sábado, 21 de agosto de 2010

Help! Socorro!


Esbodegada com o calor insano, decidi ir almoçar às Amoreiras, já que tinha de abastecer o frigorífico que estava uma miséria. Instalei-me com um amigo numa mesa de onde se via quase tudo. Nunca esta expressão " ver quase tudo" foi tão verdadeira. Com efeito, pelos meus olhos passearam-se donzelas em maillot, senhoras em duas peças que deixavam a terceira toda à mostra, velhinhas que, esquecidas dos anos, mostravam estômago e rótulas, homens que de chinela passeavam a sua rotunda e imensa barriga de felicidade, rapazes vestidos de negro tão profundo e completo que pareciam "emburqados", velhos de calça pela anca numa tentativa de seduzir donzelas da mesma idade que restaram donzelas, enfim, uma galeria de horrores massificados que me tiraram a vontade de chegar ao café.
O que é que aconteceu ao país, às suas gentes, aos seus neurónios e, sobretudo, ao seu bom senso? Será que nem o sentido estético nos acode? Plastificam-se nos cirurgiões plásticos e depois vêm expôr-se deste modo?
Socorro! Help! Começo a compreender as vantagens da burqa e o pundonor que o seu uso representa...

HSC

12 comentários:

Gaivota Maria disse...

Estou consigo. Antes de mais uma vergonha. Deselegância é pecado. Estou a preparar uma viagem de cruzeiro. Gente da nossa geração e educação pensa no que vai vestir durante o evento para se sentir bem, confortável mas elegante. Há dias assisti na Tv ao embarque falhado (por avaria do barco) em Lisboa de passageiros. O aspecto escandaloso e baixo daqueles 700 que se viam a esperar na doca era de fugir. Igual ao que a Helena viu nas Amoreiras . Eu acho que nem terá havido alguma avaria. O comandante deve ter olhado para aquela gentinha e pensado que não os queria a bordo do barco dele. E seguiu para o porto seguinte com os que já vinham do anterior.
E dizem que se preocupam com a moda! Bom domingo

Hugo de Macedo disse...

Sinais dos tempos. O importante é que cada um se sinta bem como é, mantendo a sua individualidade e sem prestar atenção ao que os outros possam ou não pensar.

Margarida disse...

É torturante, não é?
O que relata atropela-me o olhar diariamente. É pavoroso.
A falta de gosto, de senso, noção da realidade e da poluição visual que se provoca a terceiros são inauditas.
As pessoas não têm espelhos?
Aprendi a vestir-me num tempo em que ainda se usavam combinações, calças forradas (sobretudo claras), decotes discretos, mangas que tapassem excessos e saias pelo joelho (ou abaixo!).
E, pensando bem, não se trata apenas de correcção para connosco e respeito pelos outros (ou vice-versa), porque tudo se poderá experimentar ou usar, dependendo das circunstâncias.
É essa noção do apropriado, do que fica bem, do que valoriza o bom e/ou disfarça o menos positivo.
Com tanta coisa agora à disposição, tanta tralha, tanto trapo, e é isto...
Perdeu-se, a par de outros valores, o sentido da elegância, da discrição, do bom gosto.
Realmente, eu já havia notado que a burqa, de uma certa forma, era um 'sossego'...
:)
As pessoas não sabem usar a liberdade.
Nem no guarda-roupa.

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Hugo, embora possam ser sinais dos tempos todos temos que os viver. E assim como eu não ando nua na rua, mas posso fazê-lo em praias apropriadas, também no à vontade individual há limites...
Na minha casa ando como quero, mas nos espaços públicos julgo que, por respeito pelos outros, deve haver alguma contenção. Nem que seja pelo exemplo que damos aos mais pequenos!

Carlos II disse...

As pessoas fazem confusão entre o estar à vontade e a bandalhice. Com a alteração dos costumes acham que o parece mal hoje já não faz sentido.É evidente que nessas pessoas há uma enorme falta das devidas proporções e de gosto.
No caso das mulheres, onde estou naturalmente mais atento, é gritante a perda da feminilidade.
Em tempos escrevi no meu blog sobre este tema e terminava com este desabafo. I love Marilyn Monroe.

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Carlos, como diriam os ingleses "so do I"!

Anónimo disse...

Estou inteiramente de acordo com a autora deste Post e com o comentário de Margarida!
P.Rufino

Raúl Mesquita disse...

Não reparo, vejo, mas não presto atenção. Sou um bocado egoísta. Preocupo-me com os meus pensamentos. Alto! Sou crítico, tenho uma boa costela de Hercule Pirot/Miss Marple, mas guardo-a para outras ocasiões. Falo de mim, apenas de mim.

R,R,R,R,R,R. LOL(íssimo!)

Paulo Abreu e Lima disse...

Hoje devo estar do contra:

Primeiro, não creio que o mau gosto alheio cerceie a minha liberdade de escolha, logo se não gosto, não olho. O Amoreiras está "mau frequentado", vou ao El Corte Inglés.
Segundo, quem sou eu (ou com que autoridade me credencio) para sugerir a um senhor anafado o preto em vez do amarelo choque, por exemplo? Atentado aos bons costumes, ao pudor público...?
Hmmm, ouvi falar, em tempos idos, que todos tinham de usar sapatos...

Raúl Mesquita disse...

Cara Helena:

Permita-me a ousadia de fazer quase um diálogo com outra pessoa interveniente no seu Blog. J'espère que vous ne m'en voudriez guère.

Cá por mim (LOL!), não vou às Amoreiras porque não gosto de Centros Comerciais. A luz, a ideia em si mesma (percebo que quando se vive ao pé seja uma tentação)... Prefiro Les Grands Magasins. Quanto ao C.C.das Amoreiras ser ou não "mal frequentado"..., então teríamos de ir ao Le Bon Marché Rive Gauche, ao Harvey Nichols, ao Bloomingdale's on Lexington Avenue ou ao Berdgorf & Goodman on 5h Avenue. Não "dá" para ir todos os dias pois não?

Quanto ao resto, Paulo, a escolha dos outros e a subtileza dos "sapatos", concordo consigo.

Abreijo do

Raúl.

fatima disse...

adorei... parabens pelo seu blog

Anónimo disse...

Parabéns Helena pelo seu blog!
Sou sua admiradora como escritora e mulher.
Sinto uma enorme tristeza ao ver este País a perder os seus valores mais básicos: respeito pelos outros e por si próprios, bom senso;noção do ridiculo.Onde iremos nós parar?Como mudar tudo isto? Se calhar só com regras e imposições forçadas.