segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Quais reformas?

Queixam-se de lhes estarmos a pedir um esforço muito grande”, disse Passos Coelho em Penela, considerando que esses reformados e pensionistas “descontaram para ter reformas, mas não para terem aquelas reformas”.
Quais "aquelas" Senhor Primeiro Ministro? Aquelas cujo valor está acima dos 1350 euros e que o Dr. Passos Coelho considera altas? Ou são aquelas tidas por quase obscenas?
Convinha que o Senhor Primeiro Ministro deste país fosse mais explícito ao tratar destes temas, para que uma grande parte dos portugueses não se sentisse ultrajado com este tipo de afirmações.

HSC

28 comentários:

Anónimo disse...

Minha cara Dra. Helena
ULTRAJADO é o termo !!!!!
Rosa Maria de Sousa

miminhos cruzados disse...

Porque será?

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=2952431&utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook

Anónimo disse...

Começamos a perceber que o Primeiro-Ministro (PM) não suporta mesmo os reformados! Sobretudo quando estes, mercê de décadas de trabalho, tendo efectuado todos os descontos obrigatórios para a Segurança Social, passaram a receber uma pensão de reforma, contratualizada desde o início da sua vida activa. Normalmente, é de 80% da média dos vencimentos mensais que constituem a base de incidência para o cálculo, se tiver 40 anos de contribuições. A razão de ser dessa sanha anti-reformados não se entende para quem está de boa-fé. Além de injusta, é absurda, no mínimo. Possivelmente o PM, ao longo da sua vida político-partidária, encontrou muitos "turbo-reformados", isto é, pessoas que obtiveram pensões ou subvenções vitalícias (?) ou algo análogo, após meia ou uma dúzia de anos em cargos políticos e/ou de gestores públicos, de nomeação política, que obtiveram reformas ao cabo de um ou dois mandatos desempenhados. Obviamente, como a esmagadora maioria das pensões da Segurança Social são de trabalhadores que tiveram remunerações baixas ao longo da vida, consegue-se passar a ideia de que as "pensões milionárias", termo tão do agrado do Governo, são resultado de benesses do Estado e suscita-se a inveja de quem está a receber o que lhe é devido pelo muito que pagou para o efeito. Dantes chamava-se a este tipo de discurso DEMAGOGIA!
José Honorato Ferreira

Paulo Abreu e Lima disse...

Helena, "basta fazer as contas". Imaginando uma carreira contributiva de 40 anos, somando todos os descontos, fazendo a correcção monetária, ou a sua capitalização, nenhum montante de desconto daria para pagar mais de 10 anos de reformas. O problema é que as pessoas faziam os descontos, queixavam-se, e nem sequer faziam contas quanto ao que os mesmos poderiam valer...

Quer fazer contas comigo?

Alcipe disse...

Muito bem, Helena!

João Pinto disse...

Nós até sabemos quais são os 4 ou 5 principais destinatários da atoarda. Mas esses rancores não devem ser dirimidos em público lançando mais combustível para uma fogueira já tão alta e atiçada por um PM que insiste em criar clivagens na sociedade portuguesa, lançando novos contra velhos e público contra privado. Se há alguns que descontaram muito pouco para receberem agora altas pensões (e nós até conhecemos bastantes), também há aqueles que descontaram para fundos de pensões, que estavam provisionados para pagarem 14 prestações anuais, foram nacionalizados para servirem o país, permitindo que se cumprisse o défice nesses anos e quando foram integrados na CGA, ficou outorgado em escritura pública que esses direitos estavam garantidos pelo Estado, que agora lhes retira duas pensões por ano e lhes corta o restante a seu bel-prazer. E há quem lhe chame "Estado de direito"...

Maria disse...

Eu tenho pesadelos quando ouço este Senhor.
Cada melro cada tiro.

Landa disse...

Concordo com cada palavra sua
Landa

Anónimo disse...

pedir clareza a quem não tem vergonha de sair por aí a difamar quem trabalhou e que agora vive/sobrevive da sua reforma é pedir o impossível, além de se fazer autista é mal formado, sem respeito pelo próximo, e... etc...
não sei ser conformada!!!
um abraço,
lb/zia

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Paulo
Antes de mim já o Prof. Bagão Felix fez as contas.
No tempo de Socrates apropriaram-se do Fundo de Pensões da PT.
Este ano foi o da Banca. Para o ano outro será.
A ilicitude tem sido a norma num Estado que se diz de direito. Começamos a estar fartos!

Um Jeito Manso disse...

Olá Helena,

Palavras directas e justas as suas.

Lá no meu canto, acabei de escrever também um desabafo e um grito de revolta (especialmente em nome dos meus pais, reformados honestos, como o são a esmagadora dos reformados).

O que as pessoas recebem de pensão de reforma resulta de cálculos actuariais que têm em linha de conta uma série de factores. É à entidade gestora dos fundos que incumbe a responsabilidade por adequar os descontos às pensões. Quase acusar as pessoas de receberem mais do que devem é injusto e, sobretudo, demasiado estúpido.

O que desequilibra fundamentalmente os fundos são as decisões políticas que directa ou indirectamente têm impacto nos descontos e nas retribuições. Por exemplo, quando se tomam medidas que desincentivam a natalidade e afugentam os jovens está-se a dar sérias machadadas nos fundos.

Mas esta é matéria talvez complexa demais para uma pessoa que revela toda a espécie de défices (de compreensão, de sensibilidade, de respeito pelo próximo, etc).

Passos Coelho consegue enervar quase todos os portugueses. A mim, pelo menos, enerva-me cá de uma maneira...!

ERA UMA VEZ disse...

Às seis da manhã era completamente noite e havia muita geada na rua.
Eu tinha dez anos e menos de vinte quilos. Saía de casa com a minha pasta de cabedal, cadernos, livros, almoço,sombrinha, tudo junto pesava literalmente dez quilos.
Apanhava a camioneta,treze quilómetros, um jardim que ainda era uma mata, atravessava a pé e finalmente depois de tanta subida, o Liceu.
Se molhasse os pés de manhã...ficaria assim todo o dia.
Frieiras muitas. Tortura a sério e uma tosse que só passava no fim da Primavera.
Muitos rapazes no transporte... e eu no meio deles,sózinha, frágil mas destemida.

Depois, com dezassete anos, o primeiro emprego, os primeiros descontos,alunos para explicações e dois anos depois o Banco. Muitos rapazes crescidos e eu no meio deles,de novo frágil mas destemida. Deve ser sina.

Foram mais 35 anos de descontos, muita luta, muito objectivo cumprido, casa construída com muita poupança, muito suor, filhos a crescer cheios de projectos, poemas adiados,doenças traiçoeiras.
Quantas vezes frágil mas fazendo das fraquezas forças.
Não lamento NADA.

Tentei dar o meu melhor.
Um dia seria altura de parar o ofício mas não pensava muito nisso.

E então chegaria o tempo de escrever, meditar, compartilhar, jardinar... Trabalhar sempre, mas criando livremente
Nada mais justo.Contas certas.

Tantos como eu. Com muito maiores sacrifícios, com maiores dores,chegaram aqui e ouviram finalmente este fantástico ELOGIO
do Sr. Primeiro Ministro.
Andava ameaçando há muito tempo...lá isso andava.

Se nada tem para nos dar,se se dá o direito de subtrair todos os dias, ao menos tenha respeito. É o mínimo.

Alguém diz a este homem que grande parte destes "ingratos reformados" são a grande Segurança Social deste País?
Sustentam discretamente filhos a quem deram cursos superiores, pagam a escola dos netos, tratam a custo dos pais idosos.

Há dois anos atrás dei comigo a sentir alergia à voz do Sr.Sócrates.

Depois tive alguma esperança.
Verdade.
Voltei agora a sentir igual "BROTOEJA".
Insuportável.
Pior que as velhas FRIEIRAS da infância.

J U R O!!!

Ontem, despedi-me da Câmara Clara, do Estado de Graça, a RTP a esvaziar-se...
Hoje fala-se da TAP...adivinha-se o canto do cisne.

O País envelhece sem dignidade.

Está aí alguém???




Hélia Cruz disse...

Cara Helena,

Subscrevo totalmente o que escreveu, para além do comentário sobre este tema.
Não tenho palavras para descrever os cortes a que têm sido sujeitos os pensionistas deste país bem como o que está na forja para os futuros reformados.
Sempre com amizade.

Paulo Abreu e Lima disse...

Helena, não me costumo respaldar na opinião de "Senadores" - quase todos, senão todos, contribuiram para que estejamos agora a discutir quantas migalhas de reforma nos podem vir a calhar. Critico quem nos mentiu sistematicamente quanto à sustentabilidade desta SS; quem nos andou a calcular fórmulas com bases irrealistas e quem mais e melhor delas se aproveitou. Não é preciso ser o Medina Carreira para, com um lápiz na mão, perceber que todos aqueles que hoje têm 55 anos para baixo irão receber uma reforma miserável. Aí, quero ver quantos dos "Senadores" levantam a voz contra a tributação das suas (deles) reformas.

Separando questões pessoais (sei-a amiga do Prof. Bagão Félix), não foi precisamente Bagão Félix que apropriou o Estado de parte do Fundo de Pensões da CGD...?

Ana Andrade disse...

Não percebo porque é que ninguém perguntou ao PM se ele acha que as pessoas não descontaram em 40 anos o suficiente para as reformas que têm, como é que ele justifica que os deputados consigam em apenas 8 anos descontar o suficiente para a subvenção vitalícia que depois gozam durante 30 ou 40 anos

Carla Isabel disse...

Não convém, Helena, que eles sejam explicitos...porque quanto mais falam mais se enterram assim ficam-se nas meias tintas...é o pais que temos, ou direi os politicos!

Fatyly disse...

Mas alguma ele foi explicito? subscrevo inteiramente a sua indignação porque "nas obscenas" não tocam eles!!!!

Anónimo disse...

Eu acho que Passos Coelho está cada vez mais imbecil. O pior é que temos de gramar com a sua imbecilidade

Helena Sacadura Cabral disse...

Minha querida ERA UMA VEZ
O seu retrato foi o meu.Tomava, com 15 anos, o eléctrico dos operários às 7 da manhã - porque o bilhete de retorno era gratuito - para a Faculdade. Estudei com bolsa de estudos e fui a melhor aluna do meu curso e do ISCEF. Desde os 13 anos que dava explicações para não ter de pedir nada ao meu Pai que não via com bons olhos o meu desejo de ser doutora. Acabei o curso a 17 de Julho e a 29 começava a trabalhar. E até hoje nunca mais parei. No Estado onde depois de 18 anos de trabalho me pagam menos de 300 euros que entrego integralmente ao Banco de Portugal, apesar de saber que outros não o fazem. E a pensão que recebo desta instituição é quse metade daquela a que teria direito se um antigo governador não tivesse deixado um grupo de cerca de 100 pessoas sem serem reclassificadas.
Falo alto porque tenho esse direito. Exactamente como a minha amiga faz com o mesmo direito. Isso ainda não nos tiraram...

Anónimo disse...

Subscrevo este seu Post assim como os seus comentários e os de muitos outros. É um grito de revolta, este seu Post. Bem oportuno. Sabe, á medida que o tempo vai passando (e ainda não passou assim tanto desde que este Governo tomou posse), começo a convencer-me que há ali, naquelas duas (ou mesmo três ou quatro cabeças, se juntarmos o Moedas e o Relvas), Passos e Gaspar, algo disfuncional, algo psicopático, a necessitar de um qualquer tratamento psiquiátrico.
Esta raiva contra os reformados, contribuintes, pensionistas, função pública, privados, empresas, consumidores, etc, que vai, gradualmente, espatifando este tristíssimo país, politica,economica e socialmente, é coisa já de gente psiquicamente a precisar de ser internada, com carácter de urgência, num qualquer Júlio de Matos, ou Conde Ferreira.
As contas quanto á S.S poderiam, é certo, ter sido mais bem feitas e esta matéria melhor assegurada, de há uns anos a esta parte, mas a culpa não é, nem pode ser assacada aqueles que descontaram para ela. Existiu um compromisso entre quem descontou e o Estado. Que não deveria ser desrespeitado. Mas está, com este governo, a ser, como tudo e todos aliás. Curioso que o governo ataque quem tem uma pensão, ou salário bruto acima dos mil euros e poupe nos prémios dos grandes accionistas, no IRC da Banca, etc.
Esquecem-se muitos dos detratores da tal S.S (e defensores, ou “desculpadores” destas medidas gritantes) que o mesmo Estado veio a comprometer-se, e de forma muito elevada, junto de instituições internacionais, para salvar a Banca, ou seja para a resgatar, com recurso aos contribuintes, onde se incluiem os tais pensionistas, que não são responsáveis pelo estado em que se encontra a dita Banca.
Muitos países nesta Europa onde nos situamos mantêm regimes de S.S bastante abrangentes e justos e não vejo os seus governos a querem atentar ou destruir esses mesmos regimes. Têm, para com os seus pensionistas um respeito que Passos e Companhia não têm. Para este inqualificável governo, pensionista ou reformado é igual a descartáveis. Talvez porque sabem que pelo menos as suas vidinhas futuras estão bem asseguradas, pois trataram de as acautelar antes de ingressarem no governo.
Esta cruzada anti pensionistas e tudo o mais, um dia destes ainda vai acabar mal. Quer-me cá parecer.
P.Rufino

Anónimo disse...

Dra Helena, curto mas grande no efeito, que se pode medir tambem pelo numero de comentários, o seu post. Muito se tem falado sobre reformas, algumas indevidas. Há aquelas que se consumaram com media dúzia de anos e fcam para toda a vida. Todos nós sabemos quais são. Porque não fazem uma lei para acabar com êsses privilégios, ao invés de mandar esta "bocas"? Mas digo mais, comece por retificar êsses casos e não atacar quem toda a vida cumpriu o contrato...

Alcipe disse...

272 000 reformas milionarias?!!!

João Pinto disse...

Gostaria de recomendar ao Sr. Paulo de Abreu Lima, a leitura do meu "post" de 20/11 no blogue "lusofilia-corrosiva.blogspot.pt", com o título "As contas de Miguel Sousa Tavares". Estão lá as contas que fiz sobre os descontos para a reforma, que na minha perspectiva são suficientes para pagar as pensões aos portugueses que fizeram os seus descontos.
Cumprimentos

João Pinto disse...

Muito bem "Era uma vez disse". Revejo-me em muito do que diz. Também eu comecei cedo. Terminei o curso de magistério primário com 17 anos, na altura o professor formado mais novo do país. Esperei pelos 18 para poder leccionar. Fui colocado a 100 Km de casa, no meio de um pinhal na Mata do Urso, concelho de Pombal, num lugarejo sem acessos, sem electricidade, sem água canalizada, a dar telescola, em televisores que funcionavam com um gerador a gasolina financiada pelo professor até ao final do ano lectivo... O acesso era um caminho de terra batida, com 5 Km desde a estação da CP de Louriçal. A seguir, fui para a Marinha Grande. Percorria 80 Km diários, para cada lado, 160 no total, numa "lambreta", debaixo de chuva e frio de enregelar, para estar no local de trabalho às 8h25m. Nunca faltei um único dia, nem cheguei atrasado sequer. Farto, desisti e fui para um banco, também. Fiz os meus descontos para o fundo de pensões, que foi nacionalizado pelo Dr. Bagão Félix. O fundo estava provisionado para pagar 14 vencimentos por ano. Foi integrado na CGA, cumprindo a patriótica missão de permitir ao país cumprir o défice de 3% nesse ano. Ficou estabelecido por escrito que as condições e os benefícios do fundo seriam escrupulosamente cumpridas pela CGA. Hoje os seus beneficiários, estão espoliados em dois vencimentos anuais, como todos os outros, e a ser vítimas dos mesmos cortes que o governo decide efectuar quando precisa de mais umas verbas para tapar uns buracos. Mas quem tira licenciaturas em universidades privadas aos 37 anos, começa a trabalhar no conselho de administração de empresas e nunca fez nada de substancial na vida, pode entender alguma coisa disto? Também eu já não podia ouvir a voz de Sócrates, provocava-me uma reacção alérgica imediata. Este já vai pelo mesmo. E a sina que refere, é a sina de Portugal estar entregue a gente desta, e aquilo a que chamam "a nossa democracia" se limitar a dar-nos a escolher entre o incompetente A e o inútil B. E um de entre os dois, alternadamente, se encarregará de destruir o que ainda resta desta pobre terra.

Observador disse...

Estimada Helena
O que poderei acrescentar ao que a senhora e os comentadores disseram?
Pouco ou mesmo nada.
Apenas uma questão: será que o senhor primeiro ministro conhece o termo 'ser explícito'?

Desejo-lhe um feliz Natal.
Cumprimentos

Blondewithaphd disse...

Exacto!!

Anónimo disse...

O que tem o Governo a ver com a Segurança Social?.
A Segurança Social é financiada pelos trabalhadores de forma autónoma onde os Governos, todos os governos desde sempre gostaram de ir "petiscar"
Veja-se a desagregação dos descontos da Segurança Social:
Doença 1,41%
Doença Profissional 0,50%
Parentalidade 0,76%
Desemprego 5,14%
Invalidez 4,29%
Velhice 20,21%
Morte 2,44%
TOTAL 34,75%
O Governo ao tocar (roubar) na minha reforma está a tocar num dinheiro que não lhe pertence.
Se alguém tiver dúvidas consultem o relatório da Segurança Social disponível no Site.
Com excepção de Outubro de 2012 sempre a Segurança Social foi excedentária.
JCM

patricio branco disse...

afirmações misteriosas, que quer dizer ou não dizer, pois explicar com casos e numeros isso já não faz, lança ao ar uma ideias que é o mesmo que dizer lançar confusão, poeira nos olhos, sim, não concretiza e as piores afirmações são as enigmaticas, pois servem para tudo e para nada.