quinta-feira, 16 de julho de 2009

A morte dum amigo

Morreu, ontem, um meu amigo especial. O Quim Machaz. Alguém com um coração de ouro e para quem o maior gosto era dar prazer aos amigos.
Viveu intensamente. Como quiz. Gozando tudo o que a vida lhe proporcionou. E que ele soube sempre partilhar com aqueles de quem gostava. Foi por essa sofreguidão que morreu com pouco mais de sessenta anos.
A mim fica-me a lembrança de todas as gargalhadas que com ele dei. E dum jantar que jamais esquecerei, pouco tempo antes de falecer.
Não conheço ninguém que não gostasse do Quim. Filho de um dos donos do hotel Tivoli não houve, no 25 de Abril, um trabalhador que levantasse o dedo para o sanear. Pelo contrário, fizeram-lhe um total voto de confiança. Neste país e nesse tempo, é obra!
Os amigos ficaram mais pobres. Mas o céu ficou mais rico e divertido!

H.S.C

17 comentários:

Sonhadoremfulltime disse...

Cara Helena
perder um amigo, seja ele quem for, é sempre uma perda irrecuperavel.

JC

Margarida Pereira disse...

É um privilégio ter amigos desses.
Que, mesmo que fiquem, tanto faltam...

Abraço.

Anónimo disse...

Um beijo para ti, Helena. Soube ontem ao jantar e lembrei-me logo de ti. Sabia da vossa grande amizade! Abraço apertado. rita ferro

Pedro Lopes disse...

amizades boas são eternas
ficam sempre
vivas na memória

Anónimo disse...

Tive um amigo que faleceu aqui há uns 2 anos, com um cancro no pâncreas. Um tipo que fez uma razoável fortuna através de um trabalho sério e empreendedor, sem excessos, quer alimentares, quer tabagistas, etc. Um dia, aos 47 anos, depara-se-lhe uma coisa dessas. E decidiu ir “despedir-se” dos amigos, ou de quase todos, durante o “tempo de vida” que o dito cancro “lhe proporcionara”, com a mulher e os filhos.Visitou-os no estrangeiro, por cá, etc. Quando me apareceu – já tínhamos falado por várias vezes ao telefone – julguei ver um fantasma. Homem alto e entroncado, parecia uma esfinge. E com aquela cor cinzenta-amarelada-esverdeada. Mas cheio de vontade de viver! Com a – sempre – alegria de viver que lhe conheci. Explicou-me, com toda a serenidade, a razão, principal, da sua visita: vinha, de algum modo, dizer-me “adeus, até um dia!”. Lá lhe fui dizendo que poderia continuar a viver, “que se deixasse de coisas, etc”. Muito calmo, disse-me: “ não tenhamos ilusões, a morte virá e já esteve mais longe. É assim, há que aceitar os factos. O que me faz interrogar é que nunca fui indivíduo de excessos. Nunca fumei, nunca bebi demasiado e sempre tive algum cuidado com o que comi. Todavia...!” Recordo-me, Helena (e digo-o algo comovido, ao recordar tudo isto hoje...com alguma dificuldade...) que me abracei a ele e lhe disse: “eh, pá vais viver e tens de viver! E ponto!” e ali ficámos, não sei se muitos minutos, se poucos. Ficámos, a abraçar-nos, fortemente! Ainda hoje me recordo desse particular momento como se fosse agora! E, antes de falecer, uns 5 dias antes, telefonou-me, estava eu no estrangeiro, a “despedir-se”: “até um dia rapaz, é desta que me vou, acho que não duro muito mais! Foi uma boa amizade!” Com uma voz já muito sumida! E foi! E chorei depois do telefonema e ainda hoje se me aperta o coração só de pensar nisto. E veio, de facto, a falecer, poucos dias depois. Morreu, vivendo aqueles últimos escassos anos de vida, com imensa dignidade, sem nunca se queixar. É com uma profunda mágoa que me “atrevi” escrever estas linhas, Helena. Que me custaram imenso a escrever, pode crer! E, ao escreve-las, até fiquei quase sem alma, só de o recordar. A perda de um Amigo é uma coisa séria. Complicado de lidar. Mas a vida é assim. Composta de coisas boas e de tristezas, neste caso particular, de uma imensa tristeza. Mas temos de aceitar. Que fazer?
P.Rufino

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu querido P. Vieram-me as lágrimas aos olhos com o su texto. É que também naquele último jantar que tivemos, ambos sabíamos que os dias estavam contados.
Todos os anos tenho perdido amigos e acho que isso me fragiliza em relação ao que ocupa o lugar do último.
Há pouco mais de um ano perdi o Prof Carrilho Ribeiro que era outro amigo do coração. E pouco anteas fora uma amiga a quem ele detectara um cancro.
Só espero que por uns tempos eu possa contar com aqueles que tenho e de quem gosto muito!
É, de facto, a vida. E a única certeza que temos. Para quem crê é menos duro, dizem...mas eu ainda não dei por isso!

Anónimo disse...

Um grande Xi Helena. Olhe que enquanto escrevi este comentário, confesso-o, estava com os meus olhos húmidos... Não me importo de o dizer! Um homem também pode ser capaz de chorar, ou não? Um Amigo vale todas as lágrimas (ou não?), pelo menos é o que penso e acredito.
P.Rufino

O Cigarrilha disse...

é sempre triste quando morre alguém, quando esse alguém faz parte da nossa vida pior ainda....

bonito texto de homenagem cara Helena,

abreijos/saúde

Luz disse...

Querida Helena,
Tem uma capacidade não apenas em nos colocar um sorriso rasgado nos lábios, como de tocar as nossas emoções com estes momentos menos bons que a vida também tem.
Como sabemos e bem, perder alguém é sempre doloroso e, irrecuperável, nada nem ninguém consegue substituir tamanha perda e, infelizmente vamos tendo algumas ao longo da vida, mas é a vida e, tal como a Helena refere muitos dizem que para quem crê é menos duro..., pois, eu subscrevo o que diz, também ainda não dei por isso!
A dor maior é perder alguém que não vemos mais, que fica para sempre na nossa memória e, essa quando boa pode ser "reconfortante", saber que aquela pessoa existiu para nós e vice-versa. Mas a saudade...
Obrigada Helena e, também Caro P.Rufino, o seu comentário arrepiou-me e as lágrimas foram inevitáveis, mas quando sentimos desta forma não devemos conter, e sim viver esse sentimento, como a certeza de que vida é assim, feita de alegrias e tristezas e, a única e maior certeza que temos é que para morrer basta estar vivo por mais duro que o seja!

Um beijo e um abraço forte

ElsaTL

Aldina Duarte disse...

Sempre que o céu fica mais rico a terra, pelo menos quando chove, também... chorar a partida dos nossos entes queridos é um retrato dessa chuva futura.


É só para mandar um beijinho e um abraço, querida Helena!

Helena Sacadura Cabral disse...

Obrigada a todos. Senti-me acarinhada e isso faz bem quando a alma está apertada.
Aldina minha querida sabe que foi ao som da sua voz que, neste dia, afaguei o meu fragilizado coração?
Bem haja por ela - voz - e pela ternura que sentimos uma pela outra.
Beijo da helena

Carlos Pacheco Marques disse...

Conheci o Quim Machaz na "tropa". Faz amanhã 40 anos que iniciámos as funções de aspirante miliciano no Regimento de Cavalaria 7, no dia (meridiano de Greenwich) em que o Homem chegou à Lua... Convidou-me muitas vezes para almoçar ou jantar com ele no Hotel Tivoli e passámos muitos momentos divertidos. Recordo uma noite em que se sentou ao piano do bar e começou a dedilhar ao piano um êxito da época, "The windmills of your mind". De piano, eu só sabia alguns acordes, mas ele disse-me que chegava para acompanhá-lo, num orgão eléctrico. Para meu espanto, passados alguns minutos um empregado, por indicação de um casal presente na sala, perguntava-nos que bebida queríamos tomar... Na altura achei muito lisonjeira a oferta,mas hoje penso que essa delicadeza procurava levar-nos a interromper a actuação que, possivelmente, estaria ao nível da que o Warren Beatty e o Dustin Hoffman tiveram no filme "Ishtar"...
A última vez que vi o Quim Machaz foi há alguns anos no restaurante Alfoz. Fui lá a um almoço de anos da minha mãe. Não sabia que o restaurante era dele e foi uma grande surpresa termo-nos reencontrado. No fim do almoço juntou-se a nós, mandou abrir uma garrafa de champagne e iniciou o canto dos "Parabéns a você". Estava exultante por nos ter feito a surpresa e o gosto! Foi num dia 15 de Julho, data em que ele agora nos deixou...
O que nele sempre mais me impressionou foi exactamente o seu grande empenho e a sua enorme satisfação em tornar os outros felizes,o que sendo um objectivo espiritual de muita gente, apenas é posto em prática por bem poucos.

Anónimo disse...

Sempre que o céu fica mais rico a terra, pelo menos quando chove, também fica... chorar a partida dos nossos entes queridos é um retrato dessa chuva futura...

É só para mandar mais um beijinho e um abraço, querida Helena! Aldina.

CARVALHO disse...

Cara Helena Sacadura Cabral. Sabendo eu que se trata de uma Mulher com um M grande, quem sou eu para pôr em causa o sua amizade e carinho especial pelo Quim Machaz que, por infelicidade do destino, deixou de fazer parte da sua roda de amigos de verdade. Acredito piamente nas suas palavras quando faz o elogio na pessoa de Quim Machaz que vos deixou para sempre. A Helena diz a certa altura que, após o 25 de Abril de 1974, os trabalhadores do Tivoli não ousaram saniá-lo, antes pelo contrário: deram-lhe um voto de confiança, apesar dos tempos conturbados que se seguiram à REVOLUÇÃO DOS CRAVOS o que, digamos, era absolutamente normal, depois de uns muitos longos 48 anos de FASCISMO que nos envergonhou a todos. Penso que a Helena estará de acordo comigo. Salvo raras excessões e o Quim Machaz foi uma delas, tenho que admitir que os trabalhadores (eu também o era na ex-Sorefame), a única empresa em Portugal que fabricava carruagens para a CP, Metropolitano de Lisbôa e Porto e ainda para o estrangeiro. Portanto, como vinha dizendo, os trabalhadores, sem as "amarras" da ditadura fascista, lançaram mãos à "Obra" pela sua emancipação e que também eles tinham direitos e deveres na construção de uma Sociedade mais justa - contra as Desigualdades Sociais. Minha cara Helena: Uma REVOLUÇÂO «mexe» com um PAÌS que não zelava pelo bem estar do seu POVO. Milhares de Portugueses perderam a vida na guerra colonial (eu passei os piores 28 meses da minha vida no norte de Moçambique e ainda hoje, com 64 anos de idade sofro dessas sequelas). Minha Cara Helena: Sem saber bem o porquê,dou comigo a mitigar o que me vai na alma, como se estivesse a escrever um "bate estradas" para uma madrinha de GUERRA que, neste caso, poderia ser a Helena Sacadura Cabral!!! Beijinhos e queira desculpar qualquer coisinha... Grato pela publicação do meu comentário.Se tiver a amabilidade de me responder ficarei ainda mais grato. António.

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro António
Creia que percebo muito bem as suas palavras. Mais do que possa pensar...
A minha grande pena é que com a conquista da liberdade não tenhamos interiorizado que ela "exige", para ser real, direitos mas também obrigações. E, a meu ver, hoje continuam a existir cidadãos que têm mais direitos do que obrigações. É isso que, de certo modo, me revolta...

Anónimo disse...

Exma. Senhora,

Acabei de ler hoje o seu mais recente livro e descubro q era amiga do Sr. Joaquim Machaz.Conheci-o muito bem, trabalhei com ele os meus anos de faculdade ( 95/2000) na Vela Latina.Tinhamos uma grande convivência, e era realmente tudo o que descreve.Uma pessoa encantadora com uma certa inocência raramente vista.obrigada por me ter feito sorrir quando me permitiu recordar os momentos que com ele partilhei.
Marina

Anónimo disse...

Um Grande amigo e Homem da Corda,Lembr-me dos grandes momentos da Estroina passados no Bar do Hotel Tivoli com e com o grande Empresario de Teatro bem conhecido e tambem já desaparecido,SERGIO DE AZEVEDO,agradeço á vida por ter convivido estes grandes AMIGOES