domingo, 13 de junho de 2010

Plano Inclinado


Ontem assisti ao programa Plano Inclinado. O convidado era, pela segunda vez, Ernâni Lopes. Parecia que alguém me tinha ouvido, porque a conversa girou toda à volta do recurso, ou não, à ajuda internacional por parte de Portugal. Por detrás do tema escolhido estava a entrevista dada por Teresa Ter-Minassian ao Jornal Económico.
Medina Carreira era favorável à opinião da analista do FMI. Ernâni defendia a "honra da pátria" e considerava que esta não era, ainda, a altura, apesar de admitir que tal pudesse, em determinadas condições, vir a acontecer mais tarde. O que significaria, afinal, mandar a honra às urtigas e negociar em piores condições.
Não fiquei completamente esclarecida. Mas se tivesse de responder de imediato à pergunta, julgo que optaria por pedir já, a citada ajuda.
Depois falou-se do modelo do "estado social" e com ele as condições em que se encontrará a nossa Segurança Social dentro de vinte e cinco anos, se entretanto não forem tomadas medidas.
De facto aquele modelo assentou em bases que estão completamente ultrapassadas e se não for feito o ajustamento à nova realidade, não haverá sequer dinheiro para pagar reformas...
Para além de tudo isto, abordou-se a espuma dos dias e os valores em que ela actualmente assenta. Ou seja, se o laxismo, a corrupção, a negligência, não forem substituidas pela competência, pela ética e pela excelência caminharemos para o abismo.
A minha pergunta é se não estaremos já lá...

HSC

3 comentários:

voz a 0 db disse...

Cara Helena, até me fez sorrir pois assim que acabei de ler esta mensagem... lembrei-me logo desta mensagem por mim publicada... antes da 275... que tinha a ver com défice... era para por o pessoal a pensar e fazer associação ... mas acho que não atingiu o objectivo!

carolina disse...

Isto é só a minha opinião e claro vale o que vale, este é um post que toca num dos pontos fulcrais de toda a lama em que caminhamos. De facto só quando a competência o rigor e a eficácia ocupar o lugar do laxismo da corrupção e da incompetência, nós estaremos a andar para terra segura. O que me enfastia efectivamente é pensarmos que isso é culpa "deles" daqueles que nos governam, como se “eles” fossem coisa diferente de nós. "Eles" aqueles que nos governam somos nós, são massa extraída da nossa massa, e, que surpreendentemente quando deixarem os seus lugares na politica passarão a ser competentissimos analistas com soluções eficazes e perfeitissimas para as “crises” que entretanto provocaram. Até parece que ser politico é andar de olhos vendados e que só veem claramente depois de...! pois, eu não acho que a culpa seja "deles" é "nossa", colectivamente, "eles" são o retrato do que somos como povo, do que exigimos como pessoas do que exigimos de nós própios. Nós somos assim, corruptos, incompetentes, ineficazes e os melhores de nós são apenas laxistas. Ontem ouvi a Ana Bola dizer que está cansada, cansada da incompetência que nos rodeia e que cresce em espiral. Como a compreendo, a incompetência, quase sempre disfarçada de arrogância, cansa, cansa tanto que apetece mesmo baixar os braços e deixar passar…Pois, é, eu também me qustiono, ainda não estamos no abismo??? Devemos estar muito próximos

Maré alta disse...

Concordo com a Carolina, a maior parte das pessoas que ocupam, os cargos de chefia ou direcção das instituições, escolas ou empresas. Na maior parte das vezes, assiste-se a um desfilar de uma incompetência, disfarçada de arrogância e prepotência.
Helena, sugiro que talvez num próximo post, se fale um pouco sobre a ética no trabalho.
Bem-haja Helena