terça-feira, 6 de abril de 2010

Contradição?


Portugal é um país laico onde a liberdade religiosa é respeitada desde que a respectiva prática não entre em conflito com as disposições legais. Já foi, no passado, um país católico.
Por isso me surpreende que um Estado que mandou abolir os simbolos de religiosidade de locais públicos como as escolas, continue a manter os feriados que apenas respeitam a Igreja Católica. Por mim, que pertenço a ela, tudo bem. Agradeço o 24 e 25 de Dezembro, a Sexta feira Santa, o 13 de Maio, o dia de Santo António, o dia de S. João, a Acensão de Nossa Senhora, o dia de Todos os Santos e o dia de Nossa Senhora da Conceção, a 8 de Dezembro.
Mas os outros? Os que não são crentes ou até professam outras fés? O que pensarão?Possivelmente até nem gostam e estão no seu direito de não quererem ser descriminados.
Mas que me assombra que o laicismo do Estado seja tão permissivo em matéria de descanso católico, lá isso assombra-me..
É que parece que os nossos governantes decidiram ficar com o lado fácil da religiosidade e banir tudo o resto. Para mim, trata-se de um exemplo bastante duvidoso!

HSC

11 comentários:

CRISTIANE disse...

Dona Helena,passei meu fim de semana a ler seu blog.Confesso que ri, chorei e acima de tudo me fizeste a pensar....adorei me sentir assim...Viva!!!Parabéns pelas suas palavras tão sábios e de grande poder.
Cris

Fada do Bosque disse...

Chama-se a isso colocar o dedo na ferida!
A Helena não pára de me surpreender pela positiva...
E agora hein? :))

Anónimo disse...

Cara Helena,
Permita-me que discorde deste seu Post, embora respeite, naturalmente, a sua opinião ali expressa. Não me parece que se deva comparar o mandar abolir os símbolos religiosos nas escolas públicas, com o manter os feriados católicos. São coisas distintas. Ambas são decisões políticas, mas diferentes. Que nada têm de original, ou seja, outros países procedem de igual forma. A França e o Reino Unido - mas poderia dar outros exemplos no seio da União Europeia (há vários)- permitem, ou mantêm, feriados de carácter religioso, como alguns daqueles que menciona, sem por isso deixarem de praticar a separação entre o Estado e a Religião (qualquer que ela seja). E também procuram pôr em prática, nas escolas públicas, esse laicismo que lhes é inerente. Tratar-se-á, penso, de acomodar e respeitar tradições, isto no que aos feriados respeita. Já a proibição dos símbolos resultará, provavelmente, de procurar “recordar” (aos cidadãos, ou “súbditos”, no caso de estarmos perante uma Monarquia - por mim prefiro ser cidadão a súbdito, mas isso é outra questão) que o Estado, ou o País, é laico. Julgo que é por aí que, talvez, devêssemos analisar esta questão. Até, como digo, tendo em conta os outros exemplos por esse Mundo fora.
P.Rufino

Anónimo disse...

Pois .
Aqui está mais uma razão para abençoar a blogosfera. Fez-me pensar no que me passou despercebido... De facto!
Nós portugueses somos tão meias-tintas, não somos? Que jeitinho o nosso de pôr sempre a brasa debaixo da nossa sardinha :-) e lá ir virando-a conforme o brazão. Confesso que este nosso costume do branco claro e branco escuro me perturba não raras vezes.
Á Senhora, bem... agradeço-lhe profundamente o seu incomensurável contributo para este caminhar... sem plataformas :-))
Aceite um beijinho.
A. Malheiro

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro P. Rufino
Em matéria de manter tradições...só nos acomodamos nos feriados!
Por mim - e repare que sou católica - "preferia" gozar os feriados laicos, sabendo o que significam, e louvando o seu propósito, a impôr as tradições do meu país, e as minhas, a quem as não tem ou até tem outras.
Gosto de coisas claras. A Deus o que é de Deus - cada um terá o seu ou mesmo nenhum - e ao Homem o que é dos homens.
Mas possivelmente sou eu que estou errada...

Catia disse...

D. HELENA,
de Portugal nao me extranha, vivo no Canada pais q nunca foi nem nunca sera considerado Catolico e mesmo assim para td, dia 25 de Dezembro e Sexta Feira Santa.

GONIO disse...

Tem razão na abordagem da questão. A sua última frase diz tudo.

PS: se me permite, uma pequena correcção: no antepenúltimo parágrafo, quando escreve "descriminar" deve querer dizer "discriminar". O sentido é completamente outro.

:)

Anónimo disse...

Os não crentes deveriam apresentr-se ao trabalho, sim, por uma questão de coerência tal como os crentes deveriam poder assinalar datas que são marcos impostantes nas suas vidas. Mas na prática isto não funciona assim. Eu sou crente mas não consigo (nem posso...) assumi-lo no local de trabalho sem correr o risco de ser ridicularizada. Esta é a verdade pura e crua!

Helena Sacadura Cabral disse...

Gonio
Claro que tem razão. Descriminar é absolver...

Catia
Na Espanha que já foi católica, o dia mais importante não é o 25/12, mas sim o 06/01, dia de Reis.
Julgo que essa atitude no Canadá se deve a teres uma parte importante de descendentes de franceses, que por norma são católicos. Mesmo que não praticantes!

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

Caríssima Senhora Drª Helena Sacadura Cabral,

não podemos acabar com todos os símbolos religiosos só por estarmos num Estado Laico e por isso os feriados religiosos devem a meu ver permanecer por três razões: temos de respeitar a memória histórica colectiva; não nos podemos esquecer que a maioria absoluta dos portugueses é de fé católica, suspeito que acima dos 90%, embora possa a maioria da população que se diz católica não ser praticante; o descanso é um dos requisitos civilizacionais para garantir a qualidade de vida.
Percebo a fundamentação de lógica Constitucional que nos apresenta, mas considero que os fundamentos histórico e civilizacional que apresento justificam a manutenção dos feriados religiosos. Tanto mais que na presente conjuntura a Igreja Católica na sua figura cimeira está a ser ferozmente e injustamente atacada por causa dos casos de pedofilia.

Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

Anónimo disse...

O 06/01 é uma das (várias, ou possíveis) datas do nascimento de Joshua, ou Jesus. A data que em princípio estará incorrecta será precisamente a que os católicos celebram, 25/12, de há uns séculos a esta parte. Terá a ver com o ajustamento do calendário (gregoriano) ao que se sabe.
P.Rufino