domingo, 7 de fevereiro de 2010

Calhandrices, infâmias e buracos de fechadura

Não sou uma purista da linguagem e até tenho alguma flexibilidade em relação ao que vou ouvindo pelos responsáveis políticos na minha terra. Mas estamos a chegar a um tal ponto de vulgaridade, que se não se corta o mal pela raiz, temo que faça escola o discurso totalmente desbragado. Os governantes em casa podem comportar-se como queiram...desde que não sejam escutados e depois nós tenhamos conhecimento público desse seu dialeto privado...
Mas quando falam como representantes dos cargos que ocupam - sejam eles o PM, os Ministros ou os Deputados -, que são pagos com o dinheiro de todos nós, há um mínimo de correção que se lhes deve exigir. Podem criticar, podem defender-se. Não podem ser vulgares.
Um PM não pode nem deve falar dum jornalismo de "infâmia" e de "buraco de fechadura". Um seu ministro não pode nem deve apelidar de "calhandrices" as notícias que lhe não agradam. Como Pinho não podia ter feito no Parlamento o gesto que fez e, por isso, se demitiu.
Os políticos podem e devem recorrer às instituições competentes, quando sintam que estão em causa abusos ou ilegalidades. Não podem entrar no achincalhamento verbal. Porque os portugueses não pagam aos políticos para eles usarem um linguajar de caserna, que nem sequer toleram na sua casa!
E depois admiram-se que os alunos batam nos professores ou usem, na escola, a linguagem da tasca da esquina. Lamentável o estado a que o Estado chegou...

HSC

8 comentários:

Gaivota Maria disse...

Se els falam assim sendo "diplomados" com licenciaturas, o que irá acontecer neste país quando tivermos políticos saídos das Novas Oportunidades?

causa vossa disse...

Seria bom uma sessão colectiva para alguns políticos (e possivelmente para uma parte substancial da dita sociedade civil) do nas Nuvens com as perguntas relevantes.
Já verificou hoje o conteúdo do seu pic-poc (assim mesmo, Aportuguesado). Não estará demasiado pesado, cheio de conteúdos pesados e irrelevantes?
Não é tempo de o entornar em casa, no emprego, na rua e dar-lhe um outro conteúdo, talvez menos pesado?
Observe bem? Recoloque a família, as verdadeiras amizades, a humanidade.
Não está a política, o conflito, a ganância nem o excesso de trabalho?
Está no bom caminho, no caminho das nuvens!

voz a 0 db disse...

A diferença, hoje em dia, entre o Parlamento e uma Feira tradicional portuguesa é o local onde a vozearia tem lugar... de resto é igual...
Aprecio deveras é a quantidade de novas palavras que os políticos têm a capacidade de inventar... isso sim é que é fantástico!!!

GONIO disse...

Portugal é um país cada vez mais mal frequentado...

Anónimo disse...

No dicionário vem:
Educação – polidez, cortesia, instrução, ensino (entre outras)
E também vem:
Má-Criação – Grosseria, incivilidade, qualidade de quem é grosseiro.
P.Rufinio

atento disse...

D. Helena, boa noute:)

O trato pode ser um indicador ou um polegar, mas era bom que a redução da despesa pública não ficasse pelas palavras, pois seria um descalabro linguístico e encareceria muito o sistema.
É esperar serenamente pelo desmantelar dos organismos excedentários dentro das câmaras municipais e, quem sabe, transferir competências para o interior do país.

Fada do bosque disse...

De repente eu poderia dizer que fomos atirados para o meio da bicharada, mas o problema é que os animais irracionais se comportam muito muito melhor. Isto não tem mesmo explicação. Como diz o Voz 0 db,o País tornou-se numa autêntica feira, só lhes falta o megafone, mas pelos vistos nem seria preciso.
Educação é o Pilar, a Parede Mestra da Civilização. Dá a sensação que o País está sem Bases, sem fundações!
Há que exigir... temos de exigir esse Pilar Fundamental! Depois dizem que é em casa que não educam... não educam em parte nenhuma, salvo cada vez mais raras excepções!

Anónimo disse...

Também tenho algum receio da evolução para a perda de autocontrole implícito
"Na casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão"

Pois teremos de canalizar a busca de referências???!!!

Em casa. Em nós...
Até que acordem
Isabel Seixas