terça-feira, 6 de agosto de 2013

Campo de Ourique

Confesso que Campo de Ourique é o meu bairro. Não porque viva lá, mas porque é lá que faço quase toda a minha vida: passeio, bebo a bica, compro jornais, vou à Praça, escolho pão, visito as livrarias, enfim, adquiro com gosto, tudo o que me faz falta. 
Depois é um dos bairros mais planos de Lisboa das sete colinas, tem uma mistura de gentes que me agrada, tem jardim com crianças e velhos e tem ofícios vários que já nem nas zonas antigas se encontram. Enfim, em Campo de Ourique, sinto-me em casa.
É, infelizmente uma das zonas de habitação mais cara e onde se torna difícil arranjar casa. Ao contrário da Lapa, onde grande parte das casas estão à venda, as infra estruturas são escassas, os transportes públicos limitados, e os sobe e desce das ruas se multiplicam.
O estado de conservação do que foi um bairro residencial, também deixa muito a desejar e é uma pena que a CML não mantenha pelo menos as ruas limpas e sem buracos. Tornou-se, por isso, um bairro morto, com casas lindas mas decadentes e cheio de cartazes "Vende-se". Mantém-se a mistura social, mas as chamadas boas famílias já desertaram para destinos mais atraentes.
Por acasos da vida, sempre vivi, na idade adulta, entre estes dois bairros. Num habito. No outro vivo. Mas gostava muito de ainda de poder vir a habitar e viver em Campo de Ourique.

HSC

18 comentários:

Dalma disse...

Pois, pois, há uma grande diferença entre habitar e viver!

Dalma disse...

O que a seguir escrevo não se relaciona com este post só que não consegui localizar aquele em que a HSC dizia ao Ruimg mais ou menos isto" a Alemanha vai ser a primeira a sair do Euro". Bom, hoje comprei a revista TIME (semana 5-12Agosto) que como artigo de capa traz uma posição absolutamente contrária. O artigo intitula-se "Why Germany must save the Euro to save itself" que é escrito de uma forma linear para o cidadão comum perceber a ideia que o articulista defende e que tem a sua lógica. Os entendidos em ECONOMIA, como é o caso da HSC saberão argumentar contra o que lá se escreve. Entre outras transcrições o autor do artigo transcreve uma frase da ministra do Trabalho da Alemanha e sito: "Germany is strong because Europe, not despite it"!
Que pensar quando nos deparamos com opiniões tão dispares?

Só podemos ter a atitude dos sempre conformados, encolher os ombros e dizer"deixa andar, amanhã logo se vê!"e irmo-nos distraindo com casos "Mandela".

João Menéres disse...

Então o afamado A.C. esqueceu a Lapa ?

Melhores cumprimentos.

Teresa Peralta disse...

Tem muita razao ácerca dos dois bairros. Tenho algumas amigas a viver em Campo de Ourique e vou la mtas vezes porque tem comercio mto variado e é um bairro completamente residencial. Se a Helena tivesse coragem alugava a sua casa (porque vender agora pode perder dinheiro) e assim ja pode ir viver para C. O. Nao deve deixar de fazer aquilo que lhe da prazer.
Beijinho para si

patricio branco disse...

campo d'ourique é de facto um bairro caracteristico, curioso, simpatico, não vivi lá nem quase o frequentei, mas gosto da zona. antes havia varios restaurantes goeses, não sei se ainda. tambem alguns cafés e cervejarias populares incluindo para estudantes, o canas nos anos 60 7o.
é variado o bairro, paisagisticamente, urbanisticamente, é diversificado, divide se em 3 ou 4 zonas, está entre estrela e amoreiras, perto necessidades e maria pia, é um bairro burguês, classe media, não sabia que tinha livrarias, curioso, vou ver se lá vou a uma, por vezes encontram se livros inesperados.
tem o cemitério dos prazeres, o père lachaise de lisboa, muitas grandes figuras ali estão repousando, sim, gostei de ver evocados os prazeres onde há tempos não passo, há que passar, etc etc

Isto e aquilo disse...

Mais ou menos o que conta sobre a Lapa e Campo de Ourique é válido para mim relativamente às Avenidas Novas e ao Bairro de Alavalade.
Nas Avenidas Novas vivi os primeiros vinte anos da minha vida e é onde ainda hoje me sinto em casa, apesar de o bairro estar morto e descaracterizado em relação áquela época. E as casas ali são caríssimas, tendo-se tornado mais uma zona de serviços.
Tenho, depois, uma relação de afecto muito forte com o Bairro de Alvalade, onde trabalho, muito parecida com a sua ligação a Campo de Ourique e onde também há lojas de tudo e mais alguma coisa, daquelas que já pouco se encontram...
São os encantos (e alguns desencantos) desta nossa magnífica Lisboa... :)

Beijinho
Isabel M.

Brown Eyes disse...

Também gosto imenso e se algum dia o acaso me fizesse ir viver para Lisboa, seria Campo de Ourique a minha escolha.

Mas neste momento contento-me com o subúrbio, perto de Sintra.

BE

Anónimo disse...

Naquela altura. viviamos num bairro lisboeta muito pouco chique e faziamos a nossa vida profissional e social noutros locais.
Por isso mesmo, nunca me esquecerei da noite em que um grupo de mulheres aos berros, de repente, saltou de um bar de alterne. Sem que tivessemos dado por eles, uns marginais- de outro bairro- vinham-nos seguindo pela travessa com o intuito de nos roubar.
As prostitutas espantaram-nos gritando que eramos dali, qusae da familia delas e que se eles se atrevessem a tocar-nos que levavam nos c*****s.
L.L.

Anónimo disse...

Em 1950,com 13 anos, quando vim da província para Lisboa, fui viver para Campo de Ourique. Diziam-me lá na Terra que Lisboa era uma cidade muito grande e que era necessário algum cuidado, pois era frequente os garotos perderem-se. Um dia alterei o percurso de acesso a casa e pela primeira vez vi a Serra de Monsanto ali em frente. Por momentos a situação foi dramática, pois lá estava a hipótese de me ter perdido...

Anónimo disse...

Lisboa é Lisboa! De Verão, de Inverno... Com calor ou com frio... com chuva ou sol...

É A CIDADE MARAVILHOSA!

Um beijinho
Vânia

Carlos Fonseca disse...

"(...)mas as chamadas boas famílias já desertaram para destinos mais atraentes."

Nem todas, Senhora Doutora. Afinal, a senhora ainda lá mora.

Teresa Peralta disse...

Oh Helena peço mtas desculpas pela falta de concordancia das frases neste post e no anterior. Nao volto a comentar por telefone sem colocar em pré - visualizaçao.
Um abraço

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó Carlos Fonseca eu pertenço a uma "família boa", de gente normal, que trabalha e tenta levar a vida por diante.
As "boas famílias" nasceram em berço de ouro, vivem dos rendimentos e não precisam de trabalhar para saírem para lugares paradisíacos...

Dalma disse...

Pois, o lugar do adjectivo muda o sentido da expressão! No entanto eu não dou a mesma interpretação pois já me lembra de em pequena ouvir a expressão mas sempre no sentido de famílias honradas, educadas e claro com algum de seu o que não implicava o nascer no tal " berço de ouro". Pelo menos era assim em Trás-os-Montes...

Helena Oneto disse...

Minha querida Helena,
O que nos diz da Lapa entristece-me porque foi la que nasci e vivi alguns anos. Nessa altura, a Lapa era um bairoo residencial de gente "normal". Havia de tudo, como penso, ainda ha. Se os que se vão embora são os "golden boys" que compraram caro quando a Lapa esteve na moda, nos anos noventa, ainda bem. E que levem os buracos com eles!

Campo de Ourique conheço mal. So la vou a caminho dos Prazeres...

PS: Li hoje a sua entrevista ao Jornal de Negocios. Quel panache! E coragem! como sempre! Adorei!

Tété disse...

Cheguei aqui um pouquinho tarde, mas a tempo de lhe dizer o que sinto quando a Helena diz gostar tanto de Campo de Ourique.
Querida Helena, há 63 anos que esta sua admiradora nasceu na Rua Almeida e Sousa, frequentou aos cinco anos uma pré-primária na Rua Coelho da Rocha - A Flor dos Pequeninos e foi pela primeira vez ao cinema Europa ver a Dama e o Vagabundo. Dois anos de primária no Grémio de Campo de Ourique de onde saí aos 8 anos por os meus pais decidirem ir morar para o Dafundo, visto que a casa onde nasci ser da minha avó paterna.
Houve também alguns joelhos esmurrados no Jardim da Parada. Junto às Amoreiras na Rua de Campo de Ourique viviam os avós maternos na casa que ainda hoje é habitada pela minha tia e madrinha, irmã de minha mãe.
Ando por lá com muita frequência, também faço compras, bebo café, vou às lojas chinesas e visito os familiares que têm a sorte de ainda lá morar.
Então diga lá se faço ou não parte do seu bairro de eleição?
Um grande beijinho e um dia destes tomamos um café a preceito num local de sua escolha. Vale?
Abraços

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Helena. Como eu a entendo! Vivo no deserto da Lapa e, desde há muitos anos, adoraria viver em Campo de Ourique, o meu bairro preferido de Lisboa.

joana cruz disse...

vivi em Cmpo de Ourique durante dez anos...embora,de momento,esteja emigrada no Reino Unido,será sempre o meu bairro!Foi lá que cresci,que frequentei o Grémio e a Machado de Castro,onde ia ao Canas e á Tentadora,onde espreitava da janela do meu rés do chão o movimento do Clube 81,onde ia a praça ao sábado de manhã,á Panificação todos os dias,ao Jardim da Estrela e ao da Parada também e de onde descia ,já mais crescidinha,a Calçada da Estrela e subia a do Combro para dar um saltinho ao Bairro Alto e também á Rua de São Bento para tentar tocar á campainha do 182 onde morava Amália,coisa que nunca fiz...Obrigada por me fazer percorrer tantos percusos através das suas palavras!Beijinho