quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A sedução


Sempre defendi que cada idade tem a sua sedução. O problema está em descobrir “qual” o tipo de encantamento possível em cada uma delas. Porque, nesta matéria, qualquer tentativa de fazer diferente, corre o maior dos riscos: o do ridículo.
Há dias, num consultório, ao folhear uma revista, dei de caras com uma senhora cuja antiguidade a situa no grupo das “idosas”, que envergava um vestido lindo bem acima dos joelhos. Alguma coisa estava, ali, evidentemente errado.
Hoje, e na sequência do que escrevi recentemente, mas numa outra ótica, vi a dita senhora, que encontrei, passeando à beira rio numa bela toillette desportiva, mas que seria mais apropriada a neta que a acompanhava...
Muitas mulheres no afã de parecerem tão jovens quanto os filhos - aqui arriscaria dizer, quanto as netas - esquece que a sedução está justamente no contrário, nessa imensa sabedoria de se aceitar e perceber que cada ruga e cada cabelo branco representam uma parte da vida que se não pode nem deve renegar. Até porque os filhos e os netos que eventualmente tenhamos, atestam de modo irrefutável o lugar que ocupamos na pirâmide etária à qual pertencemos!
A menos que queiramos correr o risco de parecermos ter tido um passado algo pedófilo...
Porque será que para tanta gente é tão difícil admitir a idade e tentar encontrar, a essa escala, aquilo que mais se adequa e mais valoriza o aspecto exterior. Que não é, certamente, numa mulher de mais de sessenta anos, pôr em evidencia as rótulas ou os seios…
HSC

8 comentários:

Manuela disse...

Helena, esta busca constante da eterna juventude, faz com que algumas mulheres, não consigam admitir para si próprias o passar dos anos, nem aproveitar devidamente, a idade que têm. Eu gosto da idade que tenho e quero continuar a usfruir das diversas etapas da minha vida, em consciência!

paula disse...

sabe Helena, tenho pensado exactamente isso ao longo da vida que avança e vou reconhecendo que vou sabendo envelhecer, felizmente, aceitando-me, sem, contudo deixar de pedir a quem me é íntimo, que me avise se parecer ridicula, se perder a noção do adequado.

mas, e ao que eu queria chegar, entendo de certa forma, algumas senhoras (aqui a sua descrição fez-me lembrar a Paula Bobone), que tentam a todo o custo disfarçar o acumular dos anos. São armadilhas da natureza, é o desencontro da alma com o corpo, a alma revigora, amadurece, enquanto o corpo envelhece. é díficil lidar com esse desencontro. A Helena parece-me ter essa sabedoria, felizmente.

para terminar, eu que nem tencionava escrever, há uma frase que li algures e que trago em mim, que diz que 'a passagem do tempo deve ser uma conquista, não uma perda', recconheço que é mais fácil dizê-lo do que vivê-lo.

parabéns para si Helena.

Benó disse...

Eu, avó, na classe dos sessenta, concordo inteiramente com a Helena. E pergunto: Será que não foram adolescentes e querem-no ser agora?

GiaSantos disse...

Cara Helena
Sempre achei que o envelhecer não seria um drama.
Complicado seria envelhecer sem um sonho.
Obtive o sonho na minha década dos cinquenta e com ele a preocupação dos brancos, das rugas, da barriguita, etc..
O sonho foi sol de pouca dura, pois isto de ser viúva e mãe de duas filhas não é "pera doce".
Foi-se o sonho, assumi os brancos e os traços de expressão e a consciência de que o vazio, o equilíbrio só é preenchido/adquirido dentro de nós.
Um abraço.
Gia

Anónimo disse...

Interessantíssimo Post. Mas esta questão é transversal, ou seja, não respeita só às mulheres, mas igualmente a alguns (muitos) homens. Ainda outro dia, num jantar entre amigos, um deles (já com “5quentas” e…) perguntavam a uma mulher, das convidadas, uma meia dúzia de anos mais nova do que ele, que idade julgava ela que ele teria. Ouvia aquilo e achei a pergunta algo patética. Por mim, nunca faria semelhante pergunta, tivesse, ou tenha, a idade que tiver. Mas enfim, cada um é como cada qual, como dizia o outro. E ele respondeu-lhe: “uns 57/58?” Na “mouche”! E ele ali ficou boquiaberto, tristíssimo. Julgava-se “menos gasto” de aparência, mas os anos estavam lá. E ainda nos rimos com isso.
Na minha actividade profissional, conheci outro dia uma mulher menos jovem do que eu (evito a palavra “velha” quando falo com uma mulher, as mulheres nunca são velhas, têm mais ou menos anos do que nós, tão só), com uns 62, que era muitíssimo atraente, dentro daquilo que HSC aqui descreve. Com consciência da idade que tinha, vestia-se e comportava-se como tal, mas com uma elegância e classe únicas! E sendo bonita, foi um prazer olhar para uma mulher assim.
P.Rufino

Anónimo disse...

Oh doutora Helena...
Que post ...Interessante...

De facto a evolução da imagem corporal suscita espontaneamente expressões reveladoras da compatibilidade esperada entre a idade real e a aparente. Para as Senhoras o testemunho é constante obrigatório ,sem ser pedido, implacável. desencorajador, redutor.

Basta ler revistas e os comentários escritos explícitos e implícitos que caricaturam o corpo desfasando-o da etapa de evolução do ciclo vital como se tivéssemos que estagnar nos.. .

Depois só há sedução se conseguirmos seduzir com a intensidade que atribuímos ao processo, normalmente a resposta vem da "atenção" de Quem gostaríamos que ficasse ou se mantivesse no ponto que delineamos, às vezes à luz de uma subjetividade ... Cruel.

Pois é um Tema que daria pano para mangas... A matriz multifatorial do Amor às vezes denega o poder do corpo em detrimento do da alma da mente e sustentabilidade do carater, não sei se tem é significado estatístico...

Incondicionalmente seduz me a beleza saudável individual/intemporal da inteligência, na dimensão emocional, relacional, espiritual com Saber sustentado para a compreensão.
Isabel Seixas

Anónimo disse...

Concordo inteiramente com o que escreve.
Eu tenho 50 e penso que estou a saber envelhecer. Gosto dos meus cabelos brancos,gosto do que faço,procuro também no tempo livre fazer o que gosto e tenho sonhos.Sonhos que acredito ainda poder realizar.Espero saber continuar a envelhecer com alegria, alguma junventude e a lucidez necessária para não cair no ridículo.
Um abraço
Isabel

TELMO BÉRTOLO disse...

Cara Helena,
Há uns anos li a seguinte frase: «A beleza (física)é uma carta de recomendação cujo crédito dura pouco.» Mas muitas pessoas não se dão conta disso. Julgam-se eternas e, por isso, recorrem a operações na ânsia de recuperar o que foram perdendo. Como dizia Yves Montand, «Há três coisas que não envelhecem: a integridade, o sentido de humor e a ternura.» E estas são coisas que nos fazem felizes e nos dão bem-estar.
Aproveito para dizer que gosto muito de ler os seus escritos nos seus blogues.
Abraço.
TB