quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um problema de natalidade



Como dizia Bagão Felix recentemente, a palavra défice deve ser hoje, em Portugal, uma das mais usadas. É o orçamental, é o externo, é de produtividade, é o de informação, enfim, somos um país em défice permanente de tudo e mais alguma coisa.
Curiosamente, só em raras ocasiões se fala de défice demográfico, apesar de ele ser um dos que deveríamos olhar com mais atenção. Com efeito, em Portugal nascem 100.000 crianças por ano, ou seja menos 60.000 das que seriam necessárias à reposição das gerações.
Foi, aliás, por isto que a ONU nos colocou no penúltimo lugar mundial de filhos por mulher. No entanto, esta questão, gravíssima pelas suas consequências a prazo, é sempre tratada como uma minudência e não abre telejornais...
Ora o estado social só pode sobreviver com mais nascimentos. O que implica uma política familiar que os fomente. O corte de benefícios que se façam nesse sentido, ou seja, a redução de estímulos à família é, assim, no momento, inexplicável. Sobretudo, num país onde o aborto é gratuito e prioritário e onde as respectivas licenças são pagas pela Segurança Social.
É tempo de deixar de olhar esta questão como sendo algo de carácter religioso e torna-la naquilo que ela verdadeiramente é: um sério problema social.

HSC

10 comentários:

marianinha disse...

Helena com o estado do país não da para ter filhos pois muitas famílias o dinheiro nem chega ao final do mês.
Compreendo perfeitamente que o nosso país precisa de mais crianças mas hoje em dia é muito complicado ter-se um filho,não temos empregos estaveis,nem abonos de família,nem ajudas.
Acredite á muitos jovens a quererem ser país mas a nossa situação financeira não dá para isso.
Também hoje em dia as mulheres dão mais valor a ter uma carreira do que a ter filhos,e esse objectivo eu também o quero para mim,infelizmente tenho muita pena em dizer isto,perfiro vir a ter uma carreira do que a ter filhos.
Pois neste momento estou desempregada sem receber nada do estado.

voz a 0 db disse...

Para os mais distraídos... Não se preocupem que os cientistas já estão a resolver o problema...

Já conseguiram que as nossas queridas vacas produzam leite humano...

O próximo passo é pô-las a parir animais humanos...

Já escrevi sobre isto em 110611 mas não vou deixar aqui a ligação para o meu blogue... não é assim tão interessante quanto isso!

Marcolino disse...

Estimada Helena,
Na realidade, Portugal, é altamente deficitário.
Há tres vetores fundamentais para que baixemos todos os défites:

Paz
Amor Fraternal Universal
Partilha

Quanto à demografia, pela minha parte, cumpri o meu papel de progenitor, e a minha exmulher o de uma mãe exemplar, com ideais de vida que soube, muitissimo bem, transmitir aos nossos filhotes.
Só que, o tempo, e o modo, se alteraram sofisticadamente, a ponto da minha contribuição para o aumento demográfico, se ter tornado defixitária. Isto é, quatro filhotes, cabalmente dariam a Portugal, mais 16 lindos seres humanos, e me fariam sentir um «macho» realizado. Nada disto aconteceu. Dos 4 filhotes apenas um se resolveu aumentar, numa unidade, o gráfico demográfico deste nosso belissimo pais.
Acredito que, dentro em breve, se falará no déficite galopante do déficite...
Dia feliz
Marcolino

Naná disse...

Minha cara HSC, este post não podia vir mais a propósito!
Eu já tenho um filho e desejo ter o segundo, mas nos dias que correm parece-me muito complicado... e nem é pela falta de incentivos... mas criar um filho não é tarefa fácil: pagam-se ecografias a peso de ouro (eu tive que pagar do meu bolso 2 das 3 que o SNS prescreve porque o acordo da ARS com as clínicas cessou no meu período de gestação), tive sorte de ter um filho saudável, porque praticamente são 2 ou 3 os medicamentos pediátricos comparticipados e nem falo do abono de família, porque nem sequer meti o pedido, porque seria escusado e só perderia tempo.
Além disso, o mercado de trabalho ainda não encara bem uma funcionário (e o mesmo vale para os funcionários) que tem filhos e que se tem que ausentar do trabalho por motivos de assistência à família...
Pais que trabalham para pagar contas têm que olhar bem para o orçamento, porque custear um infantário por estes dias é quase uma prestação mensal de crédito habitação...

Paulo de Abreu e Lima disse...

Perfeitamente de acordo!

Se me permite suavizar a coisa, salvo seja, já contribuí com a minha quota-parte, embora nunca a dê inteiramente por concluída :)

Falando a sério, a Caríssima Helena sabe que cada vez mais em Portugal ocorrem problemas de infertilidade junto do sexo masculino...? Parece que o problema subiu exponencialmente nos últimos anos e não tem nada a ver com stress ou outras causas associadas que custumam perfazer perto de 90% das disfunções andrológicas. Falo, salvo seja outra vez (este comentário não me está a correr bem), de questões endocrinológicas, mesmo. Segundo me disseram (SPA) o fenómeno é assustador. Óbvio que não será sequer representativo das causas do decréscimo da natalidade em Portugal - assunto muito pertinente que requer reflexão urgente!

DL disse...

Cara HSC,

As pessoas não querem que os seus filhos sejam pobres e passem dificuldades. Infelizmente, a nossa economia não permite a uma grande maioria viver acima do limiar mínimo. Isto é para muitos uma questão de responsabilidade. Veja bem: no tempo do meu avô só ele trabalhava, e ainda assim sustentava, sem quaisquer "apoios", uma família de 6 ou 7 (não sem dificuldades, é certo, mas conseguia-o), e uma casa relativamente grande. Hoje isto tornou-se simplesmente impossível.

Um Jeito Manso disse...

Helena,

Muitas vezes, lá no meu canto, tenho chamado a atenção para este grave, muito grave problema este, o da queda demográfica.

O desenvolvimento económico e financeiro assenta, em garnde parte, nesta realidade concreta: quantos vivem, quantos asseguram a liquidez, quantos usufruem do aforrado.

Ora Portugal tem uma população em declínio, tem um índice de natalidade decrescente, uma população com uma esperança de vida crescente (felizmente!!!!!!), e tudo conjugado, tem uma equação impossível de resolver com os parâmetros actuais.

É um assunto sério e o seu texto reflecte-o muito bem. De uma forma muito apelativa chama a atenção para a gravidade da situação.

Mas, Helena, permita-me que agora deixe os números de lado e deixe-me dizer que a fotografia das crainças é linda, linda, linda. Onde descobriu uma coisa tão fofa, ou melhor, três coisas tão fofas...? Que ternura.

Tomara que soubessemos fazer um mundo bom para todas as crianças deste mundo, não é?

Anónimo disse...

O problema do estado social não é não haver nascimentos ,mas sim falta de contribuintes e excesso de beneficiários.
Uma pequena história para ilustrar :
Um casal amigo , belgas , vieram para portugal e transferiram a sua segurança social para Portugal onde agora residem.
ambos precisam de comprar medicamentos permanentemente ( Insulina e um outro para a vista ) . Ficaram espantados por as seringas de insulina serem de Borla e as gotas para a vista custarem metade do preço que pagavam na Belgica.

Oram sendo Portugal um pais mais Pobre que a Belgica e tendo este casal feito os descontos na Belgica, é em Portugal que vêm usufruir de maiores regalias de Saúde. Isto até para ele é paradoxal quanto mais para nós que nos fartamos de pagar impostos !

O estado Social está falido porque, só na Saude , o buraco financeiro é maior que o buraco do Ozono.

Sobre os nascimentos , não se preocupem porque todas as estratégias da ONU, vão no sentido de criar infertilidade , através de muitas ferramentas ( inclusive o Aborto ). A lista de casais para insiminação artificial aumenta vertiginosamente todos os anos!
MAs não vou aprofundar isto porque não quero ser alarmista nem perturbar a agenda oficial sobre este assunto !

Ogam

Isabel Seixas disse...

Concordo com a abordagem de sério problema social gerado por fatores multiplos.
Agora a foto é divinal de facto.

Noiva de Agosto disse...

Drª Helena, achei deliciosa a uma sufrase de que os filhos são um empréstimo de Deus. Por motivos que só Ele sabe, esse "empréstimo" que é o dom de ser Mãe´não é concedido da mesma forma a todas as mulheres. Umas têm que contornar caminhos menos fáceis para o atingir, e nem sempre com sucesso.
Num país em que o aborto é praticado por algumas pessoas com método contraceptivo e aceite pela sociedade. Gostaria de deixar umas breves palavras sobre a infertilidade no nosso país.
A possibilidade de ser Mãe pode, a quem infelizmente não consegue, custar 5.000€ (e,se tudo correr bem ...), a este valor acresce a medicação que ronda os 500 €.
A lista de espera na MAC ronda os 2 anos.
Nenhuma seguradora comparticipa tratamentos de infertilidade nem medicação!
Estamos sozinhas!
Mas será que este assunto não é prioritário numa altura em que se fala tanto de um apís empobrecido?
Será que este assunto não merece a atenção dos nossos governantes?

Termino com um abraço cheio de luz e muita energia positiva (que nos serve de apoio naqueles momentos em que nos questionamos o porque de muitas coisas...)