sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os gastos de Natal

Confesso que é difícil compreender. Leio, no Jornal de Notícias, que os portugueses movimentaram 2,5 mil milhões de euros. De compras foram 1,3 mil milhões e de levantamentos multibanco o resto, ou seja, 1,2 mil milhões.
Parece que estes números, ligados ao subsídio de Natal, para além das aquisições da época, também serão reveladores de uma antecipação de compras de produtos que, em 2011, ficarão mais caros devido ao aumento do IVA.
De facto, parte significativa dos portugueses empregados parece não ter ainda interiorizado que a crise já existe e não vai apenas começar em 2011. Mas disso o governo tem bastante culpa.
O que estes gastos representam é a falta de preparação das famílias portuguesas, para as quais o cartão de crédito acaba sempre resolvendo parte dos seus problemas e constituindo um dos grandes multiplicadores do seu profundo endividamento.
Talvez no próximo ano as televisões percebam, enfim, a urgente necessidade de ter programas simples, acessíveis a todos, que ensinem os agregados familiares a poupar e a gerir o seu rendimento!
HSC

9 comentários:

diogo disse...

o nosso maior problema , é o país ser governado como um comum agregado familiar , por um qualquer aprendiz de gestor de maia tigela

voz a 0 db disse...

EHEHEH!! Agora fez-me rir a bom rir... Obrigado.
"as televisões percebam, enfim, a urgente necessidade de ter programas simples, acessíveis a todos, que ensinem os agregados familiares a poupar e a gerir o seu rendimento!"
Estou a ver o programa simples, e acessível, com pelo menos quatro intervalos comerciais com 20 a 25 minutos de "lavagem cerebral", hum... publicidade, em linguagem popular, para consumir o que não faz falta nem precisa!
Caríssima... então? Estamos em PORTUGAL... onde há censura/adulteração de respostas de telespectadores no Canal Público de "informação"que passa no cabo/fibra/etc!!!
Nós antes de sermos Cidadãos, somos CONSUMIDORES, não se esqueça de ter isto sempre presente.
Quanto ao resto eu tenho por hábito levantar todos os meses o meu salário do banco... só lá deixo uns cêntimos! E isto porque, infelizmente, vivo num país no qual não posso escolher a forma como desejo receber a compensação financeira, vulgo salário, pelo que faço! Mais uma Liberdade que se foi...
Novamente obrigado... eheheh

António R. disse...

A educação financeira básica devia começar a ser ensinada logo em casa...com a explicação de que para que serve uma mesada e como deve ser gasta. Depois devia ser ensinada na escola, a iliteracia financeira, leva as famílias ao desastre.
Quantas famílias não sabem fazer um orçamento doméstico. Se não se medir como se gasta o dinheiro...como é que se pode gerir o dinheiro que entra numa casa?
Helena, e já viu a noticia que saiu agora, sobre o novo modo de financiamento de fazer compras com o cartão de crédito num dia e irem devolver os artigos no dia seguinte, para receberem o dinheiro das lojas e estas só vão receber à posteriori dos Bancos que detêm os cartões.

Anónimo disse...

Concordo na íntegra com o que escreveu.

Ao longo da minha vida já tive a maior parte do que queria, após a morte do meu pai passei a ter apenas o que a minha mãe podia dar, depois voltei a ter a maior do que quero (também não sou de grandes extravagâncias).

Aprendi que é mais fácil descer do que subir na vida, mas, infelizmente, a maioria dos portugueses vive no "Reino do Faz-de-conta".

O governo, os bancos, as agências de viagens... são os grandes responsáveis por esta triste ilusão e o consequente endividamento de boa parte dos portugueses.

Apesar de católica (não praticante), costumo dizer que se pudesse passava de Novembro para Janeiro porque o Natal, principalmente nos grandes centros urbanos, tornou-se uma quadra de uma hipocrisia sem limites motivada pelo excesso de consumo.

Nos últimos anos, passei esta época no estrangeiro e constatei que dá-se mais importância ao espírito natalício, através do convívio nos mercados de Natal e apenas a compra de pequenas lembranças.

Nas férias, volta tudo ao mesmo, lá vai o agregado familiar apanhar o voo charter para um país tropical e passar uma semaninha num resort com "Tudo Incluído"... a viagem começa a ser paga no ano seguinte porque naquele ano estão a pagar as prestações do ano anterior.

As pessoas "dão um passo maior do que a perna" e assim não vamos mesmo lá!!!

Isabel BP

Gaivota Maria disse...

Isto é a euforia que antecede as grandes tempestades... Eperemos pelos ordenados e pensões de janeiro e vai ser o pânico

Lura do Grilo disse...

Nem sabe a Helena o reviralho que vai nos stands? Imensa gente a tentar trocar de automóvel antes da subida do Iva alguns e outros também pelos 1200 euros do abate.

Eu queria trocar o meu carrinho mas uma força de bloqueio feminina impediu-me.

Maria, Simplesmente disse...

Há imensos cartões de crédito, parece-me que hoje as vendas são todas a crédito, até nos telefonam para casa a oferecer cartões...!
Assim toda a gente se habituou a comprar sem dinheiro mas sim com plástico, penso que ainda não se habituaram a fazer contas e não pensam que 1 Euro não é 1 escudo...!
Vivam os cartões de crédito...

(c) P.A.S. disse...

Desconfio sempre destes números que se esquecem do aumento continuado do custo de vida.

Anónimo disse...

Caríssimos

acabo de vir do centro comercial cá do burgo e pelo que vi 'a crise é uma grande mentira'. Eu trazia meia dúzia de coisas no fundo do carrinho para comer durante a semana e senti que todos olhavam para mim quando ouvi alguém a comentar 'coitada, não leva prenda nenhuma!!! Enfim, estou cada vez mais confusa. Crise qual crise!!! É um fartar vilanagem de comprite aguda. Na melhor das hipóteses a malta compra porque pode, eu é que já não posso e tenho de ter muito juizinho. Como dizia o nosso amigo Guterres: 'É a vida'.