meu, cheio de trabalho, esqueceu-se, nem se lembrou que havia eleições. E eu assisti a um casal, já idoso, quando fui votar, a dizer, um para o outro: “mas olha lá, já cá estamos, mas tu queres mesmo votar? Sentes-te bem, estás melhor? O melhor é regressarmos a casa. E depois, logo à noite, logo sabemos quem ganhou. Votarmos ou não, não influencia nada!” Assim. E depois há Dona Hermengarda que não teve quem a levasse, ou o Sr. Anacleto que não avisou o filho de o ir buscar, etc. Claro que há muitas ausências nas mesas de voto que têm uma intenção política. Outras, por desinteresse, também, mas muitas são por meras circunstâncias, ou outras razões que não uma atitude anti-voto. Um familiar próximo meu não votou porque consciêntemente se estava, como disse, “nas tintas” para esta “porcaria”. Bom, lá está uma razão para explicar estes 47,5% de abstenções. Mas que não haja drama. Nos EUA a percentagem, desde há décadas, é de cerca de 50% e nem por isso, os Clinton, Bush, Obamas são Presidentes. Agora, pode é retirar-se ilações, como fez Guterres, em tempos, por ocasião de eleições idênticas. Que Passos, sem coragem para tanto (nem são figuras comparáveis, até porque um é um tipo sério e o outro um figurão), não faz. Como autista que é, mantem-se firme no “poleiro”. E assim lá vamos indo, cantando e rindo. Haja mais independentes para abalar o sistema que eu até acharia piada.
P.Rufino

Anónimo disse...

É isso mesmo! Podem perder o direito de criticar, mas pode ser uma forma de mostrar descontentamento... Embora em alguns casos também é por puro comodismo.

Isabel BP

i disse...

Em tempos, o voto em branco era visto, e previsto, como o não reconhecimento ou identificação do eleitor nos candidatos, listas e programas. ( o voto em algo que não se apresentou a votos...) Tido como forma de demonstração de repúdio, mas de evidência de participação activa nas eleições. Este voto poderia determinar, caso fosse expressivo, uma mudança, um alerta, uma pressão, um debate de ideias...
A abstenção é uma forma de anulação e indiferença, não lhe parece?! Sobretudo porque parece ser por "não valer a pena!..." e quando a alma é pequena... e as pessoas não são ouvidas naquilo que é elementar... para quê ir votar?!?
Se nada muda e não parece ser passível de mudar?!?
Em tempos uma abstenção igual ou superior a 50% significava repetição de eleições...
Agora, comemoram-se vitórias que não chegam a corresponder ao desejo de um quarto dos eleitores como sendo estrondosas de absolutas!!!

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro João
Eu também. E se vivesse no Porto Rui Moreira teria levado o meu voto.
Mas ajudei, com o meu apoio público, a eleger Guilherme Pinto, em Matosinhos, outro independente, a quem o PS abandonou.
A abstenção e os independentes foram os sinais mais evidentes que algo tem de mudar...

Isto e aquilo disse...

Estive a pensar nisto e tendo a concordar com a Isabel BP. Para mim, sendo uma forma de mostrar descontentamento não deixa de ser uma estranha forma de o fazer, que pode confundir-se com a indiferença. E sê-lo-á, efectivamente, em muitas casos. A mim, confesso, faz-me muita confusão que se seja indiferente quanto ao que nos diz respeito.

ERA UMA VEZ disse...

Querida Helena

Pela primeira vez na vida, decidi não votar. E até tenho admiração pela minha presidente que tem dado à cidade um toque feminino e resolvido muitas pontas soltas.

Sabendo que ia haver aproveitamento dos resultados, pensei muito e decidi
que se ninguém quer saber de mim...(e de tantos outros)
a não ser para tirar fatias atrás de fatias do esforço e da honestidade de uma vida, então ninguém daria pela minha falta.
Estou magoada e preciso de tempo.

Foi uma decisão tão sincera como ir votar durante dezenas de anos.
Já ouvi algumas bocas...mas é como diz. Ninguém está indiferente não.
Desta vez, a abstenção, também foi um voto.
É como diz: É UM VOTO e UMA VOZ.

Teresa Peralta disse...

A abstenção é muito significativa, e por isso, deveria ser alvo de análise aprofundada, colocando não só a hipótese de descontentamento contra as posições do governo, mas também, pela indiferença ao deixarem aos outros a responsabilidade da decisão, e assim poderem dizer, quando correr mal, que não são, de modo nenhum, responsáveis pelos acontecimentos. E, os independentes, será que são mesmo independentes?
As câmaras de “verdadeiro” êxito, são feitas por personalidades com capacidades reconhecidas de dedicação ao desenvolvimento local, mas também, de integridade consumada (o que por ex: não parece ser Isaltino Morais, que dizem ter feito uma boa Camara). Essas individualidades podem, ou não, pertencer a um partido politico, aliás muitas pertencem, como são os casos recentes de Rui Rio, Vítor Mendes ou mesmo António Costa, entre outros. Vale a pena também pensar nos exagerados amores e ódios que se constroem à volta destas questões. A vida corre-nos mal, é verdade, mas os exageros não nos levam a lado nenhum....
Desculpe, certamente, estou a ser muito chata, mas não volto a fazer um comentário tão extenso.
Um abraço para si

Anónimo disse...

Cara Helena,
Tenho para mim que a abstenção é fruto do desinteresse, e também de circunstâncias da vida.
Se queremos protestar, marcar uma posição, fazer a diferença, temos que mostrar que nos interessamos e isso, a meu ver, só se consegue com o voto em branco.
O voto em branco significa que eu tenho interesse em alterar as coisas, que eu me importo, mas que não existe ninguém que eu considere capaz. E vou à secção de voto dizer isso mesmo. Desloquei-me, exerci o meu direito/dever, deixei de fazer outras coisas, saí do sofá, mas, sobretudo, apresentei o meu protesto.
Beijinhos
Inês

Anónimo disse...

Este Vitor Ramalho, depois de deixar o "tacho" do INATEL, o melhor que tinha a fazer era ir para casa e calçar as pantufas. É preciso ter lata para vir à TV c...postas de pescadas,

Anónimo disse...

O ideal seria haver um circulo nos boletins de voto, onde houvesse uma inscrição tipo: " não voto porque não acredito em nenhum dos candidatos". A curto ou médio prazo talvez se tirassem algumas ilações.

ERA UMA VEZ disse...

Ainda a propósito...alguém reparou que a TRADICIONAL campanha para participação dos idosos...desta vez parece "quase" não ter existido???

Porque seria?
Ah, ah, alguém adivinha???

Anónimo disse...

Caro Anónimp das 14:47,

O Vitor Ramalho depois da Fundação INATEL, "assentou praça" como Secretário-Geral da UCCLA - (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa) (fundada pelo Nuno Kruz Abecasis).

Alguma vez esta gente larga os lugares... Usam cola Araldite!

Isabel BP

Anónimo disse...

Maria (publicamente anónima)
Boa noite Drª Helena! Gosto de reflectir sobre estes temas. Não com um olhar politico mas com um olhar sociológico. Mais uma vez obrigada por nos dar esta oportunidade. Tem razão! A abstenção retira o direito a criticar. O nulo e o branco, penso que não. Porque nestes casos a pessoa exerceu o seu direito/dever de cidadão activo. Pode funcionar como protesto, embora não seja muito visível nem esteja a ser considerado como tal.
Sabemos que a sociedade precisa de todos mas não me atrai a politica partidária, percebo que os partidos são um mal necessário, devem existir, talvez fosse bom fazerem uma “reciclagem” e principalmente, reflectirem sobre este grande partido (a abstenção) que não serve para nada nem resolve qualquer problema por mais simples que seja. Não gostaria de voltar a viver num país sem partidos políticos e sem direito ao voto. Reflectir sobre a abstenção e as suas consequências é muito importante e os partidos deviam ser os primeiros a fazê-lo e retirar dai algumas ilações. Penso que quando atinge um certo número devia ser alvo de um estudo sério e profundo. Todos sabemos que as razões para não ir votar são várias, certamente todas validas para quem as defende. Pessoalmente não concordo com a abstenção como protesto e penso que as consequências não servem a vida em sociedade. Admito-a em casos extremos e esses são certamente uma pequena percentagem. No entanto respeito quem tem razões validas, mas não vejo qualquer utilidade, nem para a sociedade em geral, nem como forma de responsabilizar os políticos.
Penso que o direito ao voto é muito importante, até pela dificuldade que foi, principalmente, para as mulheres conquistá-lo. Quando eu era menina e moça interrogava-me e não percebia, o porquê de o meu pai receber uma carta fechada, e claro com o voto preenchido, para remeter concordando com o voto a que estava obrigado como bom chefe de família. As mulheres que ele tinha em casa (esposa e duas filhas), pelo simples facto de terem nascido do género feminino, não contavam para nada. Hoje, felizmente, podemos exercer esse direito, vou tentar fazê-lo enquanto poder, fazendo as minhas escolhas e opções livremente, em cada acto eleitoral.
Pessoalmente já tenho feito o seguinte exercício, imaginário, meramente académico, porque não é possível na realidade. Em tese vamos supor que chegávamos a um acto eleitoral e a abstenção ou o voto branco, numa opção concertada no seio das populações atingia noventa e tal por cento? Será que funcionava como uma “campainha” no seio do sistema partidário? Será que alterava alguma coisa e assim os partidos reflectiam sobre a insatisfação dos cidadãos? Ficam as minhas duvidas…
Obrigada por esta oportunidade e desculpe por escrever demais.
Beijinho
Maria M

Anónimo disse...

Repito corrigido.
"Em tese vamos supor que chegávamos a um acto eleitoral e a abstenção ou o voto branco, numa opção concertada no seio das populações, atingia noventa e tal por cento!"

Anónimo disse...

Cara Isabel BP, obrigada pela informação sobre o novo "tacho" do vr. É como diz, só a morte lhes tira os "tachos". Estão de pedra e cal, se deixam um, é porque o outro ainda lhes dá menos trabalho e mais benefícios.

rmg disse...


O país terá cerca de 10.5 milhões de habitantes e o somatório das listagens das freguesias dá cerca de 9.6 milhões de eleitores .

Com não me parece possível que só haja 900 mil pessoas que ainda não têm idade para votar (mal de nós!) é evidente que os cadernos eleitorais continuam baralhados e a baralhar-nos .

Mas isso tem muito a ver com um descuido geral , de quem não "abate" e de quem não "se abate" , no fundo como acontecia com o SNS e os Centros de Saúde antes das últimas tentativas de endireitar as coisas .
Assim é difícil ...

RuiMG