quinta-feira, 25 de abril de 2013

O pior já passou

Passou o mais difícil. Fiz o que devia fazer para continuar a minha própria caminhada. O meu tempo agora é o de louvar a vida, mandando rezar uma missa no próximo dia 1 de Maio, data do seu nascimento, na Capela do Rato, às 19 horas. 
Aí celebrarei o espírito e exorcizarei a morte. Esteja ele onde estiver, baptizado e crismado que foi, há-de sorrir-me. E um dia virá receber-me quando chegar a minha hora. Até lá,  nunca mais o 24 de Abril será o dia do Miguel. Esta é a minha escolha  que conta, felizmente, com o  apoio dos meus.
Porque algumas pessoas me perguntaram pelo prémio instituído em seu nome, apenas posso informar que se tratou de uma iniciativa à qual sou alheia. O pior risco que a morte do Miguel poderia correr seria a sua mitificação. Nela eu não colaboro.
O Miguel foi um político justo, um homem bom, um parlamentar seguro, uma pessoa de convicções. Não foi um herói. E é assim que pretendo continuar a recorda-lo.

HSC

29 comentários:

Vânia Batista disse...

Pelos ouviram-me (relativamente ao comentário anterior) e fico-lhes grata por isso.

É hora de celebrar, de recordar os bons momentos. Tenho um amigo que continua a celebrar o aniversário da mãe (apesar de ela já ter falecido há uns anos). Agora tem uma neta de dois anos que quando vai ao cemitério, e vê acender as velas (continua a ser uma tradição com alguma expressão aqui no Porto) canta "os parabéns a você".
O meu amigo diz que foi aí que percebeu que o sentido último da vida é muito maior do que aquele que imaginamos.

Certamente que o seu filho lhe sorrirá: tem uma mãe maravilhosa.
Também não dúvido que corra ao seu encontro, mas ainda vai ter de esperar um pouquinho...

Pessoas boas como a Senhora fazem falta cá em baixo.

Um Jeito Manso disse...

Um abraço, Helena.

Para além do que diz, deixe-me acrescentar que o seu Miguel foi um homem que lutava pelos seus ideais com convicção, sim, mas também com muita elegância e que, além do mais, tinha um sorriso muito bonito, um sorriso que conservava a inocência.

E percebo-a muito bem: de um filho celebra-se o nascimento, a felicidade de o ter trazido ao mundo.

Um abraço, Bárbara Helena!

Fatyly disse...

No meu espaço recordei o seu filho pelo que foi politicamente falando, porque achei que sim e jamais o esquecerei mas longe de fazer dele um mito já que só relembro de quem gostei, porque infelizmente para muita gente..."quem parte vira santo" e lá vêm com as palavras, homenagens etc.
Não sei se me fiz compreender e caso se der ao trabalho de ver o que fiz e não gostar, diga pf que eu apago.

Como mãe que é respeito e entendo-a perfeitamente.

Um grande abraço

Anónimo disse...

Cara Helena,

Admiro muito a sua maneira realista de ver a vida.

Isabel BP

Clotilde faria disse...

Admiro as suas convicções, a sua forca e coragem!!!!

mjc disse...

Ainda bem que pensa assim.
:)

Maria de Sousa Pinto disse...

De facto, há que celebrar a vida, neste caso a data de nascimento do Miguel! Nunca morrem, para nós, aqueles que amamos! A sua lembrança, perdurará em nossos corações para sempre! E seu filho, que partiu para outra dimensão, estará sempre consigo porque faz parte de si!...
Não podendo assistir à missa no dia 1 de Maio, estarei consigo em pensamento!
Beijinho!

Observador disse...

Estimada Helena

Louvo-a pelo seu carácter, pela forma digna como aborda os problemas, as coisas que se vão passando em seu redor.

Como deixei prometido no 'post' anterior, lembrei-me do Miguel, de forma especial, no dia 24.

Aceite um abraço.

rui soares disse...

folgo em lê-la novamente neste blogue,e admiro-lhe a coragem e sapiência a que já nos habituou...
felicidades para a sua nova obra que espero ler me breve :-)

Alcipe disse...

Um sentimento muito amigo de compreensão. Calcula onde eu teria ido, se estivesse em Lisboa. Mas respeito muito e compreendo plenamente a sua decisão.

a) Alcipe

Anónimo disse...

Minha querida Senhora!
Bem haja pelas suas partilhas e pelo exemplo que nos dá!
Um abraço
FL

Fatima MP disse...

Helena, um abraço grande de solidariedade e toda a compreensão de uma outra mãe, de uma outra mulher.
E não, não precisamos de heróis, concordo consigo. Mas precisamos muito de homens como o seu Miguel, empenhados nas causas justas que fariam do mundo um lugar melhor (falo de causas, não de guerras partidárias), dando por essas causas, a cara e a coragem, a força e a energia dos seus melhores anos, e sempre com um entusiasmo tão genuíno e tão exposto, e por isso tão respeitado. E, claro, o charme e o sorriso eram a sua marca, mas isso você está careca de saber. Sorria à vontade, Helena, tem tudo para se sentir orgulhosa!
Beijo grande de uma antiga colega do BP!
Fatima M. Padinha

Carochinha disse...

Helena,
É tão bom lê-la e saber que há mães, mulheres, avós, assim no mundo.
Um grande beijinho*

Paula Ferrinho disse...

Cara Helena:

E assim se celebrará sempre a vida e não a morte, de facto. O que importa é recordá-lo sempre, seja da forma que for, NO MAIS ÍNTIMO E SAGRADO DO SEU CORAÇÃO e também estou segura que, na comunhão dos Santos, todos os nossos mais queridos, formam um "céu estrelado" do mais lindo que há. Esta imagem, mesmo para os não crentes, é bonita, não acha?
Um beijinho especial,

PAULA FERRINHO

Teresa Peralta disse...


Compreendo e sinto da mesma maneira. Nada melhor do que o seu dia de aniversario para “lembrar e celebrar a vida”, para recordarmos e enaltecermos aquilo que conhecemos…
Um abraço grande

Amorzinho 69 disse...

O amor de uma mãe por um filho e vice-versa caminham lado a lado....estejam onde estiverem....é eterno!!!

Anónimo disse...

Um beijinho Helena! admiro-a muito

Inês Cardoso

patricio branco disse...

toda a minha solidariedade !!

Anónimo disse...

No dia 1 de Maio acenderei uma vela, na abadia medieval aqui mais ao norte da Europa, pela HSC e pelo seu Miguel.

zia disse...

Como dizia o Principezinho "on se console toujour!".
Muitos beijinhos,
lb/zia

Tira Linhas disse...

Um dia disseram-me: só muda a forma de comunicar.


Francisca Oliveira Martins

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Minha querida Helena

Sofri um tremendo abalo, fiquei sem fala, sem movimentos, sem consciência.

A maldita ocorrência foi de tal gravidade que a Raquel chamou o INEM e o meu filho mais velho para a acompanhar nessa horrível aflição, o INEM levou-me ao Santa Maria. Se quiseres saber mais deste pesadelo manda-me um imeile com a tua morada para pormenorizar mais o que aconteceu. Muito obrigado

Um grande beijinho do

Henrique

Dalma disse...

Gostava de acreditar que um dia, numa qualquer outra dimensão, me encontraria com a minha querida avó, com o meu pai e com a Elvira "criada" da minha mãe que me mimou até aos 14 anos, mas infelizmente não acredito! Sinceramente, a HSC acredita?

Helena Sacadura Cabral disse...

Cara Dalma
É das poucas coisas em que acredito. Se assim não fosse, não teria resistido a tanta perda!

Dalma disse...

Não será que o seu acreditar é apenas ter FÉ?! É que a fé realmente não se explica... Ter fé talvez seja um dom que alguns não possuem e acredite que eu gostava de possuir!

Helena Sacadura Cabral disse...

Cara Dalma
A fé é, de facto, um dom. Não terei nascido com ele. Como, aliás, aconteceu a muitos santos. E eu estou longe de ser santa.
Decidi baptizar-me aos 20 anos, ciente do passo que dava. E em todas as minhas conversas com Deus, aquilo que sempre lhe peço, é que me dê força para esperar pela fé.
Creio Nele, como creio que sou filha dos meus Pais e neta dos meus Avôs.
Mas a fé é outra coisa. É amor incondicional por Ele. Como o que tenho pelos filhos.

Vânia Batista disse...

ter "força para esperar pela fé" que bela expressão, querida doutora Helena.

Vânia

Dalma disse...

" bem aventurados os que acreditam". Mas ELE, que nos ensinaram que é pai de todos, também o aprendi, será que o é mesmo? Como pode então tratar de maneira tão diferente uns dos outros? Porque são sempre os mais pobres a sofrer? E não falo só das catástrofes naturais...

Teresa Peralta disse...


Querida Helena
Não posso deixar em branco o dia de hoje, sem lhe enviar toda a minha energia solidária com um abraço muito apertado.