quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Nem mais...

Como a irritação tolda o raciocínio e eu estou irritada, sirvo-me do post de hoje do Rui Rocha, no blogue colectivo Delito de Opinião, porque as palavras dele dizem melhor, o que as minhas iriam dizer. 

"Senhor Director de Recursos Humanos,

Na sequência da comunicação de ontem do Sr. Ministro das Finanças, permito-me sugerir a V. Exa. uma alteração de procedimento que, estou certo, em muito beneficiará a produtividade da nossa empresa em matéria de processamento de salários no ano de 2013 e, muito provavelmente, em todos os que se lhe seguirem. Vª. Exa. verá. A empresa, como bem sabe, insiste em processar as remunerações em cada um dos doze meses do ano. Dá-se, em consequência, ao incómodo de desenvolver um conjunto de tarefas administrativas, como a emissão de recibo, a transferência do valor líquido para a conta bancária, a retenção na fonte do imposto sobre o rendimento, a cativação da contribuição para a segurança social e a entrega aos competentes departamentos do Estado de tais importâncias. Ora tudo isto parte de um lamentável equívoco. Está a empresa convencida que me deve pagar como contrapartida do meu trabalho. Nada mais falso. Embora não saibamos qual a dimensão exacta da coisa, a verdade é que a maior parte dessas remunerações são do Estado. Percebo que o que afirmo possa provocar-lhe algum espanto. A questão percebe-se melhor com uma imagem. Tomemos a remuneração anual como se fosse um bolo. Corte V. Exa., sem grande preocupação de rigor, uma fatia que não ande longe de nove catorze avos. Pronto? Muito bem. Tente agora entregar-me essa parte do bolo. Viu? O Estado já a abocanhou, não é verdade? É mesmo assim que a coisa se passa. Ora, sendo isto assim, como é, não há nenhuma vantagem em andarmos com esta maçada dos recibos, das transferências e de tudo o mais. Assim, melhor será que dê V. Exa. instruções aos serviços para, pelo menos até Julho de 2013, entregarem directamente a totalidade das minhas remunerações ao Estado. Depois, antes de V. Exa. ir de férias em Agosto, logo voltaremos a falar sobre o assunto. E já veremos, face às medidas concretas aprovadas no Orçamento de Estado de 2013 e a outras que entretanto venham a ser arremessadas, se é questão de alterar o procedimento. Ou se a realidade aconselha que o mantenhamos até Dezembro.

Com os melhores cumprimentos,

Rui Rocha

P.S. (salvo seja): no que diz respeito ao subsídio de alimentação, autorizo desde já V. Exa. a optar entre a entrega ao Estado ou, como me parece mais adequado, o envio directo à Fundação Mário Soares."

HSC

6 comentários:

Mar disse...

Triste realidade!

Anónimo disse...

Completamente de acordo!!!
Eu que até faço parte dos recursos humanos poupo-me a bastante burocracia!
Ironizar ainda não paga imposto pois não????

FL

João Pinto disse...

De facto, uma das soluções para não darmos todos em doidos é utilizar a ironia e o humor negro para nos irem temperando a raiva e a revolta.

Maria disse...

O que nos vale são pessoas com sentido de humor! Bem precisamos delas, neste tempo conturbado.

Obrigada por ter publicado.

Anónimo disse...

a ficarmos muito mais pobres!!!!
aconselho a que se comece a repassar receitas culinárias de modos apetitosos de confeccionar massa (podendo esta ser feita em casa...) e diversos molhos que irão substituir as protéinas; desta forma ficamos consolados e talvez os €s sejam suficientes!!!
um abraço de todo o carinho,
lb/zia

conceicaobarreta disse...

Finalmente alguém fala da Fundação desse senhor,as entranhas revoltam-se quando não os vemos a ir buscar as verbas,os euros,a essa gentalha dessas fundações essa serve para quê mais precisamente?Poupem-me.(h´fundações e fundações)