quinta-feira, 23 de julho de 2009

O futuro...

" O próximo governo vai enfrentar uma situação muito séria: PIB a cair 3,5 a 4%, taxa de desemprego próxima dos 10%, endividamento externo equivalaente a 110% do PIB, defice externo de 8 a 9% e um defice estrutural do sector público da ordem dos 5% * de acordo com os cálculos da Comissão Europeia. É uma situação bastante séria. Não há paralelo na economia portuguesa"
(Abel Mateus em entrevista concedida ao Jornal de Negócios e conduzida por Helena Garrido)
Ao longo dos últimos meses fui referindo, em diversos post's, alguns dos aspectos acima mencionados. Mas ouvi-los da boca de Abel Mateus, professor universitário que foi, como se sabe, durante bastante tempo presidente da Autoridade da Concorrência, dá a estes números uma dimensão muito maior.
Na mesma conversa o economista afirma, ainda, que não encontra "nenhuma folga para grandes investimentos nem hoje nem nos próximos dez anos" e revela que fez uma pequena estimativa do que deles resultaria. Apenas... um endividamento externo de 240% do PIB em 2020.
Como se pode compreender não vale a pena tecer comentários. Abel Mateus não é uma pessoa qualquer e tem muita gente responsável a pensar como ele.
O que, sim, parece inquestionável, é que deveriamos discutir seriamente este assunto a nível nacional. Porque já não é, só, o futuro dos nossos netos que fica comprometido. É, também, o dos nossos bisnetos. Com a agravante de que os actuais decisores, nesse futuro, poderão, até, já nem estar vivos!
H.S.C
Nota*
Acabo de ouvir na televisão que se estima que o defice do sector pulico se deve situar à volta dos 5,9%. Espero estar enganada e ter ouvido mal.

6 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Ouviu muito bem... eu também ouvi!
Quanto às declarações do Prof Alberto Mateus- cuja entrevista li hoje- deveriam ser levadas bem a sério, porque é uma sumidade na matéria. Aliás, foi por isso mesmo que este governo o afastou. Era bastante incómodo...

Helena Sacadura Cabral disse...

Nem mais. A competência, neste momento, é marginalizadora...

Lura do Grilo disse...

Já nasceu que há-de falar verdade e dizer que as coisas vão piorar.

Teresa Queiroz disse...

infelizmente ouvimos todos muito bem !

DL disse...

De acordo, mas existem outros economistas também respeitados que defendem alguns investimentos. Creio que neste caso não se pode dizer que haja consenso.

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro DL por isso mesmo é que eu julgo ser necessário e urgente um debate nacional sobre o assunto. O que mais me preocupa neste momento na política nacionalé a intolerância a quem pensa diferente. O país precisa de todos e, se o sistema partidário foi o meio escolhido pela democracia, impõe-se lutar por consensos. E estes só se conseguem por via do diálogo. É o país que está em causa. Não o partido do senhor X ou Y.
Talvez seja esta a razão pela qual não simpatizo com maiorias absolutas...