segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Prémios...

A notícia hoje publicada num jornal diário do valor dos prémios recebidos por alguns gestores públicos, a ser verdadeira, é ofensiva. De facto, referem-se vários exemplos cujos montantes, no actual cenário de dificuldades financeiras, são inadmíssiveis.
Gerir bem não é uma opção. É uma obrigação. Como a de qualquer outro profissional. O gestor não é mais do que um médico, um engeneiro, um professor, um operário. Não bastará ser considerado um excelente profissional, sabendo-se, como se sabe, que o salário que recebem já é bastante mais elevado do que o da maioria das restantes profissões?
Que uma empresa privada, com o acordo dos accionistas o faça, é um direito seu. Embora questionável, não advém desse facto, qualquer prejuízo para o erário público. Mas no caso das empresas públicas não é assim. E, além de o não ser, está em causa, o exemplo que elas devem constituir para os restantes sectores.
Qualquer administrador de empresa pública ganha muito acima do salário do mais alto representante da nação, no caso o Presidente da República. Será que, até do ponto de vista ético, a situação é tolerável? Ninguém se indigna?
Não se trata de uma questão de "inveja nacional", como costuma referir-se. É, antes, isso sim, uma questão de decoro nacional. Que parece ter-se perdido!
H.S.C






15 comentários:

Margarida disse...

Indignamo-nos todos. Dos que ganham o suficiente, até àqueles que mal têm o que comer.
Há absurdos que talvez justifiquem certas demagogias esquerdistas...
Valem as 'denúncias'; exactamente pelo espanto e a indignação justas.
Quem alegar a tal da 'inveja' só se enlameia mais.
Infame, este estado de coisas!

Paulo Abreu e Lima disse...

Cara Helena,

Depreendo, portanto, que os gestores públicos devem ser inibidos de receber qualquer tipo de prémios por uma gestão muito acima dos objectvos orçamentados. Seus incentivos estarão não só incluídos no seu salário, como na execussão satisfatória das suas competentências. Mais, um gestor público deve ser visto como o cargo que exerce um político eleito por sufrágio, sem direito a qualquer "prémio" mas, quando muito, reconduzido pelo seu bom desempenho. Neste sentido, gestores públicos que acrescentam riqueza ao Estado (por suposto, a todos nós) devem exercer por abnegação e espírito cívico, sendo seu mérito uma simples promoção e nunca parte dessa riqueza acrescentada, pois não estão lá os accionistas (todos nós, representados pelo Estado), para para tal dicidir.

Terei percebido mal (desculpe-me a provocação)...?

Anónimo disse...

Um Post muito oportuno e cheio de razão. Total apoio ao que aqui HSC refere e muito bem!
P.Rufino

Davie disse...

Vou prestar atenção ao seu blog, não sabia da existência. Agradou-me imenso os assuntos que trata.
Um abraço.

Paulo Abreu e Lima disse...

Errata: "execução" (uiii!)

PS: Não sou gestor público, please.

Paulo Abreu e Lima disse...

Errata 2: "decidir" (uii, uiii!)

Helena Sacadura Cabral disse...

Paulo
Entendeu muito bem o que eu disse. De facto acho que um médico que abnegadamente salva uma vida, faz o se trabalho. Fá-lo bem e isso é bom.
Um gestor que ganha mensalmente, a bagatela de 14300€(14 meses), como acontece na CGD, ou 12.155€ (14 meses),como nos CTT ou até 10.000€
(14 meses),como acontece com os vogais da EP, tem a obrigação de cumprir os objectivos. Se os ultrapassa melhor. É porque "toda a empresa" o ajudou nesse propósito. Fizeram todos o seu melhor. É para isso que são escolhidos. É para isso que aceitam os lugares. E se acha que isto é abnegação, pois então que não aceitem o salário nem as mordomias que aqui não estão incluidas. É que há famílias que, ao longo da vida, nunca chegarão a ganhar isto.
O problema é que quem não cumpre não é penalizado. Esse, sim, é que é o verdadeiro problema. Mais grave até, porque nalguns casos chegam mesmo a ser premiados...
O facto do Estado ser accionista com o nosso dinheiro de contribuintes serve para exigir excelência. Não serve para gratificar o "dever cumprido".
É o que eu penso.

Um abraço da Helena

Helena Sacadura Cabral disse...

Paulo se não é gestor público,então, é uma pena! Porque estaria abnegadamente a trabalhar para o meu bem e receberia um premiozinho sempre que atingisse os "nossos" objectivos nacionais!E tinha um belo carro e motorista e cartão de créditoe, quem sabe, uma secretária janota e inteligente.
Mas o que não há dúvida é que é um excelente professor de português, porque "decidir" uma "execução" não é fácil. Eu não fui capaz. Uii! Uiii!

Paulo Abreu e Lima disse...

Claro que percebi (nomeadamente em tempos incertos e de crise como estes) e concordo que os valores em causa sejam obscenos.

Mas, repare no caso da TAP, por exemplo (deixou, infelizmente, de ser exemplo), o seu Presidente a determinada altura salvou a empresa, contra tudo e contra todos, da falência (como sucedeu à altura em muitas empresas de aviação "bandeiras de seus países"). Merece ou não merece ser recompensado por aquele facto? Ou já está incorporado no seu salário? Ele podia não ter conseguido aquilo e ter ganho na mesma. Gerir muito bem a "cousa pública" não é um ganho público - para todos nós - que com parcimónia deve ser aplaudido e gratificado? Não deve haver livre concorrência no mercado de "gestores" entre o sector público e o privado, sem desvirtualizar nenhum dos sectores? O Paulo Macedo, contratado pelo Estado ao mesmo preço do que ganhava no BCP não foi uma mais-valia para a modernização da máquina fiscal? Não galvanizou e estimulou parte de um funcionalismo público corrupto em que os processos fiscais eram sistematizadamente arquivados? Não pode o mérito pessoal ser premiado neste sector? Um excelente gestor não pode contribuir em muito para os desperdícios nas Despesas Correntes, beneficiando todos nós? Se um deles consegue poupar 100 milhões, é escandaloso ser premiado com 0,25% desse valor?
Grave, grave, é ganhar prémios com resultados sofríveis e é, obviamente, aí que concordamos, mas aqui tanto faz ser no sector público ou privado. E o que temos assistido é uma debandada destes senhores para um ou outro sector de acordo com os ciclos económicos. Concluindo, eu queria ver os melhores gestores do país no sector público, aumentando receitas e diminuindo despesas, nem que pelo facto recebam uma pequena quota parte desses ganhos. Porque se na esfera privada as empresas podem falir, na pública podemos ser sempre nós, os ditos accionistas a pagar suas incompetências pois sabe que não são escolhidos pela só pela competência... outro problema!

Beijinho,
Paulo

Helena Sacadura Cabral disse...

Paulo para responder ao seu post, o que aconteceu na TAP não é obra de um homem só. Nem de uma administração só. É fruto de sacrifícios que se pediram a todos os empregados da casa, incluindo a administração. Então, se defende prémios para quem governa bem, distribua-os por todos aqueles que ajudaram a alcançar o objectivo.
Quanto ao Dr Paulo Macedo, voltou para a casa mãe, o BCP. Com uma vantagem... a de ter passado a administrador.
Como vê meu caro Paulo é um problema de escolha individual. Considero-me uma boa mãe e não vejo que tenha de ser premiada por isso. É a minha obrigação e o meu prazer.
Mas não imponho a ninguém as minhas ideias. Fui ensinada a fazer em tudo o melhor que saiba. E nunca ninguém me disse que isso merecia qualquer prémio.

Um abreijo da Helena

Paulo Abreu e Lima disse...

Helena,
Se mo permitir, vou retorquir começando pelo óbvio: afinal, o que é gerir ou administrar? Não é saber delegar ordens, submetendo-as às respectivas competências? Não é responsabilizar e imbuir todos pelo mesmo esforço? Não só, mas também, adianto-me.

Não nos vamos deter nos fundamentos éticos ou mesmo morais: teríamos de ter conversa longa e, porventura, fastidiosa - não descarto "conclusiva" -, de forma que ser "boa mãe", "bom companheiro" parte de uma avaliação do foro privado próximo que terá, com certeza e lá está, os seus bem-vindos "prémios": dar é receber e por aí fora...

Mas detenhamo-nos tão-só no reconhecimento do mérito individual. Deve ou não deve ser recompensado independentemente do sector aonde se ajuiza? Deve ou não deve haver incentivos extra-contratuais (salariais)? Se deve, é mais amoral ser num ou noutro sector, sabendo precisamente quem está a abdicar de parte dos seus ganhos (lucros) para obter mais e melhores resultados?

Meu Deus!, o que é um prémio, para além de uma distinção, de um reconhecimento? Os méritos reconhecidos são amorais, não são éticos, são vã ofensa cristã? Um ganhador é obrigado a castigar um perdedor? É o decoro ou a falsa modéstia que deve prevalecer perante a infelicidade alheia? Resposta óbvia: é o bom-senso.

Ou seja, no actual contexto, neste pobre país, neste compadrio partidário, a maior parte dos lugares de gestão não são atribuídos aos melhores administradores, mas aos que supostamente "deram" muito à sociedade em anteriores incursões governamentais, ou regimentais. Logo, a indignação (sei muito o bem o que a Celeste Cardona fez na CGD) Fosse, contudo, conquistada a pulso, seria igualmente contestada, como quantas vezes no sector privado. Daí que ou se abole (está bem escrito) todo e qualquer tipo de prémios de gestão, ou mantendo-os, carecem de melhor transparência.

Abreijo transparente,
paulo

Anónimo disse...

Um ponto de vista interessante, este último, de Paulo Abreu Lima.
P.Rufino

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Paulo, como se depreende desta troca de post's temos posições diferentes sobre este tema.
Referi-me sempre ao sector público. Quem não quer não vai para lá. Quem vai para lá gerir o que é de todos, fá-lo com a excelência de que é capaz, pesando bem, antes de aceitar, se o sacrifício vale ou não a pena.
Mas é o meu ponto de vista. Trabalhei anos na Administração do Estado, ultrapassei muitas vezes os objectivos fixados e nunca me passou pela cabeça receber, por isso, compensação monetária. E acredite, essa estaria longe de, para mim ser estímulo para "fazer melhor"!
Mas nada diz que eu esteja certa. A prática corrente só prova que a razão está do seu lado. Mas que quer, eu não gosto de ser situacionista. Bjo

Anónimo disse...

Hello. And Bye.

Anónimo disse...

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