quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Fui nacionalizada


Acabei de ouvir no youtube o discurso do ainda Ministro das Finanças. Isto não é um "aumento brutal" dos impostos. Isto é um saque a quem trabalha, em particular aos que o fazem por conta de outrem.
Passei pela guerra, passei pelos choques do petróleo, passei pelas vindas do FMI a Portugal. Nada, absolutamente nada, se compara ao que hoje ouvi e ao que, adivinho, ainda vem por aí.
Este programa não é, não pode ser, o único caminho possível, a não ser que desistamos de ser país.
Criem um Conselho de Velhos, de Senadores, que tenham uma longa experiência de governar empresas e instituições em crise e oiçam-nos. Temo-los e de excelente qualidade. Percam o orgulho e vão busca-los, de modo a sairmos desta espiral, desta trituradora que, dia após dia, está a dar cabo de todos nós. Chega, não quero ser nacionalizada!

HSC

33 comentários:

Vânia Edite Batista disse...

Quando sairemos???

A crise já está a pro os meus nervos "em frangalhos"!

Anónimo disse...

Pela primeira vez venho dar a minha opinião. Sempre tive por si grande admiração que aumentou em muito nos últimos meses. Creia que se soubesse escrever teria escrito exactamente o que hoje li no seu blog. Tenho 80 anos, passei por tudo mas por esta situação não.
Sempre fui pacifica mas só me apetecia ir para a rua gritar
GATUNOS. INCOMPETENTES

Anónimo disse...

Sra. Dra. Helena Sacadura Cabral, "aumento enorme" como adjectivou o Sr. Ministro é aplicar a austeridade aos adjectivos. "Aumento colossal" corresponderia à realidade.

Maria Helena

João Pinto disse...

Pois eu prefiro ser nacionalizado de uma vez por todas, Drª Helena! Esta rapina sistemática, dentada a dentada, administrada sadicamente em doses cavalares, é muito mais destruidora. Apliquem uma sobretaxa de 100% de IRS; em troca atribuam-nos uma casinha de habitação social e uma senha de racionamento para uma sopa quente à noite e 200 gramas de pão escuro.Por essa altura o ajustamento deverá estar completo!!

Alcipe disse...

Um Conselho de Velhos? Só se for para a Rocha Tarpeia...

Teresa Peralta disse...


Subscrevo as alternativas que sugeriu.
Demasiado convencimento nunca deu bom resultado.. Organizem um Conselho de Anciãos!!
Ainda não percebo porque não tomam medidas radicais, idênticas, em relação à Despesa. Será que têm medo de poderes instalados e em troca vão em busca das resoluções mais fáceis? Cada vez vejo mais afastada a "luz ao fundo do túnel".
Um abraço em equilíbrio (no arame) solidário.




Maria vitória silva disse...

Não posso estar mais de acordo com a senhora. Não esperava... não esperava mesmo que a substituição da TSU desse nisto. Estou muito desiludida... como nunca estive!!

Observador disse...

Estimada Helena
Isto anda a ficar em tons de cinzento escuro.
Precisamos mesmo de um Conselho de gente capaz. Chame-se-lhe o que quisermos mas que venham já. Porque amanhã pode ser tarde.

Cumprimentos

Lelé Batita disse...

A situação parece não reverter - e as expectativas são negras. Sem esperança, o futuro afigura-se negro.
Este processo é torturante. Uma autêntica morte lenta.

Anónimo disse...

hoje aconteceu o que já contava deste governo, substituiram a tsu pelo irs e ainda se devem estar a rir do que fizeram, estão a tomar o povo por "parvo" até quando?? não consigo ser patriótica...
um abraço,
lb/zia

Um Jeito Manso disse...

Helena, Coração Independente,

A minha admiração pelas suas corajosas palavras face à situação tão difícil que atravessamos e face às suas circunstâncias pessoais.

Conhece as minhas ideias e a minha indignação. Há alternativas. Aliás, tudo isto é tão mau que não é difícil haver alternativas.

Um abraço, Helena.

Anónimo disse...

O que choca ainda mais é a frieza, quase o ar de vingança ou castigo sobre quem trabalhou a vida inteira e quem hoje está na vida activa, como se fossem esses os grandes responsáveis pelo despilfarro destes anos de esbanjamento. A sobranceria com que se trata a esmagadora maioria da população contrasta com o ar hipócrita com que se diz qua se vai procurar reduzir a despesa pública! Basta pensar nalgumas rubricas dessa despesa, como exemplos. A redução de 50 deputados, já prevista na Constituição, porque não avança? A redução de pelo menos 50% da subvenção aos partidos políticos porque não se faz? A redução drástica do uso de telemóveis por parte da Administração Pública e dos gabinetes governamentais onde está? A frota automóvel do Estado continua intocável, nomeadamente com carros para uso pessoal dos dirigentes da Administração, dos gabinetes governamentais e demais órgãos de soberania, porquê? Se a situação é tão grave, então corte-se em tudo o que não é essencial. Só desse modo a população, que está a ser alvo de autêntica extorsão de rendimentos, poderá ter algum respeito por quem se acha detentor da verdade, com base em modelos teóricos para os quais as pessoas são meros números! Não venham com os argumentos de que se trata de meros "peanuts"! A autoridade moral para se ser drástico nas medidas tem de ser conquistada pelo exemplo. Um simples cêntimo mal gasto é uma afronta para quem é obrigado a pagar os erros dos responsáveis políticos que levaram o País a esta situação.
José Honorato Ferreira

Nadinha de Importante disse...

Completo saque...paga sempre quem trabalha por conta de outrem, é uma enorme injustiça, porque eu não vejo a despesa/mordomias do estado reduzirem!!!!!!

Patrícia disse...

Eu não tenho soluções a apresentar, mas recuso-me a acreditar que elas não existem e que este caminho de austeridade brutal é o único possível.
Começo a ter muitas dúvidas acerca da possíbilidade das pessoas voltarem a recuperar a "vida" depois disto tudo. E é muito triste deixar de acreditar no meu país.
cmptos
Patrícia

Fatyly disse...

Tal e qual e sobre sempre os mesmos que não têm como fugir como muitos fazem e ainda gozam!

Fatyly disse...

Publiquei no meu espaço salvaguardando os direitos autorais como sempre fiz!

Pedro disse...

Cara Helena:
O ataque desmesurado a quem trabalha, o sufoco da chamada classe média, está, desde há muito, retratada na peça de teatro "Le Diable Rouge" num diálogo entre Colbert e Mazarin. É do tempo de Luís XIV. Transcrevo a última parte do diálogo: "Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo empobrecer. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tiramos. É um reservatório inesgotável."

Terá, este diálogo, servido de inspiração ao 'ainda' ministro das finanças?

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó Alcipe
Você percebeu perfeitamente o que eu quis dizer. Há gente neste país completamente alheada dos partidos - o cancro da nossa democracia - que o meu amigo conhece, estima e respeita, que podiam ajudar este pessoal ou outro, a pensar.
Podia citar-lhe uma dezena de pessoas que andam perto da sua magnífica idade e que ainda têm muito para dar ao país.
E se o termo Conselho de Velhos o remete para a Rocha Tarpeia, para as encostas do Capitólio, para a traição da filha ao seu Pai e para a execução pública dos criminosos que traíram o Estado, também o aconselho a não esquecer quem são os responsáveis que nos conduziram a isto e se pavoneiam, impunes, nas altas esferas da economia europeia. Ou não?!

Mar disse...

Cara Senhora, o seu "Conselho de Senadores" tem o meu total apoio... Precisamos de gente competente para nos governar... Tanto orgulho tenho eu ser Portuguesa, tanto amo o meu país e estou a vê-lo ser destruido sem poder fazer nada...

Anónimo disse...

Senhora Dona Helena!
A minha admiração por si é enorme e crescente. Sou uma mulher que trabalha desde os meus 18 anos e hoje tenho já 48.Sempre cumpri com as minhas obrigações cívicas e fiscais.Tudo o que conquistei na vida foi à custa do meu trabalho. Começo a pensar sériamente que o meu único erro foi ter votado... Hoje vivo num País onde não há esperança,e acho que começo a não conseguir transmiti-la aos meus filhos... Estou deveras desludida. Não compreendo um País onde se aumentam as turmas para trinta alunos, se despedem professores, e depois se pagam subsídios de desemprego a esses mesmos profesores!!! Não seria melhor e mais inteligente fazer turmas mais pequenas, criando assim emprego para todos os professores e mais qualidade no ensino???? Não compreendo como é possível um reformado poder acumular gordos vencimentos com a sua ou as suas reformas, quando há tanta gente a necessitar de um único emprego!!!! Talvez eu esteja a ver as coisas mal, uma vez que tenho apenas o ensino secundário, mas creia-me começo sériamente a sentir-me deprimida...
Muito obrigada,espero poder continuar a poder ler os seus livros e os seus artigos, que muitas vezes partilho também!Cumprimentos,
Aldina Guimarães

Alcipe disse...

O meu comentário não era esse: a Rocha Tarpeia não era onde os romanos deixavam ficar os velhos para morrer? O que eu penso é que esta geração dominante, que aprendeu a economia da restauração anti-social dos anos 80, não deixa espaço a vozes de bom senso que vêm de gente que, sim, estimo, considero e respeito, para além das diferenças de ideias e concepções de vida. Mas talvez a Rocha Tarpeia não fosse a mesma.

Quem nos conduziu a isto foi uma concepção geral da economia e da sociedade que, acredite, foi partilhada por direitas e esquerdas. Mas isso é para uma outra conversa, que havemos de ter um dia.

Com amizade

Alcipe

Gaivota Maria disse...

Isto não é uma nacionalização. É um pogrom cuja vítima é todo um país. Se até aqui conseguimos dar a volta às situações desta vez tenho sérias dúvidas que seja possível fazer. E tudo isto porque andamos a ser "encantados" anos e anos por gente sem escrúpulos e cuja maioria já se pôs a milhas com as suas LV quando chegaram ao poder de mala de cartão. Português é crente e mais uma vez o foi. Só que tocou a raia de imbecilidade e não deu pelo que se passava enquanto os ratos fugiam da nau. Deve ter sido por isso que o Borges chamou ignorantes aos nossos empresários. Estou consigo na sua sugestão: voltemos ás antigas civilizações e a escolhamos para nos governar um grupo de "velhos" ou à Idade Média aos "homens bons dos concelhos" Destes estamos fartos. Obrigada pelas suas palavras.

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Alcipe
Quanto às culpas de uma certa concepção de economia, acredite que é muito possível que esteja mais de acordo consigo do que aquilo que julga. A social democracia de que as nossas direitas e esquerdas se alimentam está muito longe de me seduzir.
Mas os cantos de sereia utopistas que na Europa já dão o triste pio, não me encantam também.
Ouvir Passos ou Louçã provoca-me a mesma onda de calafrio.
Quanto à Rocha Tarpeia, fui investigar e creio que tenho eu razão.
"Rocha Tarpeia

Rocha Tarpeia era o nome de um sítio numa das encostas do Capitólio (Mons Tarpeius), na cidade de Roma, que se tornou conhecido porque durante o período republicano serviu de local de execução pública de criminosos que traíram o Estado e que foram considerados culpados de perjúrio. O nome de Tarpeia é de origem etrusca e este mesmo nome possuía uma das Sabinas, que, segundo uma das versões da lenda, foi seduzida pelo rei dos raptores (Tácio) e por esta razão traiu o seu pai Semprónio Tarpeio (encarregue pelo rei Rómulo de guardar a cidade), abrindo as portas ao inimigo. Posteriormente, não só o rei não casou com ela, conforme tinha prometido para a motivar a abrir as portas da cidade, como foi castigada por esta traição pelos raptores, que a sufocaram com os escudos. Esta é uma das razões apontadas por historiadores para o tipo específico de castigos que na Rocha Tarpeia foram levados a cabo. Acresce-se ainda, para reforçar a identificação do local com a história, que o local onde a lenda conta que o rei Tácio estava acampado com as suas hostes era igualmente no Capitólio".


Como referenciar este artigo:
Rocha Tarpeia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-10-04].
Disponível na www: ."

Alcipe disse...

Pronto, tem razão. Vê que nao sou teimoso?

a) Alcipe

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó meu querido Alcipe, você teimoso?! Nada, nem eu!
Teimoso é o Feliciano que agora se vale de uma engenheira que, ou me engano muito, ou fez o curso ao Domingo...
Gosto de si, meu caro!

Anónimo disse...

Concordo, palavra a palavra com o
comentário de José Honorato Ferreira. Continuam as mordomias
no estado, que ofendem todos os
portugueses. Haja o mínimo de
moralização, pelo menos.Tenham vergonha!.
M.J.Franco

Silenciosamente ouvindo... disse...

Subscrevo totalmente este seu post.
Eu não percebo este Presidente da
República que nós temos.
Vamos criar um movimento para
que se crie esse conselho?
Um beijinho
Irene Alves

Maria disse...

E se a justiça funcionasse? Será que não reaviam algum do dinheirinho que está em parte incerta? E Porque não se condena quem com politicas erradas levou este país quase à bancarrota? Quando se cortam as tão faladas gorduras, repetidas vezes sem conta,para se ganharem eleições? Deixei de acreditar. Estou triste, preocupada e revoltada. Só não acrescento arrependimento, porque nenhum foi eleito com o meu voto, nem mesmo o PR.

Nini disse...

Helena
Estou arrasada! Trabalhei sem poder, arrastei-me, cumpri durante quase 39 anos, paguei todos os impostos regularmente,planeei a minha vida para ter uma aposentação que me desse acesso a um lar digno, não de luxo, que para esse não tenho dinheiro. E agora? Cada vez tenho menos, não sei - nem ninguém sabe - o que me espera. Não foi o primeiro-ministro que disse, em campanha, que não aumentava os impostos nem confiscava salários? Não disseram outros que nós não suportávamos mais impostos? Sinto-me revoltada, nacionalizada.E os cortes nas fundações, nas empresas públicas, etc, etc? Concordo consigo, precisamos de gente com cãs a governar, não gente das juventudes que falam como papagaios, mas a quem falta tarimba de vida.
Desculpe o desabafo
Abraço

ISantos disse...

Querida Helena, sinto mesmo que faltam "cabelos brancos" neste Governo e muito bom senso naqueles que emanam estas medidas que estão a dar cabo de nós. O nosso país está doente e é urgente que se leiam os sinais. É o envelhecimento galopante das nossas gentes, a falta de protecção e de empreendedorismo nesse mercado do envelhecimento activo, são as crianças que teimam em não querer nascer e logo deixam-nos aqui sós, a lidar com os sarilhos em que nos metemos, são os jovens que morrem a um ritmo assustador nas nossas estradas e nas nossas praias e um pouco por aí, são mortes ou doenças incapacitantes que surgem com muita frequência em indivíduos activos, que trabalham e produzem riqueza, é a concentração da população apenas nos 50Km junto ao litoral, são os empreendimentos e as estradas que nos sufocaram em matéria de investimento e que agora estão encerrados ou poucos por lá passam...enfim, o meu país está doente e é preciso estar atento aos sinais. Se insistirmos numa atiutde autista, vamos "levar" pela medida grande. E crie-se um colégio de Senadores, ou chamem-lhe outro nome mas, que nos traga inspiração, coragem, visão, sonho, regras e novos paradigmas, caminhos mais flexíveis e que incorporem as pessoas, o que de melhor o meu país tem - os portugueses. Abraço de Mulher e Mãe de Portugal. Isabel Santos

Ältere Leute disse...


Permito-me, uma vez mais, partilhar o seu post no FB. Com muita admiração !

Teresa Palma Carlos disse...

Embora seja uma leitora assídua, nunca aqui comentei. Ao ler este post, não posso deixar de o subscrever a 100%.
Para onde estás a ir, Portugal?
Teresa Palma Carlos

ARPires disse...

Com muita admiração e estima, peço permissão para partilhar.
Obrigado