sábado, 20 de outubro de 2012

Mais uma perda


«No quarto ao lado alguém / a noite passada morreu, / provavelmente eu. / Os livros, as flores / da mesa de cabeceira / conhecerão estas últimas coisas / em algum sítio da minha alma?»

Manuel António Pina, o homem que ganhou o Prémio Camões, morreu hoje aos 68 anos. Licenciado em Direito, a via que escolheu foi a da escrita na versão múltipla do jornalismo e da autoria literária, na poesia e na prosa, ambas magníficas.
A sua obra, vasta, está traduzida em várias línguas. Tomei contacto com este homem bom, relativamente tarde e lamento profundamente a sua morte.
O ano de 2012 continua a ser marcado pelo desaparecimento de gente que nos faz muita falta. Até nisso, o país tem sido muito penalizado!

HSC

15 comentários:

Anónimo disse...

Cara Helena,

Ando muito ausente na escrita, mas presente na leitura.

Também com muita pena minha, descobri o Manuel António Pina há relativamente pouco tempo.

De facto, o ano 2012 está a ser de má memória... À crise junta-se a perda de grandes portugueses.

Com carinho,

Isabel BP

Um Jeito Manso disse...

Que tristeza, não é, Helena?

Fiquei tão triste quando soube. É certo que as palavras dele ficarão connosco. Mas não nascerão mais palavras das suas mãos e isso enche-me de tristeza.

Gaivota Maria disse...

Fui surpreendida por esta partida. Era uma homem doce, aberto, que parecia querer abraçar o mundo com as suas palavras. Um mau presente para o dia dos meus anos. Deixou-nos uma obra linda e essa ninguém nos pode tirá-la.

Vânia Edite Batista disse...

Sim, grandes perdas o país tem sofrido este ano.

Já não bastava estarmos cada vez mais pobres (economicamente), qualquer dia também deixamos de ter referências culturais.

Tive o prazer de o conhecer pessoalmente numa palestra que deu na faculdade, de trabalhar sobre algumas das suas obras e de o rever na Feira do Livro do Porto.

Que descanse em paz,
Vânia Batista

Silenciosamente ouvindo... disse...

Concordo consigo"até nisto o país
tem sido muito penalizado.Também
inseri num dos meus blogues a
notícias.
Bom fim de semana - dentro do
possível.
Bj.

Vânia Edite Batista disse...

P.S.

E se me permite, partilho.

ERA UMA VEZ disse...

Cara Helena

Ano difícil este...

Cuidado também com um filho que parece ter envelhecido dez anos...
(Um dilema do tamanho de um povo)

O abraço de sempre.

Fatyly disse...

Bem verdade e mais uma "penalização bem grande".

ERA UMA VEZ disse...

O olhar dos poetas
é profundo

desce ao centro da terra
voa sobre as montanhas
navega o fundo do mar

Duros e cruéis
são os números destes dias
precisam~se palavras de consolo
para sonhar

Quando um poeta parte
um rasto de esperança permanece
e acontece
(tem de acontecer)
sobre este presente
um demorado olhar

Anónimo disse...

Mais pobres, é isto que nos deixa muito mais pobres. Também o conheci tarde e a primeira coisa que fiz ao saber da sua morte foi envergonhar-me de não ter comprado o livro da sua poesia reunida Todas as Palavras e correr a encomendá-lo pela net. Devia tê-lo comprado mais cedo e dizer-lhe como gostava das coisas que ele escrevia. Agora já não posso.
~inês

Anónimo disse...

homem grande que nos deixou uma obra também, felizmente.
drª helena sacadura cabral tem toda a razão quanto a quantos partiram neste triste ano de 2012!
um abraço forte,
lb/zia

Observador disse...

Apenas me resta deixar o meu desejo de que descanse em Paz.

Cumprimentos

José María Souza Costa disse...

Admiravel

Helena Sacadura Cabral.
Lamentamos a morte, desse intelectual Lusitano. Possuo, do autor falecido, um livro de poesias " O caminho de casa" obra lançada em 1988. Mas, que adquirir em 1992, quando estive em visita na Cidade de Faro.
Lamentamos.
Um abraço, abrasileirado, deste outro lado do Atlântico - Brazil

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Mais uma perda para o nosso País, tão desalentado ultimaente. Um beijinho, Helena e quero que saiba que sempre a admirei muito.
mília

maria disse...

"A poesia não serve para coisa nenhuma. Às vezes serve para alimentar egos, para fazer uns engates... mas a poesia é inútil. Pelo menos como eu a entendo. É gratuita. Não se compra, não se vende - embora haja muita gente a vender-se através da poesia. De qualquer modo, por algum motivo, os homens escrevem poesia, desde sempre escreveram poesia, apesar de tudo isto. E apesar de a poesia ser uma igreja com muito poucos fiéis".

(Pina, a fechar o documentário "Um sítio onde pousar a cabeça", RTP)

ps: um senhor!!!