sexta-feira, 19 de março de 2010

Comentadores e frente a frente

As televisões foram ultimamente invadidas pelos "frente a frente" como se continuassemos em campanhas eleitorais. Naturalmente continuamos e só eu penso que não...
Quando os comentadores não são representantes de partidos gosto de os ouvir porque nos obrigam a pensar ou até mesmo a repensar aspectos importantes das nossas próprias opiniões.
Mas quando de trata de pôr face a face representantes de partidos, para discutirem o que "eles" entendem que preocupa os portugueses é, por norma, um desastre. Ou se irritam e quase se descompõem, ou se limitam a debitar a cassette encomendada e o desastre é igual.
Ontem ouvi Aguiar Branco e Francisco Assis. Dizem-me que são ambos inteligentes. Serão.
Mas Francisco Assis, que mais parece um tribuno dos velhos tempos na retórica e na voz, não deixa espaço para ninguém falar e desliza, com facilidade, para o impropério. Não se trata de palavras impróprias. São as chamadas "meras suspeições" que desviam o debate do que é essencial e atiram para o ataque pessoal, sem qualquer interesse.
Julgo que a televisão não ganha nada com debates entre dirigentes partidários. E que, ao contrário, ganharia muito mais em não meter militâncias neste tipo de programas. Há por aí muito boa gente, sem filiação, que nos faria análises bem mais inteligentes e oportunas sobre os assuntos que nos preocupam. É uma pena que assim não seja. Ontem não aprendi nada!
HSC
Em tempo: agora estão o João Soares e o Diogo Feio. Não os oiço, só os vou olhando, porque estou a escrever. Mas ao menos não estão a gritar. Antes assim...

10 comentários:

T.Mike (Miguel Gomes Coelho) disse...

Helena Sacadura Cabral,
Não sei se é melhor...
É que dos com filiação , como já sabemos, damos o devido desconto. Agora aqueles de "dizem" não ter filiação mas que se comportam como se a tivessem á mais perigoso, não dá para o desconto.
E será que alguém é equidistantemente puro ?
O que creio que se passa é que já estamos fartos de opiniões e o meu sincero conselho era que as televisões fizessem um ano sabático deste tipo de programas para ver se nos deixam descansar um pouco.E, se reparar, são sempre os mesmos, mesmo os mais desacreditados, que têm acesso ao palco televisivo.
Mas tem razão, está a tornar-se cansativo e não esclarecedor.
Saudações.

Margarida disse...

Eu cada vez assisto mais a DVDs...
Estas gentis pessoas podem estar cheias de pias intenções, mas entediam, irritam e desmobilizam.
Quando 'aprenderão'!?

Raúl Mesquita disse...

Helena, faço minhas as suas palavras, como costuma dizer-se, sem me apoderar, evidentemente, das mesmas. Preocupo-me com o Mundo, detesto a injustiça e a hipocrisia (como já tive ocasião de referir aqui muitas vezes - espero não maçar), mas mesmo sem desitir de lutar pelo que me parece justo e melhor, confesso-lhe que me refugio nas "minhas óperas barrocas" e na minha escrita. Não, não faço como o avestruz, mas, caramba, tenho de ter tempo para respirar e esses programas exaltam-me no mau sentido, "taquicardiam-me". Raúl.

Anónimo disse...

O José Pedro Aguiar Branco é um senhor. Educado, ponderado, civilizado. Qualidades que vão rareando hoje em dia no mundo político. O berro, a gritaria, má educação, histeria, maus comportamentos, intolerância e tantos outros defeitos, têm vindo, aos poucos a impôr-se. É assim. Um país a parecer-se cada vez mais com...o futebol.
P.Rufino

Aidet Santa-Maria disse...

Cara Helna
Se considerarmos que esses debates são por principio dirigidos àqueles que não têm filiação partidária, de cartão passado e tudo, porque esses, os do cartão passado, já estão ganhos, mas sim pra quem ainda tem algum sentido critico e não filia sectariamente a sua inteligência, então direi que a batalha dos debates está perdida, porque palpita-me que ninguém lhes presta muita atenção. Logo o ano sabático de debates televisivos, seria uma excelente ideia. Resta-me é saber como preencheriam as televisões esses buracos negros, do não debate. Haja imaginação!
Na vida real porém eles, os debates, continuam a existir. Pois direi que não chegam a taquicardiar-me (gostei do verbo caro Raul) porque eu não deixo. Não lhes dou tempo de antena!
Aidet Santa-Maria

Helena Sacadura Cabral disse...

T. Mike
De equidistâncias, como cácula, tenho doutoramento. "Honoris causa"...porque o outro ao pé deste é peanuts!
Aidet
Tem toda a razão. Eu ainda cedi por ser o programa do Mário Crespo. Mas esqueci-me que os mais interessantes são os de painel. E. burra,ainda ouvi uns minutos e fui ficando à espera nem sei de quê. Mereci o castigo...
Margarida e Rufino
Se estivesse, como hoje a aouvir a a Callas e a soberba Butterfly, não tinha perdido a noite!
Ai Raúl ao menos a música pacifica!

Raúl Mesquita disse...

"Presti omai l'Egizia terra,l'Egizia terra..." É, de uma certa maneira, pacífico (na exaltação), não? Giulio Cesare in Egitto.

Gaivota Maria disse...

Quanto ao Francisco Assis meu conterrâneo e vagamente conhecido, costumamos dizer entre amigos cá do burgo: por aquela boca aberta ou entra mosca ou sai asneira. J+a repararam que ele nunca tem um apsecto de estar bem consigo próprio enquanto fala? Aquele discurso é-lhe imposto e não sabe bem fazer a digestão dele.

Lura do Grilo disse...

Realmente penso o mesmo. As cenas do Parlamento estão infelizmente muitas vezes abaixo do piropo de mau gosto com origem no andaime, mais abaixo da peixeira da Póvoa que ao menos é genuína, mais abaixo ... uma vergonha.

Um pobreza moral e estrutural que serve de mau exemplo para tudo e todos. Se eles o fazem na "Casa da Democracia" então tudo é legítimo.

Anónimo disse...

"Ontem não aprendi nada", foi a frase que retive do seu post. Interesso-me por perceber o que se passa no país e no mundo, e sempre que tenho oportunidade ( tenho apenas os 4 canais generalistas, vejo com toda a atenção os programas de debate ou comentário. E fico frustrada quando termina e digo: "não aprendi nada". E surge-me uma qusetaõ, para quem é que estes senhores falam?

Como nota, gosto muito de ler o que escreve! E gosto de cozinhar com as suas receitas, redescobri o gosto pela cozinha há pouco tempo. E como muit bem diz, cozinhar é um acto de amor!

Anabela