quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Gente comum

Durante muitos anos a inteligência era a qualidade que eu mais apreciava em alguém. Chegada aos meus trinta, juntei-lhe a coerência porque vivi um período de vida pessoal em que me rebelava contra as diferenças entre o que as pessoas diziam e a sua prática. Aos quarenta percebi que estas duas linhas de apreço faziam com que eu perdesse uma boa parcela de gente interessante. E encontrei uma nova linha de selecção na qual ainda hoje me encontro. Agora o que mais aprecio em alguém é o que se chama de boa formação moral. Gente que tem princípios e valores e se bate por eles. Enfim, gente que acredita em alguma coisa, sem grandes diletantismos intelectuais, gente comum que não está preocupada com um padrão ideológico, mas que está interessada no seu semelhante, parecido ou diferente de si.
Isto permitiu-me abrir a alma e a mente a pessoas que, noutras circunstâncias, não teriam, muito possivelmente, cruzado o meu caminho. E estou-lhes muitíssimo grata por me terem, afinal, despertado para tudo e todos os que são diferentes de mim!

HSC

10 comentários:

Filoxera disse...

Pessoas com princípios e valores, que se batam por eles, que se coerentes, são pessoas que acrescentam valor às nossas vidas.

Anónimo disse...

Cara Helena,
Grande Post! Não podia estar mais de acordo! Destes "espécimes" ainda há, mas julgo que em fase, lenta, mas gradual, de quase extinção. Um pouco como os Pandas, quem sabe. Oxalá me engane. E dos que ainda existem, cada vez menos se expõem à "coisa pública". É pena, pois o País só ganhava com isso. Mas compreendo-os. Um tio meu, dizia-me aqui há uns tempos que se escrevesse um dia um livro seria de algum modo tendo por base o que aqui refere e intitulava-o de "Gente de Qualidade" (moral, acima de tudo, como bem refere). Já meu pai, mais caustico, preferia "abordar" o oposto, ou seja, sobre o "género" que tem vindo, progressivamente, a vingar e dar-lhe-ia o título de "A Cambada". Ambos projectos que não passaram das suas divertidas cabeças. Talvez um dia pegue neles e venha a "patuscar" um livro com base nisso. Afinal de contas, Rosa Lobato Faria publicou o seu primeiro livro já com 60entas. Ainda tenho uns anos, pois, para me decidir.
Cordialidade,
P.Rufino

causa vossa disse...

E é por ser tão semelhante naquilo que gostamos, a humanidade, que gostamos de si!

Para se distrair um pouco isto aqui
http://causavossa.blogspot.com/2010/02/dados-explosivos-aviso-aos-leitores.html

Anónimo disse...

Boa tarde.
Hoje não resisto. Não luto mais com a minha timidez de não comentar.
Até me parece que será imperativo pedir-lhe desculpa por andar por aqui sempre a espreitar.
É delicioso poder aprender nas suas palavras o que a correria de uma mulher, trabalhadora, mãe e um tanto ou quanto dona de casa nem sempre permite a "pausa" para reflectir.
Eu faço a pausa consigo.
Hoje particularmente o meu coração apertou e decidi : é hoje!!
Obrigada.
Continue por favor.
É um prazer.
A. Malheiro

Raúl Mesquita disse...

Pois, Helena, mesmo as pessoas conhecidas são " gente comum" no sentido da igualdade, isto porque somos todos parte dos 6 biliões e cada um vale por si, ie., cada um é insubstituível. De facto, o problema, que o é, da inteligência versus honestidade é um problema difícil. Sim, tal como a Helena prefiro pessoas " comuns" com ideais, mas pergunto: a inteligência não ajudará a ter ideais? (quando bem dirigida, claro) Raúl.

Helena Sacadura Cabral disse...

Raúl todos somos parte dos seis biliões. Mas parece que uns são mais do que outros. Eu cada vez gosto mais dos "outros"...

Fada do bosque disse...

Ora aqui está um desabafo que dá alento aos corações mais simples! que dá alma e coragem àqueles que lutam pelos seus ideais, mesmo sabendo que o facto de o fazer, possa trazer muitas tristezas e dissabores. Quanta revolta às vezes por querer estar atenta ao meu trabalho, "de braços" mas pensar no que ouço nas notícias, no que leio à noite em descanso e chegar à conclusao que se não formos nós os anónimos, as massas a intervir, a Grande Esfera Azul que nos sustenta não passa de um vale de lágrimas. Percamos todos esse medo, essa timidez (a de A. Malheiro) para que possamos ser livres.
Será apenas uma utopia, se os 6 biliões se remeterem apenas ao silêncio e à facilidade de não pensar nisso, pois causa infelicidade... temos de lutar pelos nossos Princípios e Valores .
Com toda a gratidão e humildemente lhe agradeço um POST de tanta sabedoria e altruísmo.
Obrigada por ser como é! O Orgulho das mulheres! Fossem todas assim! Cara Helena. :)

Margarida disse...

Testemunho valioso.

Raúl Mesquita disse...

Percebo, Helena:

Os OUTROS, mas claro que sim! Mas quando " os outros", com toda a humanidade que, indiscutivelmente, têm, só gostam de futebol (all right), mas querem atropelar OS OUTROS?

É por tudo isto que eu gosto muito do seu Blog: faz-me pensar, duvidar, questionar-me (ainda que não goste deste último verbo), mas é verdade, interrogo-me. Haverá alguma cisa melhor do que duvidar, sem a dúvida metódica?

Abreijo,

Raúl.

Vocas disse...

Sou visitante recente mas já muito assídua. Acredito que nada ocorre por acaso e se nos cruzamos com alguém, sejam eles "uns" ou "outros" (les uns et les outres...),é porque seguramente tínhamos algo a aprender.
Bem haja!