sábado, 26 de fevereiro de 2011

Também acontece

Ontem, sexta feira, trabalhei até tarde. Este dia costuma ser aquele que dedico a mim própria e ao meu bem estar. Com a crise, que trouxe a eliminação da empregada doméstica, passei a ter uma organização mais simples aqui em casa. Mas, como na minha vida tudo são inesperados, um dos meus infantes decidiu que a minha mesa é melhor que o refeitório da Assembleia e passou a "abancar" na pensão da Dona Helena, que sou eu, claro.
Resultado, aquela maravilhosa sexta feira foi à vida...contrabalançada, é evidente, pelo prazer de ver o filho dia sim, dia não!
Quando me deitei levava comigo a angústia de não ter terminado o conto que me faltava, dos cinco que ainda tenho que escrever, para acabar o próximo livro. Consequência, uma insónia mortal que durou até às cinco da manhã, altura em que me deixei de fortalezas e "emborquei" um Kainever.
Remédio santo. Eram cinco horas da tarde quando me levantei, um pouco zonza. Tomei um Nespresso de amêndoa amarga, depois de ter comido uns restos da véspera e aqui me têm, a ver se me preparo para os anos da Rita Ferro que, desta vez, oferece ceia e não jantar.
Logo, amanhã devo estar reduzida aos meus mínimos. O que me vale é que vou para os braços do meu irmão mais novo e da minha cunhada que, se eu adormecer, até me deitam.
Ó vida malvada, como eu queria ser rica e não ter de fazer nada!

HSC

14 comentários:

Margarida disse...

É fabulosamente milionária no que deveras importa; o resto chega bem.
Se não for salmonetes, são carapaus.
Se não forem trufas, são espargos de conserva; tudo se arranja e de muito se prescinde, menos da boa amizade e do grande amor.
Acalme-se que os contos surgem de onde menos se espera..., da realidade, p.ex.!
;)
E um xi para a 'minha' Rita, outra afortunada!
São só "milionárias amorosas", por essas bandas, hã, riquezinhas?!
Divirta-se muito!
Bom fim-de-semana...
:)

(c) P.A.S. disse...

Está enganada, Dª Helena!
Se conheço alguém rico é a senhora, rica da beleza que conta, a interior. O (c), o (c) é algo que o Sócrates ainda não me tirou, o meu carácter, mesmo que me deixe a pão e água!

Lura do Grilo disse...

Um rapazinho com aquela idade e ainda não deixa a casa da mãe: uma vergonha os deputados não serem auto-suficientes.

Diz-me um colega que os filhos agora estão para ficar até aos 60 anos: tem razão.

Fada do Bosque disse...

Pois, pois... não a imagino quieta numa chaise-longue, a ver a banda passar!... e logo uma senhora com brevet, desde tão nova! :) Não seria a pessoa interessante que é! :))

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Lura
Deixar a casa da mãe deixou ele há já 25 anos. Prescindir das petiscos maternos...isso já é mais difícil. É que alem de boa mãe sou excelente cozinheira!
:))

Anónimo disse...

Cara Helena, não é rica... é milionária nas coisas mais importantes da vida.

No fim de uma semana de trabalho, não há melhor coisa na vida que os miminhos maternos.

Estou na casa dos 40 anos e sou adepta do "colinho" da mãe e dos programas em que tenha a sua presença... Cada vez mais!

Deve-se aproveitar enquanto é tempo porque estamos perto de quem gosta realmente de nós e com os valores com que se foi educado(a).

Viva o "colinho" da MÃE!!! :)

Isabel BP

Lura do Grilo disse...

Nem dormi esta noite a pensar nas provações que a Helena tem que passar. Escrever livros sobre culinária tem o seu lado perigoso e os filhos são oportunistas. Aqui vai um manual para tentar ver-se livre do "implastro". Depois diga se resultou para esta geração afinar o método:
1) À primeira "namoradela" diga que sim. Está contente por receber o rebento. Tenha tudo pronto quando ele chegar.
2) À segunda peça-lhe para colocar a louça na mesa e depois para levantar.
3) À terceira diga que os joanetes a voltaram a incomodar, que não aguenta muito tempo em pé ... e tal. Peça-lhe para cortar o alho e picar a cebola e claro colocar a louça na mesa e levantar. Coloque-lhe o avental (da cozinha, pois claro).
4) À quarta deixe tudo atrasar-se enormemente. Peça-lhe tudo referido anteriormente e constate com surpresa que esqueceu de comprar o peixe. Não tem dinheiro em casa e ele que vá comprar.
5) Se não resultar ... pois terá de voltar a Paris e o "implastro" à cantina.

Bem ... está na hora de sair com a família para ir almoçar a casa da minha mãe.

Até logo

Anónimo disse...

Não é que a Margarida me tirou as palavras das impressões digitais e digitou-as para aqui...
Plagiando-me pois claro...

Ai... na minha vida, Qualquer dia basta ela ou Eu...

Basta por a margarida chegou primeiro...
Também que mais nos dá...
Cada uma em seu género...

Agora o aviãozinho herdeiro do seu Tio é mais barato Vila Real Lisboa que Porto lisboa(Nem sei como tal).

Mas tenho alguma dificuldadfe em aceitar e engolir que saia de vila real e não de chaves, que mania...

Acho o ordenamento através das capitais de Distrito no minimo castrador...

E se fizessemos um partido só de mulheres... Assim cor turquesa, ...

A senhora obviamente como Presidente ... Sempre...

Estou quase a ficar livre para assessora Transmontana distrital de Chaves...

Topam?!!!
Isabel Seixas

Só é preciso ser ou sentir-se Mulher independentemente do envólucro... temos sempre Maioria absoluta...
Quer dizer acho Eu...
Logo veriamos...

Marcolino Duarte Osorio disse...

Drª.Helena,
Minha Mãe faleceu precocemente,passando a existir a casa do Pai. Somos dois irmãos e nosso Pai resolveu que seriamos 3 irmãos a coabitar na mesma casa. Dividiamos as despesas correntes, agua, luz, gas, mulher a dias, pequenos almoços e jantares.
Foram anos de salutar convivio, noitadas longas, de fim-de-semana, em que nos perdiamos uns dos outros, para nos reencontrarmos ao final de domingo, com sorrisos de orelha a orelha! Os anos passaram, casei-me e o meu irmão també. Nosso Pai sentiu-se só e perguntou-nos se não levariamos a mal ele coabitar connosco. Recebemo-lo de braços abertos e minhas filhotas apaparicavam-no como só elas sabiam fazer. Um dia, há muitos anos, teve que «partir». Meus sobrinhos e minhas filhotas, sentiram imenso a sua falta, pois tinham ali, não um Avô, mas um cumplice, um companheirão!
Compreendo-a tão bem, Drª. Helena, no seu orgulho por ser bem-amada pelos seus infantes...
Cumprimentos
MO

Twoefes disse...

Em boa hora encontrei o seu blog. Dra. Helena. Adoro a sua escrita, simples e transparente: umas vezes séria, outras bem humorada que me deixa sempre aquela sensação, quando leio os seus textos, de estar a ouvir alguém que fala comigo, olhos nos olhos. Aguardo ansiosamente o seu próximo livro. Os meus cumprimentos.

rosaamarela disse...

Eu já desconfiava que era boa cosinheira,tem ar disso.

Ainda vai escrever um livro sobre cosinha tome lá o titulo "Comida de mãe"

abraço

Julia Macias-Valet disse...

"Ó vida malvada, como eu queria ser rica e nao ter de fazer nada !" !!???
Eso ni usted se le cree !

Um dia a minha mae deixou um escrito na cozinha endereçado ao meu irmao mais velho :

- "Santiago cose os ovos."
O meu irmao fez o que a minha mae pediu...mas deixou-lhe uma resposta por baixo :
- Sim mae. Com linhas de que cor ? : )))
Depois desta historia la em casa nunca mais ninguém se enganou ; )
Mas caso necessite de alinhavar uns contos, ou de talhar um titulo faça sinal que eu envio-lhe uma caixa da costura. : ))

PS A Lura esta um bocadinho com a Lua, ou é impressao minha ??? Ou entao era fome...

Lura do Grilo disse...

"PS A Lura esta um bocadinho com a Lua, ou é impressao minha ??? Ou entao era fome..."

Cara Julia

Era só um pouco de brincadeira e ironia à mistura. Tudo uma encenação excepto o almoço em casa da minha mãe.

Os filhos são sempre bem vindos e os netos também. A Helena é um anjo bom e generoso que trata todos com desvelo, grandes artes culinárias e imensa ternura: disso tenho a certeza.

No almoço de Domingo a minha mãe falou no respectivo Pai que perdeu quando tinha cinco anos: uma lágrima correu-lhe cara abaixo. Isto é família: a ternura que deixamos!

Ana disse...

Sorte a nossa não o ser e ter de nos presentear com alguma coisa.Obrigada por assim ser, pela escrita, pela alegria e pela inteligência.