sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Quantas vezes?

"...Isto a propósito de um certo encanto por Cor do textoquem nos ilumina, e que, sobre Joyce Carol Oates, escreveu José Abreu d' O Escafandro " thank you for all the things you do even when you don't know you're doing them".

Trancrevo esta frase com que, hoje, a Margarida do blog CRIATIVEMO-NOS termina o seu post em que, por sua vez, transcreve um texto de João Pereira Coutinho, cronista de quem gosto bastante, pese embora algumas divergências. Aliás, saudáveis, porque pertencemos a gerações diferentes e mau seria, para ambos, se pensássemos o mesmo...
Mas é sobre a frase "obrigado por todas as coisas que tu fazes, mesmo quando não sabes que as estás a fazer" que quero falar hoje.
Quantas vezes não terei eu pensado isto? A quantas pessoas eu não estou grata por terem cruzado o meu caminho, sem que elas, sequer, o saibam ? Quantas pessoas não encontrei, por escassos momentos na minha vida, às quais estarei para sempre grata, por me terem mostrado rotas que não conhecia? Quantas me magoaram mas, por isso, me fortaleceram? Quantas, por injustiças cometidas, me tornaram mais justa? Quantas me ensinaram a amar sem que, à época, eu me tivesse dado conta disso? Quantas nem por mim deram e, a essa ignorância, devo alguma humildade? De quantos bocados de todas estas almas não serei eu, hoje, feita? De muitos, certamente. Gente que nem sequer sonha quantas vezes, num agradecimento sincero, relembro tudo o que me ensinaram, fosse por vontade ou por ausência dela?
Obrigada Margarida por, indirectamente, mo ter lembrado e mo ter feito partilhar!

HSC

8 comentários:

Raúl Mesquita disse...

Li o seu "post", que me deixou perplexo, quanto a mim, diga-se. É, reconheço, muito difícil agradecer aos que nos fizeram mal. O que quero dizer é o seguinte: é difícil, mas sinal de maturidade, saber tirar conclusões que nos ajudem, neste tão estranho Mundo, mesmo quando essas venham de quem nos quis fazer mal. Não me alongo, Helena. Vou tentar ter a mesma cabeça fria e saber aprender com tudo e com todos. Obrigado! Raúl.

Fada do bosque disse...

Helena,
Um pensamento surpreendente e genuíno... fossem todos tão altruístas assim, numa sociedade tão carente desse rigor, verdade e altruísmo.
Bem haja pelo exemplo que dá.

Raúl
Para isso existe o perdão... dizem que perdoar é fácil, mas não é.
Por isso é que Deus perdoa sempre, o Homem ás vezes e a Natureza nunca...
O perdão é o Caminho do Meio, é o que nos une ao todo em detrimento da fragmentação, do individual egoista.
A maturidade humana alcança-se quando nos apercebemos que perdoar é um dom concedido pele Natureza, para que possamos estar bem com nós próprios, mesmo que o perdoado o não saiba... mesmo que aquele que se julga nosso inimigo esteja enganado, porque ao concedermos o perdão, o "inimigo" ajudou-nos na nossa libertação espiritual e forneceu-nos uma imensa dose de sabedoria que nos ajudará no futuro. Depois de praticarmos este exercício várias vezes e como confirmou Gandhi, torna-se fácil e dignificante perdoar.

"Um inimigo externo não tem como destruir a nossa tranqüilidade de espírito." [ Dalai Lama ]
Abraço

Fada do bosque disse...

E ainda:
"Aprimorar a paciência requer alguém que nos faça mal e nos permita praticar a tolerância." (Dalai Lama)

Margarida disse...

Obrigada eu, por ter traduzido tão bem o que sinto.
A gratidão também para com aqueles que pela via dolorosa me fizeram crescer, descobrir resistências e capacidades; saber melhor de mim.
Mas inolvidáveis os que, mesmo que desconhecedores, iluminam os meus passos e fazem bater mais feliz o coração.
E aqueles que sabem, como Milady.
E o fazem de todas as maneiras.

Sobre JPC poderia discorrer interminavelmente – é ele um dos que abre janelas e desenha traços de uma luz única. Acompanho as suas palavras desde o início dos tempos, com crescente admiração e enlevo porque, quando permite que a poesia se entrelace na filosofia, na análise, na meditação, é simplesmente sublime.
Não consigo dissentir de quase nada e entre o riso e o deslumbramento vou aprendendo, descobrindo, vendo mais longe; melhor.
Sou a passadeira vermelha que os seus pés nem tocam.
Mas sou.

Anónimo disse...

Pois eu nesta linha de pensamento também tenho que agradecer...

Aqui aos três Blogues, aos Três...
Também nas outras sedes próprias...
Mas aqui especificamente a Si agora que Sei...

Doutora Helena
Isabel Seixas

Helena Sacadura Cabral disse...

E espero que saiba, Isabel, que aqui, felizmente, sou apenas a Helena!

Um abraço

Anónimo disse...

Agradeço e retribuo o abraço, e aceito a permissão com todo o Respeito de a poder chamar Helena aliás um nome...Cheio de classe e personalidade per Si e Bem bonito...
Isabel Seixas

jaa disse...

Primeiro devo pedir desculpa por esta referência me ter passado despercebida durante vários dias (e talvez tivessem passado mais se a Maggie não me tivesse chamado a atenção). Depois tenho que dizer que você me intimida, cara Helena. Não sei como lidar com o seu optimismo e com a sua fantástica sanidade mental. Como o Raúl (e, suspeito, como a maioria) tenho alguma dificuldade em agradecer a quem me quis (ou fez) mal. Posso ter crescido, aprendido, melhorado; posso até ter perdoado; mas daí a dizer "obrigado"...