quinta-feira, 1 de março de 2012

Prostituição


Leio e oiço na televisão que, na Mouraria, poderá em 2013 ser aberto um bordel, ao abrigo de um acordo entre a Obra Social das Irmãs Oblatas e o GAT, inserido no Programa de Reestruturação Comunitária da Mouraria, o PDCM, da autarquia de Lisboa.

De acordo com Luís Mendão, Presidente do GAT " a casa onde será exercido o negócio do sexo é um meio para sair da prostituição".

A casa terá luz verde se "as mulheres se prostituirem de forma transitória, até encontrarem trabalho sem serem exploradas", o que permite ultrapassar a barreira legal que proíbe os bordéis, devido à práctica de lenocínio.


Confesso que tenho alguma dificuldade em perceber como é que, com o desemprego ao nível a que está, este instrumento seja uma solução. Depois, na Mouraria como no resto do país, não são só as mulheres que se prostituem. São também os homens. Finalmente, não acredito que o "exercício temporário" seja a melhor forma de evitar o "exercício permanente" de qualquer actividade.


HSC

15 comentários:

carolina disse...

A prostituição choca-me sobremaneira, de todos os intervenientes neste discussão, confesso que só percebo o papel das prostitutas. Elas querem, precisam de ganhar dinheiro. Nunca entendi qual o papel do "consumidor" quando ainda de manhazinha passo na estrada e me apercebo que os tais clientes param na estrada penso em pais que acabaram de deixar os filhos na escola, maridos que se despediram carinhosamente das suas mulheres, por muito que me esforce não vislumbro o que eles procuram. Desde que tenho consciência que defendo a criminalização do cliente. Parece que o meu mundo anda ao contrário. Mas entendo que a prostituição é a pior forma de escravatura e humilhação e, não entendo nem jamais entenderei quem defende a sua legalização e, por favor não usem o argumento de que é a profissão mais antiga do mundo. O fracticidio foi em análise o primeiro crime de que tomamos conhecimentos e ninguém pensa legalizar o homicidio.A prostituição nalgumas das suas facetas é crime mais hediondo e provoca mais dano que a morte portanto deveria tocar-nos a todos fazendo uso das palavras que tanto me emocionam " nenhum homem é uma ilha deserta a morte de qualquer homem afecta toda a humanidade, " apenas acrescentaria que o sofrimento afecta-nos a todos. As crises sejam sociais ou morais jamais poderão justificar que nos exploremos uns aos outros

patricio branco disse...

seria portanto uma forma de terapia temporaria...
e as receitas, os recibos, o iva,as declarações de irs, como é tudo isso manejado?
se a prostituição existe sempre, abram se bordeis onde ela seria exercida profissionalmente mas com condições, regras e controles, desde comerciais a sanitários, etc.
ao menos deixa de ser uma actividade clandestina, uma forma de economia paralela que foge a todo o controle.
e a prostituição é feminina e masculina como se comenta e o outro sexo vai reclamar tambem uma casa bordel provisória.
enfim, estamos no reino das histórias encantadas.

Anónimo disse...

A Austria (um país católico), entre muitos outros países europeus, tem a prostituição legalizada, o que não cria problemas de consciência a ninguém. Na Austrália, há uns atrás, uma das mais famosas “casas de passse” locais chegou mesmo a ter acções suas cotadas na Bolsa, em Sydney (não sei se continua a ter). Em Portugal, Salazar, como sabemos, veio a proibir a prostituição legalizada (por pressão da Igreja, ao que consta). Hoje, neste “curioso” país, continua não existir um bordel legalizado, mas a prostituição está aí em força e bem publicitada, basta abrir as páginas de “classificados” de vários jornais diários, onde até se “explica” o que quem se prostitui faz e deixa fazer. Faz-me alguma confusão este tipo de “águas turvas”, pouco claras, que deixam transparecer muita hipocrisia. Na Grécia da Antiguidade Clássica, ao menos as coisas tinham mais seriedade e até havia uma classificação das prostitutas: As “Dicteriades”, as “Auletrides” e as “Hetairae”. As primeiras eram as de classe mais inferior e até pagavam impostos e eram ensinadas nas práticas sexuais a realizar com os seus clientes; as “Auletrides” (cuja designação significava “tocadoras de flauta”), eram excelentes cantoras, musicólogas, dançarinas e “strippers”. Lamia foi uma das mais famosas e chegou a ser amante de Ptolomeu I em Alexandria. Já as “Hetairae” eram as mais requintadas e respeitadas. Eram mulheres educadas, e livres de sair dos locais onde se encontravam circunscritas para irem assistir a peças de teatro, participar em banquetes, debater filosofia e política com os homens da sociedade Ateniense intelectualmente mais ilustres. Phryne (acusada e julgada de heresia, veio a ser salva de condenação à morte quando o seu defensor, Hyperides, num acto de desespero e imaginação, a despiu em frente dos juízes que, perante a beleza do seu corpo a absolveram) foi talvez a mais famosa das Hetairae. Amante de dois homens ilustres do seu tempo, o pintor Apelles e o escultor Praxiteles, serviu de modelo a este último para compor a sua Afrodite. Outras se destacaram, como Lais, que preferiu a pobreza digna de Diogenes, à rica oferta que Demostenes lhe fez, Aspasia, amante de Péricles (e ao que dizem de Sócrates). Na Renascença, Giulia Farnese, foi amante do Papa Alexandre VI e veio a servir de modelo a Rafael para a sua Madona. Verónica Franco era uma mulher culta (um seu simples beijo era caríssimo!), foi poetisa e e escritora e modelo de Tintoretto. Posteriormente, Ninon L’Enclos destacar-se-ía por receber figuras da elite cultural e política da época (La Rochefoucauld, Moliére, entre outros), Marie Duplessis (que foi amante de Franz Liszt) veio a inspirar a figura de Marguerite Gautier, da Dama das Camélias, Apollonie Sabatier, “La Président”, (que acolheu nos seus braços nomes como Berliotz, Victor Hugo, Eduard Manet, Alfred de Musset) inspirou o trabalho de Baudelaire, “Les Fleurs du Mal”, Blanche d’Antigny que inspirou igualmente Zola para compor a sua Nana e Sarah Bernhardt que foi amante do então Príncipe de Gales (e, consta, terá “convivido” com Ramalho Ortigão, em Paris). Convenhamos que todas aquelas cortesãs tinham uma aura que seguramente não terão as infelizes da Mouraria. Nem tão pouco aquelas dos “classificados” dos jornais (alguém imagina o seguinte anúncio: “menina/senhora culta, toca piano, compõe música clássica, discute filosofia, política, fala línguas, atriz de teatro, conhecedora de regras de Protocolo, licenciada em...prostitui-se, etc?). Vamos pois aguardar, serenos, o que o futuro, no que a este tema respeita, nos irá trazer. Cuidado, porém, pois o Fisco pode estar atento e ver nessas pessoas (singulares e colectivas) novos contribuintes! Tudo é possível.
P.Rufino

Maggie disse...

sou contra, acho aberrante e nem sei como é que nos dias de hoje ainda há alguém a pagar para ter sexo, com tanta oferta que há por aí gratis ...

Bjo
Maggie

carolina disse...

Deparamos sempre no meio desta discussão,diz-se que é hipocrita a oposição à legalização. Mas esse é apenas um argumento demagogico e vazio porque uma coisa é saber e ter consciência que a prostituição existe outra é não saber qual o lado certo e errado das coisas. Nada tenho contra a vida e a liberdade sexual, seja ela promiscua ou puritana. Cada um faz da sua sexualidade o que entender num acto de liberdade e consciência. Prostituição é outra coisa, relaciona-se com negócios de carne, de tráfico de submissão e supressão de direitos, a ideia romanceada e pseudamente literária da prostitução sim é, hipocrisia é disfarçar o mau gosto e tantas vezes o mau carácter atrás de poses afectadas de virtudes publicas e vicios secretos. Prostituição no nosso tempo envergonha a espécie humana, não interessa quanto queiram romancear o assunto. Hipocrisia é dizer-nos civilizados, cultos, informados e defender que alguém a troco de dinheiro adquire direitos sobre o corpo e vontade de outrém. Não são prostitutas as mulheres que escolhem quem, como não são prostitutas as que nunca perdem o controlo apesar de fazer -se pagar. Estamos a falar de quem a troco de dinheiro perde a alma a centelha de humanidade e se transforma em coisa de uso

carolina disse...

Anónimo
li o seu texto com atenção e, parece-me que as cortesãs de que fala são as mulheres do nosso tempo. Se hoje recreassemos a sociedade que descreve todas as mulheres da minha geração seriam assim classificadas....foi talvez em muitos casos o preço que pagaram por estarem à frento do seu tempo, por não aceitarem as regras e os preconceitos. A sua descrição revela mulheres altivas e, não escravas

Anónimo disse...

Helena,

costumo sair à noite com um grupo de amigas para dançar. Já presenciei de tudo por essas noites dentro, a prostituição não é solução para se sair da crise mas cada vez mais homens e mulheres se entregam a essa vida para terem uma fonte de rendimento. Não julgo porque não sei o que faria se estivesse na situação dessas pessoas, lamento profundamente que o prazer ou mesmo um gesto de carinho se tenha de obter dessa maneira mas a verdade é que por estradas mais ou menos à vista, andares discotecas jardins e vivendas deste país se vê cada vez mais gente a procurar esse "tipo de serviço". Haja quem estude e quem explique.
Um abraço

Maria

Anónimo disse...

Cara Carolina,
Li com interesse os seus comentários. Mas não sejamos ingénuos. Hoje em dia, e não tem a ver com a actual situação económica, muita mulher prostitui-se voluntariamente, sem ser escrava de ninguém. Quanto ao cliente das mesmas – o que também me faz alguma confusão - repugna-me muito menos do que a promiscuidade entre a Política e os Negócios Privados, entre aqueles que nos governam, ou governaram, e depois abraçam tachos diversos privados, ou público-privados, uma vez deixam as suas funções. Prostituição aviltante é esta - que temos vindo a assistir há muitos anos a esta parte, um mundo de tráfico de influências, nepotismo, corrupção, etc. O cliente da prostituta existe porque existe a prostituta e ela prostitui-se porque sabe existirem clientes. No caso da Política a coisa é diferente – ou deveria ser. E o que choca é que já ninguém se surpreende!
A legalização da prostituição não me perturba minimamente. Tal como não perturba ninguém nas inúmeras sociedades ocidentais onde já existe. Agora aqui, em Portugal, finge-se. Somos hipócritas. Permite-se a coisa (o caso dos classificados é um curioso exemplo), mas depois proibe-se a sua legalização.
Cordialidade,
P.Rufino

Raúl Mesquita disse...

Cara Helena:

Para além do trabalho temporário, que a mim me choca também, como princípio, já se pensou que a maioria das prostitutas poderá gostar da profissão? Nem todas são pobres, nem todas foram "forçadas" a essa forma de viver… Não estaremos perante mais um cliché?

Raúl.

Raúl Mesquita disse...

P.S.

Queira desculpar a minha repetição anterior. O aspecto deste cantinho mudou e não tinha percebido que "aguardava aprovação" porque a nota costumava estar a amarelo e com estas novas palavras para as quais é preciso ter um curso de Paleografia…

RM.

Meu_nome_Mulher disse...

Boa tarde
Li tudo o que aqui foi escrito e, muito atentamente, de tal modo que, nem saberia onde encontrar mais palavras para acrescentar fosse o que fosse.
Apenas concluo, como em tudo nesta vida que existem prós e contras.
Estou de acordo (ironicamente) com todos, penso até que essas pessoas deveriam ser colectadas como prestadoras de serviços (afinal é o seu trabalho), pagarem impostos, como qualquer um de nós que trabalhe.
Quero acrescentar que, quem é denominada como "prostituta", é paga em dinheiro e "servem" os seus clientes nos locais mais humilhantes e degradantes, (por este lado, seria a favor) porque sendo a profissão mais antiga do Mundo, que fosse "exercida" com a dignidade mínima que pode ter um ser humano.
Tenha quem tiver as culpas, a oferta ou a procura, não podemos negar, que jamais acabaremos com a tal situação.
Mas, há sempre um mas em tudo, e aqui não poderia faltar.
Que nome vamos dar a quem faz a mesma vida, a troco de "favores", contas bancárias, carros de topo,jóias apartamentos, roupas de marca, viagens e tantas coisas mais?
Ou vamos "mascarar" essas meninas com outro nome? (afinal, quando entram na vida de um casal, nós sabemos que os "estragos" são muito maiores).
Não que me importe como e porque o fazem, o que me incomoda isso sim, é que estão isentas de "impostos" e do nome ultrajante de prostituta.
Como é usual dizer-se: "Ou há moralidade ou comem todos".
Por aqui me fico, pedindo humildes desculpas se com as minhas palavras feri susceptibilidades.
Cumprimentos e boa semana!

Helena Sacadura Cabral disse...

Cara Meu Nome Mulher
A essas chamamos pomposamente "acompanhantes de luxo"...

Meu_nome_Mulher disse...

Dra Helena

Grata por se dignar responder à minha questão, creia que é para mim uma honra a sua opinião.
Adorei o termo "pomposamente" !!
Em poucas palavras escreveu TUDO!

Sempre a considerá-la, desejo-lhe
uma excelente noite!

carolina disse...

Não sei se ainda é oportuno este meu comentário, mas reparei com muita atenção naquela frase "afinal, quando entram na vida de um casal, nós sabemos que os "estragos" são muito maiores", é coisa que também nunca entendi, Elas sejam prostitutas, acompanhantes ou mulheres serissimas nunca entram na vida de um casal. Mais uma situação em que as mulheres ficam umas contra as outras: "as amantes do meu marido, (salvo seja) não me devem nada, não me prometeram nada, não me conhecem de lado nenhum são livres de fazer o que querem com as suas vidas, é ELE quem está em falta e que tem exclusivamente toda a culpa ou pelo menos a ser repartida é comigo...a "outra" não existe se ele me respeitar.

Meu_nome_Mulher disse...

Os comentários são sempre oportunos. Da discussão nasce a Luz. Pedindo desculpa à Dra. Helena por utilizar algo que é seu (blog), apenas lhe quero dizer que, se há Procura é porque existe Oferta.
De quem é a culpa não é importante, porque cada um saberá as linhas com que se cose.
Mas quem estiver livre da tentação que atire a 1ª pedra. Sabemos como a vida nos prega rasteiras, e claro que se alguem atraiçoa outrem é porque quer (ou porque a tentação é forte para os fracos).
Claro que as Mulheres em questão podem fazer o que melhor lhes aprouver, e que entre um casal deve haver fidelidade, mas daí a retirar culpas a um lado, só porque somos mulheres, e culpabilizar o outro, porque era quem não devia ter facilitado a situação, porque tem a obrigação de ser o único que deve ser respeitador...
Então e as Sras. que se aproveitam de situações, muitas vezes geradas entre o casal, por variadíssimas razões, ficam imunes da culpa porque são mulheres, e nós como mulheres temos de estar solidárias?
Acaso não sabem que os Srs. são casados ou têm familias e que se estão a intrometer onde só vão agravar mais os problemas (no caso de os haver) ou provocá-los, tanto a nivel afectivo como monetário.
Lamento não poder concordar consigo, nem ter essa dose de razoabilidade e discernimento.
Perdoe-me mas neste caso não posso estar só contra um lado, porque a culpa não morre sozinha.
Os meus cumprimentos !!

Ps: Mais uma vez me perdoe Dra Helena este abuso de minha parte e aceite o meu respeito!!