segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A copiar?

Ninguém ignora o descrédito em que se encontra a classe política. Cá como nalguns outros países. E também todos sabemos que as cúpulas partidárias gostam pouco de ver reduzido o seu poder.
Pois bem, em Espanha, no inquérito do CIS - Centro de Investigaciones Sociológicas -, a desconfiança dos cidadãos acerca dos políticos maifestou-se de forma tão expressiva e demolidora, que o Presidente do Congresso dos Deputados, José Bono, numa entrevista concedida ontém ao jornal EL MUNDO, afirma que a credibilidade da classe vai ter de passar por uma mudança no sistema eleitoral, de modo a que os elegíveis passem a dever menos às cúpulas dos partidos e mais ao seu eleitorado.
Ou seja, Bono defende um sistema misto que combine o actual com a eleição por distritos uninominais. O saneamento político passaria, assim, por listas abertas, nas quais se forja uma relação mais directa entre eleitos e eleitores.
Este método vigora no Reino Unido e tem apresentado resultados muito positivos. Por mim, confesso a minha simpatia pelo modelo - que permitiria combinar listas nacionais e distritos uninominais -, porque acredito que, no dia em que os políticos saibam que os seus actos dependem mais dos eleitores do que das cúpulas partidárias, se deu um passo importante para devolver à sua classe, o prestígio que ela nunca devia ter deixado perecer.
O que quererá dizer que, se a sugestão for seguida, "para se ser eleito deputado será mais importante agradar a quem vota as candidaturas do que a quem as prepara". Nem mais!

H.S.C

9 comentários:

Blondewithaphd disse...

Aos anos que advogo um sistema eleitoral à la saxónica. Não é tão mais razoável? A pessoa vota em quem a representa directamente e pode dirigir-se ao seu MP de viva voz e expor os problemas que lhe afectam o dia-a-dia. Aqui, sei lá eu quem me representa. Não acho particularmente agradável, confesso.

Lura do Grilo disse...

Não é por nada mas cheira-me a um golpe "chavista" para tentar ganhar as eleições dentro de dois anos. O PSOE é um partido profundamente desgastado, corrompido até à medula, que criou uma fractura institucional nunca vista em Espanha, que é incapaz de oferecer soluções a uma economia que bate records negativos com mais de 40 anos, que criou um astronómico déficit, que aplica uma brutal subida de impostos e que acumula ainda com uma gestão absolutamente incompreensível do terrorismo da ETA.

José Bono não tem sido coerente com os valores morais que afirma ter.

Este é um caso que "pede o guloso para o desejoso".

Bom Ano

Raúl Mesquita disse...

Helena, só posso apoiá-la com a repetição: NEM MAIS!

Margarida disse...

Aplausooooooooooo!

DL disse...

Eu até sugeria mais, cara HSC, a partir de um número mínimo de deputados eleitos, a eleição deveria depender proporcionalmente da participação dos eleitores. Ou seja, uma abstenção elevada deveria significar menos deputados na Assembleia.

K disse...

Gostava que cá fosse da mesma forma (e não é de hoje) - talvez se tivessem evitado algumas das situações actuais. A questão (e não é pessimismo) é daqui a quantos anos (para não dizer décadas) chegaremos a esse ponto?
Primeiro os partidos (um dos principais "lesados" com esta opção) hão de querer fugir. Nessa altura iremos ter unanimidade na assembleia.
Depois a comunicação social iria, também, perder bastante (não nos podemos esquecer desse poder tão instituído).
...
Poderia estar aqui o dia inteiro.
Talvez, nessa altura, se volte a acreditar na política e nos políticos.

Fada do bosque disse...

Tudo o que seria bom para a política e economia portuguesa não é adoptada... o nosso País não pode ter estabilidade... Há interesses estrangeiros muito poderosos a tratar de que o nosso cantinho à beira mar plantado, (exactamente por isso) não tenha estabilidade. Pertencemos aos masters.

Raúl Mesquita disse...

Depois de ter deixado um comentário aqui, permita-me, Helena, um "Post Scriptum", quase como um diálogo (já reparou na solidão destes magníficos Blogs?; é curioso...): dar-me-ia muito prazer se lesse os dois últimos "posts" no meu "blog":

www.omelhordosdoismundos.blogs.sapo.pt

respectivamente, "O Tartufo" e o recentíssimo "Os Benefícios do Tabaco"... Raúl.

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Lura como eu o compreendo. Bono tem tido atitudes lamentáveis. A última de que me lembro é a do aborto das adolescentes sem conhecimento dos pais...
Depois parece-me um católico envergonhado, que é uma "espécie" que aprecio pouco.Não por serem ou não católicos. Mas por terem vergonha do que são. Então, não sejam!
Finalmente, Zapatero tem sido um terramoto em Espanha e lamentavelmente Socrates tem por ele grande apreço...
Por isso julgo que a sua suspeita é fundamentada.
Mas a proposta, essa, eu gostava bem de a ver por cá implantada!
E bom Ano, amigo.