quarta-feira, 20 de março de 2013

Eça IV


“Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência.
A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e os olhos para ele como para uma Providência sempre presente.”
In “Citações e Pensamentos” de Eça de Queirós».

10 comentários:

miminhos cruzados disse...

Li os 4 excertos que publicou e é como eu digo:

É intemporal.
Tenho um apreço especial pela literatura de Eça, entre os clássicos um dos maiores.

Gostei muito.
Um beijinho,
Vânia

rmg disse...


Leio "Uma Campanha Alegre" , a parte de "As Farpas" escrita por Eça de Queiroz , de 10 em 10 anos .

Comecei aos 25 portanto acabei agora de a ler pela 5ª vez .
É um exercício imprescindível para compreender que Portugal e os portugueses não mudaram nada em 140anos .

Penso é que muitos dos meus compatriotas só querem ver nestes textos "os outros" e não lhes passa pela cabeça que eles próprios também lá estão .

RuiMG

zia disse...

Eça continua a ser actual!
Ou este nosso país continua no século desanovo!
Beijinhos e feliz Primavera, (malgré o desastre de governo e de povo que o colocou aí...)
abraço.
lb/zia

Maria disse...

Actual quanto baste.
Grande Eça! Nestes 140 anos (+ou-) não aprendemos nada.
Obrigada pelos excertos.
Cptos
Carmen

Mil novecentos e onze disse...

Caríssima Helena,

Somos um grupo de alunos do Instituto Superior de Economia e Gestão está a trabalhar com o objectivo de criar um jornal económico e cultural, de distribuição gratuita, dirigido à nossa comunidade escolar. A publicação intitulada 1911 contará com o contributo de alunos, docentes e investigadores do nosso instituto bem como com a participação de actores económicos, empresários, empreendedores e agentes culturais de relevo no cenário nacional. Admiradores do seu trabalho, gostaríamos de contacta-la por um meio mais pessoal para explicarmos mais profundamente a essência deste jornal e se interessada falarmos sobre a sua possível colaboração.
Fica aqui o nosso e-mail: milnovecentoseonze@gmail.com

Pedimos desculpa por tratarmos deste assunto no seu blogue, mas não encontramos outra forma de a contactar. Agradecemos desde já a sua atenção.
Respeitosamente,
A equipa 1911

Anónimo disse...

EQ vale sempre a pena ler e reler, concordo e adoro.
Contudo a faceta lusa de jogar fora do baralho pode ser positiva. Por exemplo: os americanos -com o Carlucci ao comando- os ingleses e varias outras nacionalidades, preparavam uma saida organizadissima dos seus compatriotas em 1974.
Prediziam uma guerra civil. Sei-o pq tenho um passaporte estrangeiro e apareceu em nossa casa um alto funcionario de uma embaixada.Como eramos menores apenas nos foi dito que deviamos dizer aos nossos pais onde estavamos a toda a hora.
Poucos paises teriam militares a desobedecer daquele modo aos seus superiores.
Os portugueses tb sabem rebentar, quer lenta quer rapidamente, as correntes que os oprimem!

patricio branco disse...

bom eça, que tocou nos bons e maus vicios do país como poucos.
mas aqui o reverso da medalha tambem é verdadeiro pois temos tido governos que olham para tudo com olhos intervencionistas, vigilantes, quanto ganhas para ver quanto te posso tirar, deixando muito pouco espaço para a boa iniciativa individual, condicionando-a permanentemente com leis laborais, fiscais e doutras formas.

Anónimo disse...

Li os 4 textos e verifico que lamentávelmente nada mudou nestes 140 anos, nada se aprendeu e quase tudo se repetiu e agravou.
Mas calma que o Sócrates vai voltar para um espaço de entrevistas na RTP já em abril a custo zero, como se nada fosse!Que ridiculo!

FL

Anónimo disse...

Na verdade nada aprendemos. Agora como há 140 anos. A culpa só pode ser de todos nós. Esta é a nossa sina!.

rmg disse...


O meu acordo total com Patrício Branco , muito em especial com a maneira como a iniciativa individual é condicionada entre nós e aqui nos trouxe.
E não só pelos governos pois a inveja e a mesquinhez do vizinho também pesam aí (Eça também falou nisso bastas vezes).

Quanto ao anónimo das 08.38 , que decerto se refere aos militares portugueses que se revoltaram em Abril de 74 , só posso lembrar que essa revolta só foi possível porque as Forças Armadas da altura estavam fartas de uma guerra colonial sem fim e sem sentido e cheias de oficiais milicianos altamente politizados e que nada tinham a perder (muito pelo contrário) .

Sei do que falo porque estava lá , estive lá 3 anos da minha rica vida mas bem valeram a pena.

Não é de todo o panorama actual nem nós estamos numa Europa hostil às nossas políticas como era o caso à época .

RuiMG