terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Muito triste!

Hoje, para variar, a martelada cabe ao Eurostat que, como se sabe, é o gabinete de Estatítica da União Europeia, que vem dizer que há cada vez mais jovens em risco de pobreza. De modo mais claro, 23 em cada 100 daqueles que têm até dezassete anos, vivem em condições de extrema precariedade. Esta precariedade é medida pela "taxa de risco de pobreza" que, sendo um conceito que pode variar de país para país tem, no entanto, como norma, tudo o que se situe abaixo dos 60% do rendimento médio, caculado consoante os adultos com ganha pão que vivem no agregado familiar e os dependentes.
O outro ponto terrível desta realidade é a pobreza entre os mais de 65 anos. Há dois anos o país tinha 22% de idosos nessa faixa. Embora a situação, com o complemento solidário para reformados se tenha atenuado, aquela taxa é ainda alta. Por outro lado, a pobreza entre os que trabalham está, entre nós, quatro pontos acima da média europeia, que é 8%.
Quando nos debruçamos sobre a privação de bens e serviços tidos como essenciais a uma vida digna, a taxa de carencia nacional é de 23% e a da média da Europa é de 17%. O que permite o retrato seguinte: 64% não tem dinheiro para pagar uma semana de férias fora de casa, 35% não tem dinheiro para manter a casa a uma temperatura razoável e no que respeita ao acesso a uma refeição de carne, frango, peixe ou o equivalente em vegetais, ingerida de dois em dois dias, Portugal situa-se nos 4% contra os 9% da Europa.
Já quanto à posse de carro, de modo surpreendente, estamos ao nível da taxa média europeia.
O Primeiro Ministro que, reconheço, teve preocupações solidárias, vai precisar de grande criatividade na busca de soluções para os jovens e os velhos. Porque, quer os que estão a começar, quer os que estão a acabar... precisam de amparo!

HSC

9 comentários:

Fada do bosque disse...

...Sem palavras, Querida Helena.
Uma realidade cada vez mais persistente e triste., sem retorno... penso. :(

Raúl Mesquita disse...

Tocou no assunto mais uma vez, Helena, e de uma forma muito " acute". Porquê a " fantasia dos automóveis", ilusão de riqueza? Mas se os outros países comem melhor, abdicando de automóvies, se necessário, o que é que se passa aqui? Olhe, infelizmente, sou levado a pensar que os portugueses não gostam de pessoas, mas de coisas. E a questão não é recente. Já fui várias vezes quase atropelado por carros porque " a propriedade" dos outros vale mais do que a minha (a nossa) vida! Sou lisboeta, adoro fado (futebol, desconheço), gosto dos miradouros de Lisboa, do nosso Sol, de uma tarde passada na baixa, mas como posso gostar dos lisboetas? Há alguma coisa de muito doente neste sítio (e em Portugal em geral)! Adorava dizer que adoro, mas mentiria. Deixemos a questão teológica do " ad-orare" para outra conversa, se me permitir.

Tristemente, dou-lhe um beijinho de cumplicidade lúcida.

Raúl.

Raúl Mesquita disse...

P.S. Um tema que me parece que poderá interessar-lhe Helena, o da Carmen, de Bizet. Visite, je vous prie:
www.omelhordosdoismundos.blogs.sapo.pt

omelhordosdoismundos - CARMEN, o paradigma da mulher verdadeira.

Gostava muito da ter a sua opinião sobre este " Post" meu.

Obrigadabreijos, Raúl.

Anónimo disse...

Estamos cada vez mais pobres e com mais dificuldades. É um facto. Todavia, podia-se, há já muito tempo, começar por poupar noutras áreas e noutros gastos e investir esse dinheiro em novos projectos de combate a essa pobreza, ou melhorar, ou reforçar os existentes. Quando se gasta mais de 90 milhões de Euros num projecto de aeroporto como o da Ota, que não vingou, ou mais de 600 milhões em estudos solicitados a escritórios de advogados para pareceres diversos, quando o Estado tem juristas nos seus Ministérios, por exemplo, quando diversos assessores têm, ou fazem uso de carro do Estado para as suas deslocações, quando deviam utilizar os seus próprios meios privados, quando vereadores de Câmaras utilizam viaturas das autarquias, em vez de outras formas menos dispendiosas para se deslocarem, quando tantos outros gastos se fazem e poderiam ser evitados, com o exemplo a vir de cima, quem sabe se os pobres poderiam ver esta sua triste situação um pouco mais mitigada e poderem beneficiar de apoios assentes empropostas de trabalho. Quem sabe? O que vai valendo em certas localidades e determinadas circunstancias ainda é a solidariedade privada, que muitas vezes é noticiada nos noticiários das TVs. E cada vez se vê mais situações destas. É louvável, ainda bem. E comovente. Mas dá bem a imagemao que estamos a chegar. Bateremos no fundo? Espero e desejo que não. Mas, quem nos garante?
P.Rufino

Paulo Abreu e Lima disse...

Um apontamento: 4% dos portugueses não têm capacidade de fazer um refeição de carne, peixe ou vegetais, contra 9% da média europeia que também não tem, isto é, na alimentação vamos tendo mais bitoque, carapau e beringelas do que na europa. É esta a leitura que tem de ser feita: menos mal, e devemos ser muito bons nos telemóveis, também...

Fada do bosque disse...

Um plano Marshal para o Haiti? Acho muito bem!
O que acho mal é que entre os que estão a começar e acabar, há os que estão no meio e muitos desses estão e têm os seus filhos menores na miséria.
Entretanto, ouvi hoje na TSF que o desemprego vai aumentar...
Porque falei no Haiti? Por isto... apenas uma ironia avassaladora:
Segundo a TSF
1 - 4,2 mil milhões de euros - "empréstimo"(?!) da Caixa Geral de Depósitos ao BPN
2 - 7 mil milhões - Reconstruir o Haiti.
É só pouco mais de metade que os portugueses "emprestam" ao BPN!
Como diz somos ricos!...

Raúl Mesquita disse...

P.Rufino: " É tarde, Inês é morta, Senhor!" Percebo bem o que diz. Mas a Fatalidade será assim tão grande, tão premente, tão NECESSÁRIA? E olhe, aeroportos e TGV's, conte comigo... ou temos de ter a Portela " ad aeternum" (ainda que perto do centro)...e o comboio das 10 horas nocturno para chegar a Madrid? Acha melhor o avião para Barracas e, depois, o autocarro/taxi para Colón? Sejamos calmos! Raúl.

causa vossa disse...

Para que ninguém tenha dúvidas que o governo Socratiano é responsável por muito do desemprego utilizaremos aqui os conceitos de função latente e manifesta da sociologia.

Isto, que está a acontecer neste momento,

IND - INSTITUTO DO DESPORTO, CRIA NOVOS DESEMPREGADOS
O governo de Sócrates, hipocritamente, com a nova legislação corporativa sobre a orientação desportiva, que não contempla direitos adquiridos, prepara-se para criar mais uns milhares de desempregados.
Desempregados que não terão direito a subsídios e que serão afastados das suas actividades de há dezenas de anos. Se se percebe a necessidade de rever formações para a prática de profissões, o bom senso aconselha a que a legislação só se aplique a novos treinadores e formadores. Quem esteja desempregado ou trabalhasse por conta própria actualmente ficará também aparente e definitivamente fora do mercado de trabalho. Numa altura em que se fala de reconhecimento de competências, pessoas com dezenas de anos de profissão são mortas "vivas."
Os 100€ para a passagem dos novos certificados, anteriormente passados gratuitamente pelas federações, demonstra também a hipocrisia do governo e a sua responsabilidade no agravar da crise. Esperemos que o governo esteja preparado para abrir mais mão de mais rendimentos sociais de inserção ou preparar-se para revoltas populares.

é a prova que o recurso à esquizofrenia e ao vórtice da fuga para a frente, só leva à descrença e à miséria do nosso povo e do nosso semelhante.

Raúl Mesquita disse...

Errata: Barajas, o aeroporto de Madrid. Um " lapsus linguae" meu porque defendo o TGV? I wonder!