sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Urbano Tavares Rodrigues

Morreu hoje, aos 89 anos de idade o Prof. Urbano Tavares Rodrigues, grande romancista cujo legado literário é reconhecido em Portugal e no estrangeiro.
Comunista que nunca deixou de o ser, a sua obra está profundamente marcada pelo Alentejo onde nasceu e viveu uma parte da sua vida.
Conheci-o e à sua mulher há alguns anos e guardo dele a imagem de um homem de trato muitíssimo agradável.
Um revolucionário romântico, como mostram as duas  respostas que deu a Luis Leal Miranda, que o entrevistou em 2010, e que transcrevo em seguida:

“...Sei que deixou as suas propriedades no Alentejo aos camponeses. Porquê?

Depois do 25 de Abril, quando começou a reforma agrária, eu e o meu irmão entregámos as terras aos trabalhadores alentejanos. Foi um gesto romântico, separei-me de uma casa da qual tinha um amor profundo. 

Foi um gesto carregado de ideologia também.

Se não fosse isso era hoje um homem rico. Mas não quero saber. Fiz aquilo que achava certo e coerente com as minhas convicções.”...

Era uma certa forma de utopia que, para o bem e para o mal, já não se encontra hoje. À viúva e ao filho António um sentido abraço.

HSC



19 comentários:

Isto e aquilo disse...

O Urbano Tavares Rodrigues foi meu professor. Um privilégio!
Lembro-me sobretudo da sua serenidade e da sua imensa gentiliza, até quando tinha críticas a fazer(nos).

É, sem dúvida, uma recordação boa que permanece comigo, além das suas palavras, da sua obra.



João Menéres disse...

Aos familiares e à Cultura Nacional, os meus sentidos pêsames.

Dalma disse...

A HSC, com certeza sabe melhor do que eu que o PCP tem um enorme número de imóveis, uns se dados por "românticos" como o Urbano Tavares Rodrigues, outros nem tanto. Quando do PREC, muitos não comunistas deram, como forma de savaguardar o resto, propriedades ao partido em questão...
Mas já agora, o comum dos mortais, SÓ DÁ O QUE NÃO LHE FAZ FALTA! Não é assim? Quem me desmente?

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó Dalma dar uma casa no Alentejo, que não era um casebre, não é uma questão de fazer falta ou não. É uma questão de património familiar.
Eu, se a tivesse, guardava-a para os meus. E se quisesse, como era voga nessa altura, salvar o património daria, quem sabe, o usufruto e não a propriedade.
O meu filho Miguel tinha muitos destes idealismos, no seu tempo de PC...
Só que, sorte nossa, o meu romantismo nestas matérias como noutras é escasso... e o património também!
E muitos dos que deram, tentaram depois re-haver. Não foi, pelos vistos o caso do Urbano, que talvez tenha, até, prejudicado o filho. Mas o dono era ele e fez o que achou por bem!

Dalma disse...

Bom, mas enquanto os pais ( os dois ) são vivos, fazem o que bem entendem da propriedade, o que deve ter sido o caso de UTR! Provavelmente ele achava que ao filho também não faria falta!

Anónimo disse...

Em resposta à Dra HSC, estou plenamente de acordo. Só quem não conheceu UTR pode ter uma ideia contrária. Nesta, como noutras, não devemos fazer considerações de graça...como um comentador o fez.

patricio branco disse...

um importante escritor e professor universitario, uma grande figura portuguesa, efectivamente de grande simpatia e doçura no trato, no falar.
o alentejo está presente em muitas das suas obras. tambem lisboa.
desconheço se o irmão miguel, tambem escritor, que teve residencia em cuba (a de fidel castro)ainda é vivo.

Anónimo disse...

Declaração de interesse para DALMA, não sou, nem nunca fui, comunista.
Urbano Tavares Rodrigues, além de magnífico escritor, foi o mais humano de todos os muitos professores que tive. Grande, descomunal, Homem. Não estará, porventura, ao alcance de todos compreendê-lo. Mas a sua obra fica connosco, saibamos não a deixar no esquecimento, como, infelizmente, usamos fazer com os nossos Maiores.

Cumprimentos, Sr.ª Dr.ª D. HSC. Obrigado.

Pedro Silva


Vislumbra-se um pouco de UTV, nesta entrevista http://anabelamotaribeiro.pt/53707.html

Anónimo disse...

Já estão a acabar estas pessoas com estes ideiais - dar aos outros em vez de tirar aos outros.

Descanse em Paz.

Isabel BP

Anónimo disse...

oh Dalma...e...?

rmg disse...


Miguel Urbano Rodrigues está vivo e fez 88 anos fez ontem uma semana.

RuiMG

Dalma disse...

Aos leitores de HCS que não me entenderam, talvez por terem lido o que eu escrevi, como se costuma dizer, "au vol d'oiseaux".
Eu não fiz nenhum juízo de valor à cerca de UTR que sei, ser uma alma atenciosa para com o outro para lá de um grande intelectual e escritor.
Eu apenas disse, e isso aplica-se a todos nós, que "só damos o que não precisamos" e pedi que me desmentissem!

p.s.O que tem de realmente bom este blog é permitir-nos esta saudável dialéctica!

Anónimo disse...

Tenhamos DÓ Destas "Dalmas" que vivem e sobrevivem no nosso Portugal.

Que tal ler mais e escrever menos...

Helena/Cascais

Dalma disse...

Por respeito à autora deste blog, não respondo!

Anónimo disse...

O comentador ou comentadora Dalma, teria feito melhor comentar como "anónimo", já que o seu perfil como "Dalma" não está disponível na Internet.

Anónimo disse...

Deixo uma oração e lindas flores do campo,desejando que a alma romântica do Sr.Prof descanse em paz.
Á família,coragem nesta hora tão difícil.
Não sou comunista,respeito os seres humanos e a sua dor.
Encantei-me com as respostas de alguém,que encontrou no dar,uma riqueza sem igual.
Serei eu capaz de tal? Bem,para começar faltam-me as terras.
Mas,e se as tivesse?...
...a minha utopia resume-se a sonhos.

MFK

ves disse...

...uma dor dalma....!!!

Anónimo disse...

Das poucas vezes que vi esse Sr,e olhando para essa foto,se a doçura se pode personificar,então é ele.
O que ele fez com a propriedade que tinha,creio que em alguma altura da vida dele se arrependeu com certeza,a tal da velhice,da--nos em sabedoria o que nos tira em impulsividade,e pelas respostas que ele deu,nota-se isso,não nos fiquemos só pelo que falou,fiquemo-nos tmb pelo que ele calou.Ninguém se separa de um amor profundo como ele disse, impunemente e sem dor...
Fátima Duarte

maria isabel disse...

Cara Dalma

Acredite que nem toda a gente dá o que sobra. Muitas, que eu conheço, repartem do que tem. É muito diferente

Maria Isabel