sexta-feira, 16 de abril de 2010

Um enxovalho desnecessário

O Presidente Cavaco Silva em visita oficial a Praga foi hoje submetido a um enxovalho desnecessário e inaceitável por parte do Presidente checo, que se permitiu tecer comentários desagradáveis sobre a nossa economia e as nossas contas públicas.
Comentários tanto mais inconvenientes quanto os poderes presidenciais nestas matérias são, como se sabe, muito limitados. Logo, as críticas atingiram não só o Presidente, mas também o país que ele representa. O que, num parceiro da Comissão Europeia, é inadmissível.
Estes países que saíram de regimes comunistas estão habituados a uma gestão controlada dos dinheiros e das finanças, sendo pouco permeáveis a projectos megalómanos ou a despesas desnecessárias. Nesse enquadramento, um país com as características do nosso, "tem é que ter juízinho e entrar nos eixos". Claro que Vaclav Klaus pode pensar isto. Não pode, nem deve expressá-lo. Nomeadamente a um convidado seu, que é o representante máximo desse país. E por parte de alguém cuja história política é discutível. Lamentável!

HSC

8 comentários:

Leonardo B. disse...

[fosse o poeta vivo e emendaria o verso para "... e o silêncio comanda a vida!]

um imenso abraço,

Leonardo B.

Margarida disse...

Também achei inacreditável. Tive e rever, estarrecida. Como foi possível tamanha deselegância?! Tanta falta de sentido de estado?...
Imagino os anti-ácidos que o dr. Cavaco deve ter tomado na sequência de semelhante provação - e, não podendo (ou devendo) seguir-lhe o atroz exemplo, ter de mostrar boa cara e ainda, de certa forma, desculpabilizar o cavalheiro.
Inaudito. Coisas assim oficial e publicamente nem são ditas de exemplares mais do que reprováveis de espécies de democracias arrevesadas que nos visitam, quanto mais...
Muita falta de chá.
Demais.

Anónimo disse...

Inteiramente de acordo HSC. “O outro Vaclac”, como foi conhecido durante muitos anos, por contraste com Havel, tem um passado de “manga de alpaca” ao tempo do regime comunista que serviu, bem, sem se queixar, ou protestar, como fez Havel e após a “revolução de veludo” tornou-se conservador, pró-americano, anti-russo, etc. Tive ocasião de seguir de perto o caminho do “personagem”. E já em tempos, quando PM do seu país, a convite do mesmo Cavaco Silva, então chefe do governo português, proferiu aqui em Lisboa, uns dislates próprios de quem nunca teve berço. E agora foi o que sabemos. Há regras, de gente bem educada, que nos ensinam a partir do tal berço, que consiste em se saber comportar quando se é convidado e quando se convida. Mas Klaus, proveniente de um universo “tosco-comunista” nunca aprendeu estas regras simples de mais elementar protocolo, to say the least. Nunca percebeu lá muito bem como funciona uma economia de mercado, dado que a terá aprendido (ao tempo do regime que lhe pagou a escola e a universidade) “ao contrário”, numa perspectiva “explicada” pelo comunismo que tão bem serviu, ao tempo. Voltando ao que aqui escreve, e muito bem, acabou por insultar quem convidou, Cavaco Silva, que lhe respondeu com toda a educação e elegância. Enfim, um tosco, o tal “outro Vaclav”. Alguns daqueles países, saídos daqueles regimes, vão levar algum tempo até perceberem no que consistem as palavras elegância, educação e civismo. E Protocolo, já agora. Excelente Post!
P.Rufino

Reflexos disse...

Os checos não primam pelo 'saber estar'... já quando foi a presidência europeia, foi a bronca da obra de arte, supostamente feita em conjunto com artistas de todos os países, e que mais tarde se veio a descobrir que foi 'obra' de um só homem!

Eu lido muito com eles e são muito estranhos, muito desporvidos de expressão... nunca sabemos o que estão a pensar e são muito imprevisiveis nas reacções...

causa vossa disse...

É verdade: é feio, pouco simpático e difícil de digerir estas quase verdades!

Mas no vórtice desta nossa santa terrinha, onde se conjuga hipocrisia, ganância, iliteracia e uma arrogância elitista muito composta, onde dizer a verdade e a esconder na hipocrisia reinante está a um passo do palco momentâneo, esquecemo-nos que a verdade é dolorosa mas é revolucionária.

A este propósito estava a comparar os índices de Gini da impoluta República Portuguesa e da poluta República Checa e pasmei: não é que República Checa há só uma e República Portuguesa há pelo menos duas!

Como dizia uma deputada Brasileira no seu palco preferido: a corrupção está nos genes do político Brasileiro!

Pudessem eles ter sido descendentes de Checos!

diogo disse...

O que me aborrece em toda essa falta de tacto é esse sujeito estar coberto de razão . E não sabe ele, ou não disse, na república das bananas em que este país se tem vindo a tornar

Carlos Pires disse...

O sr. pode ter sido pouco diplomático e não ter autoridade para dar lições aos outros, mas infelizmente tem razão.

Raúl Mesquita disse...

Cara Helena: por que é que às vezes somos uma "desgraça total" e às vezes temos "sempre razão"? A ideia que só nós podemos criticar a "Nossa Casa" não me convence. Creio que em política a elegância não é igual àquela que, isso sim, temos de ter em nossa casa (particular) para com os nossos convidados. Parece-me que haverá uma diferença, embora haja sempre a resposta gramatical que "elegância" só quer dizer uma coisa e uma só - fácil...! Parece-me, no entanto, que algumas pessoas, e não me refiro a si, claro, até porque esta é a sua casa, se aproveitam de uma certa mesquinhez sua para tentar destruir o que elas, na sua mediocridade, acham que é um perigo (para elas). Com toda a minha franqueza e admiração por si, creia-me, Raúl.