quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Passemos aos States

Uma das únicas vantagens de se andar irritado é não querer pensar no objecto da irritação, para não se começar a partir a loiça em casa ou a tratar mal os que nos são próximos. 
Assim larguei a tv nacional e neste lugar em que me encontro decidi assistir a outros debates televisivos. Apanhei o de Obama e Mitt Romney e, quando o mais natural seria mudar de canal - farta de de(bater) ando eu -, deu-me um ataque de masoquismo e fiquei por ali.
Não sou Obamista. Não reconheço ao homem que ganhou o Nobel da Paz como se fosse um ministro que eu cá sei, grandes qualidades para além de ser um excelente tribuno. É pouco para presidir aos destinos de um país como os EUA. Sabe discursar mas, na prática, não lhe vislumbro nem na política interna nem na externa grandes decisões.
Mas Romney está muito longe de me convencer. Talvez por isso fui ficando a assistir, crente que estava de que o actual Presidente desfaria o outro candidato.
Pois foi o contrário. Obama de olhos no chão, esmorecido e sem chama, pareceu-me desaparecer perante a energia de Romney. Uma surpresa.
Eu sei que os debates televisivos na América são, sobretudo, uma forma de espectáculo em que nem sempre o conteúdo é o mais importante. Nem sei se os debates lá servem para convencer o eleitorado. Cá não servem. Mas que me surpreendeu ver Obama derrotado num ringue político. Isso, devo confessa-lo!

HSC

6 comentários:

Anónimo disse...

E Romney que entende que os aviões deveriam permitir abrir as janelas!!!
Tão ilustres e cultos são os candidatos a presidente dos EUA!!!

Anónimo disse...

obama ou romney para os states vai ser uma luta até haverem resultados! pessoalmente o obama sempre é mais humilde, but God knows...
beijinhos,
lb/zia

Anónimo disse...

Não podemos ignorar que Obama é um símbolo, tal como Lula é um símbolo.
Em Portugal nunca seriam eleitos, independentemente de terem qualidades.

Anónimo disse...

A mentalidade portuguesa não tolera e valoriza Obamas e Lulas mas mesquinhamente engendra Relvas e aplaude Isaltinos.

António Pedro Pereira disse...

Permito-me discordar, quer da Helena, quer do 1.º Anónimo.
Helena, durante o mandato de Obama foram criados 4,5 milhões de empregos (pouco mais de metade da meta por ele estabelecida), mas ainda assim foi cumprida quase 60% dessa meta, não foram destruídos empregos como cá, na Espanha, Irlanda, Itália, Grécia, etc.
E a General Motors, qual ícone dos EUA, foi salva por acção directa do governo federal e empenho pessoal de Obama.
E os EUA têm uma dívida pública astronómica, muito maior percentualmente do que a nossa, mas têm moeda própria e, por isso, política cambial.
Aí é que está a raiz dos nossos problemas, foi após a nossa entrada no euro (moeda forte criada à semelhança do marco, por imposição da Alemanha, que está ajustada às economias de alta produtividade do Cento e Norte da Europa, não aos países do Sul) que nós perdemos competitividade e passámos a ter crescimentos irrelevantes.
Isto pesou muito mais nos nossos défices e na dívida pública do que as PPP e as obras públicas, com a economia a crescer 3 ou 4 não teríamos estes problemas.
Portanto, não avalie o Obama pela sua simpatia ou antipatia política mas pela obra.
Quanto ao Anónimo, o Romney disse aquilo a brincar. A única jornalista presente, que depois veio transmitir aos seus colegas o que lá se passou, é que omitiu esse facto, o que originou todo este escárnio a partir do que ele não disse. Mas é assim, vivemos no tempo dos «sound bites», é preciso criar «factos» mediáticos para vender notícias (falsas).

Observador disse...

Não é cedo. Para as eleições estamos a cerca de um mês, se não estou enganado.
Se com Obama os EUA valem 4, numa escala de 1 a 5, Roomney vale 0.

Os debates são necessários e 'obrigatórios'. Mas deles não se retira conclusão alguma.

Não esqueçamos que o sinal de 'V' vem, igualmente, de organizações externas.

Por mim, Obama deveria cumprir o segundo mandato.

Cumprimentos