quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Saque fiscal


"Colocar no utimo escalao do IRS pessoas com rendimentos acima de 80.000 euros significa falsear completamente a progressividade do imposto sobre o rendimento. Decidido a fazer um saque fiscal a todos os cidadaos, o Governo nem sequer hesita em qualificar como ricos pessoas de rendimentos medios. Sinceramente, acho que ja e tempo de este Governo se ir embora. Para equilibrar o defice, subindo continuamente os impostos, um simples contabilista chegaria. De um verdadeiro governo, exigir-se-ia muito mais".

Luis Menezes Leitão colocou hoje este post no blogue Delito de Opinião, que me permito reproduzir, porque de algum modo ele reflecte uma visão governativa preocupante. 
Mas o que verdadeiramente interessa, o cerne da questão, o dolo, não está, infelizmente, no escalão acima dos 80000 euros, embora se possa considerar que definir esta importância como patamar de um homem rico seja, no mínimo, caricato. 
O projecto, se é que me lembro, era reduzir dois terços no lado da despesa, não era? Pois "era". De facto, neste país, já nada é...
Que fatalidade!

HSC 

14 comentários:

Vânia Edite Batista disse...

Eu já começo a não saber o que pensar: Eu não concordo com os post que reproduziu porque acho (ou achava, já nem sei bem) que este governo está a esforçar-se por reequilibrar as contas do Estado, sempre gastamos muito mais do que o que deveríamos e claro, isso algum dia ia calhar mal. Basta ver que o exemplo das SCUT's: um bem que apenas alguns usufruíam e era pagos por todos (e eu conta mim falo que faço bastantes viagens longas, não tantas como as que gostaria mas isso são "outros quinhentos").

Confesso que me irrita um pouco todas estas manifestações e greves e formas de protesto (como aconteceu com aquelas duas senhoras no passado dia 5 - embora celebrar o dia da Implantação da Républica à porta fechada tenha deixado transparecer a ideia de que este governo exclui e ignora os cidadãos, mas enfim, não consigo adivinhar o que ia na cabeça de quem preparou a cerimónia)

Mas não concordo definitivamente com a execução de um novo processo eleitoral: este governo está a ser duro porque até agora fomos demasiado "esbanjadores". Este governo, a meu ver, está no caminho certo (talvez de uma forma bastante radical, mas a verdade é que os responsáveis pelo 25 de Abril também foram radicais e também causaram tempo de instabilidade para que todos vivêssemos tempos felizes (que, acredito, voltarão). Sem contar com o facto de que novas eleições originaria, mais gasto supérfluo com tudo o que é necessário ao processo eleitoral.

Talvez o mais sensato fosse mesmo a criação de um Conselho de Séniores, formado por pessoas competentes e com conhecimento suficiente para apresentar outros rumos, mostrar e abrir outras possibilidades. Isso sim, seria uma boa medida: novas eleições, a meu ver, não.

É esta a minha opinião.
Vânia Batista

Helena Sacadura Cabral disse...

Cara Vânia
O Dr Gaspar pode ser um óptimo técnico. A sua carreira demonstra-o. Mas até agora os seus cálculos e previsões foram totalmente gorados.
Desde a assinatura do Memorando da Troika o mundo mudou e Portugal também. É preciso discutir e refazer o acordo assinado. A maior prova disso é o reconhecimento público por parte do FMI do seu erro. Eles erram, nós pagamos e não contestamos?!

DL disse...

Este governo corta com todos os compromissos que assumiu mas a única coisa em que não corta é nos compromissos com as PPP. Forte com os fracos e fraco com os fortes (e "amigos"). Um governo de uma imensa cobardia política.

Maria disse...

Olá minha querida Drª Helena.
Concordo inteiramente consigo: "(...)neste país já nada é..." o que era! (digo eu!).
Qual reduzir a despesa! Então e as mordomias? Veja-se o que o grupo parlamentar de um determinado partido fez com a sua frota automóvel.Eu também me apetecia trocar de carro (já tem 8 anos)mas não dá... Mas os senhores até dizem que poupam nas despesas trocando um BMW por um AUDI. Devem pensar que os portugueses são ignorantes. E o que mais choca é a desfaçatez com que o fazem e com a cara sem vergonha como o dizem publicamente. Andam a gozar com a nossa cara.
Isto assusta-me, porque há dias ouvi na comunicação social um militar dizer que "as revoluções não se avisam". Talvez tenha passado despercebido a muita gente mas eu fixei e fiquei mesmo muito apreensiva. Até por que, não é por acaso que todo o governo anda com guarda pessoal permanente.
Que Deus ilumine o MUNDO em geral e a mente destes políticos "IMPOLUTOS"???????!!!!!
Desculpe o meu desabafo, mas eu também sou um bocado terra a terra e não sou mais aqui por respeito à SENHORA!
Maria

Raúl Mesquita disse...

Cara Helena:

Realmente, considerar €80.000/annum o limiar da riqueza é um ultraje! Quem ganha 300.000 paga o mesmo escalão de IRS! Que vergonha! Concordo em absoluto consigo. A situação é tão grave que "é tempo deste governo se ir embora".

Raúl.

Vânia Edite Batista disse...

Sim, tem toda a razão, Drª Helena.

Hélia Cruz disse...

Cara Helena,

"Há imagens que valem mil palavras"
esta é seguramente uma delas.
Obrigada por mais um excelente post.

Um abraço.
HBC

Soledade Silva disse...

Concordo inteiramente com a Drª Helena.Ainda bem que aqui vai continuando a escrever!

Carlos Fonseca disse...

Excelente post. Ainda por cima porque não haveria muita gente na sua posição que tivesse a inteireza de carácter para escrever este texto, que é, de resto, coerente com outros escritos seus, recentes.

Nem sempre estou de acordo consigo (em boa verdade tenho dias em que discordo até de mim próprio), e já por duas ou três vezes manifestei a minha discordância. Mas, de um modo geral, admiro a sua escrita, bem como a sua lucidez.

Parabéns.

Anónimo disse...

A minha ideia de rico é a de alguém que não tem de viver do esforço do seu trabalho, que não depende do seu salário para pagar as contas do dia a dia, que vai de férias quando quer sem pedir nada a ninguém. Eu trabalho mais que o normal, estudei mais que o habitual e os tais 80 mil dão para educar sozinha 3 filhos e viver o dia a dia. De impostos pago o máximo (que é quase metade do que virtualmente recebo), de propinas/mensalidades de escola/universidades mais Cambridge school uma fortuna, e férias, faço em casa da família. Rica seria se não trabalhasse 60 horas por semana em 2 empregos para receber um salário líquido que é metade do que dizem ser. Isto não é mais do que um roubo descarado. Estou revoltadíssima.
~inês

Fatyly disse...

Subscrevo inteiramente e isto é gozar com quem trabalha e bom no que faz em prol de com uma cambada abrigado pelo compadrio...que se irá safar.

A meu ver...irá ocasionar a fuga ao fisco...ganha-se menos...e o resto é por debaixo da mesa!

Anónimo disse...

Num horizonte de telenovelas, vivia a classe média com o seu dinheiro de plástico. Do alto dos seus saltos vertiginosos, maquilhada e vestida como os famosos 'sem obra', a classe média parecia estar sempre a deslocar-se para festas, mas afinal ia ao Centro Comercial comer fast food. Num mundo de faz de conta, com o seu jetset, sem jet nem set, pagava a sua casa, as suas férias, o seu vestuário, o seu carro, os estudos dos seus filhos, com o seu dinheiro de plástico. Este rebentou como um balão e tudo regressou ao doloroso real, onde os discretos ricos são protegidos, porque os neoliberais acreditam que são eles quem cria postos de trabalho.
Os pobres são vistos pelos neoliberais como feios, porcos e maus, chopistas e culpados da sua pobreza. Não têm glamour.
Quem são os ricos? Cabem neles as grandes heranças, os que enriqueceram com o seu trabalho e a sua inteligência, os que enriqueceram através da corrupção, do conluio e do favorecimento?
MM

Anónimo disse...

Muito boa tarde! Estou à dias para lhe perguntar uma coisa.... Soube no outro dia que o bloco de esquerda quer legalizar o consumo de canábis para uso próprio. Eu sei que isto nada tem a ver com este post mas gostaria de saber se a Senhora esta de acordo ou não.
Beijo

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro/a Anónimo das11:45
Há muito tempo que o BE levanta esse problema.
O que eu penso? Se for para eles consumirem, que consumam...