terça-feira, 13 de dezembro de 2011

As famílias e as empresas


Os dados mostram que o financiamento às famílias pela banca continua a diminuir. Com efeito, seja porque existe um crescente aperto à concessão de crédito, seja porque a procura decresceu, o volume de novos empréstimos concedidos a particulares atingiu em Outubro 738 milhões de euros, o valor mais baixo registado desde Janeiro de 2003, altura em que este registo se iniciou.
De acordo com o Banco de Portugal, a quebra verificada nos novos empréstimos a residentes do euro - maioritariamente portugueses - foi de 47% quando comparada com mês homólogo de 2010.
Este decréscimo de financiamento diz sobretudo respeito ao crédito à habitação cujo valor se situa 67,6% abaixo do registado naquele mês.
O agudizar da crise da dívida europeia e as crescentes dificuldades de financiamento também levaram os bancos a apertar mais o crédito às empresas.
A agravar o cenário, famílias e empresas revelam cada vez mais dificuldades em solver os seus empréstimos. Em Outubro, o crédito malparado de particulares voltou a subir, representando 3,34% do total de financiamento concedido às famílias. Nas empresas, o peso do crédito malparado ultrapassou os 6%, atingindo, assim, valor mais alto desde Maio de 1998.
E estes números ainda não incorporaram o novo rácio do malparado, exigido pela troika.
Outro sinal preocupante foi dado pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal que ontem revelou que, até Outubro, foram entregues 5200 casas aos bancos. Ou seja mais 17,7% do que no ano anterior, situação que se deve ao incumprimento dos proprietários, na sua maioria promotores imobiliários, que não conseguem colocar os seus imóveis.
É esta contracção generalizada que é preocupante e reveladora do marasmo que afecta a nossa economia e a nossa produtividade. O deficit está, de facto, a estrangular-nos!

HSC

5 comentários:

Paulo de Abreu e Lima disse...

Caríssima Helena,

A este propósito sei de dois extremos, dois casos reais que espelham bem a actual dualidade bancária. Mas espelham mais, reflectem com todas as cores quem perde e quem ganha numa crise profunda:

1ºCaso: Dono de uma pequena empresa, nunca quis nada com os bancos. Todos os investimentos que fazia eram através de capital próprio. O lucro que recebia da actividade corrente era disperso em duas e iguais partes: uma para novos investimentos e a outra para poupança em DO. Com a crise, anda presentemente a comprar tudo o que é bens imobiliários e mobiliários a preço de saldo...

2ºCaso: Dono de média/grande empresa tratava quase todos os presidentes dos bancos por tu. Não sendo um empréstimo-dependente, tinha uma regra: em todos os novos investimentos, 50% era capital próprio e os outros 50% eram emprestados (alheios). Com a crise de 2008 os bancos começaram a fechar a torneira, reavaliaram-lhe em 10 vezes menos as garantias que suportavam os empréstimos e além de ter ficado sem património, ainda deve muito dinheiro à banca.

Raúl Mesquita disse...

Cara Helena:

Adeus Europa, tal como a conhecíamos: Europa social porque da cultura, humanista, herdeira dos valores dos antigos gregos (grosso modo). Os EUA conseguiram, através dos gerentes dos países europeus, na esmagadora maioria a seu favor, americanizar a Europa. Quel horreur! O futuro reserva-nos trash (pardon my French). Já lá vão os dias em que nos EUA havia algumas pessoas humanistas e elegantes…

Requiem por uma Europa perdida!

Raúl Mesquita.

aNaTureza disse...

Não me admira que assim seja.

"neste processo de criação do mercado globalizado, cuja lei soberana é a lei do lucro máximo, um dos tipos de capital, emancipou-se: o capital virtual, que se faz visível nas bolsas e que domina o capital comercial, o industrial e o social em todas as suas formas. Este capital financeiro percorre o planeta as 24 horas do dia com esta única finalidade: o lucro máximo."

Jean Ziegler (é membro do Comitê Consultivo do Conselho de Direitos Humanos da ONU com especialidade sobre os direitos econômicos, sociais e culturais, em particular o direito à alimentação. Para o período 2000-2008, Jean Ziegler foi o Relator Especial da ONU sobre o Direito à Alimentação)

Se estiverem interessados, vejam este documentário em que ele, Eduardo Galeano, dirigentes campesinos, missionários, juristas, juízes, escritores, retratam este implacável sistema, numa tentativa comum de examinar esta "nova ordem do mundo".

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=whGQTFMXkWQ#

João Pinto disse...

Em Portugal procedemos sempre deste modo: primeiro aceleramos desalmadamente para depois, quando vemos o perigo à nossa frente, travarmos a fundo. Este tipo de condução abrevia inevitavelmente a vida da viatura...

Anónimo disse...

PAL,

Mesmo aquele que investe agora em imobiliário a preço de saldo, nada lhe garaten que não vá perder o dinheiro investido!

O imobiliário só trás rendimento se a economia cresce, quando é no sentido descendente , perde dinheiro todos os dias !Para além de ser taxado à bruta pelo estado e câmaras!

Nós vamos entrar num momento deflacionário no que toda a bens acabados de consumo e num momento inflácionário no que toca à matéria prima e energia!!

A partir deste cenário é só ver armazéns chineses a abrir!!!

a miséria em Portugal atingirá contornos catastróficos , muito pior do que se passou na Argentina ou Venezuela , muito pior !!

OGman